5.5 Elever unngår prosent hvis mulig og går via antall
6.1.1 Prosentvise forskjeller
Após essa rápida apresentação de alguns conceitos relacionados à teoria dos atos de fala, mostraremos, agora, como essa teoria entende a pergunta, tema desta tese. Da mesma forma como fizemos no item anterior, apresentaremos algumas reflexões sobre essa abordagem pragmática da pergunta.
Segundo Kerbrat-Orecchioni (1991), para os filósofos da linguagem, a pergunta está entre um dos três atos universais de linguagem, sendo eles: os atos que descrevem o mundo, os atos que interrogam sobre o mundo e os atos que procuram mudar o mundo21. Outra consideração, segundo Parret (1979), é a de que foram os filósofos da linguagem,
21 Segundo Levinson (2007, p. 308), é preciso fazer uma distinção entre o conjunto de termos imperativo, interrogativo e declarativo e o conjunto de termos ordem (ou solicitação), interrogação e afirmação (ou declaração). O primeiro conjunto é o de categorias linguísticas referentes às sentenças; o segundo grupo é o de categorias concernentes ao uso das sentenças, às enunciações e tipos de enunciações.
especialmente Searle, que abriram um novo campo de investigação, buscando, pela teoria dos atos de fala, formas de classificar os tipos de perguntas, levando outros teóricos a se aventurarem por esse caminho.
Searle (1995) considera a ordem e a pergunta como dois membros de uma mesma família, a dos atos diretivos. Esses atos têm como ponto ilocucionário o empreendimento do falante para conseguir que o ouvinte faça algo por meio da enunciação da sentença. Segundo Searle (1995), sobre os atos diretivos:
[...] seu propósito ilocucionário consiste no fato de que são tentativas (em graus variáveis, e por isso são, mais precisamente, determinações do determinável que inclui tentar) do falante levar o ouvinte a fazer algo. Podem ser ―tentativas‖ muito tímidas, como quando o convido a fazer algo ou sugiro que faça algo, ou podem ser tentativas muito veementes, como quando insisto em que faça algo. [...] A diferença do ajuste é mundo-palavra e a condição de sinceridade é a vontade (desejo). O conteúdo proposicional é sempre que o ouvinte O faça alguma ação futura A. (SEARLE, 1995, p. 21).
Nessa definição, o conteúdo proposicional é sempre a realização da ação por parte do ouvinte (ARMENGAUD, 2006). Assim, as perguntas são uma subcategoria dos atos diretivos, pois elas são uma tentativa do falante de fazer o ouvinte responder algo, de realizar um ato de fala (SEARLE, 1995). A ordem e a pergunta constituem demandas, que podem ser modestas ou fortes de acordo com o eixo relativo ao grau de intensidade na apresentação do objetivo do locutor. Elas têm a mesma natureza em relação ao objeto da demanda e, portanto, sobre a natureza – verbal ou não-verbal – do comportamento da resposta:
– Demanda de um dizer – reação verbal – pergunta – Que horas são?;
– Demanda de um fazer – reação não-verbal – ordem – Diga-me que horas são. Essa distinção entre ordem e pergunta é bastante problemática. Segundo Kerbrat- Orecchioni (2005), diferenciar uma ordem de uma pergunta recai sobre a discussão entre fazer e dizer, ou seja, por um lado, a pragmática assume o postulado de que dizer é fazer, assim toda pergunta é uma forma de ordem; mas, por outro lado, a língua concede autonomia a esse fazer próprio, e particularmente importante, pois dá certos meios de expressão específicos à solicitação de um dizer. Kerbrat-Oreccioni (2005), ao conciliar os pontos de vista linguístico (de Benveniste) e pragmático (de Searle), coloca a pergunta (pedido de um dizer) e a solicitação (pedido de um fazer) como parte de uma categoria maior, a dos pedidos (KERBRAT-ORECCHIONI, 2005, p. 100).
Pela teoria dos atos de linguagem, a hipótese da interrogação parte de dois interlocutores reais e o ato de demandar consiste que um locutor 1, sem dispor de uma certa
informação, envie a um locutor 2 um ato de linguagem tal que ele fornecerá ao locutor 1 a informação que este necessita ou quer saber sobre o mundo.
O ato de interrogar, segundo Searle (1981), está circunscrito por um conjunto de condições e regras. Entre as condições para perguntar, citamos:
a) o locutor 1 não dispõe ele mesmo da informação;
b) o locutor 1 pensa que o locutor 2 dispõe dessa informação;
c) o locutor 1 pensa que o locutor 2 não fornecerá ele mesmo a informação em questão;
d) o locutor 1 pensa que o locutor 2 é capaz de lhe fornecer a informação. Das regras para perguntar, encontram-se as:
a) de conteúdo proposicional – qualquer proposição ou função proposicional; b) preparatória – F22 não sabe a resposta, isto é, não sabe se a proposição é
verdadeira ou, no caso da função proposicional, não sabe a informação necessária para completar verdadeiramente a proposição; não é óbvio nem para F nem para O que O dará a informação naquela hora sem ser perguntado.
c) de sinceridade – F quer essa informação;
d) essencial – vale como uma tentativa de obter essa informação de O;
Comentário – Há dois tipos de perguntas, (a) reais, (b) exames. Nas perguntas reais F quer saber (descobrir) a resposta; nas perguntas de exame, F quer saber de O sabe. (SEARLE, 1981, p. 88).
A discussão sobre a diferença entre pergunta e solicitação é deveras importante ao campo da pragmática, e leva também a questões sobre os atos de fala indiretos.
Dentre as críticas referentes aos estudos da pergunta pela perspectiva da pragmática associada aos filósofos de Oxford, conforme Grésillon (1981), está a falta de uma análise das formas específicas da língua envolvidas neste ato. Outra crítica deve-se à pergunta (entendida como todo enunciado que se apresentar com a finalidade principal de obter do destinatário um aporte de informação) ficar restrita ao tipo de pergunta de demanda de informação.
Além disso, concernente ainda aos estudos pragmáticos da pergunta, Grésillon (1981) propõe que, com relação à interlocução, a pragmática estuda o caso de dois locutores reais, numa situação de diálogo/comunicação, o que também não consegue explicar questões referentes aos estudos da interrogação de natureza mais complexa, em que não se trata de um diálogo real.
Pretendemos, por nosso olhar argumentativo pela ANL, tratar do caso dos discursos escritos, em que há uma relação enunciativa entre o locutor e o interlocutor, enquanto seres
discursivos, e, dessa forma, acreditamos contribuir para a compreensão de um uso específico da pergunta.
Para finalizar esta subseção, consideramos que a teoria dos atos de fala constitui um marco teórico para os estudos da linguagem sob a perspectiva da ação. Apesar de conter problemas internos (por exemplo, a ênfase dada ao locutor, deixando de lado a interação), é a partir dos problemas propostos por essas primeiras regras elaboradas para estudar a linguagem em uso pelos filósofos de Oxford, que novos ramos surgiram e se desenvolveram. Dentre eles, destaca-se o campo de investigação sobre a fala, como a análise da conversação, no qual não entraremos, pois nosso objeto restringe-se à escrita23.
Após essas primeiras reflexões sobre os atos de fala, passamos à outra perspectiva de entendimento da linguagem (e, consequentemente, da pergunta) – a semiolinguística.