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Propuesta didáctica: creación de un programa de radio en el aula

Não conhecia Edyr Augusto pessoalmente até o dia da nossa entrevista nos estúdios na Rádio Jovem PAN. Confesso que conhecer a sua trajetória artística, contada por ele mesmo se constituiu para mim em um momento deveras fascinante. A Rádio Jovem PAN está situada no mesmo prédio da Rádio Clube da minha infância e, entrar ali, me fez voltar ao passado.

Edyr Augusto é escritor, jornalista, radialista, redator, publicitário, poeta, dramaturgo, diretor de teatro e autor de jingles. Nsceu em Belém do Pará em 1954 e se

criou no bairro da Campina, precisamente na Presidente Vargas com a Riachuelo, em frente à Praça da República, que “era o seu quintal”.

FOTOGRAFIA 18 - Foto Edyr Augusto Proença.

Fonte: Acervo da autora.

Edyr Augusto cresceu em ambiente farto de cultura. Ele mesmo fala desse ambiente familiar que tanto influenciou sobremaneira sua formação.

Eu fui criado numa família rodeada de cultura por todos os lados; a família da minha mãe, a família do meu pai produziram muitas obras aqui em Belém. A família da minha mãe produziu... A Adalcinda Camarão Luxardo, que foi casada com o Líbero Luxardo, figuras famosas, importantes, lançaram livros, filmes; a família do meu pai, que é a família do meu avô; meu avô lançou livros, escreveu peças de teatro, foi pioneiro na rádio difusão em Belém, foi jornalista e um dos primeiros cronistas sociais então nós éramos muito... Meus pais, meu pai e minha mãe antes de se casar eles participavam de um conjunto musical (PROENÇA, Edyr Augusto, 2015, p. 2).

Durante mais ou menos quatro anos, estudou Engenharia Civil até decidir trocar de faculdade. Fez outro vestibular, desta feita para Jornalismo e saiu em 1979 ou 1980. Não terminou a graduação em Engenharia porque sentiu não tinha nada a ver com ele (PROENÇA, Edyr Augusto, 2015, p. 2).

Na época em que era estudante, já estava fazendo música, não havia como não enveredar pela carreira artística “Meu pai fazia música, minha mãe cantava e, aí, crescemos rodeados por toda essa coisa de cultura, e muito cedo nós começamos a

querer nos expressar e eu acho que de todos, eu fui o primeiro a querer me expressar...” (PROENÇA, Edyr Augusto, 2015, p. 2).

Das artes, parece que a música chegou primeiro. Juntamente com o irmão menor, João Augusto Proença começou a escrever uma ópera rock que, segundo ele, era moda na época. O irmão desistiu no meio do caminho e foi fazer pintura. Ele seguiu adiante.

Fez esta ópera rock que, na verdade, é uma ópera cabocla, baseada na lenda do boto. Tinha entre dezesseis e dezessete anos nesta época, e essa ópera foi encenada mais tarde quando ele tinha dezenove anos, iniciando assim outra face da arte em sua vida: a dramaturgia. A relação com a música, segundo ele, não ocorreu através de instrumentos musicais,

Curiosamente todos os meus irmãos sabem tocar um instrumento, eu não sei tocar nenhum, mas curiosamente eu sou o único que faz música. Componho e arranjo músicas a partir da ousadia mesmo, porque eu fui compositor de jingles universitários, mais de 200 jingles eu fiz. Recebi alguns prêmios, não tenho como mostrar aqui pra você, está mal traçado. Recebi alguns prêmios nacionais, internacional, mas assim: eu chamo o músico e digo o que eu estou ouvindo. ‘É isso, isso, isso! Põe esse instrumento, põe aquele instrumento, é assim que eu quero!’ (PROENÇA, Edyr Augusto, 2015, p. 3).

Começou a fazer letras de música a partir do momento em que houve um festival universitário da canção, e isso deve ter sido próximo a 1972. Essas músicas “acabaram não funcionando. ”. Acontece que o pai, que já tinha parado de compor há muitos anos, queria voltar a tocar violão, e lhe pediu uma letra (PROENÇA, Edyr Augusto, 2015).

Fez uma letra para o pai e, com isso marcou o retorno dele à composição. Fez outras letras com pai, mas trabalhando dentro da realidade musical paterna. Foi nessa época que surge o Quem São Eles na sua vida, talvez em 1976, na fase que se deu o ressurgimento do Quem São Eles (PROENÇA, Edyr Augusto, 2015).

Um grupo de intelectuais se reuniu para restabelecer o Quem São Eles. “Então aconteceu Eneida, o primeiro enredo do Quem São Eles, depois dessa nova fase, depois veio Marajó, Ilhas e Maravilhas, e a segui o festival de samba enredo” (PROENÇA, Edyr Augusto, 2015, p. 4).

A sua experiência anterior com o carnaval advém do fato dos desfiles dos antigos carnavais acontecerem “na frente da minha casa na Presidente Vargas e eu era muito criança [...] Lembro-me de ver os sapatos brancos, as calças brancas e os ternos grenás do Boêmios da Campina” (PROENÇA, Edyr Augusto, 2015, p. 4).

Lembra-se também nesses momentos, da empregada doméstica de sua casa, porque ela ficava acordada para assistir os desfiles e ele acabava por não assistir-lhes porque a sua escola do coração desfilava muito tarde e ele ia dormir. Mas isso tudo povocava a sua imaginação fazendo com que sonhasse, em um dia, também desfilar (PROENÇA, Edyr Augusto, 2015).

O sonho de desfilar no carnaval se materializou quando participou na Praça da República com Império de Samba Quem são Eles com o samba Cobra Norato: O

Pesadelo Amazônico, samba que fez de parceria com o pai Edyr Proença.

Chegou a compor sambas para outras escolas, mas não lembra para quais foram. Falando de parceiros relembra que:

(...) tive músicas com o Calibre que é um músico aqui de Belém, um baixista; tenho músicas com Nilson Chaves, algumas até gravadas por ele, com o meu pai né? Mas assim, geralmente sozinho, porque eu, eu sempre tô aplicado em alguma coisa que eu tenho pra resolver, sabe? Eu tenho uma trilha sonora pra fazer, eu tenho uma, uma, uma... Um jingle pra fazer né? (PROENÇA, Edyr Augusto, 2015, p. 9).

Como escritor, Edyr Augusto tem uma longa e consagrada carreira53 “Eu estou indo quarta-feira à França [...] Eu vou participar de um salão do livro mundial [...] eu vou a Lion, porque eu ganhei um concurso lá com o meu livro, eu vou receber um prêmio em Lion e vou participar de outro festival lá” (PROENÇA Edyr Augusto, 2015, p.15).

Ele manifesta a sua decepção em relação ao carnaval que se faz atualmente em Belém do Pará “Nós não vamos deixar nada pra trás! Amanhã, depois de amanhã, não vão acontecer esses desfiles mais. [...] o pessoal do Boêmios da Campina... Pra mim eles eram na minha imaginação, era uma coisa linda!” (PROENÇA, Edyr Augusto, 2015, p. 14).