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Proposing Topic Trackers Based on Feedback

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Como visto no cartaz, Mecías Show é conhecido como “o sem-vergonha do forró”. Apesar de ter iniciado sua carreira seguindo os passos do pai, o mesmo já conseguiu uma relativa autonomia, sendo reconhecido como um forrozeiro que tem futuro no meio musical.

O próprio anúncio nos revela certa separação entre os organizadores da festa, Mecías e Família. No começo de 2008, o jovem-revelação foi convidado por uma banda da cidade de Santa Cruz - RN, através de um amigo tecladista, para participar da gravação de um show dessa respectiva banda de forró. Nessa participação, Mecías cantou três músicas que ficaram registradas áudio-visualmente em DVD, o que é motivo de orgulho para os moradores da Serra e os parentes do cantor.

O jovem José Mecías conta que seu interesse partiu da influência da presença de Loza e outros músicos tocando e se apresentando na Serra. Ele revela: “Bateu em mim como uma invocação”. Segundo Mecías, a invocação é a certeza de querer seguir aquele caminho, como se ele tivesse nascido com essa inclinação. Isso aconteceu quando ainda era criança: “Uma vez, quando eu era menino, acho que tinha uns sete anos, eu fui a um forró e vi meu padrasto (Loza) tocando, aí eu me aproximei e fiquei olhando, prestando atenção e ele me chamou pra pegar o triângulo”. Loza, que nunca teve filhos, procurava um pupilo para ensinar-lhe o forró e Mecías apareceu em um momento favorável para isso. Hoje eles compõem um grupo musical que se apresentam nos forrós da Serra e nos forrós que eles mesmos organizam.

É preciso indicar que os tocadores acima escolhidos fazem parte de uma radição de sanfoneiros que se desenvolve no meio familiar através das festas de forró. Reconstituiu-se como se deu o aprendizado desse saber unicamente para mostrar a importância que os tocadores antigos, que aparecem na memória dos mais velhos, exercem para as gerações atuais e estas para a continuidade das festas. Porém, é preciso lembrar que os tocadores atuantes não se restringem a apenas esses.

O quadro seguinte apresenta seis dos principais tocadores da Serra, com seus respectivos instrumentos e suas idades. É importante perceber que esse quadro diferencia-se do anterior no que tange à variabilidade dos instrumentos tocados. Se no quadro dos tocadores antigos a sanfona era maioria, neste ela permanece, mas ao lado de outras técnicas especializadas.

Tocador Ofício musical Idade

1 José Félix dos Santos – Loza Sanfoneiro 57

2 Clidenor Félix dos Santos Panderista/ Triângueiro 48

3 Ivan Domingos Zabumbeiro 31

4 Anderson Domingos Triângueiro 25

5 José Mecías Vocalista/Sanfoneiro 22

6 Arnaldo Lopes Pereira Neto Sanfoneiro 16

Quadro 5 – Os tocadores de hoje. Fonte: Elaborado pelo autor.

Esse quadro demonstra ainda a importância das famílias na continuidade de um saber musical. Os tocadores acima relacionados estão em plena atividade e juntos fazem as festas acontecerem. Eles têm um papel central para que as reuniões aconteçam nas festas. Assim é a realidade festiva e musical na Serra, uma história que inclui o saber de ser tocador, um tipo de herança passado através de gerações e atualizado de acordo com a realidade atual.

2.4.5 Forrozeiros e animadores

Forrozeiros são as pessoas que freqüentam com regularidade as festas de forró na Serra da Gameleira. É uma categoria fluida, pois não existe uma quantidade numérica precisa que venha a determinar os forrozeiros. As pessoas entrevistadas na Serra se consideram participantes ativas das festas. O forrozeiro ouve e dança forró, espontaneamente, o ano todo. Seu repertório não é limitado, apenas dirigido a um gosto musical comum sancionado temporalmente pelos moradores da Serra e seus moradores não têm o mínimo interesse em escutar ou dançar outras músicas.

É interessante notar que vários forrozeiros locais extrapolam os limites de ocorrência do forró apenas no espaço da Serra. Em conversa com alguns familiares, pude perceber a importância em sair durante os forrós nos arredores: “O bom é ir também a festas em outras comunidades, pois a pessoa fica mais ‘desenrolada’”. Esse depoimento frisa a relevância que as festas adquiriram na Serra e que ser forrozeiro é poder acompanhar o forró nos circuitos locais e até mesmo extrapolando esse circuito mais restrito, é a necessidade de viver “uma diferenciação contínua e sistemática dos iguais” (DAMATTA, 1983, p. 149), é diferenciar-se

em relação às pessoas de dentro e de fora da Serra.

Outro personagem fundamental para a ocorrência das festas são os animadores. Animar uma festa de forró é fazer conectar os lugares festivos. Geralmente, os animadores não moram na Serra, eles são ou de Lajes Pintadas ou de São Tomé, uma vez que nessas localidades existe o acesso ao veículo de comunicação local, como a rádio. O sentido da presença do animador, na verdade, se confunde com o de divulgador. As pessoas que divulgam as festas têm esse papel de levar o forró da Gameleira para pessoas de fora da Serra também poderem participar. Os animadores elaboram e imprimem os cartazes para serem colados nos locais onde a festa acontece e em suas proximidades. Faz-se essa divulgação também no boca a boca, quando encontra-se amigos e conhecidos na rua. Os animadores aproximam-se do que seria um produtor musical, mas se limitando exclusivamente à divulgação. Essa atividade revela, também, o grau de relação que uma pessoa de fora pode manter com os moradores do lugar, efetivando-se por meio das festas de forró.

Se a festa não tem muita presença de público externo, pois as pessoas da Serra já têm sua participação assegurada, a responsabilidade maior é desse animador que não fez bem o seu trabalho. Isso significa que a renda da festa foi pequena e, por isso, o animador não irá receber o pagamento total combinado. Comumente, o animador é sempre o mesmo em cada um dos municípios, já que não existe uma variedade de pessoas que se envolvam a esse ponto com as festas. A missão central do animador é chegar até o forrozeiro, outro personagem central, para que as festas se realizem.

Diante do exposto neste capítulo, pudemos perceber de que maneira se articulam os lugares festivos de ocorrência dos forrós na Serra da Gameleira. Entendemos que a estrutura se firma num eixo que envolve fatores importantes – como organização das festas, trajetos festivos e casas de forró –, além dos personagens fundamentais para a organização e sucesso desse circuito: donos dos forrós, os tocadores, os forrozeiros e os animadores, a fim de atrair o público e efetivar uma sociabilidade tradicional entre os membros da comunidade local.

C A P Í T U L O I I I

ANOITECER E AMANHECER NO FORRÓ DO LOZA:

ETNOGRAFIA DE UMA CASA DE FORRÓ

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