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1. Introducció

1.4 Magnetisme i vibracions a mostres ferromagnètiques

1.4.2 Energia magnètica

1.4.2.2 Energia magnetocristal·lina

O pequi (C. brasiliense) é uma das espécies da família das Caryocaraceae abundante no Cerrado brasileiro e de grande importância econômica, cultural e ecológica. Na TI Las Casas é uma espécie abundante, e entre seus habitantes é conhecido como prĩm. Faz parte da culinária tradicional dos Mẽbêngôkre-Kayapó, e desde outubro até início de janeiro, é uma das bases da alimentação na aldeia, seus frutos são consumidos in natura ou cozidos (Figura 37).

Figura 37. Berarubu de pequi preparado no ki e folhas de bananeira.

Se cozido o pequi é preparado de diversas maneiras, entre as que se destaca o berarubu de pequi, onde o fruto é assado em folhas de banana brava no forno preparado com pedras quentes (ki). Eles também preparam o berô mrô, mingau de pequi que é cozinhado com o amido da mandioca e os frutos de pequi, e mencionaram que no passado, faziam conservas de pequi, onde este era cozido e desidratado, e guardavam-no para o preparo de sopas ou berô mrô quando não havia frutos frescos. As sementes são beneficiadas e utilizadas na confecção de chocalhos e cintos que são utilizados nas danças em festas de nominação, chamados na língua Mẽbêngôkre prĩmkà, (GONZÁLEZ-PÉREZ et al., 2012; 2013).

A coleta dos frutos é realizada pelas mulheres, principalmente da mesma família, das categorias de idade mekrapdjire e mebengêjte e que saem em grupos de amigas ou parentes, e em algumas ocasiões participa da coleta a família inteira. As mebengêjte geralmente levam seus netos para ajudar na coleta (figura 38).

Figura 38. Coleta de frutos de pequi.

Fonte: Fotografia Sol González (2012).

Outra espécie do gênero Caryocar (Caryocar villosum Aubl. Pers.) também é consumida e utilizada na confecção de artesanato pelos Kayapó que habitam nas áreas de floresta de terra firme, em Moikarakô na TIK, esta espécie é cultivada (GONZÁLEZ–PÉREZ et al., 2013; POSEY 1989).

Nas diferentes conversas na aldeia sobre a importância do pequi, os interlocutores não mencionaram fazer algum tipo de manejo relacionado ao cultivo, mesmo assim tem pequi em alguns quintais. Segundo o observado nas diferentes saídas, há um manejo indireto através da dispersão de sementes, pois ao consumir o fruto in natura as sementes são dispersas nos caminhos.

Entre outros povos indígenas o pequi também é uma espécie importante tanto na subsistência quanto na vida ritual. No Parque Indígena do Xingu (PIX) pelo menos onze povos indígenas utilizam e manejam o pequi de maneira diferenciada, e o uso e conhecimento desta espécie é como relacionado um dos traços característicos da cultura alto-xinguana. Entre estes povos os Kalapalo, Waurá, Yawalapití, Kamayura e Kisedje reconhecem sete variedades diferentes de pequi entre os indivíduos cultivados nas roças.

Entre estas há subvariedades dependendo das diferenças morfológicas das sementes e a cor da polpa, como por exemplo, as variedades com polpa amarela, vermelha, branca ou cinza, enquanto à morfologia da semente mencionam as variedades sem espinho ou sem buraco, além do pequi silvestre ou do campo (SCHMIDT, 2006). O pequi é cultivado junto com as roças de mandioca, no início da estação chuvosa, após o cultivo da mandioca, portanto cada família tem seu pequizal, e é herdado entre membros de uma mesma família. Segundo Schmidt (2006) num levantamento realizado nos principais pequizais nas aldeias onde o pequi é cultivado, foram contabilizados 14.032 pés de pequi em uso. Destaca Schmidt (2006) que todos os anos na época da safra são comemoradas festas rituais como a festa do Mapulawá (beija flor), onde há cantos e danças como reverência aos animais polinizadores e dispersores das sementes.

Em Las Casas, o pequi ocorre na savana arborizada, nas áreas chamadas pelos indíge nas kapôt prin kô. No ano de 2012, várias famílias coletaram pequi para vender a comerciantes locais, mas devido aos baixos preços de compra (os preços variaram de dois a quatro reais a saca de 20 Kg).

Até o ano de 2015 a atividade não tinha sido fortalecida, principalmente devido à dificuldade de escoamento dos frutos até os centros de comercialização, pois na única vez que foram comercializados, o comprador buscava a coleta realizada pelas famílias na mesma aldeia Las Casas.

Pesquisando na feria de Redenção, tentando ver as possibilidades de comercialização para as famílias da aldeia, soubemos que na região não há compradores, e a única opção que os Kayapó poderiam ter para comercializar, seria eles mesmos levando a produção para feira nos finais de semana. Oportunidade praticamente inviável, devido ao fato de que a distância da

aldeia à cidade de Redenção é de aproximadamente 30 km. Não há transporte público ou de baixo custo para os indígenas. Pois para ingressar à aldeia Las Casas, pode ser de taxi, cujo valor é de 250 reais por trecho, ou de moto taxi, cujo valor é de aproximadamente 80 reais por trecho. Desta maneira tanto pelo custo, quanto pelo espaço do transporte para carregar a produção fica inviável se trasladar à cidade com os frutos coletados. Também é interessante destacar que o pico da produção de frutos nesta espécie é bianual, ou seja, tendo um ano com alta produção e o seguinte com baixa produção.

Mesmo assim, há atualmente um projeto piloto de comercialização de pequi em duas aldeias da TI Las Casas. No ano 2015, a partir das demandas das aldeias Tekrejarôti-re e Kaprankrere, durante o processo de construção do Plano de Gestão Territorial e Ambienta l (PGTA) da TI Las Casas, a AFP iniciou este piloto, onde foram coletadas e comercializados um total de 9.450 quilos de frutos de pequi (C. brasiliense), nas áreas de exploração das duas aldeias. Esta produção, adquirida pela AFP, foi distribuída, nas Casas de Saúde Indígena CASAI dos municípios de Ourilândia do Norte, Tucumã e São Felix do Xingu, e vendida nas feiras livres do município de Marabá (AFP, 2016).

Porém, deve se acompanhar também a produção para o consumo na aldeia, devido a que é um recurso de grande importância na alimentação para os moradores da TI Las Casas desde o início até meados da estação chuvosa, ou seja, de finais de outubro até janeiro.

No sudeste do Pará são comercializados pelos agricultores familiares de um assentamento derivados do fruto como são o azeite, óleo, conservas, farinha e creme para conserva de pimenta, o fruto in natura não é comercializado, mas é consumido pelas famílias dos projetos de assentamento do município Santa Maria das Barreiras no sudeste paraense (FEITOSA et al., 2005).

Nas áreas de ocorrência do pequi (prin kô), as savanas arborizadas em Las Casas, foi realizado um levantamento em campo de um hectare, foram levantados no total 12 indivíd uos. Também foi realizado um levantamento da densidade de pequi em savanas arborizadas, na imagem de altíssima resolução Pleiades de 2013, na qual foi contabilizada uma média de dois indivíduos por hectare, desta maneira pode se dizer que a densidade do pequi, é relativame nte baixa se comparada à densidade de pequi registrada em outras áreas de Cerrado; onde Naves (1999 apud SANTANA; NAVES) registrou 70 indivíduos/ha em solos com concreção40 e 49

indivíduos/ha em solos sem concreção, por outro lado dados mostram a estimativa de produção

extrativista, tendo por base a densidade de 45 indivíduos/ha (ALMEIDA; SILVA, 1994, apud OLIVEIRA et al., 2008).

Santana e Naves (2002) destacam que o pequi, em áreas com alta densidad e populacional do Sudeste de Goiás, se adapta bem em solos com nível nutricional baixo, e que o desenvolvimento das plantas está associado ao tipo e ao nível nutricional dos solos; a maior densidade de indivíduos ocorre nos cambissolos e neossolos litolíticos do que em latossolos.

Neste sentido seria interessante aprimorar os estudos relacionados à ocorrência da espécie na região assim como também na densidade da população e dos tipos de solo, em que a espécie ocorre, pensando nas possibilidades de comercialização deste recurso pelos Kayapó de Las Casas, assim como também num futuro manejo da espécie para aumentar a densidade de população e assim a produção, que segundo Oliveira et al. (2008) depende além do tipo de solo, do ambiente de ocorrência.