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Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria (EEESMP), além dos cuidados gerais de enfermagem, os Enfermeiros Especialistas podem exercer cuidados de enfermagem especializados na área clínica a que estão habilitados. Além disso, o Regulamento de Competências Específicas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiatria aprovado

em Assembleia Geral Extraordinária de 20 de Novembro de 2010 pela Ordem dos Enfermeiros preconiza essas mesmas competências.

A nível da intervenção, os EEESMP, deverão desenvolver competências no sentido de ajudar a reestruturar cognitivamente o utente parassuicida.

Os comportamentos auto-destrutivos geram, não só um grande sofrimento na pessoa que o pratica, mas também para os seus familiares, que muitas vezes manifestam sentimentos de inutilidade em lidar com a situação e sentimentos de desesperança pois acreditam não haver solução para o problema em causa, necessitando muitas vezes de ajuda especializada. Ajudar os utentes com comportamento suicida bem como as suas famílias, poderá ser uma das formas que os profissionais têm no sentido de ajudar a descobrir e encontrar outras formas de viver que não através da morte.

O EEESMP pode actuar com maior eficácia quando as suas acções se baseiam num modelo que reconhece a presença da saúde ou doença como o resultado de múltiplas características de uma pessoa que interage com os factores ambientais.

O enfermeiro desempenha um papel fundamental, devendo pois estabelecer uma relação terapêutica com o utente. A sua competência deverá ser avaliada pela forma como consegue implementar as técnicas e os procedimentos segundo os manuais terapêuticos.

Os modelos de interacção bem como os tratamentos/técnicas de intervenção deverão ter em conta as características do próprio utente. Assim, poderão depender: do tipo de técnica; da característica do utente; da aliança terapêutica e da compatibilidade entre utente e a referida técnica de intervenção.

Cabe também ao Enfermeiro Especialista, realizar intervenções ao nível do: treino parental; treino da resolução de problemas; treino de competências sociais; terapia cognitiva -comportamental; terapia Familiar; treino de relaxamento; psico-educação; entre outras.

Não há técnicas/tratamentos mais eficazes uns do que outros pois embora haja alguma semelhança entre eles, estes acabam por se complementar.

Das técnicas que o Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Mental a Psiquiatria dispõe, poderá recorrer:

A) As Técnicas de Reestruturação Cognitiva (TRC)

As sessões devem ser efectuadas nos serviços de internamento onde o doente se encontra internado, trazendo grandes benefícios aos utentes com problemática suicidária. As referidas técnicas poderão ser desenvolvidas em dias alternados, devendo o número médio das mesmas ser de 3 sessões. Contudo, o referido número poderá ser ajustado em função do utente que se nos depara, atendendo a haver aspectos que devem ser tidos em conta, tal como: se a técnica é aplicada de forma individual ou em grupo; forma como as mesmas decorrem; como os vários intervenientes conseguem interagir entre si.

A referida técnica é utilizada, uma vez que ajuda o utente a tomar consciência do verdadeiro motivo que esteve na origem da tentativa de suicídio, além de ajudar a compreender que embora haja aspectos negativos na vida, também há coisas positivas, que as pessoas gostam e se preocupam com ela. Além disso, permite ajudar o utente parassuicida a encontrar estratégias para ultrapassar as adversidades da vida ou as situações geradoras de maior stress em situações futuras, ou seja, ajuda o utente a não ter uma visão rígida da situação ajudando-o a encontrar alternativas no sentido de ultrapassar as situações.

Quando as sessões são desenvolvidas em grupo, têm como principais objectivos: contribuir para a mudança de comportamentos; prevenir comportamentos de auto-agressão; evitar recaídas através da repetição de novas tentativas de suicídio; proporcionar um ambiente positivo de forma a facilitar o plano terapêutico.

B) As Terapias cognitivo-comportamentais, terapia comportamental dialéctica, terapia psicodinâmica e aconselhamento familiar, são elementos úteis no processo terapêutico de utentes com comportamentos suicidários. Estas terapias têm um importante contributo na recuperação do utente, uma vez que, incluem apoio para o utente enfrentar as emoções intensas e confrontar comportamentos auto-destrutivos, ao mesmo tempo que encoraja a autonomia pessoal. Reconhecer e superar sentimentos de desamparo, de falta de esperança e de desespero, bem como desenvolver o auto-conhecimento e construir uma identidade pessoal positiva também são elementos essenciais para o processo de aconselhamento de indivíduos suicidas.

A nível de intervenção terapêutica, a mais comum será a terapia cognitivo- comportamental e interpessoal bem como o psicodrama (em alguns casos).

O tipo de terapia pode incluir terapia individual, de grupo ou familiar e, possivelmente, todos eles. A auto-estima e os métodos alternativos para lidar com a dor emocional devem ser discutidos e praticados pelo utente. Os familiares e outras pessoas significativas podem ter de reformular a relação e o tipo de comunicação. A honestidade é enfatizada como uma importante base para a cura.

Dever-se-á também dar oportunidade ao indivíduo potencialmente suicida para que expresse os seus sentimentos, angústias, frustrações, preocupações a fim de ajudar a ―esvaziar‖ a situação de crise. Os técnicos de saúde não deverão apenas depender da comunicação verbal, pois a falta de referência ou a negação da ideação suicida podem mascarar a verdadeira intenção suicida. Apoio imparcial, ouvir atentamente, e fazer questões relevantes e reveladoras, podem ajudar a identificar quais as mensagens que o indivíduo suicida está a tentar transmitir.

C) O fundamento teórico da Terapia Comportamental Dialéctica (TCD) tem por base o Behaviorismo com elementos do Cognitivismo. Além disso, a Terapia Comportamental Dialéctica tende a ser bastante directa e procura abordar e confrontar o indivíduo, numa sessão semanal, sobre os conteúdos que se venham a apresentar. A prioridade é dada aos comportamentos suicidas e autodestrutivos, e depois a comportamentos que interfiram com a própria terapia. A seguir vêm assuntos ligados à qualidade de vida e à sua melhora. Muitas vezes os utentes tratados pela TCD têm boa compreensão teórica das perícias interpessoais, mas precisam de treino para se acostumarem a aplicá-la na sua vida diária.