Priority area 3: Post-conflict situations and peacebuilding
Goal 3.1: Local women participate in decision-making processes in post- post-conflict situations and peacebuilding efforts
3.1.3 Promote and support efforts to increase the proportion of women involved in the reconstruction of the justice sector and in security sector
3.1. ANÁLISE DE INQUÉRITOS E DESENHOS
3.1.1. Caracterização da amostra
A amostra é constituída por 60 crianças entre os 6 e os 10 anos, idades compreendidas na faixa a que se destina o projeto desta dissertação. Esta amostra foi conseguida a partir de um contacto com o Parque Florestal de Monsanto e a atividade foi realizada nas instalações do Espaço Monsanto. Dos 60 indivíduos que compõem a amostra, 10% têm 6 anos, 23% dizem respeito a crianças com 7 anos, 28% são crianças com 8 anos, 27% crianças com 9 anos e os restantes 12% são crianças com 10 anos. A amostra é constituída por 30 crianças do sexo masculino e 30 do sexo feminino.
Fig. 24,25, 26, 27- Algumas crianças inquiridas. Fonte: Própria.
3.1.2. Objetivos dos inquéritos
O objetivo geral da realização dos questionários foi investigar as rotinas e brincadeiras, independência de mobilidade, conhecimento espacial e a apreciação e representação das crianças no espaço. Os objetivos específicos passam por:
1. Verificar, de acordo com a opinião da criança, quais os jogos e os seus lugares preferidos na ocupação do tempo livre nos contextos casa e rua;
2. Verificar, segundo a opinião das crianças, a sua efetiva mobilidade independente, bem como os seus principais constrangimentos à mobilidade;
24
25
26 27
60
3. Verificar qual o conhecimento espacial, a apreciação e a representação que a criança faz do espaço urbano.
4. Utilizar estes questionários como parte para o processo participativo do projeto elaborado nesta dissertação.
Para além dos questionários, que foram realizados sob a forma de entrevista, de maneira a compreender melhor a perspetiva da criança, foram também elaborados desenhos pelas crianças. Ambos os métodos tinham como objetivo assegurar a participação da criança na projetação de um espaço. As crianças foram devidamente informadas do objetivo pretendido com a sua participação. Foi pedido às crianças que fizessem desenhos dos seus lugares ideais ao ar livre, mas tendo em conta o local de intervenção e o tipo de projeto pretendido neste trabalho.
3.1.3. Análise de resultados
3.1.3.1. Dos inquéritos
O inquérito que foi aplicado é mais amplo do que os resultados aqui apresentados. No entanto, em anexo é apresentado o inquérito completo. Para a análise de inquéritos foram extraídas apenas as informações consideradas mais relevantes para este estudo.
No segundo grupo de questões (II. BRINCAR), dado que o primeiro correspondia à caracterização da criança, à pergunta: “Costumas brincar em casa?”, 98% das crianças responderam “sim” e apenas 2% responderam “não”. À questão “Gostas mais de brincar dentro de casa ou ao ar livre?”, 75% das crianças afirmaram que gostam mais de brincar ao ar livre e apenas 25% que gostam mais de brincar dentro de casa. Destas duas questões, conclui-se que, embora as crianças gostem mais de brincar ao ar livre, elas brincam maioritariamente dentro das suas casas. A partir do discurso das crianças conclui-se que estes resultados se devem principalmente à falta de disponibilidade por parte dos adultos e às suas inseguranças. Relativamente aos 25% das crianças que preferem brincar dentro de casa, é bastante evidente no seu discurso a influência das tecnologias nesta escolha.
Os hábitos quotidianos da vida das crianças transformaram-se radicalmente, e os seus ritmos e rotinas também. Brincar na rua é em muitas cidades do mundo uma espécie em vias de extinção. O tempo espontâneo, do imprevisível, da aventura, do risco, do confronto com o espaço físico natural, deu lugar ao tempo organizado, planeado, uniformizado (Neto, 2001).
Gráfico 2- Gráfico circular correspondente à pergunta: Gostas mais de brincar dentro de casa ou ao ar livre?
Gráfico 1- Gráfico circular correspondente à pergunta: Costumas brincar em casa?
61
No mesmo grupo de questões, à pergunta “Em média, quantas horas brincas por dia na rua, durante a semana? E o que achas desse tempo?”, 72% das crianças afirmaram brincar menos de duas horas na rua, 27% entre as 2-4 horas e os restantes 1% afirmaram brincar na rua durante mais de quatro horas. Estes 1% correspondem na realidade apenas a uma das 60 crianças. Cerca de 62% das crianças pensam ser pouco tempo de brincadeira, 35% pensam ser suficiente e os restantes 3% acham que é muito tempo. Em conclusão, durante a semana, as crianças brincam muito pouco ao ar livre e mais de metade das crianças pensam que esse tempo é de fato insuficiente.
Durante o fim-de-semana, as crianças parecem brincar durante mais tempo na rua; cerca de 53% das crianças brincam menos de 2 horas, 35% entre 2-4 horas e apenas os 12% restantes brincam mais de 4 horas por dia na rua. Cerca de 50% das crianças continuam a achar que o tempo que brincam na rua é insuficiente, 40% acham que é suficiente e 10% apenas acham que é muito tempo.
Gráfico 3- Horas de brincadeira das crianças, na rua, em média, por dia, durante a semana.
Gráfico 4- O que a criança pensa desse tempo.
Gráfico 5- Horas de brincadeira, na rua, em média, por dia, durante o fim-de- semana.
Gráfico 6- O que a criança pensa desse tempo.
62
Por último, à pergunta “A que gostas mais de brincar no parque infantil?”, as respostas são muito variadas e não existe um grande consenso entre as crianças. As crianças escolheram as suas 6 atividades favoritas. Em conversa com as crianças, foi claro o entusiasmo por quase todas as atividades. O baloiço é sem dúvida um equipamento muito atrativo para as crianças. Logo de seguida seguem-se: as paredes de escalar, as atividades com a natureza e os túneis. Segundo a mesma ordem de preferências seguem-se as atividades de equilíbrio, o balancé e os aparelhos de trepar. De seguida as atividades com água, escorregas, carrosséis, e por último, as atividades menos apreciadas parecem ser as casas de brincar, a mola, as caixas de areia e as ardósias.
No terceiro grupo de questões (III. INDEPENDÊNCIA DE MOBILIDADE), à pergunta “Costumas ir sozinho a praças ou parques para brincar?”, a grande maioria das crianças (cerca de 93%) responderam “não” e apenas 7% responderam “sim”; e à pergunta “Costumas atravessar ruas muito movimentadas sozinho?”, também uma grande percentagem das crianças (cerca de 90%) responderam “não” e apenas 10% responderam “sim”.
Gráfico 7- Atividades preferidas das crianças num parque infantil.
Gráfico 9- Gráfico circular correspondente à pergunta: Costumas atravessar ruas muito movimentadas sozinho?
Gráfico 8- Gráfico circular
correspondente à pergunta: Costumas ir sozinho a praças ou parques para brincar?
63
Por último, à questão “Qual o lugar mais longe onde os teus pais te deixam ir sozinho?”, mais de metade das crianças, cerca de 70%, responderam que não podiam sair de casa sozinhas, 18% afirmam poder ir até à frente de casa, 10% podem ir até ao final da rua, e os restantes 2% (1 criança) afirmam poder ir a qualquer lugar da cidade.
A independência de mobilidade das crianças tem vindo a diminuir drasticamente como consequência de um estilo de vida padronizado. A rua não é só um espaço onde circulam carros e gente anónima e apressada, mas sim um espaço de encontro, descoberta e até desordem. Tudo isso é importante para a criança crescer (Neto, 2001). Esta independência não deve ser vista somente por a criança poder ir para a escola sozinha; o conceito deve alargar-se para um nível mais vasto. A criança deve poder brincar fora de casa, ir para a escola sozinha, visitar amigos, ir às compras e fazer outras atividades sozinha. As crianças gostam de brincar na rua, nos passeios e não gostam de ficar limitadas aos espaços de jogo (Arez, 1999). No último grupo de perguntas (IV.CONHECIMENTO ESPACIAL E APRECIAÇÃO DO ESPAÇO URBANO), à questão “Onde mais gostarias de ir?”, 27% responderam espaços de natureza, 26% das crianças responderam museus/teatros/cinemas, 19% das crianças responderam parques infantis, 13% espaços desportivos, 11% jardins públicos e apenas 9% o shopping. As respostas foram diversificadas, mas destacam-se as áreas de natureza, os museus/teatros e cinemas e os parques infantis.
Gráfico 10- Gráfico circular correspondente à pergunta: Qual o lugar mais longe onde os teus pais te deixam ir sozinho?
Gráfico 11- Locais onde as crianças mais gostariam de ir.