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6 THE INDUSTRIAL POTENTIAL FOR OIL-RELATED BUSINESS

6.4 Promising areas for local content development

Para este experimento foi utilizado o gel contendo 0,2% de NPVBF, com concentração de flúor de 9,28% no vidro bioativo.

A análise morfológica das amostras pelo MEV, após o ataque ácido dos discos de dentina, permitiu constatar que túbulos dentinários estavam abertos como observado na figura 45.

Figura 45. Imagem de MEV dos discos de dentina após ataque ácido.

Os resultados do estudo mostraram que os túbulos dentinários das amostras de dentina tratadas com gel contendo 0,2% de NPVBF foram ocluídos no intervalo de 1dia após aplicação do gel com escova dental simulando uma escovação dentária, conforme apresentado na figura 46.

Figura 46. Imagem de MEV dos discos de dentina após 1 dia de tratamento com gel com NPVBF 9%F.

As aplicações do gel foram repetidas diariamente e os resultados dos tempos 3, 7 e 14 dias estão apresentados nas figuras 47, 48 e 49 respectivamente.

Figura 47. Imagem de MEV dos discos de dentina após 3 dias de tratamento com gel com NPVBF 9%F.

Figura 48. Imagem de MEV dos discos de dentina após 7 dias de tratamento com gel com NPVBF 9%F.

Figura 49. Imagem de MEV dos discos de dentina após 14 dias de tratamento com gel com NPVBF 9%F.

Nas micrografias foi observado o aumento gradativo do depósito do material, formando uma camada na superfície da dentina, também fora dos túbulos, provavelmente partículas de vidro bioativo e cristais de hidroxiapatita e/ou fluorapatita, resultando em oclusão completa dos túbulos, ilustrando a capacidade dos vidros bioativos para a oclusão dos túbulos dentinários. Na imagem de MEV, figura 49, referente ao intervalo de 14 dias, na maior ampliação (20.000X), verificou-se mais claramente a presença dos cristais semelhantes à hidroxiapatita e/ou fluorapatita.

No intervalo de 14 dias é possível observar também que não só os túbulos foram ocluídos, ocorreu o recobrimento total da superfície, sendo assim é possível inferir que o gel contendo NPVBF apresenta potencial para a liberação de íons cálcio e flúor na superfície do dente que está vulnerável à desmineralização, reduzindo o risco de

desenvolvimento da doença cárie. Conforme relatado por Davis (2014), os íons cálcio e flúor são conhecidos por serem benéficos para a remineralização e fortalecimento do tecido dentário e o flúor também funciona como um agente contra a presença de Streptococcus mutans (microorganismo responsável pelo desenvolvimento da doença cárie) na cavidade oral (Davis et al., 2014).

Outro benefício da incorporação do flúor no VB, que foi relatada por outros autores é a provável liberação terapêutica dos íons flúor na cavidade bucal, que atuaria na prevenção de cáries, o que torna as NPVBF sintetizadas neste estudo um interessante componente para ser incorporado em cremes dentais. O desenvolvimento de novos materiais que liberem esses íons na superfície dental ao invés de apenas aumentar a concentração destes íons na saliva é de grande utilidade, pois seus efeitos são maximizados quando os íons estão localizados na superfície do dente que está vulnerável à desmineralização (Lynch et al., 2011; Brauer et al., 2012; Davis et al., 2014).

Davis (2014) concluiu em seu trabalho que avaliou a incorporação de vidro bioativo contendo flúor em resinas, com o objetivo de formular um composto para atuar como reservatório de íons cálcio e flúor. Os resultados apresentaram a liberação de cálcio e flúor, além da recarga de flúor para o sistema.

A oclusão dos túbulos dentinários é uma abordagem atualmente utilizada no tratamento da HD, e vários produtos com diferentes principios ativos têm se mostrado capazes de ocluir túbulos in vitro. Embora existam vantagens da utilização desses produtos pela facilidade de disponibilidade e custo (ao consumidor), uma grande desvantagem é que eles podem levar até 2-4 semanas para atingir qualquer eficácia no alívio dos sintomas da HD (Brauer et al., 2012). Com base nesta informação, é possível supor que o sistema NPVBF contendo 9% de flúor melhorou significativamente a formação de AP e/ou FAP, favorecendo o tratamento de HD pela oclusão dos túbulos dentinários com maior rapidez.

A HD está relacionada ao fluxo de fluidos dentro dos túbulos dentinários, e de acordo com a Lei de Poiseuille o movimento deste fluido é diretamente proporcional à quarta parte do raio. Como conseqüência qualquer redução no raio de abertura dos túbulos levaria a uma redução da permeabilidade dentinária e como tal deve ser eficaz no

tratamento HD (Lynch et al., 2011). Sendo assim, a caracterização in vitro da capacidade de formação de AP e/ou FAP desse novo sistema utilizando gel com NPVBF é muito importante na investigação do seu potencial para uso em dentifrícios remineralizantes.

A análise por MEV fornece fortes evidências para a capacidade das NPVBF para remineralização dentinária e redução da dor causada pela HD. Esta técnica, no entanto, não permite saber, com precisão, se obliteração dos túbulos dentinários acarretou também a inibição do movimento do fluido no interior dos túbulos, que é a causa da resposta dolorosa. Sendo assim, é necessária a realização de experimentos que analisem a condutividade hidráulica no interior dos túbulos em trabalhos futuros.

A análise de EDS da amostra após 14 dias de tratamento, apresentado na figura 50, mostrou a presença de forma qualitativa dos elementos destes compostos, apenas o flúor não foi identificado em uma concentração significativa, contudo esta técnica de análise não é a mais indicada para verificar a presença do flúor. Foi observada a presença da sílica, o que indica que não ocorreu a dissolução completa do vidro bioativo neste intervalo de tempo. Observou-se também a presença do Ca, P e O que indica que houve deposição de fosfato de Ca no interior dos túbulos dentinários. Seria necessária a realização de outras técnicas de caracterização para confirmar se o material depositado no interior dos túbulos é mesmo a HA e/ou FAP, mas a partir da análise das imagens de MEV, da análise de DRX realizada no capítulo 4, e dos demais resultados apresentados neste estudo e nos estudos relatados na literatura é possível supor que ocorreu a deposição de HA e/ou FAP no interior dos túbulos.

Figura 50. Análise EDS do disco de dentina após14 dias de tratamento com gel NPVBF

Em contraste, nenhuma oclusão dos túbulos dentinários foi observada na amostra controle, utilizando gel sem nanopartículas, representada na figura 51.

Figura 51. Imagem MEV dos discos de dentina após 14 dias tratamento com gel sem NPVBF

O principal mecanismo de ação dos vidros bioativos em dentifrícios é a liberação de cálcio, fosfato e, no presente estudo, os íons de flúor resultando na supersaturação dos fluidos ao redor (como saliva) e, posteriormente, precipitação de cristais de apatita. Lynch (2011) e Brauer (2012) relataram que este mecanismo, com a presença do flúor, pode aumentar os processos de remineralização dentro da cavidade oral. Brauer (2012) avaliou que nos vidro bioativos contento flúor, sem a presença de sódio, as unidades de ortofosfato estão com as cargas balanceadas apenas com o Ca2+, resultando na cristalização da fluorapatita (Ca10(PO4)6F) após tratamento térmico.

Os resultados do MEV do presente estudo mostram também que, além de um aumento geral da remineralização, vidros bioativos apresentam o potencial de ocluir diretamente os túbulos dentinários através da formação da apatita, e devido à presença do flúor, a formação da fluorapatita, que é mais estável e resistente a ácidos, apresentando, portanto, características para ser empregado na prevenção e tratamento da HD.

Lynch (2011) apresentou em seu estudo imagens de MEV dos tubulos dentinários ocluídos após 1 semana de tratamento com micropartículas de vidro bioativo contendo flúor obtidos pela rota de fusão em tampão Tris. Comparando com os resultados obtidos neste estudo, é possivel inferir que as NPVBF com 9% de flúor, sintetizadas pela rota sol-gel apresentaram uma maior reatividade e alcançaram a oclusão dos túbulos dentinários com taxas mais rápidas, em 1 dia. E este tempo poderá ser ainda mais reduzido se levarmos em consideração que a formação de apatita será mais

rápida na cavidade oral, na presença de saliva, que contém íons cálcio e fosfato adicionais, mesmo que em concentrações variadas. Futuros estudos deverão realizar testes in vitro com saliva artificial ou in vivo para confirmar esta hipótese.

6.3.3.2. Avaliação in vitro da oclusão dos túbulos dentinários utilizando