delineada visando discutir “as razões” da existência, bem como a nuances mais perceptíveis de tal problema e, por fim, alcançar o objetivo de propor um método que venha a contribuir para o resgate do potencial afetivo da figura humana – o “SER” e sua mobilidade como agente merecedor de circular pelas mais diversas culturas pelo uso da LI.
1.1 DELINEAMENTO DA PESQUISA
1.1.1 Justificativa: a Tecnologia de Comunicação Digital no ensino- aprendizagem da Língua Inglesa
A Língua Inglesa circula universalmente em paralelo com as novas tecnologias, e ambas evoluem rapidamente num certo pacto de complementaridade. A informação científica, o conhecimento acadêmico e o corpora-cultural implicam em contextos pessoais e, ao mesmo tempo, universais. No entanto, a ausência do conhecimento, tanto do idioma quando da tecnologia, pode implicar na não aquiescência desses bens – em grande parte, distribuídos gratuitamente. Litto (2009, p. 16) alerta para o fato de que, enquanto a Língua Inglesa domina com cerca de oitenta por cento das informações disponíveis na Web, a língua portuguesa está presente em apenas um por cento. Segundo o autor, com tão pouco conteúdo disponível em língua portuguesa e com um ensino de inglês tão fraco no Brasil, a aprendizagem mais livre por meio da Web deve, infelizmente, crescer mais lentamente do que poderia.
A preocupação não se limita apenas à educação via web. As ações no contexto presencial também retratam a insuficiência do conhecimento da LI. Formiga (2008, p. 41) lembra que, no ambiente acadêmico brasileiro, “são inúmeras as revistas científicas indexadas internacionalmente, todas em inglês [...], o que significa escrever e publicar no idioma internacional da rede”. Destarte, privar o estudante de Escolas Públicas de um bom ensino nesta área significa privá-lo de agir, de se relacionar e de usufruir dos bens do mundo atual, o que, em última instância, representa uma forma de exclusão e de preconceito.
Não há como propor um novo modelo que se utilize da TCD sem, primeiramente, tomar ciência do contexto que envolve o ensino do inglês e suas implicações no decorrer da vida dos estudantes. As informações negativas acerca de resultados de avaliações sobre o desempenho dos brasileiros em Língua Inglesa espalham-se pelos meios de comunicação. Dados recentes, provenientes do EF – English Proficiency Index (EF EPI) de 2012 – demonstram que o Brasil está na 46ª posição num ranking que considera 54 países9no que se refere a “saber inglês”. O Brasil se encontra
9 Às vésperas de sediar os dois maiores eventos internacionais do planeta – a Copa
do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016 – os brasileiros apresentam um dos piores desempenhos ao se comunicar em inglês, revela pesquisa. De acordo com o EFI – English Proficiency Index (EF EPI) de 2012, o país está numa posição muito desconfortável (na 46ª posição em um ranking que considera 54 países). A América Latina tem um desempenho baixo, e o Brasil fica atrás de Argentina (o melhor colocado na região, único com "proficiência moderada" no continente, e em 20º lugar no ranking geral), Uruguai, Peru, Costa Rica, México, Chile, Venezuela, El Salvador e Equador. O relatório do EF EPI ressalta que o chamado analfabetismo
em uma posição desconfortável diante de outros países, mesmo da América Latina, principalmente no quesito oralidade. Isso tem reflexos diretos na inovação e na competitividade da economia e, consequentemente, na renda das famílias. Jovens, estudantes e profissionais são os que mais sofrem as consequências negativas da deficiência do ensino da língua no espaço público formal.
A maioria dos que entram nessas estatísticas são estudantes oriundos de Escolas Públicas. O conhecimento em LE, via de regra, se resume àquele recebido durante os anos na instituição. Apesar de um longo período, a deficiência ocorre porque se prioriza apenas a leitura e a escrita, em detrimento do desenvolvimento prático da oralidade. O resultado é que, tanto em concursos para a admissão em universidades quanto no mercado de trabalho, enfrentam a concorrência daqueles que estão mais qualificados porque estudam em organizações particulares e complementam a formação em LI em escolas de idiomas.
Diante dessa realidade, este estudo busca encontrar uma saída para este problema, que tolhe a qualidade do ensino nas Escolas Públicas. Dentre as mais variadas instituições, essa é a que apresenta as maiores dificuldades na construção do conhecimento na área, como também encontra barreiras para que os estudantes tenham a inserção tecnológica – como colaboradora do ensino formal. O estudo se propõe, portanto, a contribuir com a oferta de uma nova forma de ensinar LE, sobretudo para as escolas públicas.
Com efeito, essa nova dinâmica na comunicação e na disseminação do conhecimento exige, consequentemente, atualização e adequação de atitudes no ensino-aprendizagem. Esse fenômeno evidencia a necessidade e a urgência de se superar o distanciamento existente entre as exigências da sociedade do conhecimento e o modo tradicional e ultrapassado de ensinar inglês.
Um dos grandes desafios proposto pelo atual cenário é desenvolver habilidades para fazer escolhas corretas diante da avalanche de informações disposta às pessoas. Decorre, então, que é prioritário desenvolver
funcional – ou seja, a incapacidade de pessoas alfabetizadas entenderem o que está escrito – tem grande influência na posição do Brasil e constitui-se em um limitador para o aprendizado de línguas, o que explicaria o “baixo nível de proficiência”. A pesquisa ressalta que a educação pública tem um papel importante e que, de um ano para o outro, com a mudança na metodologia, foi excluída a compreensão da língua falada, o que também afetou negativamente a posição do Brasil. Disponível em: <http://www.estadao.com.br/noticias/geral,brasileiros-falam-ingles-de-qualidade- muito-baixa-diz-pesquisa,950188,0.htm>. Acesso em outubro de 2012.
habilidades e estratégias adequadas para selecionar o que é relevante, a fim de estabelecer associações significativas e eficazes – fatores indispensáveis no mundo globalizado. Na posição de Okada,
O volume de dados cresce assustadoramente a cada
minuto. Os acontecimentos ocorrem mais
rapidamente do que somos capazes de acompanhá- los. O fluxo de produção de conhecimentos é maior do que pode dar conta uma formação educacional e profissional regular (OKADA, 2008, p.37).
Assim, desenvolver aptidões torna-se vital neste panorama marcado pelas informações da era digital e, consequentemente, pela sociedade do conhecimento e pelo mundo globalizado. A habilidade de se comunicar, agir e interagir em Língua Inglesa proporciona, sem obstáculos, a troca de experiências, de informações e, principalmente, de conhecimento, por todos os escaninhos do planeta. Novos saberes estão ao alcance de todos, de forma rápida e em qualquer espaço.
Além de as tecnologias digitais patrocinarem o acesso aos mais diversos conhecimentos, a utilização de um idioma comum ultrapassa fronteiras e promove o ingresso a toda sorte de informações. Portanto, oportunizar aos estudantes o acesso à Língua Inglesa, de forma que o conhecimento construído no idioma e pelo idioma promova mudança significativa em suas vidas e na vida da sociedade, parece ser um inadiável compromisso da educação escolar. Entender que todos podem usufruir dos bens informacionais que circulam no mundo globalizado significa, em termos práticos, a começar pela base a mudar a forma de conceber o ensino- aprendizagem de línguas estrangeiras.
Seguidamente, surgem propostas curriculares e métodos de ensino com o propósito de atender às expectativas e às demandas sociais. Neste novo momento histórico, as exigências de novos modelos de ensino decorrem das grandes alterações vividas pela sociedade, sobretudo pelo intenso fluxo de informações. Lévy (2004) orienta que toda e qualquer reflexão séria sobre os devires dos sistemas de educação e de formação devem levar em conta que a mutação do saber e a interação das pessoas no ciberespaço são promovidas pelas tecnologias intelectuais e estas favorecem novas formas de acesso à informação. Lévy salienta a necessidade de que
Qualquer reflexão sobre o futuro dos sistemas de educação e de formação na cibercultura deve ser fundada em uma análise prévia da mutação
contemporânea da relação com o saber. O uso crescente das tecnologias digitais e das redes de comunicação interativas acompanha e amplifica essa mutação (LÉVY, 2004, p.157).
A adoção ativa da tecnologia digital do processo de ensino- aprendizagem proporciona o envolvimento do estudante no uso real da língua estrangeira e irá ajudá-lo na autopercepção como ser social. Além de desenvolver o raciocínio em outra língua, irá conduzi-lo a perceber o quanto o mundo é heterogêneo, diverso e culturalmente rico ao seu redor.
Nesse sentido, acredita-se que a Tecnologia de Comunicação Digital, por meio dos Objetos Digitais de Ensino-Aprendizagem, comporta todas as ferramentas necessárias para fazer a ponte entre a diversidade linguística disponível no ciberespaço e a formalidade requerida em sala de aula. Entende-se que essa comunhão traz a dinamicidade necessária às aulas de inglês, somando-se à compreensão linguística e pedagógica exercida pelo professor no momento da transposição didática. Murray (2003, p. 23) considera que “certas modalidades de conhecimento podem ser mais bem apresentadas em formatos digitais do que seriam em forma impressa”. Em sua compreensão, “o conhecimento de uma língua estrangeira pode ser melhor transmitido com exemplos de múltiplos falantes em ambientes autênticos do que com listas de palavras em uma página”.
A Língua Inglesa é um meio para ampliar o contato com outras formas de conhecimento e com outros procedimentos interpretativos da realidade, vivificadas na sociedade digital. Seu uso ameniza o isolamento de comunidades, as quais se relacionam e atravessam fronteiras geopolíticas e culturais, se comunicam e buscam se entender mutuamente de forma hipertextual. Isso significa que
Tomemos os nossos corpos simultaneamente como estruturas físicas e como estruturas experienciais vividas – em suma, tanto como “externos” e como “internos”, biológicos e fenomenológicos. São dois aspectos da corporalidade que não são antagônicos. Pelo contrário, circulamos continuamente entre um e outro. (VARELA; THOMPSON; ROSCH, 1991, p. 16).
Assegura-se, portanto, que o momento atual requer que se pesquise, se pense e se proponha ações, métodos e abordagens que contemplem, acima de tudo, o “SER”, o “fazer” e o “agir” do homem em suas diversas dimensões. Num contexto midiático e hipertextual, onde a consciência
individual e coletiva se faz presente a todo instante e é concretizada pelo fluxo de informações do ciberespaço, esta visão de totalidade do homem é ainda mais basilar.
Lévy (2004) afirma que a velocidade da renovação dos saberes nos ampara na defesa da conciliação do saber escolar com os conhecimentos da cibercultura. Para ele, a nova natureza do trabalho equivale cada vez mais a aprender, a transmitir saberes e a produzir conhecimentos num momento em que o ciberespaço suporta tecnologias intelectuais que ampliam, exteriorizam e alteram muitas funções cognitivas humanas.
Compreende-se que a preocupação com o ensino-aprendizagem de línguas não é uma questão nova. O mote deste estudo, no entanto, é evocar a necessidade de adentrar na concepção da hipertextualidade da comunicação digital e da indissociabilidade entre mente e corpo a fim de entender a linguagem como fenômeno humano e universal, capaz de adotar, inserir e valorizar as particularidades de cada indivíduo como princípio facilitador do aprendizado. Assim, crê-se que “a vivência humana agencia um domínio de ações num contínuo emocionar. [...] Todo viver humano acontece em redes de conversação” (MATURANA; VERDEN-ZOLLER, 2009, p. 09).
Portanto, a hipótese deste estudo se configura no sentido de acreditar que a TCD pode potencializar as ações do processo de ensino- aprendizagem, ocasionando as transformações esperadas nesse contexto, pois, por meio dessas bifurcações comunicacionais, a LI intercambia conhecimentos e culturas – local e global – potencializando o saber formalizado em sala de aula, como representado na figura 4.
Figura 4. Representação gráfica da interação criada pela Língua Inglesa e a
Tecnologia Digital.
1.1.2 Problema: representação sistêmica e aproximação da pesquisa