• No results found

Programmerbar logisk styring

In document Helikopterdekkets belysningssystem (sider 39-45)

A bacia hidrográfica, atualmente, é uma das referências mais comuns nos estudos e projetos, não só em função de suas características naturais, mas pelo fato dela estar presente em grande parte da legislação vigente no que diz respeito ao meio ambiente, fazendo parte, portanto, do planejamento territorial e ambiental do Brasil (COELHO, 2007), se mostrando como eficientes unidades de gestão e avaliação do impacto humano ao meio ambiente (MAYER et al., 2014).

São unidades da paisagem que apresentam inúmeros componentes, o que as tornam muito complexas. Assim, qualquer apontamento para o seu manejo adequado é tarefa muito difícil e, muitas vezes, apenas trabalhos técnicos não são suficientes para o alcance da melhor decisão, necessitando uma avaliação integrada. A aplicação de estratégias de gestão e planejamento ambiental deve levar em consideração esses dados, objetivando ao manejo adequado com vistas à sustentabilidade socioeconômica e ambiental (UMETSU et al., 2012)

Ao se realizar a análise de uma bacia hidrográfica, sob a ótica ambiental, é comum se avaliar as diversas variáveis físico-químicas e biológicas dos parâmetros envolvidos para se buscar um diagnóstico real da área. No entanto, entender como foi realizado o processo de ocupação desta região, quais os aspectos socioambientais de destaque e quais as principais vocações econômicas, tem importante papel no seu entendimento e consequentemente no planejamento estratégico. Com isso, é possível criar mecanismos para a gestão e planejamento ambiental de bacias hidrográficas (UMETSU et al., 2012), já que este processo está intimamente ligado à qualidade ambiental da bacia.

Em seu trabalho, Coelho (2009) utilizou um referencial teórico a partir de uma abordagem sistêmica adaptada à realidade socioambiental da bacia em estudo, o que possibilita uma investigação temporal e espacial, e a integração dos elementos e atributos presentes no território, visto que sua aplicação alcança uma análise mais completa dos processos físicos e socioeconômicos contemporâneos. Nesse contexto, torna-se evidente a necessidade de considerar as interações entre os setores social, econômico e ambiental, a fim de conduzir estratégias de sustentabilidade. Os fatores culturais, sociais e econômicos devem ser observados e analisados, tendo como indicadores a base dos recursos naturais que os sustenta (SANTOS et al., 2007).

A ocupação da área de estudo, a porção mineira da bacia do rio Doce, teve início no século

XVIII, na época da chamada ―corrida do ouro‖, quando o fluxo migratório se orientou para

essa região devido à abundância de metais preciosos aptos a serem explorados (STRAUCH, 1955, p.45). No final do século XVIII, com a redução da atividade mineradora de ouro, a ocupação se deu em regiões de solo fértil e relevo favorável às atividades agrárias e pastoris. No entanto, somente com a criação da Estrada de Ferro Vitória-Minas (construção iniciada em 1901) que a ocupação se estendeu para a região central da bacia, destacando-se Governador Valadares e Coronel Fabriciano (STRAUCH, 1955, p. 51). Ainda com relação ao mesmo autor, a ocupação do leste de Minas Gerais e do vale do rio Doce orientou-se em dois sentidos diversos e em épocas diferentes. Do planalto, e seguindo em direção ao litoral, corresponde o ciclo minerador. Do litoral, seguindo para o interior, a ocupação das terras agrícolas.

A construção desta estrada de ferro, e a expansão das fronteiras agrícolas impulsionaram o processo de desmatamento na região. O ciclo madeireiro foi marcante, a partir de 1910 até o final da década de 60, com a construção de inúmeras serrarias, nas proximidades das matas (BORGO, 1996 apud COELHO, 2009). Relatos de Strauch (1955, p.45,98) relacionam a exploração de madeira em Governador Valadares com a chegada da ferrovia, por volta de 1910, principalmente relacionada à utilização de madeira no fornecimento de carvão vegetal para fundição de minério de ferro no local. Tal atividade teve como consequência o aumento de áreas de pasto e o aumento populacional na região. Este cenário também contribuiu para o crescimento da indústria de celulose, uma vez que aumentou a área disponível para o plantio de eucalipto.

O processo de industrialização, na bacia, ocorreu no final da década de 30 com a chegada da ferrovia no município mineiro de Itabira (sub-bacia do rio Piracicaba), que, na década seguinte, passa a escoar regularmente o minério de ferro em direção ao porto de Vitória. Em função dos recursos naturais encontrados na região adjacente à Itabira, associados à rede ferroviária existente, foram criadas condições favoráveis para implantação de um polo siderúrgico conhecido hoje como ―Vale do Aço‖. Iniciou-se em 1937, com a instalação da Companhia Siderúrgica Belgo Mineira, situada às margens do rio Piracicaba e, em 1942, a criação da Companhia Vale do Rio Doce, em Itabira. No ano de 1953, foi inaugurada a siderúrgica Acesita e, em 1975, ocorreu a instalação de outro segmento industrial, a celulose,

Na década de 40 houve a introdução do eucalipto nas adjacências das indústrias, de forma a aliviar a pressão sobre os fragmentos florestais naturais praticamente inexistentes, atendendo à demanda, cada vez mais crescente, das siderurgias e indústrias produtoras de celulose. A leste da bacia (município de Linhares – ES), processo semelhante foi notado na décade de 50 com a construção da BR – 101, impulsionando a ocupação do norte do Espírito Santo e o avanço da supressão da mata nativa além dos limites da bacia (BORGO et al., 1996 apud COELHO, 2007).

Na década de 1950, conforme assinalado por Strauch (1955, p. 51), a população na bacia era de aproximadamente dois milhões de habitantes, havendo áreas pouco ocupadas e áreas em processo de ocupação. Nos tempos atuais, de acordo com informações do IGAM (2014), existem 203 municípios na porção mineira da bacia, com população total na ordem de três milhões de habitantes, destacando-se, de acordo com o IBGE (2010), os municípios de Ipatinga (239 468 hab.), Governador Valadares (263 689 hab.), Coronel Fabriciano (103 694 hab.) e Itabira (109 783 hab.).

Desta forma, as transformações ambientais mais marcantes na bacia podem ser divididas em

dois grupos principais: as causadas pelo ―ciclo madeireiro‖ e as causadas pela industrialização

e urbanização, sendo que no segundo grupo destaca-se a região do Vale do Aço. De acordo com Coelho (2009), o segundo grupo contribuiu para o surgimento de municípios, atraindo um grande fluxo migratório principalmente para as cidades de Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo, e aumentou ainda mais a exploração de madeira na região (com o objetivo de fornecer carvão para as indústrias siderúrgicas).

As atividades econômicas atuais são bem diversificadas, sendo que as principais são a agricultura na cultura do café e cana-de-açúcar, a pecuária na criação de gado leiteiro, de corte e a suinocultura; grandes empreendimentos mineradores, especialmente o minério de ferro; monocultura de eucalipto; complexo siderúrgico de grande porte; indústria de celulose e laticínios; setor terciário (comércio e serviços nos centros urbanos); além da geração de energia elétrica (CUPOLILLO et al., 2008; CBH Doce, 2014). Destas, a mineração se destaca, uma vez que a região abriga o maior complexo siderúrgico da América Latina, e é local de operação de grandes empresas, como a Aperam (antiga Acesita), Usiminas, Vale e a Companhia Siderúrgica Belgo Mineira. (CBH Doce 2009).

3.4.1 Estudos Socioambientais em outras bacias

Diversos trabalhos buscaram uma análise integrada de variáveis ambientais com os aspectos socioeconômicas, obtendo desta forma análises mais próximas às realidades locais. Santos et al. (2007) em seu trabalho teve como objetivo analisar os aspectos hidrológicos e socioeconômicos da bacia hidrográfica do córrego Romão dos Reis, localizado no município de Viçosa, na região da Zona da Mata do Estado de Minas Gerais. A partir da análise de diversos fatores como dados de uso e ocupação do solo, qualidade da água, fatores físicos da bacia, dados referentes à vazão, elevações, precipitação, tipo de solo, associados aos aspectos sociais e econômicos, obtidos por meio de entrevistas semi-estruturadas, foi possível compreender melhor a organização social e o manejo de uso da terra das propriedades. Desta forma foi possível apontar os indicadores de degradação, assim como estratégias de manejo adequadas à melhoria ambiental que venham contribuir e garantir a sustentabilidade da bacia. O autor destaca que para uma melhor intervenção na área, é necessário a interação entre os aspectos econômicos, ambientais e culturais, uma vez que interferirão no grau de organização e união dos proprietários das terras e moradores da bacia hidrográfica.

Umetsu et al. (2012), realizou em seu trabalho estudos morfométricos e socioambientais na bacia hidrográfica do rio Monte Sinai, em Carlinda, MT, visando à criação de subsídios para sua gestão, planejamento e sustentabilidade ambiental. As análises morfométricas e socioambientais desenvolvidas no estudo apresentaram-se como ferramentas importantes para o diagnóstico da bacia hidrográfica em foco para fins de conservação ambiental e, dessa forma, podem ser aplicadas a outros locais. Foram apontados indicadores de degradação, assim como estratégias de manejo adequadas à melhoria ambiental que venham a contribuir e garantir a sustentabilidade ambiental da bacia. Desta forma o autor destaca a integração dessas estratégias como fundamental para o manejo adequado da bacia hidrográfica em foco, visando a melhorias das condições sociais, econômicas e ambientais.

No trabalho de Mayer et al. (2014) foi feita uma classificação da porção norte-americana da bacia dos Grandes Lagos, de acordo com uma vasta gama de características sociais e ambientais. A classificação desta bacia hidrográfica proporcionou a organização dos princípios de uma gestão efetiva, a partir de estratégias de desenvolvimento e monitoramento. A análise foi realizada a partir de um sistema robusto de classificação de 12 aspectos sociais e ambientais escolhidos para refletir o estado dos recursos hídricos na bacia, utilizando técnicas

relações entre os impactos sobre os recursos hídricos com diversas variáveis, como o meio físico, a demografia, o uso do solo, e as características sociais da região. Foram obtidos como principais resultados a divisão de áreas de agricultura de alto e baixo impacto sobre os cursos d´água, observada a influência da sazonalidade nos resultados, assim como a influência de zonas úmidas, além do índice socioeconômico da população residente na área. Desta maneira o autor destaca a importância de se ter diferentes estratégias de proteção e conservação para diferentes áreas da bacia.

In document Helikopterdekkets belysningssystem (sider 39-45)