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Program Review and Evaluation Technique and Critical Path Method

3. Theory Review

3.2. Program Review and Evaluation Technique and Critical Path Method

A breve história dos apartamentos brasileiros pode ser dividida em três

etapas, conforme Carlos Lemos53: a primeira, pioneira, que vai aproximadamente

50 LEMOS, 1976, p. 162. 51 LEMOS, 1976, p. 159.

52 Ceça Guimarães apresenta o edifício alto como o tipo arquitetônico torre que foi um símbolo utilizado

pelo poder, civil e militar, muito antes da fundação das cidades modernas. Durante os séculos XIV e XV a torre se erguia junto às fortalezas, e desde então, foi um símbolo que substituiu as flechas das catedrais, e as flâmulas e as bandeiras que adornavam o seu topo identificavam o proprietário, um cavaleiro ou um aristocrata. (GUIMARÃES, 2002, p. 33).

de 1925 até a Segunda Guerra Mundial; a segunda, situada entre o armistício de 1945 até mais ou menos meados da década dos anos 70; e a terceira vem desse tempo até os nossos dias.

A partir de 1925 o Brasil conhece o edifício de apartamentos em suas maiores cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro. Ainda carregado de pré-conceitos pela parcela da sociedade que o habitava, aos poucos segue conquistando espaço na cidade e no mercado imobiliário. O apartamento deveria substituir o palacete da classe abastada, não só com relação aos hábitos e costumes, mas também no significado e status aparente.

O primeiro prédio de apartamentos do Rio de Janeiro é ainda anterior a década de 20. O Palacete Lafont (já demolido), situado na Avenida Rio Branco esquina Santa

Luzia, data de 191054. Era luxuoso e a própria denominação de palacete indica a sua

vinculação com o estilo europeu parisiense. Construído em 1925, o edifício do cinema Capitólio, com dez pavimentos, é considerado o primeiro arranha-céu do Rio de Janeiro, aliava habitação coletiva ao lazer do cinema. Rapidamente surgiu a Cinelândia, que formava o elo de conexão entre o centro da cidade e a zona sul, com

vários edifícios semelhantes ao Capitólio, originalmente residenciais, com cinemas55.

Segundo Lemos, em São Paulo o apartamento foi criado para a parcela da sociedade de hábitos modestos. Eram pessoas vindas das antigas propriedades que levavam em consideração o nome de família com vaidade, ou, ainda, oriunda das fábricas ou do comércio. Lemos apresenta como o primeiro edifício de

apartamentos naquela cidade o prédio construído em 191656, na rua Líbero Badaró,

em terreno dos padres da ordem de São Bento. Era um edifício destinado a homens solteiros ou viúvos que faziam suas refeições nos restaurantes da proximidade. Os apartamentos eram compostos por quarto, sala e banheiro e o edifício já possuía elevador. Contudo o primeiro prédio de apartamentos para famílias surgiu em 1922, na rua Dom José Barros esquina rua 24 de Maio. O edifício foi projetado e construído pelo engenheiro Raul Simões para o industrial Martins Ferreira, segundo os “modelos

parisienses”57.

54 VAZ, 2002, p. 63-64. 55 VAZ, 2002, p. 64.

56 O prédio de apartamentos foi construído pelo engenheiro Samuel da Neves, baiano radicado em São

Paulo. Muito criticado na época, o prédio foi transformado algum tempo depois em edifício de escritórios e pequenas oficinas. (LEMOS.1976, p. 161, 162).

No início, a proposta causou admiração, porém a resistência em ocupá-los foi maior que a curiosidade. Tornou-se necessário uma verdadeira doutrina no sentido de melhorar a imagem deste tipo de moradia, começando pelo trabalho de compra do terreno, que por vezes abrigava um palacete, até a apresentação de projeto de arquitetura convincente, uma planta de outro palacete, só que “empilhado” sobre outros semelhantes, até o imprescindível auxilio da publicidade. Alardeou-se que os apartamentos eram “cômodos e muito funcionais”, eram anunciados playgrounds para crianças, quarto para a criada. Porém, a crítica nesse momento recaiu sobre a completa falta de cuidado com o projeto desses espaços. Lemos aponta os seguintes dados:

Há a desmoralização completa da palavra funcional, pois eram oferecidos compartimentos mal dimensionados, e muito pequenos. (...) Nada de jardins para as crianças, porque os playgrounds, algumas vezes anunciados, nada mais são que áreas internas sem serventia, e carentes o ano todo da osculação solar. (...) O quartinho da criada abrindo porta para o terraço do tanque de lavagens, ainda é a senzala.58

Tudo isso porque o apartamento era visto pelo brasileiro como uma solução transitória. A idéia de edifícios em altura proliferou principalmente devido às dificuldades de comunicação, de transporte coletivo, de maus serviços de águas, gás e esgoto fora das zonas centrais cujos terrenos tiveram seus preços cada vez mais elevados. Isso ocorreu inicialmente em edifícios de escritórios e, depois, em edifícios mistos, caracterizados por lojas, tendo em cima um ou dois andares de

residências59.

Contudo, no fim da década de 20, já eram comuns os prédios de apartamentos de muitos andares, acessíveis agora não só por escadas, mas também por elevadores importados, quase sempre americanos da marca Otis. Era uma novidade, uma nova sensação americana que propunha mudar o comportamento e a cabeça da sociedade, sedenta de novidades e lucro. O novo investimento era oferecido mais como negócio do que uma nova opção de espaço para habitar. O arranha-céu no Brasil começou a apresentar suas agulhas nas grandes capitais, espalhando-se por cidades menores e trazendo a sensação de

progresso60.

58 LEMOS, 1976, p. 164. 59 LEMOS, 1996, p. 79. 60 VERÍSSIMO, 1999: p. 71.

Em São Paulo, o final da década de 20 é marcada pela a inauguração, em 1929, do prédio mais alto da América do Sul: o Martinelli. Assim como no edifício Capitólio, no Rio de Janeiro, o Martinelli, em São Paulo, alia as funções de habitação coletiva a prestação de serviços, no caso, às salas de escritórios.

Localizado no começo da Avenida São João, entre São Bento e Líbero Badaró, tem 105 metros de altura, 2133 janelas, 11 elevadores e trinta andares, revestido de cimento cor-de-rosa importando da Suécia. No interior, 873 salas de escritórios, 60 salões e 247 apartamentos. 61 Segundo Somekh, o edifício Martinelli ilustrava a ambigüidade da cidade de São Paulo naquele momento, “no desenho de suas mansardas e no salão

Paris, ambos de estilo europeu, e na altura tipicamente americana”62. O edifício

Sampaio Moreira, construído em 1924, reivindica, através de seu responsável técnico, o engenheiro Christiano Stockler das Neves, o título de primeiro arranha- céu de São Paulo. O argumento principal reside no mérito desse edifício utilizar a estrutura de concreto armado para uma altura de 14 pavimentos, o que não era usual na época (normalmente esse tipo de estrutura era usada para 10 a 11

pavimentos)63. Mas o edifício Martinelli manteve seu status, sendo o prédio que

transmitiu, com maior eloqüência, as novas possibilidades do crescimento vertical da cidade de São Paulo.

Os edifícios de apartamentos foram ocupando muitos dos bairros que eram abandonados pelas elites paulistanas, especialmente para aproveitamento dos lotes, que eram de grandes dimensões, para usufruir a arborização das ruas e o status ou prestígio ainda impregnados nos antigos bairros elegantes. Segundo

Marins64, os bairros de Santa Ifigênia, Vila Buarque e Santa Cecília foram as regiões

que testemunharam o primeiro modelo de verticalização em São Paulo. Contudo, o bairro Higienópolis é o exemplo mais consistente de substituição das casas por edifícios de apartamentos, dentro das exigências dos dispositivos da legislação

paulistana65, de 1937.

61 Revista Cidade, p. 110.

62 SOMEKH, 1997, p. 80. Sobre o Martinelli, ver também: HOMEM, Maria Cecília Naclério. O prédio

Martinelli: ascensão do imigrante e a verticalização de São Paulo. São Paulo: Projeto, 1984.

63 SOMEKH, 1997, p. 89.

64 MARINS, Paulo Casar, IN: SEVCENKO, 1998, p.187, 188.

65 A legislação de São Paulo de 1937 exigia, entre outras disposições, que os edifícios erguidos em

bairros residenciais privilegiados guardassem recuos laterais e frontais, assegurando, assim, a insolação e a ventilação aos apartamentos. (MARINS, Paulo Casar, In: SEVCENKO, 1998, p.188.)

Na década de 30 ainda havia restrições: “mora-se em cortiços verticais”, “é o mesmo que favela” eram as falas mais comuns da sociedade em geral. Mas também se verificavam os benefícios da habitação coletiva: é lucrativo, pois o proprietário de um tradicional palacete, talvez até em dificuldades econômicas, poderia – com a venda de seu terreno para a construção de um prédio de apartamentos - ganhar sua unidade habitacional no andar escolhido (bem alto, de preferência) e, além disso, conseguir

dois ou mais apartamentos para renda66. Ocasionalmente, no final da década já se

encontra a garagem, o local para o veículo importado que sorrateiramente começou a

ocupar os ideais de consumo do homem da época67.

Além da introdução da garagem, a disposição tradicional se mantinha como característica principal dos apartamentos, o que pode ter sido oportuno nesse momento de adaptação dessa tipologia à sociedade brasileira.

E as plantas? Não encontramos nenhuma modificação substancial em relação às utilizadas nas residências de então. Podemos mesmo dizer que encontramos casas empilhadas, com o mesmo organograma, a mesma postura patriarcal e escravocrata, apenas dispostas umas sobre as outras, e não lado a lado, como era tradicional, necessitando agora da ajuda do elevador.68

O setor social se mantinha formal, os interiores ainda ofereciam o mesmo luxo das grandes casas e o serviço continuava com o ar senhorial. Ou seja, os valores sociais permaneciam quase os mesmos. O processo de penetração do ideário americano de vida na sociedade brasileira – que se acelerará após a Segunda Guerra Mundial – já ocorre de maneira diferenciada, preferencialmente via cinema e imprensa. Verifica-se, progressivamente, a introdução e a aceitação

de novos hábitos que vão conquistando a opinião pública69.

66 Sobre este aspecto ver: VERÍSSIMO, Francisco Salvador e BITTAR, William Seba Mallmann. 500 anos

da casa no Brasil. As transformações da arquitetura e da utilização do espaço de moradia. Rio de

Janeiro: Ediouro, 1999, p. 72. Ver também: SOUZA, Maria Adélia. A identidade da metrópole: a

verticalização em São Paulo. Hucitec/Edusp, 1994, col. “Estudos Urbanos”, p. 200.

67 VERÍSSIMO: 1999: p. 72.

68 Sobre este aspecto ver: VERÍSSIMO, Francisco Salvador e BITTAR, William Seba Mallmann. 500 anos

da casa no Brasil. As transformações da arquitetura e da utilização do espaço de moradia. Rio de

Janeiro: Ediouro, 1999, p. 72. Ver também: REIS Filho, Nestor Goulart. Quadro da arquitetura no

Brasil. São Paulo: Perspectiva, 1987, p. 79.

69 Sobre este aspecto ver: VERÍSSIMO, Francisco Salvador e BITTAR, William Seba Mallmann. 500 anos

da casa no Brasil. As transformações da arquitetura e da utilização do espaço de moradia. Rio de

Janeiro: Ediouro, 1999, p. 73; Alves, Júlia Falivene. A invasão cultural norte-americana. São Paulo: Moderna, 1988. Ver também, LOURENÇO, Maria Cecília França. Operários da modernidade. São Paulo: Hucitec/EDUSP, 1985, p. 126 e seguintes. Esta autora ressalta que, nos anos 30, uma série de intelectuais e artistas foram incentivados, pelos Estados Unidos, a visitarem-no, “na certeza de que na volta passarão a difundi-lo em seus países“ (p. 136). Com a proximidade da Segunda Guerra Mundial, esta política se acentuará.