Finda a minha segunda intervenção junto dos alunos, solicitei que preenchessem o questionário final de forma anónima (ver Anexo 22). Este questionário teve como objetivo levar o aluno a refletir sobre o impacto que o projeto de intervenção teve na sua aprendizagem da língua estrangeira. Além de funcionar como instrumento de reflexão, este questionário permitiu-me também recolher dados que me permitissem analisar a perspetiva individual de cada um dos discentes e aferir a consciência dos mesmos sobre a forma como este projeto contribui positivamente (ou não) para o seu processo de aprendizagem.
Os dados que aqui apresento foram tratados de forma analítica e crítica e contaram com a contribuição da totalidade dos alunos das duas turmas. De novo, o método de análise utilizado para tratar estes dados foi o mesmo ao qual recorri para o questionário específico, ou seja, somei as respostas “muito” e “bastante” como uma resposta positiva.
Quando confrontados sobre a pertinência e a utilidade do projeto de intervenção para a sua aprendizagem (ver Gráfico 6), a grande maioria de alunos de ambas as turmas respondeu positivamente: 0 10 20 30 Ingles Espanhol 23 20 3 1
Consideras que o projeto de escrita criativa em que participaste foi útil para a tua aprendizagem enquanto aluno de língua
estrangeira?
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Gráfico 6- Análise dos dados do questionário final: utilidade do projeto para a aprendizagem do aluno
Na segunda questão, os alunos tinham de especificar em que medida a escrita criativa contribuiu para o desenvolvimento da sua aprendizagem na língua estrangeira (ver Gráfico 7). As opiniões foram semelhantes em ambas as turmas e apontaram, primeiro, para a aquisição de estratégias de escrita e segundo, para o desenvolvimento da criatividade e imaginação (na turma de inglês) bem como para a alteração de falsas representações sobre a escrita (na turma de espanhol).
Esta resposta positiva em volta da aquisição de estratégias de escrita e do desenvolvimento da imaginação e criatividade veio confirmar os resultados obtidos no final da segunda intervenção.
Gráfico 7 - Análise dos dados do questionário final: A escrita criativa permitiu-me
De facto, segundo os dados apurados os alunos dizem ter adquirido uma consciência progressiva das estratégias às quais recorrer para aperfeiçoar a expressão escrita. Por outro lado, a resposta que obteve menos respostas positivas foi “não ter receio a hora de escrever”. Na fase da pré-intervenção, este estado afetivo dos alunos face à escrita tinha sido assinalado no questionário específico como uma das razões das suas dificuldades. Na altura apontaram a avaliação e o erro como os motivos dos seus receios. Após a minha intervenção, ainda que se verificasse que mais de metade dos alunos de cada uma das turma disse não ter receio na hora de escrever, um número considerável de alunos ainda apontou sofrer deste estado afetivo. Tais resultados levaram-me a ponderar que deveria ter recorrido a outros tipos de estratégias além do trabalho de grupo – que era uma estratégia sobretudo de natureza social - para explorar estratégias relacionadas diretamente com o controle e avaliação das suas emoções. De facto, o
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trabalho colaborativo pressupõe o recurso a estratégias de interação e de socialização que alguns alunos podem ter dificuldade em concretizar num grupo de pares. Outra resposta merecedora da minha atenção foi como a escrita criativa levou os alunos a sentirem-se mais motivados para o ato de escrever. Quando comparado com os dados da pré-intervenção, vemos que o número de alunos que dizem que se sentiram mais motivados para a escrita graças à escrita criativa duplicou para a turma de espanhol e quase que triplicou na turma de inglês. Creio que um dos motivos que poderá justificar este acréscimo prende-se, não só com os tipos de texto trabalhados, mas também pelo facto de ter apostado noutro tipo de organização de trabalho que contou com o esforço colaborativo dos grupos e com a atenuação do peso da avaliação da língua em prol do conteúdo criativo.
Na terceira pergunta do questionário final (ver Gráfico 8), os alunos tinham de responder se esta intervenção focada na escrita criativa contribuiu para o desenvolvimento das suas competências e habilidades. Aqui, todas as respostas mereceram uma apreciação positiva por parte dos alunos, conseguindo valores positivos acima dos 75%. O trabalho à volta da escrita criativa permitiu, sobretudo, desenvolver a sua expressão escrita e a competência comunicativa.
Gráfico 8 - Análise dos dados do questionário final: Que competências desenvolveste mais com esta experiência?
A planificação, a elaboração de um rascunho, o processo de revisão e a edição de erros antes da entrega do produto final foram as estratégias trabalhadas durante a intervenção, de forma a desenvolver estratégias na produção escrita e, no parecer dos alunos, estas foram as mais significativas para a sua aprendizagem. Estes dados, além de reforçar os resultados obtidos no final da minha segunda intervenção, também traduzem a progressiva consciencialização dos alunos no que concerne à importância da escrita enquanto um processo que requer preparação e revisão. Por outro lado, os alunos tomaram consciência que, ao trabalhar a escrita de forma criativa, também puderam alargar o seu universo linguístico e estratégico. No entanto, a
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competência que menos reuniu respostas positivas foi a de aprendizagem. Ainda que os resultados sejam positivos e traduzam um número superior à metade dos alunos por turma, considerei que estes deveriam ser alvo da minha atenção. O desenvolvimento da competência de aprendizagem foi promovida na minha intervenção através das atividades de planificação, organização e avaliação da escrita, o que deve ter levado o aluno a deduzir que estas estratégias são referentes e aplicáveis apenas à competência de escrita. Tal hipótese levou a interrogar-me: será que depois desta experiência os alunos serão capazes de transferir as estratégias trabalhadas para as outras competências, habilidades e para a sua aprendizagem quotidiana da língua estrangeira? Creio que, neste âmbito, deveria ter sensibilizado os alunos durante a minha intervenção para o facto de estas estratégias não se aplicarem apenas ao domínio da escrita, mas serem transferíveis para a sua aprendizagem em língua estrangeira. Esta análise levou-me a desbruçar-me sobre os resultados obtidos na pergunta seguinte do questionário. Esta procurava identificar quais foram as estratégias trabalhadas na sala de aula e que lhes permitiram desenvolver a sua escrita (ver Gráfico 9).
Gráfico 9 - Análise dos dados do questionário final: Que estratégias foram mais significativas para escreveres melhor?
Visivelmente, a escrita colaborativa foi a estratégia que ambas as turmas destacaram como a mais importante. Este resultado veio confirmar a consciencialização progressiva apontada na avaliação da segunda intervenção sobre as vantagens do trabalho colaborativo. Da mesma forma, estes números finais representam um progresso significativo relativamente aos dados levantados na fase da pré-intervenção, onde menos de metade de cada uma das turmas revelou usar estratégias que incluísse o recurso a outro colega.
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De seguida, os resultados distribuem-se de igual valor pelas demais hipóteses. No entanto, a que me chamou particularmente a atenção foi a que apontava a “reflexão sobre o processo de escrita”. O destaque positivo dado ao ato reflexivo demonstra uma consciencialização por parte dos alunos sobre a importância do uso de estratégias metacognitivas que lhes permitam refletir sobre o que se faz e o que foi feito, de forma a conseguir otimizar a sua aprendizagem. O incentivo à criatividade e à imaginação foi também uma das estratégias que se destacou neste questionário e cujo resultado representa a consciencialização de como a criatividade (assim como as demais citadas na pergunta do questionário) pode auxiliar os alunos na superação das suas dificuldades.
Na quinta pergunta deste questionário, os alunos foram convidados a refletirem sobre a contribuição que este projeto teve na sua aprendizagem (ver Gráfico 10). Aqui os resultados divergiram e cada turma registou respostas diferentes. Na turma de inglês, os alunos consideraram que esta experiência contribuiu para os tornar mais criativos e um número menor dos mesmos se intitulou de mais autónomo. Na turma de espanhol, os discentes consideraram- se aprendentes mais autónomos no final desta experiência e um número menor de alunos apontou para o facto de se sentir mais confiante. Estes dados revelam, na minha perspetiva, um envolvimento afetivo e cognitivo dos alunos com o que foi desenvolvido ao longo deste projeto de intervenção, o que otimiza o seu sucesso e, portanto, o seu impacto na sua aprendizagem.
Gráfico 10 - Análise dos dados do questionário final: contributo do projeto
Para concluir este questionário, os alunos tiveram de responder sobre a possibilidade de repetir esta experiência no futuro tendo-se solicitado a justificação das respostas (ver Gráfico 10). A grande maioria dos alunos gostaria de repetir a experiência (ver Gráfico 11) e nas suas
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justificações, as respostas repetiam-se: “porque nos permitiu desenvolver a nossa criatividade”, “porque nos permitiu trabalhar a escrita”, “porque as nossas ideias foram valorizadas”e “porque podemos trabalhar em grupo”. Estes resultados são bastante positivos uma vez que refletem que os alunos gostaram da experiência e, como tal, revelam que o projeto de intervenção surtiu, de facto, um impacto positivo na aprendizagem dos alunos.
Gráfico 11- Análise dos dados do questionário final: gostaria de repetir a experiência da escrita criativa?
Todo o trabalho realizado à volta deste projeto de intervenção foi desenvolvido sob a orientação de um dos fins pedagógicos do século XXI: a autonomia. Baseada nestes dados conseguidos através do questionário final e partindo de uma reflexão retrospetiva sobre o trabalho desenvolvido ao longo deste ano, é a minha intenção avaliar se a minha intervenção contribuiu para o desenvolvimento da autonomia do aluno.
Voltando ao início da minha intervenção, recordo que esta desenvolveu-se a partir da seguinte pergunta: “o que posso fazer nesta intervenção que ajude o aluno a tornar-se um aprendente mais competente em língua estrangeira e fomentar o saber aprender?” (Reflexão sobre o projeto de intervenção, 2 de novembro 2013) Ao longo da minha intervenção foi minha preocupação focalizar o processo de ensino-aprendizagem no aluno e torná-lo o centro do meu projeto, de forma a poder tornar esta experiência verdadeiramente significativa. Neste momento de pós-intervenção, e se analisarmos os resultados do questionário final e compararmos a evolução positiva entre os dados da pré-intervenção e os conseguidos no final da segunda intervenção, verificamos que houve uma consciencialização progressiva dos alunos sobre importância de utilizar estratégias para conseguir escrever melhor. De facto, as fichas de autorregulação revelaram que em cada atividade de escrita, os alunos discerniram“o conhecimento da estratégia” (Flavell, 1979, 1987 citado em Raya, Lamb & Vieira, 2007, p. 31) e também “o conhecimento da tarefa subjacentes ao conhecimento metacognitivo” (p. 31). Por
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isso, creio que estes resultados revelam que o projeto teve, de facto, um impacto significativo na aprendizagem do aluno e no desenvolvimento da sua competência estratégica. Nesta fase final da minha intervenção, os alunos demonstraram uma maior consciência da aprendizagem conseguida através da intensificação do conhecimento metacognitivo e do uso resoluto e reflexivo de estratégias de aprendizagem favorecendo, deste modo, o aprender a aprender (Raya, Lamb & Vieira, 2007, p. 55).
No entanto, acredito que o contributo deste projeto não se limitou ao domínio cognitivo mas também produziu efeito no foro afetivo dos alunos. De facto, o questionário final revela que esta experiência contribuiu para o aumento significativo da motivação dos alunos para a escrita. Penso que ao dar a oportunidade ao aluno de reunir os pensamentos respeitantes ao seu processo de aprendizagem, de receber um feedback qualitativo e formativo dos seus trabalhos também os ajudou a sentirem-se mais confiantes no momento de escrita o que resultou em níveis mais elevados de motivação. Acredito que o trabalho em volta de ambas as componentes da aprendizagem – (meta) cognitivas e afetivas – através do faseamento do processo de escrita criativa - contribuiu para o desenvolvimento da capacidade e predisposição do aluno (Littlewood 1996, p. 428 citado em Raya, Lamb & Vieira, 2007, p. 60) para a sua autonomia. No entanto, acredito que o treino estratégico da (meta)cognição do aluno na escrita não tenha sido o único elemento facilitador da autonomia. Para mim, o recurso à criatividade enquanto estratégia para a resolução de potenciais dificuldades na expressão escrita teve também um papel fundamental. Nesta intervenção a criatividade na escrita não se trabalhou apenas na sua vertente lúdica mas pretendeu-se explorá-la como um espaço onde “o ato de pensar começa com uma qualquer proposta de escrita contendo determinado constrangimento/desafio” (Leitão, 2008, p. 32). A prática da criatividade através da escrita permitiu ao aluno procurar, organizar, criar e comunicar as suas ideias, envolvendo-se na sua aprendizagem e “abrindo uma janela para dentro, para se descobrir a si próprio em matéria de criatividade” (Santos, 2008, p. 36). E esta auto-descoberta é também um caminho para a autononomia pois como o defende Boud (1988), a autonomia não trata “apenas de agir por nós mesmos. Também implica responder criativamente ao nosso ambiente” (p.19 citado em Raya, Lamb & Vieira, 2007, p. 27).
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com este relatório de caráter teórico-prático, pretendi equacionar a aplicabilidade da escrita criativa enquanto meio facilitador da competência estratégica do aluno e ferramenta metodológica do professor no contexto de ensino-aprendizagem da língua estrangeira. Foi com grande satisfação que terminei este percurso investigativo, constatando que a escrita criativa se revelou uma prática exequível na sala de aula e facilitadora de várias competências na aprendizagem da língua estrangeira.
Embora esta prática não tenha um lugar de relevo nos programas oficiais do ensino de línguas estrangeiras em Portugal, a escrita criativa existe como disciplina académica nos Estados Unidos desde 1880 (Ramey, 2007, p. 42). Em Portugal, esta prática da escrita parece conhecer algumas relutâncias no seio académico, aparecendo essencialmente como tema para workshops onde é abordada na sua componente pragmática (exercícios) e lúdica, pelo que aparece como uma atividade recreativa que contempla o deleite e entretenimento. O seu objetivo é estimular o interesse pela literatura através da prática da literatura (Santos, 2008, p. 5). Ora o meu projeto de intervenção foi também uma oportunidade para ir além destas crenças e estudar as potencialidades pedagógicas da escrita criativa no seio do ensino-aprendizagem de uma língua estrangeira. Além da escrita criativa permitir desenvolver uma das habilidades inerentes à aprendizagem da língua estrangeira, ela também permite direcionar o ensino-aprendizagem para um dos valores essenciais ao ser humano nos desafios do século XXI e também fundamental para a preservação de uma escola democrática: a criatividade. No documento representativo do pensamento pedagógico da humanidade no dealbar do novo milénio, o Relatório Jacques Delors (1996), o seu autor homónimo refere:
Num mundo em mudança, de que um dos principais motores parece ser a inovação tanto social como económica, deve ser dada importância especial à imaginação e à criatividade; claras manifestações da liberdade humana elas podem vir a ser ameaçadas por uma certa estandardização dos comportamentos individuais (p. 100).
Nesse sentido, nesta experiência, a criatividade aplicada à escrita não se resumiu ao caráter lúdico no ato de escrever mas destacou-se como uma capacidade cognitiva de superação de obstáculos e dificuldades. Revelou-se, por isso, como um instrumento de emancipação intelectual que preza pela descoberta e criação de ideias, pela ativação da imaginação em vez da
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mecanização e acumulação das mesmas. Tendo em conta as suas potencialidades, é minha opinião que a prática de escrita criativa deveria ser privilegiada na sala de aula de língua estrangeira e ser transversal a todas as disciplinas de língua do currículo. A sua prática deveria ser considerada um momento privilegiado de encontro e de diálogo entre as disciplinas que partilham um conteúdo curricular literário, linguístico e cultural para assim favorecer a articulação de conhecimentos e saberes, em vez da compartimentação e dissolução dos mesmos, tendência que se tem verificado no sistema escolar atual.
Esta experiência também me levou a descobrir que a escrita criativa não é apenas promotora das capacidades cognitivas do aluno, mas possui também uma forte vertente afetiva e emocional. Ao incluir a verbalização de ideias e sentimentos, a escrita criativa envolve a afetividade de quem escreve (Hermanns, 1989, p. 28 citado em Rocha 2011) o que, na perspetiva da psicologia, facilita a aprendizagem. Ainda que o objetivo de aprendizagem no meu projeto de intervenção tenha sido a destreza da composição escrita, acredito que a escrita criativa pode ser um meio facilitador para a aprendizagem das restantes destrezas de produção e recepção da língua. Acredito que seria interessante desenvolver outros projetos de investigação que se dedicassem a esta questão ou outros que contemplem as potencialidades pedagógicas da escrita criativa no ensino-aprendizagem das línguas estrangeiras. Pessoalmente, após a minha investigação creio que a escrita criativa poderia ser um meio para trabalhar exclusivamente o subprocesso de revisão, já que esta experiência me levou a tomar consciência da sua complexidade e das dificuldades apresentadas pelos alunos nesta fase da escrita.
Embora o uso da escrita criativa em sala de língua estrangeira apresente várias vantagens para a aprendizagem da mesma, senti várias dificuldades na sua implementação em vários domínios. O próprio tema da criatividade constituiu uma dificuldade e levou a questionar-me várias vezes ao longo do meu percurso investigativo, chegando a considerar que a abordagem racional que tinha optado para o treino da escrita criativa era antagónico e paradoxal à própria criatividade. Mas como abordar e trabalhar a criatividade num contexto escolar marcado pelo racionalismo? Esta questão levou-me a encontrar outra dificuldade ao longo deste projeto que residiu na falta de suporte teórico que me orientasse nas minhas questões e na fundamentação da minha prática.De facto, ao longo da minha investigação, dei-me conta que os estudos de escrita criativa aplicada à língua estrangeira em Portugal ainda são muito escassos, pelo que recorri essencialmente a autores portugueses e estrangeiros que se dedicavam à sua prática em língua materna. Ainda assim, houve momentos na minha intervenção onde as minhas dúvidas e
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dificuldades não encontraram resposta na investigação teórica. Foi o caso da avaliação da escrita criativa. Como podemos avaliar a escrita criativa? Quais os critérios mais justos para a avaliação? E, o que é afinal a criatividade? Perante a lacuna bibliográfica, a reflexão revelou-se um recurso essencial na minha prática pedagógica uma vez que representou:“a capacidade de utilizar o pensamento como atribuidor de sentido” (Alarcão 1996, p. 175). O pensamento reflexivo desenvolvido ao longo desta intervenção foi, sem dúvida, uma das práticas mais significativas para o meu desenvolvimento profissional. Foi graças ao pensamento reflexivo que consegui equacionar as minhas ações e as minhas práticas, solucionar as minhas dúvidas e dificuldades e, sobretudo, o ato reflexivo foi, ao longo desta experiência, o motor de toda a minha intervenção.
Por outro lado, tomei consciência que o nosso conhecimento profissional não deve alimentar-se somente da teoria adquirida nas instituições de formação mas deve ser, sobretudo, gerado e alimentado em contextos reais, na complexidade que a práxis também apresenta. Neste projeto, as minhas maiores dificuldades surgiram da minha falta de experiência, nomeadamente no contacto direto com os alunos durante a leccionação. De facto, a interação com os alunos e a forma de lhes dar feedback, a gestão dos ritmos de aprendizagem e a gestão do tempo, o equilíbrio entre o recurso à língua materna e a língua estrangeira foram obstáculos que encontrei ao longo da minha prática pedagógica, mas que foram ultrapassados graças a momentos reflexivos pessoais ou com as orientadoras cooperantes. Baseando-me nesta experiência, compreendi que o ser professor é um ser que deve estar constantemente em construção e deve ser capaz de se (re)adaptar continuamente aos novos desafios que a educação e a sociedade apresentam. O pensamento reflexivo revelou-se, para mim, como um ato criativo capaz de desenvolver a minha flexibilidade intelectual face à incerteza, à imprevisibilidade e às dificuldades surgidas, ao mesmo tempo que alimentou continuamente a minha curiosidade, contribuindo para transcender a figura do profissional docente enquanto reprodutor e mero transmissor do conhecimento. Embora já tivesse realizado um estágio pedagógico pré-bolonha, este veio complementar a minha formação, na medida em que me dotou de instrumentos capazes de me levar a intervir no contexto de sala de aula e não ser apenas uma reprodutora de conteúdos e teorias.
Ainda que não tivesse experiência com a metodologia e os instrumentos de investigação- ação, creio que este método de intervenção revelou-se um instrumento eficaz para poder conhecer o contexto escolar, diagnosticar dificuldades e orientar a minha investigação. No meu
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futuro profissional, espero ter oportunidades para voltar a pô-lo em prática, uma vez que