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Seguindo a linha funcionalista, toda comunicação é um ato social que tem origem na relação social. É a família o mais antigo e natural espaço de relação social interpessoal. Também é na família que ocorrem os primeiros traços de relações de poder, pois há os que mandam e os que obedecem. É assim em qualquer espaço social por onde circula o indivíduo ao longo de sua vida. Essas relações de poder estão presentes seja na família, na igreja, na escola, no trabalho, no clube, em associações de classe, entre outros.

Costuma-se dizer, no senso comum, que ―é conversando que a gente se entende‖. Mas é também conversando que a gente se desentende. Muitos conflitos interpessoais acontecem por conta das relações de poder que permeiam os processos comunicacionais e que estão presentes, por exemplo, nos questionamentos aos discursos autoritários que recusam a interlocução.

Embora seja necessário compartilhar do mesmo sistema de signos e de códigos para haver entendimento entre os interlocutores, cada um tem uma maneira singular de interpretar cada informação, que é decorrente da história de vida e das referências individuais. Essa é outra situação em que pode haver conflito nos processos de comunicação. O mesmo espaço físico e geográfico tem significados diferentes, dependendo do ponto de vista do observador. Esses olhares diferenciados sobre o mesmo objeto estão permeados de relações de poder e podem gerar conflitos comunicacionais.

Gustave Le Bon estuda as imagens, as palavras e as fórmulas e confere o poder da palavra. ―Se forem manejadas com arte, elas possuem realmente o poder misterioso que outrora lhe atribuíam os adeptos da magia. (...) São as palavras cujo sentido se encontra menos bem definido que, por vezes, possuem mais capacidade de ação. Isto sucede, por exemplo, com os termos democracia, socialismo, igualdade, liberdade, etc., cujo sentido é tão vago que nem um volume bastaria para o clarificar. E, no entanto, existe um poder mágico nestas breves sílabas, como se elas encerrassem a solução de todos os problemas‖ (1983, p. 65). Os conceitos dessas palavras variam de povo

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para povo, e para cada indivíduo essas palavras remetem a uma imagem diferente.

Há também as situações em que algo que parece óbvio para um, pode não ser óbvio para o outro, ou seja, deixa-se de explicitar algo, presumindo que o outro já sabe. Situação pior é aquela, porém, em que se faz julgamentos arbitrários acerca do que o outro pode ou não ter acesso, a determinadas informações. Nesta última situação, está implícita também a relação de poder, pois um decide o que o outro pode ou deve saber. Essa é uma forma de exercício do poder muito comum que consiste no controle da informação.

―Informação é poder.‖ Essa frase encontra ressonância desde Aristóteles a Rousseau, de Bacon a Hobbes, e reconhecê-la implica refletir que o acesso à informação tem uma relação intrínseca com o poder. Disseminar o conhecimento implica compartilhar e democratizar o poder. Controlar ou restringir é sinônimo de concentração do poder nas mãos de poucos. Dessa forma, fere o princípio democrático e constitucional que diz que todo o poder emana do povo. Assim, é condição sine qua non o acesso à informação e, por conseguinte, participar de todo o processo das tomadas de decisão e exercer a plena democracia.

Está à disposição, na contemporaneidade, uma infinidade de mídias que possibilitam a troca de informações e facilitam o estreitamento das relações interpessoais, como carta, telefone, jornal, revista, rádio, celulares, internet, TV, cinema, teatro, e muitas outras formas de propagação da palavra. As chamadas tecnologias de informação e comunicação – TIC – invadem o cotidiano como um tsunami, inundando nossa vida com informações.

A comunicação não tem fronteiras nem limites palpáveis, por isso já não se justifica mais dizer ―não sei‖ ou ―não pode saber‖, pois há muita informação acessível e acessável, por isso Wolton (1997, p.8) garante:

―A comunicação é um dos símbolos mais brilhantes do século XX; o seu ideal, aproximar os homens, os valores e as culturas (...) Ela é também uma das frágeis conquistas do movimento de emancipação e os seus progressos acompanharam os combates pela liberdade, pelos direitos do homem e pela democracia (..) De onde vem então esse sentimento de mal-estar que acompanha aquilo que deveria constituir

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um orgulho legítimo, um dos avanços mais tangíveis deste século, noutros aspectos tão duvidosos? Vem, sem dúvida, do fato de haver de tudo e demasiado, na comunicação. É certo que as possibilidades de intercâmbio são decuplicadas, à medida de uma liberdade individual sem limites, mas realizam-se por intermédio de indústrias "culturais" cujo poder financeiro e econômico se opõe muitas vezes a qualquer ideia de cultura e de comunicação‖ .

Essas infinitas possibilidades de produção e de circulação da informação, especialmente através das chamadas redes sociais, acabaram exigindo dos detentores do poder da informação mudanças nas estratégias de controle da informação. Segurar ou esconder a informação é uma forma de manter o poder a força. Atualmente, os detentores do poder precisam inundar o mundo com informação.

De acordo com Tupã Gomes Corrêa (1988, p.60): ―A comunicação, mais que um direito, constitui-se uma extensão física e irreversível do ser humano. (...) a própria necessidade de sobrevivência força o homem a buscar, na receptividade do semelhante, respaldo, cooperação e reciprocidade‖.

Considera-se que o homem sem informação e conhecimento é adestrável, dominado e incombatível. Não se pode, porém, perder de vista que o homem mal-informado também é manipulável. É necessário desenvolver a criticidade para fazer as escolhas adequadas diante das informações que são despejadas diariamente através dos meios de comunicação

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