Para a compreensão do objeto dessa pesquisa – a realidade da Educação de Jovens e Adultos do Município de Mauá – inicialmente utilizamos o procedimento de coleta de dados e estudo de vários textos disponíveis nos sites oficiais da prefeitura, do IBGE, de jornais regionais. Documentos de registro de ata de reuniões com os professores de Educação de Jovens e Adultos; de visita técnica da supervisão de ensino. Documentos legais: publicações do Conselho Municipal de Educação, decretos e leis municipais. Tudo isso com o objetivo, primeiramente, de apresentar a cidade de Mauá, localização, população, economia, serviços públicos existentes, a história de gestões anteriores e a atual da Educação de Jovens e Adultos. O material produzido pode ser conferido no capítulo anterior.
Depois, partirmos para a análise do documento chamado Ata do Conselho da EJA, referente ao 1º semestre de 2013, no qual consta a avaliação final de cada semestre de todos os educandos matriculados para aquele período, e são caracterizadas as seguintes situações finais de cada um desses educandos: promovidos, permanecem (no mesmo módulo), transferidos, desistentes, remanejados e outros. No caso, os educandos considerados desistentes são os sujeitos dessa pesquisa.
Um educando da EJA no 1º segmento, para ser caracterizado como desistente, deve passar pelas seguintes situações: 1 – o educando realizou a matrícula inicial e não frequentou, 2 - educando realizou a rematrícula no semestre anterior e não frequentou e 3 – o educando iniciou o semestre letivo e deixou de freqüentar, somando 30 dias consecutivos de falta.
Segundo o glossário do INEP22, a evasão escolar é conceituada como
“condição do aluno que, matriculado em determinada série, em determinado ano letivo, não se matricula na escola no ano seguinte independentemente de sua condição de rendimento escolar ter sido de aprovado ou de reprovado” e o abandono ocorre quando o educando deixa de freqüentar durante o período letivo. Consideramos como educandos desistentes tanto os que estão na situação de abandono, como os de evasão. Para a seleção do sujeito da pesquisa é necessário que e tenha um período de frequência nos cursos da EJA, sendo assim, não poderão ser educandos da situação 1.
Com esses critérios para selecionar os sujeitos da pesquisa, acrescentamos o fator quantidade. Optamos por 2 sujeitos de cada umas das 5 escolas selecionadas. A partir da listagem dos educandos considerados desistentes, selecionamos pela diversidade em relação à faixa etária e ao gênero.
No primeiro contato, realizado por telefone, marcamos entrevista com as pessoas selecionadas. Com relação a isso, houve dificuldade por não constarem números telefônicos na ficha cadastral de alguns; muitos números não pertenciam mais a pessoa; outros estavam com o telefone desativado. Algumas pessoas recusaram por insegurança, desconfiança e outras constavam na ficha apenas telefone de recado. Por outro lado, o que de certa forma facilitou, foi o conhecimento que alguns educandos tinham de minha pessoa por trabalhar na Equipe EJA da Secretaria de Educação que periodicamente visitava escolas para acompanhamento pedagógico. Porém, por toda a dificuldade citada, conseguimos realizar apenas cinco entrevistas.
Antes da pesquisa foi realizado o devido esclarecimento sobre o objetivo do encontro, bem como quem eu estava representando naquele momento. Eu não era um componente da Equipe EJA da Secretaria da Educação, mas uma estudante de mestrado da PUC. Também foi assinado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
Optamos por utilizar estratégias da entrevista a partir de um roteiro, por ser considerado “como uma solução para o estudo de significados subjetivos e de tópicos complexos demais para serem investigados por instrumentos fechados num formato padronizado (BANISTER et al, 1994 apud SZYMANSKI, 2011).”
22 Disponível em: <http://www.inep.gov.br/pesquisa/publicacoes/ultimas.htm>. Acesso em: 12 de outubro de 2013.
Na entrevista, por estarem estão envolvidas circunstâncias de interação face a face, procuramos criar situação de confiabilidade, levando em consideração o que Szymanski (2011, p. 12 e 17) coloca sobre o envolvimento das “expectativas, sentimentos, preconceitos e interpretações”, e conduzir esse momento com cautela para não parecer ameaça, cobrança porque a pessoa deixou de estudar. Ainda citando Szymanski (2011, p. 74) “considerar a subjetividade envolvida no processo de coleta de dados significa cuidado com o rigor.”
O roteiro utilizado continha 15 questões, divididas conforme os objetivos a seguir:
a) Questões de 1 a 4 para levantamento da identificação, perfil e, ao mesmo tempo, de aquecimento:
1 – Nome 2 – Idade
3 – Local de nascimento 4 – Grau de instrução dos pais
b) Questão 5 – para identificar a profissão e a relação com a escolaridade 5 – Qual a sua profissão?
c) Questão para identificação temporal:
6 – Em que período freqüentou a Educação de Jovens e Adultos?
d) Questões para identificação de problemas estruturais, trazendo a questão para aprofundamento quando se solicita sugestão de mudança:
7 - Como era o espaço físico onde eram dadas as aulas? Que mudanças você faria?
8 - Como era o horário de aula para você? Que mudanças você faria?
e) Questões para identificação de problemas de aprendizagem: 09 - O que facilitava você aprender na escola?
f) Questão para o levantamento de expectativa do educando em relação à escola, no que foi atendido ou não durante o tempo em que estudava:
11 - Se você retornasse hoje à escola, o que gostaria de aprender? Por quê?
g) Questões para investigação da relação que o sujeito com a instituição escolar, a partir das sensações, lembranças:
12 - Conte uma boa lembrança que você tem da escola. 13 - Conte uma lembrança ruim que você tem da escola.
h) Questão para o desenvolvimento de um olhar comparativo para consigo, a partir do olhar reflexivo para o outro, que segundo Szymanski (2011, p. 53), tem o objetivo de compreender outras perspectivas do fenômeno:
14- Por muita gente desiste de estudar na EJA? Você conhece alguém que desistiu?
i) Com o objetivo de levantar expectativa do educando em relação à escola: 15 - O que não pode faltar numa boa escola de EJA?
As questões acima serviram como foco, visto que, dependendo do contexto da entrevista, foram acrescentadas outras para aprofundamento ou modificadas para melhor compreensão do entrevistado.