Forskjellen mellomdenne oppfatning og den kvantitetsteoretiske er at etter den sist nevnte
Kapittel 4. Produktpriser, faktorpriser og sysselsetting
Sobre o papel da escola, todos/as concordaram que a escola é um espaço que deve favorecer a diminuição das intolerâncias e que deve abordar o tema da diversidade sexual. A escola é apresentada como um espaço que, depois da família, é responsável pela formação do/a aluno/a e por agregar as várias tribos de pessoas, é um espaço excelente para discutir os temas ligados aos direitos humanos. Além disso, é onde a criança aprende a conviver em sociedade. Como coloca Doroth: “olha, os adolescentes são multiplicadores, são fantásticos”.
Quando perguntei aos/às entrevistados/as se o currículo contemplava a discussão sobre diversidade sexual, os/as mesmos/as responderam o seguinte:
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Não, não, não. Elas não são porque na rede não tem psicólogo, então elas não são contempladas e no dia que elas forem contempladas verdadeiramente, vai se dar conta do quanto o professor é preconceituoso [...] o professor não tem uma visão ampla e nem conhecimento sobre o assunto. (MARIA, 2011, grifo meu).
Segundo Maria, a melhor forma de trabalhar com o tema da diversidade sexual é por meio de projetos específicos. Ela afirma não conhecer nenhum em andamento nas escolas em que atua. É comum na fala dela a referência ao/à psicólogo/a como profissional adequado/a para tratar desses temas. Segundo a professora, a diversidade sexual só não é trabalhada por conta da ausência desse/a profissional. É possível identificar nesta fala que a sexualidade e, portanto, também a diversidade sexual, não são entendidas como questões políticas e sim como questões de âmbito privado, pessoal. Disso decorre a marginalização e silenciamento da diversidade sexual no currículo.
Para a coordenadora Ana os temas diversidade sexual e gênero e também a discussão sobre sexualidades estão começando a aparecer no currículo, mas “falta metodologia e conhecimento e há muito preconceito ainda”. Para ela: “[...] tem muito professor que diz ‘eu trabalho sexualidade’ ou ‘eu trabalho diversidade’, mas na realidade é uma coisa estanque, muito fechada”.
Maria Clara coloca que “[...] tem as disciplinas, tem o currículo [...], tem projetos sobre sexualidade [...] no currículo mesmo o que tem é essa parte sobre sexualidade que eu falei”. (MARIA CLARA, 2011).
Quando a questão é “se os professores estão capacitados para trabalharem com o tema” as falas são as seguintes:
Não, não acho. Não tem profissional que saiba [...] se a Secretaria hoje dissesse pra trabalhar esses temas na escola ela teria dificuldades, se precisasse de profissionais para dar capacitações para os professores, teria dificuldades. Porque o que seria essa capacitação? Seria ir buscar na psicologia, seria ir buscar os clássicos, a Simone, a Butler? E depois tem uma questão que é muito recente, a rede pública trabalha aquilo que já está praticamente sedimentado. Porque a escola não trabalha a história negra ou a capoeira? [...] eu não acho que é incompetência dos profissionais, eu acho que não há estrutura na sociedade [...] não se tem onde buscar o embasamento teórico. Alguns Estados ainda contestam o casamento entre homossexuais [...] ai o professor fica inseguro e vai muito da crença dele. Uma das coisas que tem que mudar é a Constituição, porque ela diz no artigo 216 que o casamento se dá entre um homem e uma mulher. (MARIA, 2011).
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[...] eu acho que vai da experiência de cada um, porque na faculdade mesmo a gente não tem e quando a gente faz a prova pra vir dar aulas também não é cobrado isso. É cobrado outras coisas, as partes hormonais, fisiologia e anatomia. (MARIA CLARA, 2011).
Imagina! Porque eu vejo muito professor preconceituoso, por quê? Porque eles não foram capacitados. Nós temos um casal de lésbicas e eles se referem a elas de forma jocosa, aliás, eu acho que eles nem tinham que se referir a elas com qualquer conotação que não ‘às alunas’, elas não dão trabalho, tiram boas notas, a única coisa é que elas andam de mãozinhas dadas, sentam uma do lado da outra, as mães sabem, os pais sabem, e eles falam muito mais dessas que não dão trabalho do que dos alunos que não deixam eles darem aulas [...] deveria haver uma formação específica sobre diversidade sexual para professores da rede estadual, municipal, particular, o que fosse. Eles têm que aprender a lidar com a diversidade. (NEI, 2011).
Quando questionadas sobre a implementação do novo currículo os/as entrevistados/as colocam o seguinte:
Eu sou completamente contra, acho um horror [...]. Porque na proposta de 1993, que eu fiz parte da oficina pedagógica, eles se manifestaram contra a apostila, e isso nada mais é do que um apostilamento, um gasto de papel enorme. Você percebe, acha aqueles caderninhos de exercícios todos rasgados nas classes [...] não existe sequência lógica entre um caderno e outro e são caderninhos propostos para classes com menos alunos. Em química, por exemplo, não tem como você trabalhar, você montar uma aula experimental com uma classe numerosa, 45 ou 50 alunos. P: E você utiliza os cadernos? E: Não. Raramente eu pego um exercício, uma ilustração. (DOROTH, 2011).
[...] a gente segue a Proposta, o currículo, os cadernos, por exemplo, eu não tenho os cadernos do aluno do segundo semestre, mas eu sigo o que o currículo pede e uso o livro didático, passo na lousa. Esse semestre o Estado não mandou ainda. (MARIA CLARA).
A escola se orienta pelo novo currículo e é paradoxal, por que na minha área foi uma dádiva, porque tenho poucas aulas, são 43 páginas por bimestre apenas, eu tenho uma aula no 1º e uma no 2º ano, eu gosto de trabalhar com textos então o que acontece, se eu fosse xerocar os textos e atividades seria impossível. Pra minha disciplina é um auxílio, mas não é suficiente. Porque esse currículo é apolítico. Quando ele trabalha Marx, as categorias são uma coisa [...] você tem que melhorar. P: Você considera uma boa proposta? E: Sim, o Estado fez uma revolução ao implantar esse sistema porque unificou o currículo. Então se você vai do interior à grande São Paulo, o professor tem que estar trabalhando a mesma coisa. O Governo tirou o indivíduo do
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século XVIII e trouxe para o século XXI, ele implantou a tecnologia, tanto na forma quanto no conteúdo [...] a questão do currículo é sensível porque mexe com a formação do professor [...] e tem outra coisa: a Universidade não forma professor, ela forma pesquisador. (MARIA, 2011).
Quando pergunto sobre a autonomia do/a professor/a, Maria afirma que “a desculpa é de que não há autonomia, mas a questão não é essa, a questão é que os fatos que se apresentam é que o professor não tem competência intelectual pra isso”. Para ela:
[...] o que é difícil nesses caderninhos é que eles pressupõem que os alunos já tenham uma linguagem e eles não têm, a diferença é que já é uma linguagem mais elaborada, é um nível linguístico que o aluno não tem [...], então você precisa mastigar as coisas. Então com esse novo currículo o professor tem que trabalhar, e essa é a bronca. (MARIA, 2011).
Das professoras entrevistadas apenas Doroth afirma não utilizar a Proposta. As duas falas de Maria trazem contradições acerca do novo currículo: primeiro ela declara que o mesmo é apolítico, em seguida diz que é uma boa proposta, pois é inovadora. Há no discurso dela uma responsabilização do/a professor/a e uma supervalorização do Estado como benfeitor no que se refere à inovação trazida pelo currículo. Ela ignora o caráter centralizador da política e não vê a implementação do material como redutora da autonomia do/ professor/a.
Sobre o conteúdo de Sociologia, pergunto como ela trabalha o tema sobre o Movimento LGBT. Ela coloca:
[...] no 3º ano está lá como as conquistas de direitos civis, o que é direito civil, tá lá no fim. Tem até a bandeira no arco-íris; eu faço uma boa introdução, porque você tem que ir além do caderninho. Mas o que acontece com o professor? Ele pula esse tema, como ele não sabe, ele não trabalha. Porque isso exige que ele leia, que ele entre na internet pra pesquisar, exige que ele entenda o que é bullying homofóbico, o que é homofobia, e o professor não gosta. (MARIA, 2011).
No 3º colegial a apostila de Filosofia traz a questão do preconceito, então eu dei seminário, eles fizeram coisas maravilhosas, falaram do preconceito contra a homossexualidade, pegaram entrevistas de pais e mães que os filhos morreram, foi ótimo. Aí eu aproveitei pra explicar que os homossexuais não têm uma Lei para protegê-los e que precisam ter. Eu percebi que pra alguns foi muito importante entender aquilo, e os alunos vêm falar ‘olha professora, o professor do ano passado não deu nada disso, ele nem usava o caderninho’. Eu perguntei o que eles estudaram e eles responderam: ‘um pouco de preconceito racial. (MARIA, 2011).
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Quando questiono se há outros materiais ou projetos que podem auxiliar o/a professor/a no desenvolvimento de trabalhos sobre diversidade sexual a coordenadora coloca que:
[...] temos projetos vindos da Diretoria de Ensino e da Secretaria de Educação, por exemplo, temos um trabalho muito legal sobre sexualidade, se chama ‘A saúde vai à escola’, que são palestras feitas por enfermeiras que vêm falar sobre sexualidade, prevenção, homofobia, faz parte do ‘Prevenção também se ensina’, que é um projeto oficial da SEE. (ANA, 2011).
O projeto mencionado pela coordenadora ofereceu aos/às alunos/as algumas palestras e eu tive a oportunidade de observar duas: uma sobre gravidez e outra sobre DST/HIV/AIDS. No entanto, as atividades mantinham o viés biologizante da sexualidade, abordando o sexo e a sexualidade sempre vinculados à prevenção das DST/HIV/AIDS. As experiências sexuais dos alunos/as, a autonomia e o direito à sexualidade são negados e fala- se apenas em consequências do sexo, ou seja, o sexo é colocado apenas como uma pratica que pode levá-los/as ou à gravidez ou a alguma doença.
As palestras ministradas pelas enfermeiras do Hospital Regional de Assis (SP) tinham como metodologia uma espécie de pedagogia do horror ou do choque, uma vez que eram exibidas fotografias e imagens de bebês mortos e barrigas repletas de estrias, seguidas de falas como: “vocês estão vendo essas estrias? Elas não saem mais não viu?” ou “quando ocorre o aborto, os bebês morrem assim”. Aos alunos e alunas restou o silêncio diante de tal abordagem que, em nenhum momento, falou da sexualidade como afetividade, como exercício livre do desejo ou como algo que pudesse ser experienciado por eles/as com prazer.