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A primeira reação de George W. Bush foi ordenar que Colin Powell e o Departamento de Estado lançassem um ultimato ao Talebã, mandando que entregassem Osama bin Laden; do contrário, os EUA atacariam o país. Enquanto o Afeganistão se tornaria uma atração menor do que o Iraque, foi o foco principal da administração Bush nos meses finais de 2001. O presidente Bush queria uma resposta imediata das Forças Armadas dos Estados Unidos – uma resposta que faria os “terroristas” pagarem um preço muito alto por aquilo que haviam feito contra os EUA. Rumsfeld e seus colegas assumiram que Saddam Hussein estava por trás do onze de setembro. O sub-secretário de Defesa para Política, Douglas Feith, dizia que a campanha deveria ser imediatamente conduzida a Bagdá. Já Rumsfeld sugeriu que os Estados Unidos deveriam atacar tanto o Iraque quanto a al-Qaeda no Afeganistão. Powell discordou, dizendo que havia apoio público para atacar a organização de bin Laden, mas não para uma invasão no Iraque. Por incrível que pareça, o vice-presidente Dick Cheney concordava com Powell. Bush também deixou claro que não achava o momento adequado para resolver a questão do Iraque. O presidente havia falado com Richard Alan Clarke, então conselheiro de contra-terrorismo no Conselho de Segurança Nacional dos EUA, que lhe garantira que o onze de setembro for a obra da al-Qaeda (HERSPRING, 2008: 77). Clarke era conhecido como o “czar” do contra-terrorismo nas administrações de Clinton e Bush (filho).

As preocupações com Saddam Hussein são anteriores a administração de George W. Bush. Para alguns dos futuros oficiais do governo Bush, como Paul Wolfowitz, a falta de ação

dos EUA com relação ao Iraque era moralmente chocante. Depois da Guerra do Golfo, ao longo dos anos 1990, a política dos EUA visava a conter Saddam Hussein. Zonas de exclusão aérea foram criadas no sul e no norte do respectivo país, de modo que os aviões iraquianos não poderiam entrar em tais áreas. Em 1995 o Conselho de Segurança das Nações Unidas criou o programa Petróleo por Comida. Assim, diversos formuladores de políticas públicas acreditavam que Saddam estava contido. Seu Exército estava enfraquecido após a Guerra do Golfo e, mesmo que Saddam permanecesse sendo um déspota, havia pouco que podia fazer para ameaçar os EUA. Entretanto, Paul Wolfowitz, Douglas Feith e outros falcões achavam que ele era uma ameaça para a região e para Israel. Livrando-se de Saddam, os falcões estavam convencidos de que iniciariam um novo capítulo no Oriente Médio. A democracia no Iraque, em tese, teria um efeito dominó. Em janeiro de 1998, Richard Perle, presidente do Comitê Consultivo da Junta de Política de Defesa (órgão ligado ao Pentágono) nos primeiros anos da administração de George W. Bush, e Paul Wolfowitz fizeram uso do think-tank neo- conservador Projeto para um Novo Século Americano para enviar uma carta aberta ao presidente Clinton pedindo uma campanha terrestre para retirar Saddam Hussein do poder. Sob pressão dos falcões iraquianos, no outono de 1998 o Congresso dos EUA aprovou a Lei de Libertação do Iraque (Iraq Liberation Act), que declarava que deveria ser a política dos Estados Unidos procurar remover o regime de Hussein e substitui-lo por uma democracia. Enquanto a administração de George W. Bush tinha outros problemas para lidar, como a China e o escudo anti-mísseis, os falcões iraquianos continuaram na ativa. Eles consideravam o general Colin Powell, que se tornaria secretário de Estado, uma anomalia na nova administração, porque ele não acreditava na “necessidade absoluta” de mudança de regime no Iraque. Os falcões também se ressentiam de Powell por outro motivo. Ele havia escrito a Doutrina Powell, que assumia que, antes dos EUA irem à guerra, um número de ações preliminares deveria ser tomado. Os Estados Unidos e os seus parceiros deveriam usar uma força esmagadora contra o seu inimigo. Isso minimizaria as perdas norte-americanas, forçaria o outro lado a capitular rapidamente e permitiria às forças estadunidenses pacificar o país após terminado o combate. Entretanto, para Donald Rumsfeld, o Iraque representava uma oportunidade para ele provar sua teoria de “transformação militar” por meio do uso do menor número possível de tropas. O general Shinseki, por outro lado, estava mais preocupado com um conflito em potencial no mar Cáspio do que no Iraque. O general Marine Tony Zinni, chefe do Comando Central dos EUA, era o mestre em jogos de guerra envolvendo o Iraque. Ele julgava serem necessários cerca de 400.000 soldados para tomar e ocupar o Iraque (HERSPRING, 2008: 68-73).

No dia dez de janeiro de 2001, Bush foi falar com o Estado-Maior Conjunto. O Iraque era o primeiro tópico da lista de assuntos, porque seria a área de maior risco com a qual teria de lidar. Quando o Conselho de Segurança Nacional se reuniu em cinco de fevereiro do mesmo ano, revelou-se que a Casa Branca já havia decidido dar recursos a grupos iraquianos no exílio e apoiar grupos anti-regime dentro do Iraque. Cerca de uma semana depois, enquanto Bush visitava o México, aviões norte-americanos e britânicos, que voavam nas zonas de exclusão aérea no Iraque, acertaram vinte alvos militares de comunicação, incluindo alguns próximos à Bagdá. Estava claro que o Iraque era uma das principais preocupações da administração, ao contrário do terrorismo. Richard Clarke chamava a atenção para a luta contra a al-Qaeda e o Talebã. Paul Wolfowitz, porém, diminuiu qualquer ameaça oriunda da al-Qaeda e continuava a argumentar que o Iraque era o perigo principal. A CIA estava preocupada com a al-Qaeda pelo fato desta ter algo em mente. Em 30 de maio de 2001, George Tenet, então diretor da CIA, e alguns de seus assistentes avisaram a então conselheira de Segurança Nacional Condoleezza Rice. Em dez de julho, Tenet recebeu um relatório do chefe da unidade de contra-terrorismo da CIA, Cofer Black, que afirmava que a al-Qaeda logo atacaria os EUA. Rumsfeld não levou os avisos a sério e quis se focar em planos de guerra contra o Iraque e a Coréia do Norte (HERSPRING, 2008: 73-75).