O conhecimento tornou-se um mecanismo de competição mundial tanto no âmbito científico quanto econômico. Zhao (2003) afirma que estamos em uma sociedade em que o recurso econômico básico mudou do capital real para conhecimento. Portanto esta nova sociedade do conhecimento precisa de gestores e transformadores de conhecimento, com habilidade de criar e compartilhar novos conhecimentos, bem como adaptar o conhecimento de acordo com as demandas. Neste sentido sendo as universidades responsáveis pela formação desses gerentes do conhecimento, sendo o compartilhamento de conhecimento no processo de orientação da pesquisa crucial para que a gestão do conhecimento aconteça.
Ainda conforme Zhao (2003, p. 5) “o processo de gestão do conhecimento através da construção do conhecimento, disseminação, utilização e concretização começou a ganhar impulso em indústrias baseadas no conhecimento em nossa sociedade”. As mudanças ocorridas com a gestão do conhecimento impactaram as universidades, especialmente nas esferas do ensino e da pesquisa, pois é nesse
ambiente que o conhecimento predomina. Khosravi; Ahmad (2013) destacam que a gestão conhecimento por meio da “criação, compartilhamento e aplicação do conhecimento tornou-se o tema central da nova economia”.
Khosravi; Ahmad (2013) descrevem que ao terminar a pós-graduação estes novos pesquisadores devem estar capacitados para a gestão do conhecimento: “criar novos conhecimentos e agregar valor à sociedade baseada no conhecimento”, sendo assim, os orientadores devem guiar seus alunos a desenvolverem competências de gestão do conhecimento.
Ainda para Khosravi; Ahmad a gestão do conhecimento na universidade é:
uma vantagem acadêmica e recurso econômico que promove a qualidade de uma universidade e administra a supervisão da pesquisa como um processo de aquisição de conhecimento para agregar valor ao da universidade. É também um indicador para governos para avaliar a qualidade de uma universidade (KHOSRAVI; AHMAD, 2013, p. 3).
Para Ismail; Abidin (2011, p.15) “a supervisão é um encontro social complexo, que envolve duas partes que têm interesses convergentes e divergentes”, sendo assim o equilíbrio destes interesses torna-se essencial para o sucesso na orientação da pós-graduação.
Já Lessing e Schulze (2002) descrevem o papel da orientação envolve o equilíbrio entre vários fatores: “experiência na área de pesquisa, apoio para o aluno, crítica e criatividade”, além de indicações de leituras, da metodologia e análise de dados que já devem estar implícitos à orientação.
Ainda sobre esse tema Ismail; Abidin (2011) reforçam que os orientadores devem considerar as necessidades individuais de cada aluno e serem flexíveis, uma vez que seus orientandos são diferentes em termos de personalidade, capacidade intelectual, motivação e autonomia.
Os estudos de Brown e Krager (1985) enfatizam a importância do orientador em ser “sensível ao tempo e competência dos alunos, bem como ajudá- los a tornar-se consciente de suas próprias limitações”.
Como firmou Lessing; Lessing (2004, p. 142) “é preciso haver um equilíbrio entre a interferência do supervisor e independência do aluno. Os papéis e responsabilidades do orientador e do orientando devem estar claro para todos os participantes na supervisão”.
No que se refere ao papel do orientador os autores supracitados foram enfáticos ao afirmar que os orientadores devem ser flexíveis para lidar com as diferenças entre os orientados, bem como estarem dispostos a contribuir com a evolução dos futuros pesquisadores.
Em sua pesquisa Zuber-Skerritt et al. (1994)4 apud Buttery; Richter; Leal Filho (2005) ressaltaram os principais problemas que ocorrem na supervisão de pós- graduação:
(1) supervisão inadequada: falta de experiência, compromisso e / ou o tempo dos supervisores; (2) problemas emocionais e psicológicos: estudantes isolamento intelectual e social; sua insegurança para cumprir as normas e falta de confiança em sua capacidade de completar suas teses dentro do tempo especificado ou não em todos; (3) falta de compreensão e comunicação entre supervisor e aluno; e (4) a falta de conhecimentos, habilidades, treinamento ou experiência em métodos de pesquisa dos alunos (Buttery; Richter; Leal Filho, p. 18, 2005).
Khosravi; Ahmad (2013) relatam que durante o processo de orientação na pós-graduação, estudantes e orientadores “se reúnem para fomentar e nutrir ideias da pesquisa e, portanto, passar o tempo em discussões e colaborar um com o outro”. Desta forma pode-se ponderar que esse diálogo entre orientador e orientando culmina em explicitação, criação e compartilhamento de conhecimento, os quais são inerentes à gestão do conhecimento.
4 ZUBER-SKERRITT, O.; RYAN, Y. (Eds) (1994). Quality in Postgraduate Education, Kogan Page, London.
Para Rowley (2000) as universidades têm um nível significativo de atividades de gestão de conhecimento associados à criação e manutenção de repositórios de conhecimento que visam melhorar o acesso ao conhecimento, neste contexto o processo de orientação de pesquisa é, sem dúvida, uma parte integrante das atividades de gestão do conhecimento nas universidades.
Em sua pesquisa sobre universidades na Ásia, Khosravi; Ahmad (2013) apresentaram que o compartilhamento de conhecimento tem barreiras semelhantes tanto no ambiente acadêmico quanto no ambiente empresarial. Ficou perceptível nesta pesquisa que a falta de uma cultura de compartilhamento do conhecimento em algumas universidades redundou em muitas atitudes individualistas e pouco diálogo e colaboração entre os alunos. Destacaram, ainda, que o compartilhamento de conhecimento no processo de orientação é uma atividade que necessita ser mais estudada.
Ainda sobre esse tema Khosravi; Ahmad (2013) afirmam que o principal objetivo da abordagem de gestão do conhecimento na orientação é melhorar a qualidade das pesquisas e valorizar a experiência dos alunos enquanto pesquisadores.
A relação entre a gestão do conhecimento e a orientação acadêmica tem sido pouco discutida e pesquisada. De acordo com Zhao (2003, p. 4) “o processo de supervisão da pesquisa consiste na conversão do conhecimento” o qual culmina no avanço da ciência por meio dos resultados das pesquisas.
Entender a forma como os pesquisadores em formação são conduzidos na construção do conhecimento através de suas produções, da consolidação da co- autoria e do desenvolvimento da pesquisa, bem como as inquietações decorrentes tanto da atuação do orientador e suas demais atividades acadêmicas, quanto as ansiedades e tensões do processo de formação stricto sensu abre caminho para a discussão deste tema na Ciência da Informação e evidencia todo um novo cenário para a gestão do conhecimento no âmbito das universidades.