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5 SLWR PROJECT DELIVERY

5.5 Fabrication

5.5.3 Production experience. Aasta Hansteen project

A transição para a parentalidade por si só é uma fase sensível do ciclo vital (Silva & Carneiro, 2014). A experiência de parto pode condicionar a vivência saudável deste processo e submete-lo a várias vulnerabilidades (Henriques, Santos, Caceiro & Ramalho, 2015). A atuação dos enfermeiros no parto é determinante na forma como a parturiente/casal o experienciam. Para uma perceção positiva das mulheres face ao seu parto é fundamental que os EEESMOG compreendam as expectativas das mulheres e os seus mecanismos de coping, conheçam as suas intenções, permitam a sua envolvência na tomada de decisão, diligenciem um ambiente de parto seguro, com apoio contínuo e promovam o parto normal e humanizado (Carvalho, 2014; Aune et al, 2015).

Neste contexto, consideramos que este trabalho vem dar o seu contributo no sentido de promover práticas que permitem veicular a fisiologia do TP, promover o respeito pelo direito da mulher/casal à decisão livre e esclarecida, bem como ao exercício da sua autonomia, nomeadamente através a realização de um plano de parto.

Já “Florence Nightingale estava convencida de que, a maior parte das vezes, os maus cuidados de Enfermagem eram muito mais o resultado de uma falta de reflexão do que uma falta de atenção aos outros…” (Collière, 1999). Importa por isso refletir sobre as nossas práticas, fomentar a discussão e incorporar a relação entre a teoria e a prática. A nossa perceção é a de que conseguimos contribuir para alterar alguns comportamentos e até mesmo a atitude face à temática. Isto veio efetivar evidentes benefícios para a parturiente/casal, nomeadamente no respeito pela sua vontade e na concretização das suas expectativas face ao parto.

Estamos igualmente convictos que o percurso percorrido, espelhado agora neste documento, representa um importante contributo para a sensibilização e estímulo à reflexão sobre a pertinência da promoção de posições verticais no segundo estádio do TP, bem como para a desenvolvimento

procedimentos visa a normalização de práticas e padronização da atuação dos profissionais, como forma de melhoria contínua da qualidade dos cuidados. Pretende-se que através da aplicação crítica, individualizada e refletida destas diretrizes os EEESMOG garantam respostas seguras, flexíveis, equitativas e com elevado nível de qualidade às parturientes/casais/fetos que acompanham.

Todavia, ambicionamos com este trabalho, contribuir para o desenvolvimento de outras abordagens a este tema, que de forma complementar, ajudem a conhecer e compreender melhor esta prática e a realidade portuguesa de aplicabilidade da mesma. Sugerimos para isso a elaboração de mais investigações dirigidas aos enfermeiros, nomeadamente à sua opinião e experiência na promoção de intervenções nesta área. Consideramos que este tipo de estratégia conduz, de forma mais direta, ao estímulo do pensamento crítico.

Cerullo & Cruz (2010) mencionam a necessidade de formação dos enfermeiros na elaboração do pensamento e raciocínio crítico, e da avaliação dessa formação, especialmente a avaliação das “transformações nos processos cognitivos e as propostas de mudanças das práticas assistenciais”.

É ao desenvolvimento deste espírito crítico que este trabalho se propôs, como forma de despertar nos enfermeiros a necessidade de análise sobre a aplicabilidade e benefício da evidência nas suas práticas. Esta capacidade de discernimento sobre o que é evidentemente operacionalizável integra-se como um dos fundamentos da PBE, que atinge o seu expoente máximo na tomada de decisão no processo de prestação de cuidados (OE, 2012).

Neste aspeto, realçamos o grande contributo da RCL como forma de fundamentação das nossas práticas e como veículo intervencionista para a mudança. A mobilização da evidência no contexto da prática e o estímulo ao pensamento crítico dos profissionais, constitui na nossa opinião, uma das melhores formas de promover a alteração de condutas. Já que, o pensamento crítico implica habilidades e atitudes necessárias ao desenvolvimento do raciocínio clinico, o qual assenta ainda nos conhecimentos existentes e no contexto. O raciocínio clínico é fundamental para reformar métodos e técnicas que mostraram não beneficiar determinado indivíduo, família ou comunidade,

através da reflexão sobre a prática, para definir os objetivos dos cuidados a prestar e delinear estratégias para os atingir (Cerullo e Cruz, 2010).

Deste modo, conhecer e compreender as experiências das parturientes na utilização de posições verticais no segundo estádio do TP permitiu-nos entender os riscos, as dificuldades e os aspetos positivos que podem estar associados à sua promoção pelo EEESMOG. Os resultados encontrados nesta RCL não permitem uma generalização, pelo que a interpretação desta informação é alusiva aos contextos e características específicas dos estudos analisados. No entanto, são relevantes para o conhecimento das particularidades e características das vivências destas mulheres.

Neste âmbito, realça-se a importância da divulgação e partilha dos resultados da RCL para a PBE; já que os mesmos “são de pouca utilidade (…) se não foram comunicados a outros investigadores ou eventuais utilizadores” (Fortin, 2009, p. 58). A difusão e a mobilização da evidência científica encontrada com os pares é também um importante contributo deste trabalho para a intervenção dos EEESMOG, fomentando um olhar especializado para as experiências das parturientes.

O EEESMOG, através das suas competências específicas na área do acompanhamento do TP, pode promover a saúde da parturiente e feto/RN, bem como detetar atempadamente os riscos e dificuldades que podem estar associadas ao decurso do TP, através da promoção das posições verticais.

O contributo deste trabalho vai além do contexto do TP, uma vez que esta prática deve ser estimulada através de programas de preparação e apoio para o nascimento/parentalidade no período da gravidez, nas consultas de vigilância pré-natal, bem como na divulgação de informação credível através de plataformas virtuais.