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6. Methodology for Intervention Research

6.6. Process Evaluation

O homem sempre acha que a sua opinião é a melhor e que portanto deve prevalecer, custe o que custar. A teimosia masculina neste particular é um fato já comprovado. Prova isto o conselho de um dignatário chinês, que sugere aos homens nunca aceitarem os conselhos das esposas, mesmo quando estas estiverem com a razão. Tanto pior para eles!

Se a mulher aconselha o marido a não comer tanto daquele molho, provavelmente ele comerá mais ainda e terá uma indigestão duas vezes pior, só para provar que a cara-metade não sabe o que diz. (LISPECTOR, 2006, p.78)

A comunicação passa a ser fundamental para os seres humanos, principalmente para o público feminino. É por meio dela que a mulher transcende nas escolhas, torna-se uma conselheira para as atividades humanas, ouve e delineia o seu novo percurso. Ela estabelece suas próprias escolhas, mesmo sendo estas divergentes do conteúdo delimitado para ela pelo sujeito masculino.

E nessa esfera linguística ela investe em seu caráter de forma concreta e única, ela diversifica o seu vocabulário em prol da sua nova forma de pensar. Nesta linha de pensamento recorremos ao discurso de Bakhtin ao tratar do uso da língua nos mais diversificadas apropriações do indivíduo:

Todas as esferas da atividade humana, por mais variadas que sejam, estão sempre relacionadas com a utilização da língua. Não é de surpreender que o caráter e os modos dessa utilização sejam tão variados como as próprias esferas da atividade humana (...) A utilização da língua efetua-se em forma de enunciados (orais e escritos), concretos e únicos, que emanam dos integrantes duma ou doutra esfera da atividade humana. (BAKHTIN, 1997, p.290)

A autora transporta suas leitoras para uma boa prática da comunicação e exemplifica que, de acordo com o tempo e com as modificações nas esferas das atividades humanas, novas tendências textuais podem surgir. Resgata e alerta o ―eu‖ feminino para a experiência do consumo e coloca em circulação valores outros que possibilitam a transformação do sujeito consumidor. Não se pode deixar de lado que, em meio aos discursos novos, também existem falas que precisam ser resgatadas para que estas não caiam em esquecimento.

O discurso proposto distancia-se de certo modo do tradicionalismo, mas deixa claro que existem valores que precisam ser conservados. A contemporaneidade ancora-se nas temáticas das crônicas e estas suscitam desde a mais singela ação de proporcionar uma visão para um objeto ou algo usual, e conseguem chegar até a formulação de conceitos.

Nos textos vemos a construção de competências sendo formuladas, incluindo as de leitura e também a manipulação jornalística, que não se deixa escapar. O sujeito feminino tem a liberdade de se condicionar a receber esta manipulação para adentrar no processo das competências do saber e do aprendizado; e entre tais está a junção dos elementos oriundos da modernidade e do capitalismo, que possibilitam o desenvolvimento de uma leitora crítica para uma sociedade necessitada desse perfil de leitora.

Assim, o perfil é formulado a partir da vitrina figuratizada de textos. Os retratos de mulheres, a vida, os retoques do destino, os perfumes, os gestos, a atenção, o cansaço, as alegrias, a postura, o ouro, a educação, a cultura, as cores, as atitudes, as roupas, a pele, o lar e a família são assuntos frequentes, fazendo parte da construção de uma nova imagem para a mulher. Fixam-se num momento de estar bem, como também ajudam a construir a continuidade do dia-a-dia sem monotonia, principalmente para quem não tinha tantas opções de diversão.

Da palavra ao conteúdo provocado, a representação do seu efeito gerador ganha mais consistência diante do desafio existente. Emana uma assinatura única em meio à Literatura Moderna. Com suas crônicas consegue contextualizar um território complexo de conselhos e vertentes críticas por uma formatação simples da vida diária. Desta forma, percebemos na experiência, de

escrita e de vida, um norte para implementar desafios no processo de formação de novos leitores de Clarice Lispector.

Concluimos, reafirmando que a proposta deste trabalho remete a um detalhamento no minucioso espaço do microfilme: e, nesse lugar, a Literatura e a Mídia se fundem em Correio Feminino de Clarice Lispector. Nele, é comprovada uma parte inusitada na obra da autora. Foco que tentamos embasar a partir dos textos da coletânea, publicados em colunas de jornais que norteiam a experiência intelectual da cronista. Pensamos que seja por demais concluir que a obra de Clarice esteja limitada a fronteiras. É necessário admitir que Literatura e Mídia se fundem em prol do sujeito feminino leitor. No entanto, não podemos desfazer da opinião de críticos sobre a temática. Portanto, fica registrado aqui o nosso olhar a respeito de Clarice Lispector.

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