• No results found

O Município de Palhoça integra, juntamente a outros 21 municípios, a RMF, em SC, e presenta população de cerca de um milhão de habitantes segundo projeções do Insituto Brasileiro de Geograia e estaísica (IBGE) para 2015. Tendo como base os dados conidos no site do IBGE Cidades, a população do município de Palhoça, município que integra a parte coninental da RMF, em 2010 era de cerca de 137 mil habitantes e a projeção para 2015 é de que sejam 158 mil pessoas. A área do município é de 395,133 km2 e a densidade demográica é de 347,56 habitantes por km2. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um indicador que mensura o nível de desenvolvimento econômico e a qualidade de vida de uma determinada população, país, estado ou município. Anualmente, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU), elabora um relatório de IDH mundial por país. No Brasil, o PNUD Brasil elabora para o ranking dos 5570 municípios brasileiros. Nesse ranking, o município de Palhoça, em 2010, ocupou a posição 420º com IDH de 0,757.

O presente trabalho enfoca a aplicação práica dos princípios conidos na Carta para o Novo Urbanismo, no bairro planejado Pedra Branca, situado no município de Palhoça, RMF, SC, região sul do país, a uma distância de 15 km da capital Florianópolis, conforme monstra na Figura 36 abaixo. O acesso ao município de Palhoça a parir de Florianópolis se dá basicamente pela rodovia federal BR-101, cruzando o município de São José, na altura do km 220 da referida BR. A distância da BR ao bairro planejado Pedra Branca é de aproximadamente 4km. (Figura 38)

A população que frequenta o bairro planejado Pedra Branca hoje é de 17. 500 pessoas, assim divididos: 5 mil moradores, 5.500 trabalhadores e 7 mil estudantes, o que apresenta uma densidade de 70 habitantes/hectare circulando diariamente em média no bairro. A densidade, se forem levados em conta apenas os moradores atuais, cai para 20 habitantes/hectare.

O Bairro Pedra Branca compreende uma área de 250 hectares. Sua construção teve início em 1997. Trata-se de um bairro aberto que procura num raio de 500 metros oferecer moradia, trabalho, estudo e lazer, priorizando o deslocamento a pé e de bicicleta. Desde o início do projeto, o bairro, que foi implantado na área de uma aniga fazenda, teve como âncora um campus da UNISUL. Atualmente, o

FIGURA 36: Mapa de situação do Estado de Santa Catarina e da região da grande Florianópolis, onde está situado o município de Palhoça. FONTE: documentação insitucional de propriedade do bairro planejado Pedra Branca.

FIGURA 37: Mapa de situação o município de Palhoça. FONTE: <htps://www.google.com.br/maps>. Acesso em: 15/novembro/2015

bairro também conta com outra âncora importante para auxiliar o seu dinamismo, a empresa TIVIT (Terceirização de Processos, Serviços e Tecnologia S/A), empresa da área de tecnologia da informação e serviços, referência em sua área na América Laina. (levantamento de campo realizado em visita técnica ao bairro pela autora em junho/2015).

O bairro planejado Pedra Branca apresenta uma área de 250 hectares. Até 1999, a área era ocupada por uma fazenda, coforme a igura 40. Todavia, com o crescimento da zona urbana do muncípio de Palhoça, a fazenda icou no limite das zonas urbana e rural do muncípio. O bairro teve como sua atração inicial um campus da Universidade UNISUL, que estava procurando terreno para implantar um campus na RMF enquanto o bairro planejado preciva de um polo de atração diário de pessoas (nesse caso, alunos, funcionário e professores). Por isso, foi conhecido durante alguns anos como “Cidade Universitária”.

A nomenclatura ‘Pedra Branca’, refere-se a um elemento natural rochoso existe na propriedade conforme igura 39, o qual adquire uma coloração esbranquiçada ao amanhecer dos dias frios. Em 2005, os invesidores do bairro planejado Pedra Branca realizaram a implantação da maquete eletrônica do futuro empreendimento em uma foto aérea do local, conforme demonstra a igura 41. A empresa idealizadora e gestora do bairro planejado Pedra Branca havia conhecido os conceitos do Novo Urbanismo Norte-Americano e decidido mudar o foco de um loteamento padrão da região com o diferencial de ter um campus universitário para se tornar um bairro planejado. A empresa PB, nesse ano, conheceu arquitetos que foram convidados a tornar-se parceiros e realizou trabalhos em formatos de charrete com todos esses sete escritorios de arquitetura e urbanismo, de abragência local, nacional e até internacional, capitaneados por Andres Duany (DPZ - Duany Plater-Zyberk) e Jaime Lerner Arquitetos Associados. A maquete eletronica é o resultado inal e compaibilizado. A primeira fase do empreendimento imobiliário se conigurou como loteamento tradiconal de amplos lotes para residências unifamiliares, em área já de propriedade da familia Gomes (Grupo Portobello) que até então era uilizada como fazenda para aividades pecuárias e de lazer. A zona rural de Palhoça, onde a fazenda estava inserida, sofreu modiicações, transformando-se em cidade-

Figura 38 – Acesso ao município de Palhoça via BR101 Km 220 e ao bairro planejado Pedra Branca. FONTE: <htps://www.google.com.br/maps>. Acesso em: 15/ novembro/2015

Figura 39: O elemento rochoso natural que da nome ao bairro, Pedra Branca. FONTE: Foto da autora.

FIGURA 41: Foto aérea com a implantação da maquete eletrônica datada de 2005 . FONTE: documentação insitucional de propriedade do bairro planejado Pedra Branca.

FIGURA 40: Foto aérea da aniga fazenda de 250 hectares datada de 1999, onde hoje está sendo implantado o bairro planejado Pedra Branca, que teve como sua atração inicial um campus da Universidade UNISUL, e por isso foi conhecido durante alguns anos como “Cidade Universitária”. FONTE: documentação insitucional de propriedade do bairro planejado Pedra Branca.

dormitório, em sua maior parte de baixa renda. Essa mudança rápida e drásica no entorno gerou um aumento da criminalidade na região, e foi cogitada a venda do imóvel. Entretando, decidiu-se pela implantação de um empreendimento imobiliário na referida área. (OLIVEIRA, 2014).

Em 1994, o Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), por meio do Laboratório de Urbanismo (LabUrb) e do Grupo de Pesquisa de Estudos da Habitação (GHAB), realizou a primeira Oicina de Desenho Urbano Paricipaivo com o objeivo de deinir proposições urbanas para a RMF. Durante esse período, Valério Gomes, diretor do grupo Portobello, idealizador e atual gestor do bairro planejado Pedra Branca, conheceu a arquitetea e urbanista Silvia Ribeiro Lenzi, que na época era diretora da Companhia Metropolitana de Habitação de Santa Catarina (COHAB-SC). Silvia Lenzi tem grande atuação no mercado e na academia em SC há mais de 30 anos. Foi presidente do Insituto de Planejamento Ubano de Florianópolis (IPUF) entre 1985 e 1987 e do Insituto de Arquitetos do Brasil de Santa Catarina (IAB-SC). Atualmente, é conselheira estadual do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil -seção de Santa Catarina (CAU-SC), do qual já assumiu a presidência interinamente. (OLIVEIRA, 2014)

Valério Gomes convidou quatro arquitetos e urbanistas - Silvia Lenzi, Rolando Lisboa, Sara Feldmann e Hector Vigliecca - que têm sede de seu escritório na cidade de São Paulo para desenvolver o projeto do bairro planejado Pedra Branca em terras de sua propriedade. A referida equipe de arquitetos urbanistas concebeu como proposta incial um loteamento aberto, conforme demonstra a Figura 42. O plano inicial do loteamento residencial apresentava área desinada à futura centralidade a ser implantada no loteamento com possibilidades de uso misto e ediicios de ate oito andares, conservação de recursos hídricos e áreas verdes. Apresentava, além disso, doação de 15 hectares à UNISUL, que estava buscando terreno para implantar um campus na RMF com o objeivo de auxiliar e garanir o desenvolvimento do bairro com uma âncora para a região. O projeto inicial previu arruamento sinuoso, respeitando a morfologia do síio, e evitou a realização de movimentos de terra (cortes e aterros). Além disso, recomendou que não houvesse uilização de muros, ao contrário daquilo que ocorre nos atuais condomínios do país. (OLIVEIRA, 2014).

FIGURA 42: Projeto da primeira fase do loteamento aberto, projetado pelos arquitetos urbansitas Silvia Lenzi, Rolando Lisboa, Sara Feldmann e Hector Vigliecca. FONTE: Arquivo Pedra Branca.

guaritas, uma cerca de placas de concreto de aproximadamente 2,00m de altura em grande parte do perimetro do condominio foi percebida na visita de campo. Há também muros e cercas de arame farpado. Existem quatro entradas bem deinidas, demarcadas, com guaritas, mas sem cancela ou portão. Há um forte esquema de segurança privado custeado pelo empreendimento Pedra Branca e pela associação de moradores (AMO) com rondas de moto e carro e câmeras. Embora a administração do emprendimento e a AMO esivessem cientes da realização da pesquisa de campo para elaboração deste estudo, a equipe de segurança demonstrou desconiança em relação à pesquisa, conirmando demasiadamente as informações fornecidas.

A segunda fase do empreendimento imobiliário do loteamento tradiconal incial sofreu algumas modiicações. Valério Gomes entrou em contato com Olavo Kucker Arantes catarinense, mestre em engenharia de produação, membro do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), e o engenheiro apresentou a existência e a importância de diversas ceriicações ambientais internacionais sobre a sustentabilidade nas ediicações. De fato, mais recentemente foi desenvolvida uma ceriicação ambiental na escala do bairro. O Green Building Council Brasil (GBC Brasil) é uma ONG que visa fomentar a sustentabilidade na indústria da construção civil através da norma LEED, uma das ceriicações ambientais internacionais mais difundidas no Brasil. (OLIVEIRA, 2014).

Em 2005, Valério Gomes convidou o ‘Mos Arquitetos Associados’, escritório de arquitetura localizado em Florianópolis, liderado pelo arquiteto Ricardo Moni, para projetar duas torres de escritórios visando a arquitetura sustentável e a ceriicação LEED. Em função desse foco na construção civil sustentável, o grupo PB paricipou de dois eventos internacionais: GreenBuilExpo do US Green Building Council e o do Congresso para o Novo Urbanismo (The Congress for the New Urbanism). Durante esses eventos, Valério Gomes conheceu o escritório de urbanismo americano Duany Plater- Zyberk & Company, Architects and Town Planners (DPZ) e os seus trabalhos. Com isso, contratou a consultoria da DPZ para o empreendimento do bairro planejado Pedra Branca, a qual se uniu aos diversos proissionais da área já citados. Foi uilizada a metodologia Charrete, técnica de trabalho mulidisciplinar adotada por urbanistas americanos desde o início da década de 80, que estuda um objeto e cria proposições e projetos para ele num espaço de tempo predeterminado. Assim, as equipes dos escritórios de arquitetura e urbanismo trabalharam em conjunto e, ao longo das

FIGURA 43: Cerca no perÍmetro do empreendimento. FONTE: Foto da autora.

FIGURA 44: Muro no perÍmetro do empreendimento. FONTE: Foto da autora.

FIGURA 45: Um dos quatro acessos ao empreedimento. FONTE: Foto da autora.

Charretes, foram deinidos a uniformidade no uso dos materiais de revesimentos. Foi dado privilégio à cerâmica com o objeivo de garanir certa unidade ao conjunto. Ademais, deiniu-se que os projetos dos ediícios deveriam ter corpo, base e coroamento bem deinidos, que a inserção do ediício no tecido urbano deveria ser parte importante dos projetos, e que a prioridade do conforto e segurança do pedestre nas ruas também deveria ser pensada durante a elaboração dos projetos dos ediícios. A criação de páios internos em todas as quadras foi uma diretriz a ser seguida, conforme igura 48 abaixo. A elaboração de audiências públicas com os diversos atores envolvidos e/ou impactados pelo empreendimento também foi uma diretriz das Charretes. (OLIVEIRA, 2014).

FIGURA 46: outro dos quatro acessos ao empreedimento. FONTE: Foto da autora.

FIGURA 47: Novos prédios com ceriicação do ipo LEEED. FONTE: documentação insitucional de propriedade do

Em 2012, Valério Gomes, preocupado com o desenvolvimento da rua principal onde se localizam o comércio e o serviço do bairro (conhecido como Passeio Pedra Branca), contratou o escritório do arquiteto Jan Gehl, o Gehl Architects, que também através da metodologia Charrete concebeu a rua comparilhada com velocidade máxima de 10 km, novas calçadas, equipamentos urbanos, arborização urbana, ciclorota e a praça central. A praça central foi já foi projetada algumas vezes. Entre os autores do projeto, houve uma versão de autoria do escritório americano DPZ. A ulima versão antes do projeto de Gehl já previa um grande espelho d’água que foi transformado por Gehl em lâmina d’água com o intuito de aumentar e diversiicar as possibilidades de uso do espaço público. A ideia se deve ao fato de que, tendo a profundidade de apenas alguns cenímetros, a lâmina d’água pode ser ulizada também na versão seca quando necessário. Ademais, até mesmo as crianças que circulam podem interagir com o referido espaço. (OLIVEIRA, 2014).

Outro ponto importante de contribuição do Gehl Architects para o empreendimento Pedra Branca foi a concepção principal do emprendimento como conceito de rua comparilhada, com uilização simultânea de veículos, pedestres e ciclistas, sem delimitação de faixa de pedestres, mudança de alturas ou ipo de pavimentos entre o leito carrocavel da via e as calçadas - não há desnivel ou mesmo para sarjetas. A velocidade máxima permiida para veículos é de 10km/hora, pois a prioridade é do pedestre e, em seguida, do cilcista.

A região compreendida por um amplo espelho d’água, lago, e suas margens é um dos pontos de destaque do projeto. A área foi urbanizada prioritareamente por lotes que deram origem a unidades residenciais unifamiliares implantadas de forma solta em amplos lotes. Atualmente, encontram-se escolas pariculares, cursos de idiomas, restaurantes e escritórios de empresas implantados em área outrora estritamente residencial unifamiliar.

O horizonte de implantação de um projeto urbano é de no mínimo 20 anos. Pedra Branca não é um caso direfente, mas os invesidores contam a parir do ano de 2005, data que conheceram os conceitos do Novo Urbanismo, e não de 1999, quando o projeto foi inciado. Assim, a conclusão total do projeto é prevista para 2025.

FIGURA 50: A lâmina d’água na praça principal de Pedra Branca, pode também ser visto o passeio Pedra Branca. FONTE: Foto da autora.

FIGURA 51: Inicio da via comparilhada/Paseio Pedra Branca. FONTE: Foto da autora.

FIGURA 49: A lâmina d’água na praça principal de Pedra Branca. FONTE: Foto da autora.

Ao inal da implantação do proejto, PB pretende ter 1.700.000 metros quadrados de área construida. A população que frequenta o bairro de forma roineira é de 80 mil pessoas, assim divididas: 40 mil moradores, 30 mil trabalhadores e 10 mil estudantes, formando uma densidade média de 320 habitantes/hectare que circula diariamente pelo bairro. A densidade, quando levados em conta apenas os moradores atuais, cai para 160 habitantes/hectare.

O centro do bairro planejado Pedra Branca é uma área que concentra os ediicios residenciais e comerciais e os maiores invesimentos em infra-estrutura e segurança. Há em PB um plano diretor dos espaços públicos. A prioridade do planejamento urbano é de atender ao pedestre e ao ciclista. Há também um importante diálogo entre as ediicações dos prédios residenciais e comerciais e as vias públicas, em especial as calçadas. Todos os prédios possuem generosos páios internos ajardinadas. Há permeabilidade visual entre esses páios e as calçadas. Nos térros há comércio e serviço ou apartamentos do ipo apartamento jardim. É exigido no projeto da ediicação que seja bem deinido o corpo, a base e o coroamento dos ediícios, e a prioridade é para o usos de materiais locais como os revesimentos cerâmicos. A altura máxima dos prédios é de aproximadamente 13 pavimentos (incluso subsolo e térreo), o que alcaça um gabarito máximo de 33 metros de altura aproximadamente.

A via principal do bairro, que é a via comparilhada, é considerada e tratada pelos invesidores como um shopping a céu aberto. Trata-se do coração comercial e de serviços do bairro. A via comparilhada possui velocidade máxima permiida de 10km/hora, mas ainda existe diiculdade com o cumprimento de regras de trânsito pelos usuários.

Existem tratamentos diferenciados atribuídos pelos invesidores às diferentes áreas do bairro planejado Pedra Branca. O núcleo central que abriga o Passeio Pedra Branca, os ediícios residenciais e comerciais mais novos e ceriicados e a praça principal receberam maior atenção urbana, paisagísica, de mobiliário e de comunicação visual em qualidade e quanidade. Essas praicas descritas nesse item não são comuns às outras áreas do bairro, as áreas industriais e residenciais unifamiliares: as mais anigas são carentes de infraestrutura em quanidade e qualidade. Nessa área mais nobre (igura 57) há calçadas e ciclovias amplas, rede elétrica subterrânea, iluminação pública com lampadas de Leds, alguns mobiliários urbanos com desing da empresas estrangeiras como a BMW, além de um forte sistema de segurança integrado no bairro pago pelos moradores.

FIGURA 52: Via comparilhada/Paseio Pedra Branca com mobiliariao urbano e arborização. FONTE: Foto da autora

FIGURA 53: No plano de fundo da foto, um monumento de rocha natural que dá nome ao bairro planejado Pedra Branca. FONTE: documentação insitucional de propriedade do bairro planejado Pedra Branca.

FIGURA 54: Foto aérea com a implantação da maquete eletrônica datada de 2005. FONTE: documentação insitucional de propriedade do bairro planejado Pedra

FIGURA 55: Foto de um prédio residencial com apartamento jardim situado no Passeio Pedra Branca,. FONTE: documentação insitucional de propriedade do bairro planejado Pedra Branca.

FIGURA 56: maquete eletrônica da via principal do bairro, um shopping a céu aberto. FONTE: documentação insitucional de propriedade do bairro planejado Pedra Branca.

FIGURA 57: Foto da praça principal, ponto focal e de atração de pessoas no bairro planejado. FONTE: documentação insitucional de propriedade do bairro planejado Pedra Branca.

FIGURA 58: Passeio Pedra Branca. FONTE: documentação insitucional de propriedade do bairro planejado Pedra Branca.

A meta do bairro PB é possuir uma grande diversidade de moradores e usuários com o objeivo de trazer dinamismo ao bairro, como se percebe na igura 58. Entretanto, atualmente se vê um predominio da classe média e alta de Florianópolis. Isso se dá devido à ausência quase total de possibilidade de mobilidade entre o bairro planejado Pedra Branca e o centro do município de Palhoça, que ica a uma distância de 4 km. Há apenas duas linhas de onibus que demoram cerca de uma hora para passar e têm baixa qualidade. Não há transportes alternaivos como vans ou mototaxis. Há um ponto de táxi, mas não veriicou-se taxi algum no ponto durante a pesquisa de campo que durou quatro dias. Há um carro para uso comparilhado pago, mas o sistema ainda é muito novo e com pouco proissionalismo. Dentro do bairro, a mobilidade de pedestres e ciclistas é segura e confortável, mas até chegar ao bairro não há um trajeto convidaivo, de modo que o único acesso seguro e confortável seria um veículo paricular ou transporte aéreo.

Como já foi mencionado, os invesidores do bairro PB, bem como a AMO, entendem a importância de promover mais dinamismo ao novo bairro através da promoção de eventos. Tem havido, aos inais de semana e feriados, a promoção de diversos eventos esporivos, culturais e gastronômicos no bairro, com o objeivo de divulgá-lo e tonar o comércio mais vivo.

A meta dos invesidores do bairro PB inspirados pelos 27 principios conidos na Carta para o Novo Urbanismo Norte-Americano é promover uma alta, diversiicada e equilibrada densidade nas áreas dos prédios e do Passeio (igura 60).

Há uma preocupação por parte do bairro PB em ter uma cobertura de Fibra Óica e Wi-Fi nos espaços públicos e em ser permanentemente um bairro aberto e ter integração ao transporte público. Todavia, na visita de campo em junho/2015 ainda foram encontradas muitas e grandes diiculdades para que PB alcance tais mestas: não conseguiu-se uilizar Wi-Fi nos espaços publicos e tampouco nos prédios; a cobertura de sinal de celular também é banstante precaria; o bairro é semi-aberto, mas existem muros, cercas e guaritas que marcam as 4 entradas do bairro; há um problema sério com animais de grande e pequeno porte sem donos soltos; a integração ao transporte público, como já foi mencionado, é muito precária.

Ademais, o empreendimento encontra diversas barreiras para a sua implantação, tais como:

FIGURA 59: Evento esporivo realizado no bairro PB. FONTE: documentação insitucional de propriedade do bairro planejado Pedra Branca.

FIGURA 60: alta, diversiicada e equilibrada densidade nas áreas dos prédios e do Passeio. FONTE: documentação insitucional de propriedade do bairro planejado Pedra Branca.

legislações urbanas e ambientais obsoletas, falta de interface com as agências de tratamento de esgoto, fornecimento de água e de energia. Há também como entrave ao pleno desenvolvimento a disparidade social e econômica nos arredores imediatos do empreendimento em pauta. (OLIVEIRA, 2014).

Ribeiro (2009), em suas considerações inais, ressalta que não acredita na existência de uma cidade ideal ou em receita pronta, mas sim em uma vida real, concreta e palpável, como explicita Janes Jacobs em sua obra Morte e Vida de Grandes Cidades desde dos anos 60, relatando que a