Os participantes da pesquisa foram recomendados pela coordenação pedagógica, como já nos referimos anteriormente, após informarmos que nosso objetivo era investigar práticas pedagógicas frente a alunos com Deficiência Intelectual-DI. Fomos encaminhadas às professoras e fizemos o convite para colaborarem com o estudo. A partir daí, apresentamos a nossa proposta e a forma como seria realizada a pesquisa, o que despertou nos mesmos interesse em participar do trabalho. O critério de seleção para as professoras foi o fato das mesmas estarem na docência de classes dos anos iniciais do Ensino Fundamental em que alunos com Deficiência Intelectual estudavam e de terem assinado o termo de consentimento para participarem da pesquisa. A identidade dos sujeitos foi preservada e, como forma de forma de manter o anonimato, resolvemos denominá-los de PROF1 e PROF2.
Quadro 8. Caracterização dos sujeitos
SUJEITOS PROF1 PROF2
Gênero Feminino Feminino
Idade Entre 46-50 anos Entre 46-50 anos
Estado Civil Divorciada Solteira
Formação Inicial Pedagogia (UFRN) Magistério /cursando Letras (Univ. Potiguar)
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Ano que leciona 5º ano 4º ano
Tempo de docência
20 anos 15 anos
Situação Funcional
Professor com contrato temporário
Professor efetivo Especialização em
Educação Infantil Pós-Graduação
Fonte: Dados obtidos dos próprios sujeitos durante entrevistas
A partir da análise do quadro 8, construída mediante dados das professoras colaboradoras, observamos que há aspectos profissionais e pessoais que coincidem como: faixa etária entre quarenta e seis e cinquenta anos de idade, gênero feminino, larga experiência na docência, ultrapassando os quinze anos. Há, porém, uma variante na formação, pois, enquanto uma é
licenciada em Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com pós-graduação em Educação Infantil, a outra está cursando licenciatura em Letras na Universidade Potiguar (UNP), possuindo formação em nível médio. Contudo, constatamos que ambas não receberam qualquer informação e/ou orientação sobre como trabalhar pedagogicamente com alunos com deficiência, durante a formação inicial, embora apontassem, no decorrer da pesquisa, como algo muito relevante para desenvolverem uma ação pedagógica de qualidade com esses alunos.
Diante de tal fato, registramos que, desde 1994, está em vigor a Portaria nº 1.793 / MEC, que traz recomendações às instituições superiores, formadoras de docentes, direcionadas a complementar os currículos das licenciaturas e a contribuir com a formação desses profissionais, estabelecendo:
Art.1º. Recomendar a inclusão da disciplina „ASPECTOS ÉTICO-POLITICOEDUCACIONAIS DA NORMALIZAÇÃO E INTEGRAÇÃO DA PESSOA PORTADORA DE NECESSIDADES ESPECIAIS‟, prioritariamente, nos cursos de Pedagogia, Psicologia e em todas as Licenciaturas.
Em consonância com esse dispositivo, Prieto (2006, p.88-89) afirma:
[...] a formação inicial de todos os professores deva capacitá- los para “atenderem demandas específicas dos alunos com necessidades educacionais especiais”, não sendo mais um tema para as tradicionais “habilitações” em Educação Especial. É preciso intensificar as mudanças nos cursos de formação para que em todas as disciplinas se privilegie a construção de projetos educacionais para atender todos os alunos.
A autora destaca a importância da formação que vise contribuir para que o professor seja capacitado para trabalhar com todos os alunos sob sua responsabilidade, levando em consideração a diversidade da clientela. Essa formação inicial de professores possibilita conhecimentos prévios, que, aliados à pratica, vão favorecer uma aprendizagem satisfatória tanto para os alunos com deficiência, como para os considerados dentro dos padrões de normalidade.
Com relação ao vínculo empregatício, PROF2 faz parte do quadro permanente da escola desde 2004, enquanto que PROF1 encontrava-se com contrato temporário, prestando serviço à escola em substituição à professora regente da classe, que se encontrava de licença. Porém, tem ainda outros expedientes a cumprir, na rede pública estadual e municipal de outro município próximo.
A partir das muitas atividades docentes empreendidas por PROF2, entendemos ser pertinente a seguinte declaração:
[...] concordo que o sistema educacional também cria barreiras, porque nossos professores precisam trabalhar em mais de uma escola, devido aos baixos salários que recebem. As condições em que ensinam, também, não são das mais favoráveis o que os leva a se sentirem cansados e desmotivados (CARVALHO, 2004, p.122).
Isso nos conduz a uma reflexão sobre a profissionalização da docência, que é um tema que está sendo bastante discutido no momento atual.
Entendemos que a “segurança no trabalho” é fator primordial para um desempenho satisfatório em qualquer profissão. Na docência, os debates sobre profissionalização precisam ser fortalecidos, pois
[...] fatores, tais como salário, estruturas, níveis de decisão e participação, condições de trabalho, as relações com a sociedade, a legislação trabalhista etc., influenciam no desenvolvimento profissional do professor (RAMALHO; NUÑES; GAUTHIER, 2003, p. 67).
Durante as observações, percebemos a insatisfação de PROF1 em relação à instabilidade da sua situação funcional, o que, de certa forma, pode ter refletido sobre a sua prática. Desse modo, fatores contextuais como o salário, as condições dadas pelas instituições ao exercício profissional e o reconhecimento social da categoria devem contribuir para o desenvolvimento profissional do professor (RAMALHO; NUÑES; GAUTHIER, 2003).
O tempo de serviço em sala de aula, que ultrapassava os quinze anos de docência, a faixa etária e a formação desses professores, conforme destacamos, apresentaram-se como significativos, pois, segundo Perrenoud
(2000), competência significa domínio da situação, mobilização de recursos e conhecimentos teóricos ou metodológicos numa situação de classe.
Entendemos que esses aspectos encontrados nesses sujeitos são relevantes, o que lhes confere experiência para trabalharem como professores de turmas com alunos bem diversificados, apesar das lacunas deixadas pela formação inicial.