De acordo Lastres e Cassiolato (2005), o termo aglomeração refere-se à proximidade territorial entre atores econômicos, políticos e sociais, podendo incluir empresas e outras organizações públicas e privadas, permitindo a formação de uma economia de aglomeração. Para os autores, tal economia é caracterizada pelas vantagens oriundas da proximidade geográfica dos atores, incluindo o acesso a
conhecimentos, capacitações, mão de obra especializada, matérias-primas e equipamentos.
Para Lastres e Cassiolato (2005), são diversos os enfoques que procuram ressaltar a importância dos relacionamentos entres empresas e a sua dimensão territorial. Os termos presentes na literatura para designar uma aglomeração são variados e apresentam convergências e divergências quanto à sua conceituação e às suas características. No QUADRO 4, baseados nas pesquisas dos autores, são apresentados os principais traços de abordagem referente ao assunto.
QUADRO 4 - Principais traços de abordagens sobre aglomerados territoriais
Abordagem Características
Cadeia produtiva
Refere-se a um conjunto de etapas consecutivas pelas quais passam e vão sendo transformados e transferidos os diversos insumos em ciclos de produção, distribuição e comercialização de bens e serviços. Cada ator, ou um conjunto de atores, realiza uma tarefa específica, em uma mesma localidade ou em localidade distinta.
Cluster
São empresas aglomeradas territorialmente que possuem características similares. Em algumas concepções, a concorrência é mais valorizada do que a cooperação como fator de dinamismo. A inovação pode existir, porém, de maneira simplificada. Nesta abordagem, não são contempladas, necessariamente, organizações de suporte. Distrito industrial São aglomerações de empresas com elevado grau de especialização e interdependência, seja de caráter
horizontal ou vertical.
Milieu inovador O foco é no ambiente social que favorece a inovação e não em atividades produtivas.
Polos, parques científicos e tecnológicos
Consistem predominantemente de áreas ligadas a centros de ensino, pesquisa e desenvolvimento, com infraestrutura necessária para a instalação de empresas de base tecnológica.
Redes de empresas
Refere-se a formatos organizacionais definidos a partir de um conjunto de articulações entre empresas, que podem estar presentes em quaisquer dos casos mencionados neste quadro. Envolve a realização de transações e/ou o intercâmbio de informações e conhecimentos entre os atores, não implicando necessariamente a proximidade espacial de seus integrantes.
Lastres e Cassiolato (2005) destacam ainda, o conceito de sistemas produtivos e inovativos locais (SPILs), formados pelos atores econômicos, políticos e sociais localizados em um mesmo território e que desenvolvem atividades econômicas correlatas, apresentando vínculos expressivos de produção, interação, cooperação e aprendizagem. As principais características desse sistema são:
proximidade geográfica entre os atores, o que constitui fonte de
dinamismo, diversidade local e vantagem competitiva em relação a outras regiões;
presença e interação de diversas empresas e organizações públicas e
privadas voltadas para a formação e capacitação de recursos humanos, pesquisas e desenvolvimento, política, promoção e financiamento;
geração, compartilhamento e socialização do conhecimento,
principalmente do conhecimento tácito, que apresenta forte especificidade local, decorrente da proximidade territorial e da identidade cultural, social e empresarial (esta característica pode representar uma vantagem competitiva por facilitar a circulação do conhecimento em um contexto geográfico específico, sem o acesso de atores externos aos SPILs);
ampliação da capacidade produtiva e inovativa, o que possibilita a
introdução de novos produtos, processos, métodos e formatos organizacionais, essenciais para garantir a competitividade sustentada dos diferentes atores locais, tanto individual quanto coletivamente e
existência de diferentes formas de governança, hierarquias e tomadas de
decisão que podem ser centralizadas, descentralizadas, formais ou informais.
Casarotto Filho e Pires (2001) reforçam a abrangência dos termos relacionados às aglomerações territoriais e citam alguns exemplos encontrados na literatura, tais como cadeia produtiva, cluster, aglomerações competitivas, consórcios, sistema econômico local e redes de empresas. Com a finalidade de clarear a abordagem e de simplificar o entendimento do assunto, os autores sugerem a utilização de dois conceitos, denominados de “microrede” e “macrorrede”. A microrrede é formada pela associação de empresas, visando garantir competitividade do conjunto, enquanto
que a macrorrede é uma associação por meio de mecanismos de integração de todas as entidades representativas da região, visando a seu desenvolvimento. Entre as duas redes encontram-se os clusters ou as aglomerações competitivas, que, segundo Porter (1998), é um agrupamento geograficamente concentrado de empresas relacionadas entre si, vinculadas por elementos comuns e complementares. Amato Neto (2000), ao conceituar os clusters, frisa que eles são formados apenas quando ambos os aspectos setoriais e geográficos estão concentrados e que há uma grande dificuldade em caracterizá-los, pelo fato de os sistemas produtivos nem sempre poderem ser claramente separados em dispersos ou aglomerados. Em alguns casos, pode até mesmo existir a junção das duas formas de organização. Apesar dessa dificuldade, o autor reforça as vantagens que a aglomeração traz em ganhos de eficiência coletiva que raramente produtores separados poderiam atingir. Porém, ganhos em eficiência não resultam necessariamente da existência de um cluster. Um grupo de empresas localizadas em uma mesma região produzindo produtos similares pode constituir um cluster sem, contudo, gerar benefícios consistentes para seus membros. A eficiência coletiva deve ser entendida como o resultado de processos internos das relações interorganizacionais, e não apenas da disposição geográfica entre os atores (AMATO NETO, 2000).
São diversos os atores pertencentes a um conglomerado de empresas de TI. De acordo com Mamberti e Braga (2004), é necessário identificar, organizar e articular todos os participantes, de modo a viabilizar uma análise sistêmica, com o objetivo de desenvolver um planejamento turístico.
Para Petrocchi (2002), os principais participantes são:
empresas fornecedoras de produtos e serviços;
fornecedores de insumos especializados, alimentos, bebidas,
equipamentos, componentes e serviços em geral;
instituições financeiras;
fabricantes ou fornecedores de produtos complementares; provedora de infraestruturas;
instituição de ensino, treinamento de pessoal, pesquisa e suporte técnico; entidades de normatização e
associações comerciais e outras entidades associativas.