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8 Diskusjon

8.1 Problemstillingen

A iEMG da ação muscular concêntrica aumentou no decorrer das séries somente para os protocolos de treinamento com duração da repetição de 6s, na

comparação da 3ª série com a 1ª série. Esse resultado não confirma a hipótese 3 que postulou que a iEMG aumentaria ao longo de séries independente do protocolo de treinamento e da ação muscular.

Corroborando os resultados do presente estudo, Tesch et al. (1990) não verificaram aumento significativo da iEMG para o vasto lateral e reto femoral no decorrer das três séries de 32 ações concêntricas máximas em equipamento isocinético. Diferentemente destes resultados, Martins-Costa (2009) analisou respostas provocadas por durações da repetição (4s e 6s) em protocolos de treinamento no exercício supino com intensidade de 60% de 1RM. Este autor apontou um aumento na iEMG nos músculos peitoral maior e tríceps braquial ao longo das séries independentemente dos protocolos de treinamento utilizados. Pesquisas envolvendo especificamente o exercício agachamento, protocolos de treinamento com séries múltiplas e que tenham analisado a atividade eletromiográfica no decorrer das séries não foram encontradas.

Considerando os dados de Martins-Costa (2009) e que o intervalo de recuperação entre as séries não seria suficiente para a recuperação completa do organismo, esperava-se um recrutamento aumentado das unidades motoras no decorrer das séries, o que resultaria em maior atividade eletromiográfica independente do protocolo de treinamento executado. Contudo, esse fato somente ocorreu nos protocolos de maior duração da repetição (6s) (protocolos B e D) ao se comparar a 1ª com a 3ª série para a ação muscular concêntrica. Esta manutenção do nível de ativação muscular nas outras situações observadas pode estar relacionada em parte ao nível de exigência moderada dos protocolos adotados neste estudo. Como o objetivo era comparar diferentes protocolos de treinamento, as diferenças entre algumas variáveis (duração e intensidade) dos protocolos de treinamento foram dimensionadas visando permitir que todas as outras variáveis do protocolo de treinamento permanecessem constantes (séries, número de repetições, pausa, amplitude de movimento). É possível que os protocolos de treinamento investigados apresentassem uma exigência moderada para o organismo, o que não demandou uma maior participação de unidades motoras para a realização do protocolo de treinamento, especialmente para as duas primeiras séries dos protocolos investigados. Esta idéia de que os protocolos de treinamento representam cargas moderadas pode ser reforçada pelos resultados encontrados no

estudo de Shimano et al. (2006). Esses autores verificaram que o número máximo de repetições possível de se executar no exercício agachamento com a intensidade de 60%1RM considerando indivíduos destreinados e treinados foi de 35,9 ± 13,4 e 29,9 ± 7,4 respectivamente. No presente estudo, oito repetições foram realizadas em cada uma das três séries dos protocolos de treinamento.

Outro aspecto importante a ser considerado nesta análise diz respeito à característica multiarticular do exercício agachamento (SCHOENFELD, 2010; SHINOHARA, 2009). O controle de um sistema multiarticular é mais complexo e a força final desenvolvida contra uma resistência a ser movida depende da magnitude dos torques articulares e da relação entre eles (ZATSIORSKY, 2006). Por este motivo diferentes ajustes podem ocorrer neste exercício em função das diferentes condições impostas. Por exemplo, Caterisano et al. (2002) verificaram o efeito de três diferentes amplitudes do movimento (ADM) em quatro músculos envolvidos no exercício agachamento (bíceps femoral, glúteo máximo, vasto lateral e medial) e observaram alterações nos padrões de recrutamento de cada músculo investigado durante as ações excêntricas e concêntricas na dependência da modificação da ADM realizada. Reforçando este raciocínio, os dados apresentados por Hay et al. (1983) mostraram que o aumento em uma resistência externa não foi transferido de maneira equiparada entre as articulações envolvidas no exercício agachamento. Esses autores verificaram que o aumento da intensidade (ex.: 60% para 80% de 4RM) demandou maior torque articular para o quadril e tornozelo em comparação a alteração do torque verificado na articulação do joelho. Com isso, a demanda imposta pelo aumento da intensidade na tarefa foi absorvida por meio de uma nova relação entre os torques articulares. É possível que ajustes na produção dos torques articulares tenham ocorrido e também tenham contribuído para o comportamento da iEMG registrado nesta pesquisa; contudo, informações que possam comprovar esta argumentação estão além dos objetivos estabelecidos para este estudo, por este motivo esta argumentação permanece como um especulação.

Diferentemente do aumento da intensidade de 60 para 70%, o acréscimo de 2s na duração da repetição na ação muscular excêntrica (protocolos de treinamento B e D) provocou uma alteração significativa na iEMG do músculo vasto lateral comparando a 3ª série com a 1ª série. Este é um resultado interessante, pois indica que alterações em diferentes variáveis provocaram respostas distintas do

sistema neuromuscular. Embora as argumentações apresentadas anteriormente, a respeito de possíveis variações na execução do exercício sejam pertinentes também para discutir a não alteração da iEMG do músculo vasto lateral na comparação da 1ª e 2ª série para os protocolos B e D, a modificação da duração da repetição de 4s para 6s conduziu para uma resposta distinta. Estudos futuros envolvendo a análise cinemática do exercício agachamento sincronizada com o registro da atividade eletromiográfica de diferentes grupos musculares poderão fornecer informações para um melhor entendimento dos mecanismos envolvidos nestas respostas.

Analisando a ação muscular excêntrica no decorrer das séries, a iEMG aumentou somente para o protocolo de treinamento com maior intensidade e duração da repetição (protocolo D), na comparação da 3ª série com a 1ª série. Por este motivo, é possível concluir que a iEMG para ação muscular excêntrica se manteve estável ao longo das séries para a maioria dos protocolos de treinamento investigados, ou seja, nenhuma alteração na iEMG ocorreu ao longo das séries para três dos quatro protocolos de treinamento investigados.

Os resultados de estudos anteriores relacionados com a atividade eletromiográfica ao longo das séries para a ação muscular excêntrica também não apresentam uma tendência clara. Martins-Costa (2009), investigando durações da repetição (4s e 6s) em protocolos de treinamento no exercício supino com intensidade de 60% de 1RM, verificou um aumento da iEMG nas ações excêntricas no decorrer das séries para os músculos peitoral maior e tríceps braquial, sendo que apenas para o peitoral maior no protocolo de duração da repetição de 4s não foi encontrada uma alteração significativa. Diferentemente Tesch et al. (1990) não encontraram uma alteração significativa da iEMG para o vasto lateral no decorrer das três séries de 32 ações excêntricas máximas em equipamento isocinético.

Além das argumentações anteriores relacionadas com a idéia de que os protocolos de treinamento representam cargas moderadas e com a característica multiarticular do exercício agachamento, outro aspecto relevante para a análise diz respeito à maior capacidade de produção de força durante a ação muscular excêntrica comparado com a concêntrica (ENOKA; FUGLEVAND, 2001; LINDSTEDT et al., 2001; TESCH et al., 1990). Como as intensidades utilizadas nos protocolos de treinamento foram submáximas (60 e 70% de 1RM), para a ação muscular excêntrica essas mesmas intensidades representariam intensidades

relativamente menores em comparação com a ação muscular concêntrica. Desta forma, além do fato de que durante a ação muscular excêntrica a força necessária para deslocar o peso seja menor (a favor da gravidade), a intensidade relativa para a ação excêntrica seria inferior, resultando em uma demanda fisiológica para a ação excêntrica insuficiente para provocar um aumento na atividade eletromiográfica significativa ao longo das séries.