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1. Innledning

1.2 Problemstilling

Quanto aos agentes impulsionadores dos parques tecnológicos, podemos destacar a participação de pelo menos quatro qualidades essenciais ao seu desenvolvimento: o governo ou E stado; as empresas; as universidades e/ou centros de pesquisa e uma comunidade local consciente e mobilizada pelo sucesso do empreendimento e pela melhoria da qualidade de vida de sua região.

Apesar da importância elevada de cada um dos agentes, o governo exerce um papel central articulador e mantenedor da sinergia existente entre ele próprio e todos os outros agentes. O poder estatal atua basicamente sobre três instâncias, ou seja, sobre a manutenção básica da vida social e econômica, em certos casos passa a agir como agente de mercado destacando seu papel de consumidor, e mais amplamente, como responsável

por estratégias de aproveitamento do desenvolvimento tecnológico para o próprio desenvolvimento da região, do estado ou da união como um todo. No que concerne às suas atividades de manutenção da vida social e econômica, burocraticamente os governos possuem diversos órgãos estruturados de maneira muitas vezes complexa, responsáveis pela atuação em financiamento, regulação e execução nas diversas escalas de atuação, nacional, estatal, regional e local.

É o Estado que condiciona a criação dos espaços tecnológicos respondendo a demandas de comunidades locais e do próprio sistema produtivo da sociedade do conhecimento. É de responsabilidade das organizações governamentais, criar ou ampliar as infra-estruturas necessárias às novas exigências, tornando-se um instrumento de configuração e adequação dos elementos do espaço.

Assim que amplia as suas atividades para modernizar o espaço criando ambientes propícios à atração de tecnologias, o próprio governo torna-se também o consumidor de bens e serviços, a partir do momento em que vê em si próprio a necessidade de se sobrepor tecnologicamente a cada dia. A ‘guerra’ por modernizações e atualizações é constante e corre cada vez mais a um ritmo alucinante graças ao também alucinante ritmo dos avanços tecnológicos, fazendo-se necessárias profundas adequações do espaço e seus elementos a cada instante.

Enfim, os governos têm também um papel muito importante na organização e planejamento de políticas de desenvolvimento regional a partir do próprio planejamento do desenvolvimento dos espaços inteligentes.

Dessa forma, torna-se evidente a importância a um parque tecnológico ou a uma cidade da inteligência, do aprofundamento das relações entre os seus atores ou agentes (as universidades ou centros de pesquisa, empresas, e a

comunidade local), quando, mais uma vez, o Estado responsabiliza-se pela equidade destas relações das quais ele também faz parte, a fim de criar um equilíbrio lógico e essencial para a manutenção das condições de atração tecnológica. Além de catalisador, portanto, os governos também se encarregam pela manutenção das situações de equilíbrio entre os agentes, tomando parte de elevados investimentos (na organização urbana, com o financiamento de pesquisas, laboratórios, equipamentos para universidades, etc.).

A integração necessária dos agentes tecnopolitanos por vezes exige um esforço de organização das ações governamentais poucas vezes vista em outras instâncias, como, por exemplo, no caso da tecnópoles francesa de Sophia Antipolis, onde se articulam, além das organizações e agentes pertencentes ao próprio parque, o governo e a comunidade, bem como toda a infra-estrutura de mais nove cidades circunvizinhas, evidenciando um alto grau de consciência de organização tecnopolitana por parte, principalmente, dos governos locais. Nesse caso, temos uma região altamente dinâmica, centrada e caracterizada pela existência de uma importante cidade da inteligência e de espaços de produção inteligente.

Dentre todas as relações dos agentes, uma em especial se dá de maneira delicada, porém responsável por fortes laços importantes para o desenvolvimento tecnológico de um tecnopolo: as inter-relações existentes entre as universidades e as empresas, ou seja, entre a ciência e o sistema produtivo. A proximidade cada vez maior entre empresas e universidades ou centros de pesquisa faz com que a tecnologia se aproxime mais e mais da ciência e esta, por sua vez, da produção.

Os elevados custos de P&D e a competitividade cada vez maior nos setores de ponta é que fazem com que as empresas busquem parcerias com centros

de excelência em pesquisa científica e universidades de prestígio regional e muitas vezes internacional.

A universidade e a produção do conhecimento são inseridas portanto, junto à lógica da produção capitalista de maneiras muito especiais, utilizando o conhecimento científico para o desenvolvimento tecnológico e com isso para a produção de bens avançados dentro de um mercado altamente competitivo. Cria-se assim uma divisão do trabalho específica das comunidades tecnológicas, onde as empresas se diluem e ‘se associam’ a centros de excelência do conhecimento a fim de acompanhar as constantes modificações nas demandas de um mercado dinâmico.

Esta aproximação entre o setor empresarial e as universidades ou centros de pesquisa se dá basicamente de duas formas. U ma refere-se a contratos de convênios entre grandes conglomerados empresariais e determinadas universidades em parques tecnológicos consagrados com o objetivo de desenvolver os seus setores de P&D através da dinâmica acadêmica nas pesquisas científicas. A outra forma, e mais comum, se dá com a relação das universidades diretamente com as PMEs, gerando, na maioria dos casos, o que se chama de spin-off, um movimento responsável pela transferência de

pesquisadores e estudantes para o setor empresarial em ramos de atividades em que estes detêm o know-how necessário aos avanços tecnológicos; ou

ainda (a partir da dissolução das grandes empresas com a adoção de serviços terceirizados) uma migração de profissionais altamente qualificados destas grandes empresas para novas PME s, tornando-se seus fornecedores diretos. De uma forma ou de outra é importante que se tenha em mente que a maior parte das iniciativas de ‘comando’ destas relações advém das grandes empresas, pois quando elas não estão diretamente ligadas às universidades, certamente estão por trás das PMEs, pois têm maior potencial de recursos e

habilidade de assumir os riscos característicos dos setores de inovação. O s grandes conglomerados empresariais assumem um papel de liderança quanto às inovações, apesar da grande importância das PMEs junto à interface ciência/produção. Isto é, a união aos centros de pesquisa e a busca por lugares com altos níveis de conhecimento e educação capazes de atrair ações de inovação tecnológica, fazem parte hoje de estratégias empresariais de competição, e tornaram-se uma vantagem competitiva dentro do mercado globalizado.

A percepção destas importantes relações fez com que se criassem vários órgãos de financiamento de atividades de risco na busca por modernizações tecnológicas, em especial no caso das PMEs. H oje em dia, inúmeras instituições e bancos internacionais se especializam em auxiliar estas empresas menores a favor da geração de novos empreendimentos, passando a atuar como ‘investidores’ do mercado tecnológico.

“Ademais, a presença do investidor no local da empresa lhe possibilita maior envolvimento com a vida industrial, técnica, científica, financeira e comercial da região. E sse comportamento e a presença do investidor no local aumenta a sinergia entre os agentes envolvidos e fortalece o capital de risco como fator locacional dos empreendimentos de alta tecnologia, tornando-se, assim um promotor de desenvolvimento regional.” (LIMA, 1994)

Além destas relações entre todos os agentes tecnopolitanos, a disponibilização de serviços qualificados torna-se outra importante condição de existência dos parques tecnológicos e na configuração de uma cidade da inteligência. Já comentamos a rede de serviços por cujo fornecimento os governos e a própria organização tecnopolitana são responsáveis, isto é, fácil acesso físico através de eficientes redes de transporte aéreo, ferroviário ou

rodoviário, proximidade de grandes centros de importância nacional e/ou internacional, por vezes, a disponibilização de atrativos turísticos/históricos (no caso de Sophia Antipolis, as estratégias de marketing não se cansam em ressaltar a proximidade ao parque, das montanhas e da R iviera francesa, atrativos turísticos/históricos naturais).

Somando-se a estes serviços disponibilizados, facilidades de comunicação através de serviços de telecomunicações e informática, nos dias de hoje representam, por vezes, maiores vantagens que as facilidades de comunicação física.

Neste caso, a existência do que se chama de teleporto são fatores determinantes na tentativa de atração de incentivos e importantes empresas ao ambiente inovador. Segundo BAR KIS (1987 apud LIMA, 1994), os teleportos devem perpassar por pelo menos três fatores, a saber:

• uma estação central de emissão e recepção de longa distância por satélite de sinais de áudio, vídeo e de dados;

• uma rede de fibra óptica local e/ou regional;

• uma infra-estrutura imobiliária com diferentes serviços e escritórios. A existência de tais mecanismos de comunicação avançados propiciam uma maior integração dos elementos do parque tecnológico com o mundo, sendo hoje, além de uma evidente vantagem competitiva, uma necessidade e condição de existência.

Com estas orientações das relações presentes no desenvolvimento tecnológico das cidades da inteligência, onde as empresas se tornam importantes parceiros com grande poder de decisão, releva-se ainda mais a importância do papel governamental como agente, isto é, ele deve ser o responsável por balancear as reações locais e regionais a ponto de direcionar

a capacidade tecnológica para a convergência de políticas de equidade sócio-culturais.

Com a importante participação das empresas na expansão das cidades da inteligência, e, com isso, o aumento de competitividade e a ânsia por maiores índices de eficiência no processo de acumulação capitalista contemporâneo, o Estado, ao invés de perder poder, deve manter-se como o ponto de equilíbrio das relações entre o capital e a sociedade, no avanço das tecnologias a ponto de oferecer condições de equilíbrio social à região.

É fundamental, por exemplo, que as universidades que participam do processo de caracterização de uma cidade da inteligência, tenham uma política de favorecimento final da sociedade em seus convênios e contratos de parceria e extensão universitária, ou seja, ao contrário do que acontece em muitos casos, apesar de as empresas representarem uma parceria importante no aquecimento das iniciativas de P&D, estas não devem ser, no âmbito dos contratos, o maior e único favorecido. O objetivo final das pesquisas universitárias devem ultrapassar o contexto mercadológico a fim de alcançar as esferas sócio-culturais locais e regionais.