Para Vygotsky (1998), a aprendizagem se inicia desde os primeiros contatos com o convívio social, e toda aprendizagem escolar é facilitada ou dificultada pelos conhecimentos prévios dos aprendizes, o que é corroborado com os pressupostos dos estudos que conduziram ao método de Paulo Freire, no sentido de que estes servem como modelo ou base para racionalizar os novos conteúdos, abrangendo sua significação, associando o novo aprendizado à alguma ramificação já previamente conhecida, motivando os mesmos.
Vygotsky (1998) ressaltou que as crianças observavam os adultos em tudo o que faziam, por que faziam e como faziam. Por isso que muitos porquês são externalizados pelas crianças e, quando esclarecidas às lacunas, encontram um sentido. Ao se
apropriarem do que viram e ouviram, os mesmos tendem a recriar e dão ao que foi vivido as suas próprias significações, constituindo, assim, um novo aprendizado. Foi a partir dessas observações em seus estudos que Vygotsky pode afirmar que a interação social permite e proporciona a aprendizagem significativa.
Nesse sentido, para Vygotsky, toda aprendizagem considera as relações entre os seres humanos, tendo em vista que o desenvolvimento considera a maturação do organismo bem como suas relações com a cultura produzida historicamente pela humanidade e as relações sociais que favorecem a aprendizagem. Portanto, de acordo com Vygotsky (2005):
[...] a aprendizagem não é, em si mesma, desenvolvimento, mas uma correta organização da aprendizagem da criança conduz ao desenvolvimento mental, ativa todo um grupo de processos de desenvolvimento, e esta ativação não poderia produzir-se sem a aprendizagem. Por isso, a aprendizagem é um momento intrinsecamente necessário e universal para que se desenvolvam na criança essas características humanas não-naturais, mas formadas historicamente. (p. 115).
Vygotsky utilizava-se da expressão russa obuchenie, que coloca o que aprende e o que ensina numa relação de interdependência, situando ambos como partícipes do mesmo processo, de forma a tornar mais rica a relação de ensino e aprendizagem, permitindo-os compreender de que mediar é um pressuposto da aprendizagem através da relação social.
Embora algumas instituições escolares estejam investidas das mais novas tecnologias da atualidade, elas não se sobressaem nas suas relações de ensino e aprendizagem, assim corroborando com o pensamento de Castells (2010) quanto à inovação não ser apenas uma questão de adquirir novas ferramentas, mas, e principalmente, está na utilização que é dada a estas. Nesse sentido, Castells (idem) afirma que:
O que caracteriza a atual revolução tecnológica não é a centralidade de conhecimentos e informação, mas a aplicação desses conhecimentos e dessa informação para a geração de conhecimentos e de dispositivos de processamento/comunicação da informação, em um ciclo de retroalimentação cumulativo entre a inovação e seu uso (p. 69).
É preciso e urgente recuperar e integrar os alunos com dificuldades de aprendizagem, que os procedimentos “usuais” de recuperação não estão sendo
suficientes ou adequados neste mundo tão rico em oportunidades através das TIC que permitem que se possua uma gama de informações e dados comparados aos de uma biblioteca, contudo sem precisar sair de casa. No tocante à integração, Tardif e Lessard (1998) dizem que:
para que, a integração seja bem sucedida, a escola enquanto instituição tem de assumir plenamente a sua integração, proporcionado a todos os alunos, sem exceção, o maior contacto possível com as TIC, considerando que a alfabetização mediática é tão importante na sociedade actual como a aprendizagem da leitura, da escrita e do cálculo (p 17).
Mediante esse alerta sobre a necessidade da alfabetização mediática na sociedade atual, e reconhecendo que as TIC despertam interesse na geração que atualmente preenche a maioria dos assentos nas salas de aula, passamos a refletir sobre uma nova forma de promover a aprendizagem, como forma mais prudente de haver colaboração e avanço no aprendizado.
A partir do interesse de despertar o interesse dos estudantes e dar mais sentido ao proposto para o aprendiz, entendemos, considerando a ZDP tão estudada por Vygotsky, que a mediação através do ambiente virtual poderá vir a ser um instrumento que desperte o interesse dos estudantes, visto que o mundo tecnológico em que nasceram não admite que os estudantes se distanciem do meio ambiente intrínseco à geração dos mesmos e que por consequência pode com uma linguagem em geral não culta, muito particular e própria dos internautas, instrumentalizar uma boa maneira se comunicar e de explicar os conceitos que foram repassados pelo educador em sala de aula e que nem todos os estudantes conseguiram abstrair e construir seus conhecimentos e permaneceram, pois, com a deficiência em um ou outro aspecto, e, dessa forma, com dificuldades de avançar em outros conteúdos que vierem a ser expostos e que necessitem das abordagens anteriores para seus entendimentos.
Se tudo está “conectado” e tão pluralista como dizem, por que não avançar na busca do conhecimento, conectando o interesse de aprender de alguns com a disponibilidade e a facilidade de retransmitir em uma linguagem mais adequada as gerações atuais e futuras através de um ambiente em que os mesmos se sentem nativos e que é possível expandir a sala de aula no tempo e no espaço, ou seja, em um ambiente virtual de aprendizagem?
domínio do condicionamento adestrado, da relação de estímulo-resposta, do tipo pavloviano clássico. Imaginemos então agora na segunda década do século XXI se é possível se conceber um sistema de aprendizagem que seja tão instrucionista quanto o vigente nos séculos passados, onde cabia ao professor professar em sala de aula e aos estudantes escutarem passivamente e não questionarem o que está sendo dito?
Faz-se necessário, pois, encontrarmos aplicabilidade inovadora nas teorias revolucionárias que nos permitem associá-las à evolução dos tempos e buscar sair do modelo fabril, gerando uma aprendizagem sólida e permitindo aos estudantes satisfação na construção de seus conhecimentos através da integração entre os pares, do modo que estes julgam prazeroso, ou seja, sem necessariamente ter que imprimir uma presença física, mas imprimindo-lhes uma presença de mediação natural e constante.
Qualquer modelo pode ter imperfeições, e nesse sentido sabemos que uma das dificuldades e imperfeições do modelo que julgamos ser adequado para a geração hoje presente nas salas de aula é o de muitos não terem um computador em casa com acesso à internet, em virtude de suas hipossuficiências.
Entretanto, supomos que esse problema pode ser minimizado com a disponibilidade de acesso agendado em locais como bibliotecas públicas assim como em outros locais, com a liberação de autorização em horários pós-aula do uso dos laboratórios de informática para a busca da complementação do entendimento com os outros alunos através de chats, wikis, nas redes sociais, e tantos outros recursos que eles julgarem adequados.
Em geral, as teorias requerem uma identificação com os agentes em estudo. Por isso esperamos que a facilitação do acesso ao mundo virtual proporcione o despertar para a consciência de que a aprendizagem não precisa nem deve se limitar a escutar e anotar o que o professor fala em sala de aula e que a integração mediática através dos instrumentos sociais disponíveis na rede possa ser um bom caminho para uma nova consciência de aprendizagem mais poderosa e efetiva.
Essa pesquisa tem a intenção de oportunizar o primeiro olhar, de uma instituição centenária como o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco – IFPE, no sentido de que a mesma possa permanecer atual, sem, contudo, esquecer-se de que é centenária e de que justamente por ser centenária traz consigo conhecimentos e experiências que precisam ser compartilhados para que o novo conhecimento não seja
algo desconectado, assim como não esquecer que a sociedade sempre espera dela os melhores formandos que o mercado pode receber.
Julga-se que a partir da interação entre esse ambiente de aprendizagem colaborativa que ora propomos – o Wiki-Sapientia com o ambiente real – seja um primeiro passo entre muitos que precisaremos promover para manter o interesse ativo e se possa atingir resultados positivos, para ambos os lados, nessa equação educativa, posto que muitas das relações do mundo real e outras tantas do mundo virtual podem vir a contribuir para uma aprendizagem concreta.
É necessário que as instituições se renovem, porque se o mais simples som da natureza tem razão de existir, porque não haveria razão em ouvirmos e procurarmos entender as inquietações e as frustrações do alunato que está em sala de aula e que não consegue se adequar e aceitar a metodologia secular ou milenar existente, que de tão tradicional, em sua maioria, deixa de ser acrescida com o mundo de oportunidades que foram surgindo e sendo disponibilizadas e popularizadas ao longo desses mesmos séculos.
Supomos que a união entre a tecnologia disponível e o conhecimento construído ao longo das mais diversas gerações seja um dos caminhos para a excelência da satisfação para as gerações nativas do mundo virtual, até porque são sujeitos questionadores e em geral críticos, e por isso que se chocam com a forma feita, com a inflexibilidade da negociação do aprendizado.
Se não conseguirmos criar uma nova prática que conquiste essas novas gerações ou modelarmos teorias existentes e comprovadas de sucesso como a ZDP a fim de que possamos dar aplicabilidade redimensionando o instrucionismo, teremos que estar abertos para assistir à esterilidade da aprendizagem e o esvaziamento do interesse cada vez maior da relação de ensino-aprendizagem.