• No results found

5. Analyse

5.4 Problemløsning og beslutningstaking

A classificação de dormência segundo a sua origem contempla dois tipos de dormência: a primária ou inata, e a secundária, ou induzida.

Dormência primária

A dormência primária instala-se durante a fase de desenvolvimento e/ou maturação, de modo que a semente é dispersa já em estado dormente, exigindo tratamentos ou condições específicas para tornar-se quiescente. As sementes, durante seu desenvolvimento, podem adquirir capacidade de germinar logo após a maturação, mas existem, na maioria das espécies, mecanismos controladores do crescimento do embrião que impedem a germinação na planta mãe. A persistência dos fatores restritivos à germi- nação, após a maturidade e dispersão da semente, caracteriza a dormência primária.

O ácido abscísico (ABA), entre outros fatores, é responsável pela indu- ção da dormência. A dormência primária não depende só do genótipo, mas também das condições ambientais durante a maturação. Fatores como a po- sição da flor ou inflorescência na planta, posição da semente na inflorescên- cia ou no fruto e idade da planta mãe durante a indução floral ou maturação da semente também influenciam, diretamente, o grau de dormência de uma semente, alterando sua capacidade de germinação.

A dormência primária possui duas funções básicas: a primeira é impe- dir a germinação precoce das sementes durante a fase de maturação; a se- gunda função é distribuir a germinação das sementes no tempo, ou seja, evitar que todas tenham germinação sincronizada. A estratégia amplia as possibilidades de sobrevivência da espécie, mas interfere negativamente na sua propagação comercial.

Dormência secundária

A dormência secundária de sementes ainda não foi completa e suficiente- mente elucidada na literatura pertinente. É reconhecido que as sementes com dormência secundária são as que germinam normalmente, mas quando ex- postas a fatores ambientais desfavoráveis, são induzidas ao estado de dormên- cia. Portanto, a dormência secundária pode ocorrer em sementes anterior- mente não dormentes ou com dormência primária superada. De acordo com Hilhorst (1995), as sementes podem passar por “ciclos de dormência”, pela ocorrência sucessiva de indução e superação da dormência secundária após o declínio da dormência primária (não dormente), dependente das variações de fatores ambientais, até que as condições se tornem favoráveis à germinação. Causas da dormência

Bewley e Black (1982) reconheceram basicamente as seguintes causas de dormência: dormência do embrião, incluídos os casos de inibição metabóli- ca e imaturidade do embrião, e dormência imposta pelo envoltório (ou teci- do de cobertura), relacionada aos casos de impermeabilidade do tegumento, presença de inibidores e restrição mecânica. Um sistema mais abrangente dividiu a dormência do embrião (dormência endógena) em fisiológica, morfológica e morfofisiológica, e a dormência imposta pelo envoltório (ou exógena) em física, química e mecânica (Baskin e Baskin, 1998).

Considerando uma abordagem mais clássica, as causas de dormência em sementes são: impermeabilidade do tegumento á água; impermeabilidade da cobertura protetora a trocas gasosas; resistência mecânica imposta pelo tegumento, pericarpo ou tecidos de reserva; ação de substâncias inibidoras da germinação e imaturidade do embrião.

Impermeabilidade do tegumento à água

As sementes com tegumento impermeável à água são conhecidas por se- mentes duras, dureza que confere atraso na germinação das sementes. Esse mecanismo de dormência é induzido durante o processo de maturação, no período de acúmulo de matéria seca. No tegumento, ou envoltório, dessas sementes são depositadas substâncias de natureza orgânica e hidrofóbica (lipídios, suberinas, cutinas e ligninas) em uma ou mais camadas de célula

ESTUDOS DA DORMÊNCIA E DO CONDICIONAMENTO FISIOLÓGICO DE SEMENTES 39

que impedem a entrada de água na semente. A hidratação e a consequente superação da dormência estão relacionadas, em muitos casos, à formação de aberturas em estruturas anatômicas especializadas, como o hilo, por exem- plo, localizado na superfície da semente, em que ocorre a redução da resis- tência à entrada de água (Baskin e Baskin, 2004).

A impermeabilidade do tegumento à água é considerada uma das causas mais comuns de dormência em sementes de espécies tropicais e verificadas com frequência nas seguintes famílias: Fabaceae (leguminosas, principal grupo), Cannaceae, Chenopodiaceae, Convallariaceae, Convolvulaceae, Gramineaceae, Malvaceae, Solanaceae, Anacardiaceae e Rhamnaceae. Além dessas, diversas espécies de palmeiras possuem dormência, princi- palmente relacionada à impermeabilidade à penetração de água para o em- brião e o endosperma.

As sementes podem ser dispersas com diferentes graus de impermeabi- lidade à água ou dureza, por influência do genótipo, da desuniformidade de maturação e das alterações das condições climáticas durante a fase de ma- turação. Devido a essas diferenças de profundidade de dormência das se- mentes, esse mecanismo possui importante papel ecológico de distribuição na germinação no tempo. A superação da dormência devido a impermeabi- lidade à entrada de água ocorre na natureza, por processos que envolvem a participação e a interação de microrganismos e temperaturas alternadas, e, também, devido a ingestão das sementes por animais.

Impermeabilidade do tecido de cobertura a trocas gasosas

Neste caso de dormência, os tecidos impermeáveis que circundam o em- brião limitam sua capacidade de trocas gasosas de modo a impedir o aces- so necessário ao oxigênio obrigatório à germinação, mantendo a semente dormente. É sugerido por alguns autores que o tegumento ou envoltório das sementes possam oferecer resistência à entrada de oxigênio ou à saída de gás carbônico durante a embebição. Entre outros fatores, a composição química e a estrutura do tegumento podem controlar as trocas gasosas da semente e o meio.

Resistência mecânica

A ocorrência de sementes com dormência mecânica é causada por te- cidos que impedem à expansão do embrião e protrusão da radícula. Nesse

caso, a absorção de água e oxigênio ocorrem normalmente pelas sementes, sendo que, o crescimento do embrião é limitado pela rigidez dos tecidos que o envolvem. Essa dormência, muitas vezes, é relacionada ao endosperma que é muito rígido, como o endosperma micropilar (endosperma localizado na frente da radícula).

Endosperma micropilar rígido, que precisa ser enfraquecido para ocor- rer a protrusão da radícula, já foi constatado em diversas espécies, tais como tomate (Solanum esculentum) (Groot; Karssen, 1987; Toorop; Bewley; van Aelst; Hillhorst, 1996; Toorop; van Aelst; Hillhorst, 2000), pimenta (Capsicum annum) (Watkins; Cantliffe, 1983), tabaco (Nicotiana taba-

cum) (Leubner-Metzger et al., 1995); melão (Cucumis melo) (Welbaum et al., 1995), Datura ferox (Sanchez et al., 1986); café (Coffea arabica) (Silva et al., 2004); lobeira (Solanum lycocarpum) (Pinto et al., 2007); e jenipapo (Genipa americana) (Queiroz, 2009). A superação desse mecanismo de dor- mência ocorre devido a ação de várias enzimas, entre elas, -galactose (EC 3.2.1.22), -manosidase (EC 3.2.1.25) e endo--mananase (EC 3.2.1.78), no enfraquecimento do endosperma micropilar por hidrólise de mananas e galactomananas, presentes nas paredes celulares do endosperma micropilar das sementes.

Substâncias inibidoras

A dormência causada por substâncias inibidoras está relacionada à substâncias produzidas tanto fora como dentro das sementes, que, quando translocadas para o embrião, podem inibir a germinação. Portanto, inibido- res, presentes tanto na semente quanto no fruto, podem inibir a germinação em situações em que o embrião não se encontra dormente.

Imaturidade do embrião

As sementes de algumas espécies vegetais podem ser dispersas com embrião fisiologicamente imaturo, que necessita ter o desenvolvimento completado para que a germinação ocorra. No primeiro caso, as sementes são dispersas da planta mãe com embrião não diferenciado, ou seja, não é possível identificar as partes principais do embrião, como os cotilédones, hipocótilo e radícula. Nesse caso, o embrião teria que finalizar o seu desen- volvimento após a dispersão. Algumas sementes de orquídeas são dispersas com o embrião formado por uma massa de células na qual não é possível

ESTUDOS DA DORMÊNCIA E DO CONDICIONAMENTO FISIOLÓGICO DE SEMENTES 41

identificar as partes do embrião. Alguns autores classificam esse tipo de dor mência como dormência morfológica.

Outras espécies vegetais têm suas sementes dispersas com embrião pou- co desenvolvido, embora diferenciado em cotilédones e em eixo hipocótilo- -radícula, mas com barreiras fisiológicas. Nesse caso, a germinação é prece- dida por uma fase de crescimento desencadeada por condições ambientais apropriadas. A combinação de dormência morfológica e fisiológica é cha- mada de dormência morfofisiológica. Sementes de Annona crassiflora, tam- bém conhecida como marolo ou araticum, é um exemplo de espécie que tem dormência morfofisiológica.

Do ponto de vista prático, a dormência presente em sementes de Annona

crassiflora compromete a produção de mudas da espécie. Exemplo de que a pesquisa tem auxiliado nesse aspecto é com relação ao entendimento das condições ambientais necessárias para a superação da dormência dessa es- pécie. Hoje é conhecido que as oscilações de temperaturas, bem como tem- peratura baixa do solo, próximas a 10°C durante os meses de junho e julho, são necessárias para a superação da dormência.