A primeira menstruação é um acontecimento muito importante na vida de uma mulher, é o limite entre a infância e a vida adulta, quando fisiologicamente a mulher deixa de ser criança, momento em que a menina começa exercer seu ciclo reprodutivo e se torna capaz de gerar filhos.
Segundo Berlofi et al (2006), a idade para ocorrer a menarca, ou seja, a primeira menstruação, varia em torno de 10 á 16 anos, podendo estender até 20 anos, dependendo da menina. A média de idade da menarca vem diminuindo, cerca de quatro meses a cada década, encontrando-se atualmente na faixa dos 11 a 12 anos. Pesquisas nacionais descrevem que na década de 1930 encontrava-se por volta dos 13,6 anos; na década de 1940 13,4 anos; na década de 1960 12,8 anos; e 12,6 anos na de 1980.
Nessa pesquisa a idade da menarca das entrevistadas se concentra na idade de 12 anos com um número de cinco adolescentes (41,65%), ficando dentro da média nacional,
Para Brasil, citado por Pereira (2007, p.25 e 60), com a chegada da puberdade e com ela a ação dos hormônios, a sexualidade ganha caráter de primeiro plano na vida e no comportamento dos adolescentes. Torna-se urgente e centro de todas as atenções. Pesquisas mostram que os jovens têm iniciado cada vez mais cedo a vida sexual e constantemente desprotegida levando a uma gestação precoce, muitas vezes isso ocorre pela deficiência de informações de como se proteger devidamente, timidez e vergonha de pedir orientações a respeito. Segundo Pereira (2007, p.73), em uma pesquisa feita com adolescentes de uma 25
escola, quando lhes foi perguntado com quem eles gostariam de se informar sobre sexualidade, corpo e sexo, a maioria respondeu com os profissionais de saúde.
Nesse sentido, a ação dos profissionais de saúde se reveste de importância, haja vista a responsabilidade que eles têm como disseminadores de informações importantes a que os adolescentes precisam, e que esperam desses profissionais. O profissional de saúde, principalmente o enfermeiro tem um papel amplificador na educação sexual de adolescentes e jovens, pois, muitas vezes esses indivíduos procuram esses profissionais ao invés dos pais e professores, para tirar dúvidas a respeito do sexo, gravidez, prevenção, isso porque eles sentem mais confiança de que não serão revelados, criticados e proibidos e sim orientados.
Nessa pesquisa a maioria das gestantes teve a sexarca, ou seja, a primeira relação sexual na idade entre 14 a 16 (58,33%). Esse resultado se apresenta dentro da faixa etária de outras pesquisas, como a de Spindola e Silva (2009, p.103), onde 81% das gestantes adolescentes iniciaram sua vida sexual nas idades entre 13 e 15 anos. Representados na tabela 06 e gráfico 01.
Tabela 06
Distribuição das adolescentes segundo a idade da menarca e da sexarca.
Idades Menarca Sexarca
10 anos 1 0 11 anos 2 0 12 anos 5 1 13 anos 2 3 14 anos 2 3 15 anos 0 1 16 anos 0 3 17 anos 0 1 Total 12 12 26
Gráfico 1
Distribuição das adolescentes segundo a idade da menarca e da sexarca.
Menarca/sexarca 0 1 2 3 4 5 6 10 anos 11 anos 12 anos 13 anos 14 anos 15 anos 16 anos 17 anos Idade Q u a n ti d a d Menarca Sexarca
Fonte: Entrevistas de campo /Adaptado pelo pesquisador
Os métodos contraceptivos mais conhecidos pelas adolescentes foram citados a camisinha masculina e a pílula anticoncepcional. São esses também os métodos mais utilizados durante a sua vida sexual (tabela 7).
Tabela 7
Distribuição das adolescentes, segundo os métodos contraceptivos utilizado durante a sua vida sexual:
Método contraceptivo Quantidade de adolescentes % do total pesquisado
Preservativo masculino 5 41,66 Pílula anticoncepção 1 8,34 Ambos (acima) 6 50,0 Outros 0 0,00 Nenhum método 0 0,00 Total 12 100,00
A tabela 08 mostra a respeito do uso de métodos contraceptivos quando engravidaram, 83% responderam que não estavam usando, isso porque a maioria delas desejava a gestação (09), evidenciado nas respostas das mesmas quando perguntado se a gravidez foi planejada. Quanto às adolescentes que não usavam nenhum método contraceptivo e não queriam engravidar as respostas obtidas foram: “porque não gosta” ou porque a pílula “faz mal”.
As duas adolescentes que responderam estar usando, alegaram que muitas vezes esqueciam de tomar a pílula, ou tomavam em horários diferentes e não usavam a camisinha masculina em todas as relações sexuais, sendo que, uma adolescente assumiu ter medo da camisinha ficar dentro dela. Com isso podemos observar a falta de conhecimento em relação ao uso correto dos métodos contraceptivos e dos seus benefícios. Mas, talvez essa atitude nos revele o desejo escondido de uma gravidez, neste sentido, não buscam conhecer a respeito dos métodos e o seu uso correto, mostrando a despreocupação se ocorrer a gravidez.
Em estudo realizado pela Sociedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil – BEMFAM citado por Cabral (2003), sobre o comportamento sexual e reprodutivo de jovens brasileiros, a totalidade dos entrevistados "conhecia" algum tipo de método contraceptivo e pelo menos uma vez algum método já havia sido utilizado pela maioria. No entanto, essa pesquisa mostrou certo limite de seus dados, pois o "nível de conhecimento" descrito está relacionado ao simplesmente "ter ouvido falar" dos métodos, sem detalhar questionamentos quanto ao uso adequado. Isso também ocorreu nessa pesquisa algumas das adolescentes entrevistadas alegaram “só ter ouvido falar” de alguns métodos contraceptivos entre eles está a camisinha feminina, o anticoncepcional injetável, a pílula de emergência e o DIU.
Tabela 8
Distribuição das adolescentes, quanto ao uso de método contraceptivo quando engravidou:
Utilizava método contraceptivo Quantidade % do total
Sim 2 16,67
Não 10 83,33
Total 12 100,00
Quando perguntado a respeito do número de gestações a maioria responderam que era a primeira vez, duas responderam duas vezes e uma três vezes. A adolescente que esteve grávida três vezes tem histórico de um aborto. A idade menor da ocorrência da primeira gravidez foi de quinze anos, e a de maior freqüência Apresentado na tabela 9.
Tabela 9
Distribuição de adolescentes segundo o número de gestações, idade da primeira gestação, numero de filhos e abortos.
Adolescentes gestantes Quantidade de gestações Idade da primeira gravidez Quantidade de filhos Quantidade de abortos G1 1 16 0 0 G2 1 16 0 0 G3 1 17 0 0 G4 2 17 0 1 G5 1 16 0 0 G6 1 17 0 0 G7 3 16 1 1 G8 1 16 0 0 G09 1 16 0 0 G10 2 16 1 0 G11 1 15 0 0 G12 1 18 0 0
A respeito da questão do planejamento e do desejo da gravidez, como já citado acima, a maioria desejou a gravidez, por isso não utilizavam nenhum método contraceptivo, porém nenhuma delas adotaram as atividades de planejamento familiar para ajudar em uma gestação segura e saudável.
O principal motivo representado pelas adolescentes no desejo de engravidar, foi para constituir uma família, completar o ambiente familiar, haja vista que a maioria delas tem uma relação estável com um companheiro, e por considerarem um momento certo para ter filho, essas questões são evidenciadas nos relatos verbais das jovens:
‘’Porque já estou há um tempo casada” (G01).
“Porque acho que to na idade certa pra engravidar, prefiro ter filho agora enquanto to nova”. (G02).
“Porque sinto falta de um filho”. (G04). “Para ocupar mais meu tempo”. (G11).
2.2 PROPORÇÃO DE GESTANTES ADOLESCENTES E NÃO ADOLESCENTES: