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4. Velferdsperspektiver på velferdskontrakter

5.4 Problemer med «workfare»?

Numa quarta atribuição, Gramsci ressalta a importância que se dá à redação, quando afirma que "as funções de um jornal deveriam ser equiparadas às funções correspondentes na direção da vida administrativa" (GRAMSCI, 2011b, p. 235), com a intenção de sair do amadorismo medíocre e tornar-se profissional, para "oferecer ao público informações e julgamentos não ligados a interesses particulares" (GRAMSCI, 2011b, p. 235).

A respeito dos diretores, poderíamos afirmar que esse grupo é o que "mantém a disciplina na redação, assume as responsabilidades que afetam o periódico (jornal) em seu aspecto político e legal, e se preocupa em aumentar a tiragem.8" (RUIZ, 1953, tradução nossa). Além da organização e sistematização do periódico, pautada por disciplina para manter sua regularidade, a identificação do diretor com o grupo social mencionado acima assemelha-se ao diretor que, "identificado com as ideias do partido, decide a orientação do periódico9" (RUIZ, 1953, tradução nossa). Entender a função do grupo social ou do partido se faz necessário, uma vez que este só existe quando há objetivos comuns, interesses convergentes, a fim de que haja identificação no interior do grupo, e se consolide de tal modo que seja reconhecido pela sociedade. No grupo social está contida a força social que representa o consenso do grupo, que conduz a uma ação social que busca e provoca mudanças. Deste ponto de vista, a análise de um grupo não se realiza em forma de um aglomerado, mas em uma teleologia que se torne o centro de coesão e convergência.

Os "proprietários, diretores, redatores e colaboradores" são tratados conjuntamente (CRUZ; PEIXOTO, 2007, p. 263), sem se descrever a função de cada componente. Esse grupo, segundo Gramsci (1968), necessita de um "ponto de partida" por se tratar de dirigentes de periódico. Este princípio sugerido diz respeito a "um agrupamento cultural (em sentido lato) mais ou menos homogêneo, de um certo tipo, de um certo nível e, particularmente, com uma certa orientação geral" (GRAMSCI, 1968 p. 162). A homogeneidade compreendida por Cruz e Peixoto (2007, p. 263) aponta que:

Proprietários, diretores, redatores e colaboradores indicam a constituição dos grupos produtores, enquanto força social que orienta e

8 "mantiene la disciplina en la radacción, asume las responsabilidades que afectam al periódico en sua

aspecto político y legal, y se preocupa de aumentar la tirada" (RUIZ, 1953, p. 307)

propõe o projeto político do periódico. Aqui não se trata de uma análise meramente formal que identifica nomes de proprietários e de principais anunciantes, pois entendemos que o processo de constituição de tais grupos enquanto grupos editoriais não é exterior, nem anterior ao movimento de produção do próprio periódico. É no processo de produção da publicação que o grupo se constitui enquanto agente ativo, constituindo ao mesmo tempo aliados e adversários. (Grifo nosso).

Esses grupos editoriais vistos acima compreendem o chamado "edifício cultural", (GRAMSCI, 1968 p. 162), no entanto ele deve ser baseado em "princípios racionais", isto é, devem ser funcionais e ter como base premissas para alcançar determinados objetivos. O que diretores e redatores projetaram, de início, como orientação ao periódico, ou seja, as premissas assumidas, pode ser verificado, confirmado durante o percurso, e até mesmo modificado. Isto não quer dizer que as premissas iniciais se ausentem, ou sejam excluídas de forma definitiva, mas pode ocorrer que elas continuem presentes de forma contínua, e isto se dá pelo caráter dinâmico do próprio periódico e das necessidades que possam aparecer.

Uma quinta atribuição, que está intimamente ligada à anterior, faz com que as redações devam estar "ligadas a um movimento de base disciplinado" (GRAMSCI, 2011b, p. 237), isto porque as revistas devem ser "a força motriz e formadora de instituições culturais de tipo associativo de massa, isto é, cujos quadros não estão fechados" (GRAMSCI, 2011b, p. 237). Aqui aparece o aspecto principal da redação, dos redatores, dos editores e, sobretudo, das revistas que sejam orgânicas no trabalho interno e externo, para formarem uma esfera cultural, isto é, uma atividade intelectual, que cria em seu bojo um círculo cultural próprio, e cujas atividades todo organismo diretivo tende a cindir em duas: a deliberativa e a cultural-informativa (MANACORDA, 2008, p. 169). De fato, a classe dirigente no mundo moderno e industrializado se divide, e torna-se evidente que a atividade cultural-informativa cumpra o papel técnico-especialista, com a função de análises científicas, a fim de que as deliberações sejam tomadas sobre bases sólidas (DORE, 2007, p. 89). As funções administrativa e técnica não devem estar desassociadas do caráter próprio da revista, isto é, a informação cultural-intelectual, como constata Gramsci, essas duas tendem a se dividir, nas sociedades.

O modo de trabalhar das redações de revistas, em torno às quais se deveriam constituir um círculo de cultura, recorda-nos a experiência prática e os projetos que iam sendo elaborados por Gramsci: desde o Clube de Vida Moral, passando pelo programa do Ordine Nuovo quinzenal, até as considerações sobre a escola dos confinados. Tal como então, também agora Gramsci propõe, para essas instituições culturais, um tipo de trabalho colegiado planejado, que sirva para criar e reelaborar os trabalhos individuais

e conduzi-los à redação definitiva, e para isso fornece indicações metodológicas minuciosas e precisas (MANACORDA, 2008, p. 171).

A organização da cultura, a valorização do ser humano, a criação de uma nova "estrutura no corpo burocrático" (DORE, 2007, p.91) favorecem a elaboração de alto nível de sistematização intelectual dos periódicos e que, ao mesmo tempo, se desenvolva na prática uma nova concepção de mundo junto às instituições culturais, o que foi experimentado por Gramsci junto à revista L'Ordine Nuovo10, com os Conselhos de Fábrica. De fato, "a revista Ordine Nuovo pretendia ser tanto um órgão de luta política quanto instrumento de pesquisa cultural" (DORE, 2007, p.91).