Problem formulation
3.2 Problem statement
No polo técnico descrevemos o processo de coleta, organização e tratamento dos dados que servirão de insumo para o exercício fenomenológico-sistêmico e construção de um conceito para Arquitetura da Informação Pervasiva. O polo técnico
[...] consuma-se, por via instrumental, o contacto com a realidade objectivada, aferindo-se a capacidade de validação do dispositivo metodológico, sendo aqui que se desenvolvem operações cruciais como a observação de casos e de variáveis e a avaliação retrospectiva e prospectiva, sempre tendo em vista a confirmação ou refutação das leis postuladas, das teorias elaboradas e dos conceitos operatórios formulados. (SILVA, 2006, p. 154).
Fazer pesquisa implica em estabelecer um diálogo com o que já está posto na literatura científica sobre um determinado objeto de investigação, de modo que esta demanda se realiza através da revisão bibliográfica afim de levantar o “estado da arte” ou o “estado da técnica” e saber em que nível se encontra a pesquisa científica sobre um tema específico.
A revisão de literatura orientou a estruturação da fundamentação teórica e metodológica. Além disso, recorremos à literatura científica para reunir um conjunto de dados sobre os quais pudéssemos realizar a redução
fenomenológica e a redução eidética. Considerando que na
fenomenologia se objetiva alcançar a essência dos fenômenos e que os fenômenos também se materializam via discurso, inclusive no discurso científico, optamos por reunir conceitos relacionados à Arquitetura da Informação Pervasiva.
Para tanto recorremos à publicações em livros, dissertações, teses, trabalhos publicados em anais de congressos e ao portal de periódicos capes2, executamos buscas por assunto com expressões relacionadas à
temática Arquitetura da Informação Pervasiva, conforme Quadro 1.
Quadro 1 - Termos utilizados em buscas nas fontes de informação Expressões de Busca
‘arquitetura da informação Pervasiva’, ‘pervasive information architecture’, ‘arquitetura da informação ubíqua’, ‘ubiquitous information architecture’.
‘computação ubíqua’, ‘computação pervasiva’, ‘pervasive computing’, ‘ubiquitous computing’
Fonte: Elaborado pelo autor
Na interface do Portal de Periódicos da Capes utilizamos a busca avançada, configuramos o filtro de temporalidade para recuperar publicações dos últimos 5 anos, em quaisquer línguas e no filtro de tipo de material escolhemos a opção artigos. Utilizamos as bases Web of Science, Scielo e a base Scopus – Elsevier, por serem bases frequentemente utilizadas em pesquisas na área de Ciência da Informação.
O procedimento de extração gerou uma discreta base de conceitos sobre a qual fizemos o exercício fenomenológico de epoché e redução eidética para captar uma essência para Arquitetura da Informação Pervasiva. A busca nos periódicos, disponibilizados no portal de periódicos da Capes, corroborou nosso pressuposto de que a temática Arquitetura da Informação Pervasiva é fronteiriça e carece de aprofundamento teórico. A maioria dos artigos recuperados, sobretudo os advindos da área de computação, não apresentam fundamentação conceitual adequada em relação aos termos pervasividade e ubiquidade, usados frequentemente como sinônimos. Após exercer uma vigilância crítica sobre os dados coletados, chegamos a um rol de conceitos interpretáveis via fenomenologia.
2.1.3.1 Analisando conceitos e capturando essências
Na Fenomenologia de Husserl, reduzir é um dos procedimentos centrais do método fenomenológico, significando que o pesquisador deve concentrar atenção para realizar em primeiro nível a redução fenomenológica ou epoché, que para Sadala
[...] é o recurso fundamental para garantir a descrição fiel do fenômeno. A redução põe em evidência a intencionalidade da consciência voltada para o mundo, ao colocar entre parênteses a realidade como a concebe o senso comum, e purificar o fenômeno de tudo o que comporta de “inessencial” e acidental, para fazer aparecer o que é essencial. (SADALA, 2004, p. 3).
Em um segundo momento fizemos a redução eidética, focando as essências e não os objetos concretos. Por fim, ocorreu a redução transcendental que se dá quando a consciência engloba a relação entre as
essências e os objetos considerando-os como fenômenos (JAPIASSU; MARCONDES, 2006).
Husserl concebeu a redução eidética como técnica capaz de dar ao pensamento a possibilidade de reter apenas o que é essencial no fenômeno em estudo. Consiste em imaginar/destacar todas as variações possíveis do objeto em estudo, a fim de se identificarem os componentes do objeto que não variam, ou seja, chegar aos invariantes, que definem a essência do objeto (DARTIGUES, 1973).
Objetivamente podemos dizer que, de posse dos conceitos extraídos da literatura científica, executamos um procedimento qualitativo de isolamento do que é indispensável em cada conceito como forma de se achegar a essência.
2.1.3.2 Mapeamento das essências da Arquitetura da Informação Pervasiva
O exercício fenomenológico atribui ao pesquisador a tarefa de capturar a essência dos fenômenos de pesquisa, mas também de apresentá-las estabelecendo relações com o fenômeno. Neste estudo, as essências capturadas servirão de insumo para construção, via sistemismo, de um conceito que será representado através da técnica de construção de mapas conceituais.
A técnica de mapeamento conceitual funcionará como um mecanismo para ilustrar o conceito da Arquitetura da Informação Pervasiva. Para Novak e Cañas (2010)
Mapas conceituais são ferramentas gráficas para a organização e representação do conhecimento. Eles incluem conceitos, geralmente dentro de círculos ou quadros de alguma espécie, e relações entre conceitos, que são indicadas por linhas que os interligam. As palavras sobre essas linhas, que são palavras ou frases de ligação, especificam os relacionamentos entre dois conceitos. Nós definimos conceito
como uma regularidade percebida em eventos ou objetos, designada por um rótulo (NOVAK; CAÑAS, 2010, p. 10).
A compreensão de Novak e Cañas (2010) sobre os mapas conceituais indica que eles são pertinentes para serem usados nesta pesquisa, pois eles são um mecanismo de organização e representação do conhecimento que articula conceitos e regularidades percebidas.
2.1.3.3 Instrumentalizando representações conceituais para Arquitetura da Informação Pervasiva
O fechamento polo técnico deste estudo, se dará por meio da construção de uma conceituação que hibridiza elementos essenciais da Arquitetura da Informação Pervasiva. É neste ponto que os pressupostos teóricos do sistemismo serão utilizados para atingir alguns dos objetivos específicos.