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4. Innkomne merknader

4.9 Privatpersoner/grunneiere//andre

A terceira linha de discussão foca-se na sub-explorada dimensão social. Verifica-se uma forte tendência atual para valorização e aprofundamento da dimensão social da sustentabilidade, que tem sido, de certa forma, relegada para segundo plano na generalidade dos estudos efectuados até à data. A construção em madeira oferece um amplo campo de investigação relativo aos impactos sociais, como por exemplo: a promoção das economias locais, nomeadamente em áreas vítimas de desertificação, que poderiam ser dinamizadas através da exploração florestal sustentada; a possibilidade de autoconstrução assegurada pela utilização de elementos modulares e ligações mecânicas; a promoção da segurança e satisfação dos intervenientes em fase de obra, que têm oportunidade de trabalhar um material com escala humana, entre outras que merecem ser exploradas.

Uma futura metodologia adaptada às particularidades deste tipo de edifícios, terá necessariamente que conter indicadores sociais. Esta tendência confirma-se pela publicação de normas recentes, tais como a EN 15643-3:2012, que refere, entre outros, os seguintes indicadores específicos para avaliação do impacto social na fase de construção:

- A Saúde e o Conforto dos utilizadores e dos intervenientes na construção. Este indicador poderá incluir informação relativa ao comportamento térmico do edifício, humidade, qualidade da água disponível, qualidade do ar interior, desempenho acústico e conforto visual; - A Acessibilidade, que contempla aspectos relacionados com a circulação e utilização por indivíduos com mobilidade reduzida;

- A Manutenção, que inclui considerações sobre as necessidades de manutenção ao longo da fase de utilização;

- A Segurança, que se traduz em sub-indicadores tais como a resistência às alterações climáticas, segurança em caso de incêndio, segurança contra intrusão e vandalismo, ou ainda segurança em caso de falhas no fornecimento de eletricidade, água, aquecimento comunitário, ou outros;

- Impactos na vizinhança, tais como ruídos, emissões poluentes, ou mesmo reflexos da luz solar;

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6.1.4 Síntese

As categorias para avaliação da sustentabilidade que devem ser tidas em conta na formulação de uma metodologia de ACV adaptada a edifícios de madeira são resumidas na Tabela 6.1.

Tabela 6.1 – Resumo das Categorias a considerar para Avaliação da Sustentabilidade de Edifícios de Madeira

A M B IE N T A L

Correta quantificação e valorização da capacidade de armazenamento de carbono

Promoção da qualidade do ar interior

Facilidade de reciclagem em novos produtos

Único material de construção que pode ser usado como combustível para produção de energia.

S

O

C

IA

L

Impactos da indústria florestal nas economias locais

Permite a autoconstrução

A modularidade e baixo peso estrutural podem permitir a deslocação do edifício, adaptando-se à necessidade de mobilidade dos utilizadores.

E C O N Ó M IC A

A modularidade permite a construção faseada, adaptando-se à disponibilidade económica dos utilizadores.

A utilização de ligações mecânicas e de elementos com dimensões relativamente reduzidas permite a substituição pontual de elementos degradados, aligeirando o peso económico da fase de manutenção.

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6.2 Conclusões

Contextualizado no objectivo geral do aumento da sustentabilidade da construção, o presente trabalho conclui com as seguintes indicações: cuidada e informada seleção de materiais em fase de projeto (ultrapassada que está a questão da eficiência energética); incentivos dos processos de pré- fabricação, reutilização e reciclagem; promover a agilização do aplicação de ferramentas ACV em fase de projeto, nomeadamente através na sua inclusão em ferramentas BIM, que permitem uma simulação do edifício bastante próxima da realidade, facilitando quer os processos de quantificação de inventário, quer a aferição do desempenho térmico dos edifícios.

Na discussão da problemática geral da sustentabilidade do uso da madeira na construção, destaca-se a possibilidade de atribuir valores negativos ao “Potencial de Aquecimento Global” para este material de construção. A generalização indiscriminada deste conceito poderá ser interpretada de forma a julgar-se razoável a construção de edifícios de madeira com o objectivo direto de travar o aquecimento global, o que poderá ter efeitos perversos. O aumento da construção em madeira, com consequente aumento da quantidade de CO2 imobilizado por várias décadas, pode revelar-se

atrativo numa perspectiva “imediata”, mas não deverá perder-se de vista o facto de que a construção de qualquer edifício representa outras ameaças ambientais, que não poderão ser totalmente compensadas pela “função” dos edifícios enquanto reservatórios de carbono.

Do ponto de vista ambiental, será vantajoso substituir produtos de construção correntemente utilizados no nosso país, muitos deles com elevadas quantidades de energia incorporada (em particular, o betão), por produtos de madeira. Mas, provavelmente, não será vantajoso construir edifícios de madeira apenas com o objectivo de “retirar” árvores da floresta, dando lugar ao crescimento de novas árvores.

A discussão lançada pelos vários pontos de vista expressos na bibliografia revista depende em muito da clarificação do papel da madeira como dispositivo de armazenamento de CO2. Por essa

razão, é necessário empreender um trabalho de pesquisa mais vasto neste domínio, de forma a obter um consenso razoável sobre a forma de quantificação desta propriedade da madeira na prossecução da análise de ciclo de vida.

Outro assunto atual, de acordo com o que ficou patente ao longo da dissertação apresentada, refere-se à consideração de aspectos sociais na avaliação da sustentabilidade. Este é um aspecto que tem sido alvo de desenvolvimentos recentes, pelo que carece de especial atenção.

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