2. Komiteens merknader
2.2 Ambisjoner for norsk landbruk
São dez anos de Reportagem Especial. Em 2007, a SIC tinha 15 anos e lançou a rubrica que tinha como objetivo ser um produto intermédio: não tão aprofundado como a Grande Reportagem, nem tão ligeiro como as reportagens diárias do jornal. O diretor de informação na altura, Alcides Vieira, pediu ao jornalista Pedro Coelho que coordenasse e lançasse a Reportagem Especial. No dia 2 de maio de 2007, foi exibida “Um dia na prisão”, que resultou do último de uma série de trabalhos em prisões que o jornalista Pedro coelho começou a fazer em 2005.
Achei que este era um bom arranque, por ser uma história relacionada com jovens altamente problemáticos, que tinham uma forma de vida rebelde e na altura, quando entraram na cadeia, perceberam que aquilo não era o mundo ideal como eles imaginavam, sendo que alguns deles tinham irmãos presos. Perceberam que aquilo afinal não era propriamente o melhor dos mundos, como lhes vendiam. E eu achei que era uma grande história para começar uma nova marca da SIC. (Coelho, entrevista: 26/07/2017)
“Um dia na prisão” foi muito próxima de uma Grande Reportagem, porque tinha quase 30 minutos de duração, tendo sido dividida em duas partes: uma antes de entrarem na cadeia, com quinze minutos, e outra com eles já na cadeia, com outros quinze. Hoje, à semelhança do que acontecia na altura, a duração estipulada para a Reportagem Especial é de quinze minutos, sendo que há constrangimentos que, por vezes, fazem com que esse tempo seja alargado, como explica a coordenadora do Jornal da Noite, Marta Reis (entrevista: 25/07/2017):
Nós tentamos que a RE não ultrapasse os vinte e poucos minutos. Idealmente, ela deveria ter quinze minutos, mas os jornalistas quando vão para o terreno são sempre muito voluntariosos e acabam sempre por chegar com muitos discos, muitas entrevistas, e portanto é sempre uma luta do coordenador pedir menos tempo e o jornalista ter mais tempo de RE do que o que o jornal até comportaria. Também no que diz respeito à periodicidade, a Reportagem Especial foi sofrendo alterações. Inicialmente, a rubrica era transmitida de duas em duas semanas, apenas com o jornalista Pedro Coelho a produzir conteúdos, sendo que após algum tempo pediu à jornalista Fernanda de Oliveira Ribeiro para integrar a equipa e assim fazerem, cada um, duas RE por mês, o que permitia com que fossem emitidas uma por semana, durante um ano, altura em que o jornalista
42 teve de abandonar a colaboração com a RE para exercer outras funções na SIC. O que acontece desde 2011, segundo a coordenadora do JN é que as Reportagens Especiais passam às quintas, salvo o “Verão, altura de Natal e festividades, que é quando as grelhas do jornal estão desformatadas” (Reis, entrevista: 25/07/2017). Nas semanas que em que são exibidas as Grandes Reportagens, que também passam às quintas, não há RE. No entanto, o coordenador do Jornal da Noite de fim-de-semana, Luís Marçal (entrevista: 26/07/2017), afirmou que já não há um dia específico para passar a RE, sendo que “começou por passar às quintas, depois começou também a passar aos domingos. Basicamente é uma decisão tomada em função das necessidades de antena.”
Relativamente ao formato da rubrica, pode-se verificar que utiliza os oráculos, as frases e o grafismo do Jornal da Noite, porém contém um genérico inicial, um final, um grafismo de título e as fichas de créditos finais próprios. A RE está inserida dentro do Jornal da Noite da SIC, mas o objetivo é que a rubrica fique pronta para passar também na SIC Notícias, daí a necessidade de ter uma ficha técnica de assinaturas final, que contenha o jornalista, o repórter de imagem, a direção, a produção e a coordenação. É importante que haja uma distinção no formato da RE para com as outras reportagens do jornal, como afirma o coordenador Luís Marçal (entrevista: 26/07/2017):
Num jornal de uma hora e meia, e sendo que a RE demora cerca de vinte minutos, em que se está sempre a falar do mesmo assunto, convém que tenha ali marcas que à primeira vista sejam percetíveis pelo público como estando no ar um programa que é diferente dos restantes. (…) É mais uma forma de mostrarmos que a marca SIC é capaz de fazer produtos diferentes, mas todos com a mesma qualidade.
Os temas abordados nas Reportagens Especiais são escolhidos, sobretudo, tendo em conta a atualidade, sendo que este é o principal critério atribuído para a tomada de decisão. Como explica Marta Reis (entrevista: 25/07/2017) “se tivermos duas propostas e só pudermos tirar uma das pessoas das equipas e só pudermos estar a fazer uma, vai aquela que tiver mais atual e que estiver mais quente, digamos assim”. Refere ainda que não é só este critério que importa, tendo ainda em conta quais os assuntos que os telespetadores “vão ter mais apetência para ouvir e falar de uma forma mais aprofundada” (Reis, entrevista: 25/07/2017). Os temas são, muitas vezes, propostas dos próprios jornalistas, ou então são temas que a direção ou a coordenação acreditam ser determinante aprofundar.
43 A audiência é um aspeto que não é descartado pelos coordenadores do Jornal da Noite, sendo que é uma preocupação para ambos. As audiências, segundo Luís Marçal (entrevista: 26/07/2017), são o “farol” dos trabalhos que produzem, apesar de não ser o primeiro critério quando se toma a decisão de fazer ou não uma RE. No entanto, afirma que “no dia seguinte a elas serem emitidas vê com atenção como é que elas se comportaram, até para que no futuro se tenha em atenção que tipo de temas abordar” (Marçal, entrevista: 26/07/2017). O interesse do público não se sobrepõe ao interesse público enquanto critério para a definição dos assuntos que vão abordar, mas os coordenadores admitem que tentam conciliar estes dois conceitos.
Tentamos escolher um assunto que seja importante analisar, levar à antena e debater, mas também um assunto que possa fixar o nosso público e possa trazer novos públicos para aquilo que possam ser as novas Reportagens Especiais que serão emitidas no futuro. (Marçal, entrevista: 26/07/2017)
Os coordenadores admitem que a grande mais-valia da marca SIC são as rubricas como a RE, de média duração, que são fixas no JN, como é o caso do “Futuro Hoje”, o “Contas-poupança”, o “SETE”, o “Perdidos e Achados” ou ainda o “Ir é o Melhor Remédio”.
O que, geralmente, os números mostram é que Reportagem Especial tem uma audiência superior à média do jornal. Isto significa que se a média do share15 do JN for de 21%, no
momento da exibição da RE sobe cerca dois ou três pontos.
São vários os prémios que a rubrica da SIC tem arrecadado16, sendo que no ano transato, o destaque foi para o Prémio "Os Direitos Da Criança Em Notícia" com a Reportagem Especial “Querido pai”, que retrata a vida dos pais que são obrigados a emigrar, sendo obrigados a deixar os filhos para trás, devido à crise. Uma reportagem da Jornalista Ana Paula Vieira, dos Repórteres de Imagem José Vaio, Carlos Morais e Rui Flórido e a Edição de Imagem de António Soares. Também a RE “Impossível é só um exagero para difícil” venceu o Prémio Dignitas, com uma Menção Honrosa No Prémio de Direitos Humanos e Integração da Comissão Nacional da Unesco. A reportagem mostra uma colónia de férias, durante uma semana, onde crianças cegas e crianças que veem partilham experiências, para provar que nada é impossível. Um trabalho da
15O share de audiência permite perceber qual o tempo total despendido pelos espectadores a assistir a um determinado programa ou canal,
quando comparado com o tempo total de emissão. (ERC, 2008)
16 Informações recolhidas do site da SIC Notícias, em: http://sicnoticias.sapo.pt/especiais/revista-do-ano-2016/2016-12-27-Premios-da-
44 Jornalista Miriam Alves, do Repórter de Imagem José Silva e com Edição de Imagem de Marco Carrasqueira. A rubrica da SIC recebeu ainda o Prémio Jornalismo Da Liga Portuguesa Contra O Cancro, com a RE “Estou grávida, tenho cancro e agora?”. Uma reportagem que apresenta os avanços da medicina, que permitem agora que em alguns tipos de cancro, já seja possível fazer quimioterapia ao mesmo tempo que um bebé cresce dentro da barriga da mãe, sendo que até então as opções passavam por interromper a gravidez para tratar o cancro ou manter a gestação e iniciar o tratamento depois do parto. Foi possível conhecer a história de cinco mulheres que foram confrontadas com estas decisões. Uma reportagem dos Jornalistas Raquel Marinho e Nelson Marques, do Repórter de Imagem José Eduardo Zuzarte e com Edição de Imagem de Andrés Gutierrez. Ainda a RE “Quando estou a cantar não estou preso”, recebeu uma menção honrosa no prémio de jornalismo "Direitos Humanos e Integração". Uma reportagem que mostra um projeto de integração dos reclusos através da arte. A Fundação Gulbenkian apoia a “Ópera na Prisão”, que começou em 2014, no Estabelecimento Prisional de Leiria, e juntou 23 reclusos a profissionais de música, onde aprenderam a cantar e a interpretar a ópera Don Giovanni, de Mozart, que foi depois apresentada ao público no grande auditório da Fundação. Esta foi uma Reportagem Especial da Jornalista Raquel Marinho, dos Repórteres de Imagem Eurico Bastos e Odacir Júnior e do Editor de Imagem Miguel Van Der Kellen.
O modo mais eficaz para se compreender a Reportagem Especial SIC é compará-la a um outro formato da SIC, a Grande Reportagem. “As diferenças são imensas”, como refere Pedro Coelho (entrevista: 26/07/2017). Primeiramente porque pretende-se que a RE esteja colada à atualidade, enquanto que a GR é uma reportagem de investigação aprofundada. Posto isto, pode-se assumir que a GR tem como objetivo tratar temas mais elaborados com “mais investigação associada” e ainda com um “objeto estético completamente diferente, do ponto de vista visual”, sendo que “há um grau de detalhe e de apuramento, quer estético, quer do tratamento jornalístico, que é muito superior ao da RE” (Coelho, entrevista: 26/07/2017). Uma Grande Reportagem necessita, no mínimo, de três meses para ser feita, e a RE, em 17 dias úteis, pode ser feita com “tudo, produção, estar no terreno e edição”, como já aconteceu anteriormente (Coelho, entrevista: 26/07/2017). A Reportagem Especial é, assim, mais aproximada da reportagem diária do jornal, mas num formato mais alargado, com mais conteúdo.
45 Na GR, a abordagem é completamente diferente, porque o grau de detalhe e envolvimento do jornalista é muito maior e a prova, que é o elemento soberano do jornalismo é detalhado até ao limite, porque não podem restar dúvidas na cabeça de ninguém que aquilo é verdade. Na RE, às vezes, conseguimos compor a história com muito menos detalhe, na GR o detalhe é obrigatório. (Coelho, entrevista: 26/07/2017)
Apesar da coordenadora do JN admitir que os telespetadores têm cada vez “menos paciência para ver um segmento inteiro” (Reis, entrevista: 25/07/2017) e esse ser o motivo para a criação de uma rubrica de reportagem intermédia, também refere que é importante ter conteúdos alongados para inserir no jornal, que tem cerca de uma hora e meia.
Em qualquer lugar do mundo, a RE seria um programa autónomo. A RE é inspirada num modelo anglo-saxónico, de tentar ter um tempo mais contido, que muitas vezes depois extravasa porque o repórter tem muito material e há muita dificuldade em cortar para ficar mais pequeno. (Reis, entrevista: 25/07/2017)
Ainda assim, é de senso comum que as rubricas, como a Reportagem Especial são uma mais- valia da marca SIC.
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4.3. APRESENTAÇÃO DOS DADOS: