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XVI. Priser
No dia 12 de dezembro de 2013, decorreu a primeira aula de 90 minutos referente a Parte 1, e destinou-se à exibição do filme Metropolis. Esta aula teve um caráter diferenciador da estrutura normal, proporcionando um espaço de descontração, e funcionou como estímulo a novas aprendizagens, a novos conhecimentos, fomentando o gosto pela disciplina.
A aula teve um cariz expositivo, por meio da visualização do filme, que através de uma linguagem estética expressionista, pretendeu servir de ponto de partida ao desenvolvimento e apreciação crítica, que levasse à reflexão, observação plástica e futurista expressa pelo próprio filme, a fim de elucidar algumas questões e interesses, e proporcionar instrumentos à perceção e ao raciocínio de cada aluno.
O filme Metropolis, produzido em 1927, realizado por Fritz Lang, é tido como um filme de “culto”. Este filme é considerado um clássico do cinema de ficção científica e um marco do expressionismo alemão. A sua mensagem projeta a história de um futuro, onde a sociedade se encontra dividida em dois grupos: os trabalhadores, que são aqueles que vivem debaixo da terra, e a classe dominante, que vive à superfície. Os trabalhadores escravizados vivem desumanamente, em constante trabalho monitorizado, enquanto a classe dominante, pertencente a uma elite, aprecia a vida. No decorrer do filme, os trabalhadores passam a ser guiados por Maria, que acredita que entre a razão e o trabalho mecânico é necessário existir o amor, caso contrário a ordem natural não se apresenta equilibrada.
A escolha do filme Metropolis deveu-se a diversos fatores. Em primeiro, pela preocupação de implementar em sala de aula um recurso cultural, que se inserisse nos meios tecnológicos e de comunicação. Em segundo, pelo filme ser ilustrativo e o cenário acessível à representação pelo desenho. Em terceiro, por representar um período da nossa história em que a ficção científica usava de diversos recursos, que não informáticos, para responder a uma ideia, e com isso demonstrar o nosso avanço tecnológico. Em quarto, por transmitir a linguagem plástica expressionista no seu apogeu, que pressupõe a arte como meio de desenvolvimento da pessoa, valorizando a imaginação e o poder criativo, enriquecida apenas a duas cores. Em quinto, pela sua mensagem, que põe em confronto o homem versus a máquina, reforçando a perspetiva de que as máquinas existem para o um melhor desempenho humano e são de facto um grande auxílio, mas se não houver a componente humana e o amor de nada servirão.
Figura 16. Imagem do filme “Metropolis”
Sendo o primeiro momento do Sarau, baseado na mensagem de que tudo se constrói com amor, e na ideologia da criação idílica assente nos valores do Padre Usera (que se divide: na verdade de Cristo e da palavra, no trabalho que exige esforço, dedicação e sacrifício e na partilha entre todos demonstrando uma vertente social e comunitária), a mensagem transmitida pelo filme adapta-se a estes mesmos valores e demonstra a fé na palavra, no esforço, no trabalho coletivo em comunhão com o respeito e o amor pelo próximo. A visualização do filme procurou criar uma ponte com a atualidade, pela análise das condições sociais, onde se verifica uma desigualdade social e ambiental em toda a ordem mundial.
Esta aula decorreu de forma tranquila, embora alguns alunos tenham demonstrado alguma agitação, pois o filme, sendo mudo, apresenta momentos menos dinâmicos, e os alunos demonstram dificuldades de concentração. Nesta aula não houve oportunidade para haver uma discussão e, por ter sido dada na última aula do 1º período escolar, foi pedido aos alunos, que na interrupção letiva pensassem sobre o filme, através de imagens e palavras, recorrendo ao diário gráfico. Este trabalho foi, posteriormente, alvo de análise de forma individual no decorrer das aulas.
3.3.3. descrição sumária da Parte 2
A Parte 2, realizou-se na aula do dia 7 de janeiro de 2014, e consistiu na simulação de um exercício de exame de Desenho A (Anexo J). Esta aula, de cariz diagnóstico, teve como objetivo perceber as capacidades dos alunos ao nível da
interpretação e execução criativa a partir dos referentes; os conhecimentos e aplicação dos procedimentos e das técnicas com adequação e correção; as capacidades de síntese, ideias, métodos ou conceitos no domínio das operações abstratas; bem como a identificação das dificuldades sentidas, quando confrontados com limites de tempo precisos para a sua execução e conclusão. Neste sentido, esta simulação exigiu, por parte do aluno, uma maior destreza e capacidade de lidar com o stress, desenvolve a interpretação em simultâneo com o registo gráfico, o domínio de processos de síntese e as técnicas de trabalho, entre outras competências. Com a implementação deste exercício esperou-se encontrar melhores estratégias para o desempenho e preparação dos alunos para a execução dos exercícios de exame de Desenho A, com vista à aquisição de conhecimentos ao nível do Exame Nacional, a fim de permitir a conclusão e o prosseguimento de estudos a nível do Ensino Superior25.
Após uma análise a todos os exames disponíveis no site do GAVE26, o exercício foi construído segundo as características definidas para a segunda parte dos exames nacionais, designada por “GRUPO II: Representação gráfica com exploração da capacidade de síntese”. Esta segunda parte é considerada como sendo a mais difícil do exame, pois exige um domínio técnico na utilização dos materiais escolhidos pelo próprio aluno; uma capacidade de análise e representação das formas e objetos, aliado à observação e interpretação do(s) referentes(s) (gráfico e/ou texto); domínio na estruturação e composição da linguagem plástica; capacidade de síntese e transformação gráfica e criativa, segundo a coerência formal e conceptual dos referentes; e ainda diversos processos de luz/sombra, enquadramento, transferência, escala, desenho à vista, pontos de inflexão, eixos e ângulos, contorno e cor, configuração, proporção, entre muitos outros, que intensifica e compõe uma imagem conforme características indicadas pelos enunciados.
A prova de Exame Nacional de Desenho A incide nos conhecimentos e nas competências enunciados no programa curricular, de acordo com o despacho normativo n.º 5/2013 de 8 de Abril. Nas provas de exame desta disciplina, o grau de exigência decorrente do enunciado e o grau de aprofundamento evidenciado nos critérios de classificação procuram obedecer a qualidade do processo da avaliação externa dos 25 Os Exames Nacionais constituem uma avaliação sumativa externa, com o objetivo da obtenção de resultados uniformes e fiáveis sobre a aprendizagem, inerentes aos conteúdos programáticos definidos pelo currículo, e em concordância com as metas curriculares determinadas pelo Ministério da Educação Português.
26Gabinete de Avaliação Educacional, órgão do Ministério da Educação responsável pelo planeamento, coordenação, elaboração, validação, aplicação e controlo de instrumentos de avaliação externa das aprendizagens em todo território português.
alunos, incidindo sobre a validade do objeto de avaliação e também sobre todo o processo subsequente de correção.
Cada exercício do GRUPO II, tem um prazo de execução que corresponde a 70+15 minutos (tempo do exercício + tempo de tolerância), e é acompanhado com a identificação das cotações aplicáveis a cada exercício (Anexo K), de forma a permitir classificar, perceber e contribuir para a gestão do aluno.
A construção do exercício de exame teve por base a temática relacionada com o primeiro momento do Sarau, o programa da disciplina de Desenho A (Ramos et al., 2002), e o programa da disciplina de Português (Campos, Coelho, Grosso, Loureiro, Pascoal &Seixas, 2002), e neste sentido compreendeu os seguintes referentes: um excerto do Poema de Álvaro de Campos, “Ode Triunfal”, datado de junho de 1914, publicado no Orpheu, nº 1 de 1915, que nos remete para a fase futurista de Fernando Pessoa (cf. ponto 1.3.1. da primeira parte do relatório), e uma imagem da obra de Almada Negreiros, intitulada estudo para os painéis da Gare Rocha Conde de Óbidos, de 1948 (Anexo J).
Pretendeu-se com a seleção destes referentes abordar a produção em massa, a importância das máquinas e do movimento, assim como aludir para questões do domínio da sociedade sobre o Homem. No desenvolvimento deste exercício, os alunos, para além dos referentes obrigatórios, já mencionados, também puderam partir da mensagem do filme sobre a industrialização, manipulação, operacionalização, mecanização, produção e utilização do homem como suporte à produção e ao consumo desnecessário, que o leva a uma felicidade comercial, termo utilizado por Lipovetsky e defendido por Acaso, ao referir que “convercernos de que solo seremos felices comprando”27 (Acaso, 2009, p.34).
A partir da observação da imagem e da interpretação do texto, segundo o enunciado, cada aluno deveria criar um desenho ilustrativo que, plasticamente, transmitisse ritmo, movimento e dinâmica, conforme as sugestões patenteadas pelos referentes, evidenciando a criatividade e a invenção, através da utilização de uma técnica mista: sanguínea e grafite, ou aguarela e lápis de cor, ou, ainda, aguarela e tinta-da-china. Os resultados obtidos denotam o nível de desenvolvimento de cada aluno, demonstrando as suas capacidades e as suas dificuldades. (Anexos L).
O espaço de sala de aula foi organizado de modo a simular o exercício de exame.