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In document Work programme DEMOS 2017–2024 (sider 14-17)

Segundo dados da prefeitura municipal de São Paulo, o bairro abriga o maior complexo de conjuntos habitacionais da América Latina, com cerca de 40 mil unidades. Este complexo habitacional foi produzido por uma visão de ação pública que compreende o urbano de forma instrumental e produtivista. A maioria das casas foram construídas na década de 1980 pela COHAB - Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo, pelo CDHU - Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo e por grandes empreiteiras. O bairro foi planejado como um grande conjunto periférico e mono-funcional do tipo “bairro dormitório” para deslocamento de populações que esperam na “fila” da COHAB a casa própria. O poder público preocupou-se apenas com a casa própria, deixando os serviços essenciais por muitos anos em segundo plano, tais como escolas, postos de saúde, transporte, hospitais, áreas de lazer, entre outros.

No final da década de 1970, o poder público iniciou o processo de aquisição de uma gleba de terras situada na região, que era conhecida como Fazenda Santa Etelvina, então formada por eucaliptos e trechos da Mata Atlântica. Os prédios residenciais começaram a ser construídos aos poucos, modificando a paisagem o local passou a ser habitado por enormes contingentes de famílias, que aguardavam na “fila” da casa própria de Companhias habitacionais. Além da vastidão de conjuntos habitacionais, que passaram a predominar na região, cerca de 160 mil pessoas que compõem a chamada “Cidade Formal”, moram em prédios e casas oficializadas; existe também a “Cidade Informal”, formada por favelas e pelos loteamentos habitacionais clandestinos e irregulares, instalados em áreas privadas e que são habitados por cerca de 60 mil pessoas. A Cidade Tiradentes possui, portanto, uma população estimada pela prefeitura de São Paulo de mais de 220 mil habitantes. Para dar um melhor atendimento à população e ao desenvolvimento da região, foi criada a Subprefeitura de Cidade Tiradentes, no ano de 200234. Anteriormente era um distrito que pertencia à Subprefeitura de Guaianases.

Os dados do SEADE (Sistema Estadual de Analise de Dados) 35 apontam para o grande número de jovens na região, aliado à quase inexistência de oportunidades de lazer, baixo índice de escolaridade e pequeno número de empregos. Há também um grande o número de mães adolescentes no local. A região apresenta, índices alarmantes que apontam o grau de discriminação, exclusão, marginalização e falta de espaços e oportunidades de cultura, lazer e esporte. Esta combinação de fatores estaria na raiz do alto índice de criminalidade nesta subprefeitura: a falta de opção, tanto econômico como de ocupação do tempo livre, levaria grande número de jovens à criminalidade. A Cidade Tiradentes, de acordo com dados do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), está classificada entre os principais lugares do município de São Paulo em exclusão social.

A porcentagem de jovens do sexo masculino assassinados é maior que a média da cidade de São Paulo. O maior complexo habitacional da América Latina sofre com a criminalidade. Embora, nos últimos anos venham diminuindo os índices de homicídio no bairro, o tráfico de drogas domina grande parte do complexo, que é dividido por setores, tornando o policiamento muito difícil devido ao grande número de prédios existentes na região, que abrange um total de quase 80% das moradias.

A Cidade Tiradentes é atualmente o bairro periférico que mais cresce em São Paulo. O rápido surgimento e crescimento vieram acompanhados de vários problemas como a falta de transporte, altos índices de mortalidade infantil, altos índices de violência, falta de escolas, de postos de saúde e de hospitais. Embora o desenvolvimento da região e dos serviços públicos tenha apresentado melhorias a partir dos últimos anos, os problemas ainda são gigantes. Para tentar amenizar a realidade, o poder público houve por bem construir o Hospital Cidade Tiradentes, o Parque do Rodeio e duas unidades do CEU - Centro Educacional Unificado -; houve, também, a revitalização de praças, a inauguração de unidades do Programa de Saúde da Família, a construção da Escola Técnica de Saúde Pública de Cidade Tiradentes. Atualmente, o Expresso Tiradentes é uma promessa, entre outras, voltadas para área social.

Segundo dados da fundação SEADE, de 2003, a renda média do chefe de família varia de R$ 505,00 a R$ 1200,00 reais na Cidade Formal e de R$ 200,00 a R$ 500,00 na Informal; o analfabetismo vai de 0 a 10% na Cidade Formal, ao passo que na Informal o índice fica entre 10 e 20%. A média é de seis anos de estudo. Os chefes de domicílio têm entre 35 a 40 anos e dentre eles existe um contingente de 30,8 % de mulheres

35 Órgão do governo do Estado de São Paulo e da Secretaria de Economia e Planejamento, que analisa os

responsáveis por domicílios. Além da grande concentração de famílias de baixa renda, há grande número de desempregados, aonde prolifera fortemente o fenômeno do pentecostalismo. Constantemente, chegam migrantes do Nordeste do país fazendo a experiência da passagem do interior para a metrópole.

Em termos de cultura, lazer e recriação, Cidade Tiradentes não é nenhum exemplo a ser seguido. São Paulo conta hoje com 64 bibliotecas municipais espalhadas pela cidade e nenhuma fica em Cidade Tiradentes, bairro que concentra 220 mil habitantes. O município possui, entre casas de cultura e centros culturais, 16 equipamentos, mas nenhum deles em Cidade Tiradentes. A cidade conta também com 12 casas históricas e museus, nenhuma em Cidade Tiradentes. Os paulistanos contam com 12 teatros públicos, nenhum em Cidade Tiradentes. A exclusão cultural não é maior graças a iniciativa dos próprios moradores.

A identidade dos moradores de Cidade Tiradentes está diretamente ligada ao processo de constituição do bairro, feita sem um planejamento pré-estabelecido, que levasse em conta as necessidades básicas da população. Muitas pessoas e famílias vieram para Cidade Tiradentes em busca da realização do sonho da casa própria, embora boa parte tenha se deslocado a contragosto, na ausência de uma outra opção de moradia. O fato de não terem encontrado no local uma infra-estrutura adequada às suas necessidades e da região oferecer escassas oportunidades de trabalho, fez com que passassem a ter Cidade Tiradentes como “bairro dormitório” e de passagem e não de destino.

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