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5.9 Prioritering og ressurser

Seguindo o paradigma adotado para a análise das Rds de Lula nas capas da revista

Época, passamos a análise dos textos nas capas da revista Veja. É importante ressaltar que,

categorias semânticas, considerando o sentidos manifestados pelas marcas verbovisuais utilizadas co(n)textualmente no gênero de discurso capa de revista.

Não obstante, para efeito de continuação analítico-qualitativa, tecemos comparações dos resultados obtidos da análise das capas da revista Época com os resultados impetrados com descrição e interpretação das Rds de Lula nas capas da revista Veja, dando uma completude à análise do corpus em estudo.

5.4.1 Referenciação e seus modificadores

No que concerne à referenciação, apenas dois elementos são utilizados pela revista

Veja para referenciar o objeto de discurso Lula, a saber: a imagem principal e a nominalização

“Lula”. Nesse sentido, podemos dizer que as Rds de Lula nas capas de Veja são construídas com base nessas duas referenciações. Assim sendo, observemos a recorrência dessas marcas (imagem e denominações) no arcabouço geral das capas em análise.

Quadro 30 – Formas de referenciação do objeto de discurso Lula nas capas da revista Veja

Referenciações Ocorrências Porcentagem

Imagem principal 14 58%

Nominalização “Lula” 10 42%

Fonte: Autor.

Diferentemente das referenciações realizadas nas capas da revista Época em que as nominalizações foram mais frequentes, nas capas de Veja, conforme se pode notar, a maior frequência de formas de referenciação do objeto de discurso Lula se dá por meio da imagem principal, ou seja, em quatorze capas (58%) a imagem se torna responsável por manifestar o tema sobre o qual será veiculada a informação. Desse modo, fica evidente a força da imagem para a construção das Rds do tema tratado, o que também evidência a concordância com os estudos jornalísticos que defendem ser a imagem uma forte aliada do jornalismo de revista. As demais capas, que equivalem a dez exemplares (42%), referenciam o tema tratado pela denominação “Lula”.

Analisemos alguns casos em que a imagem principal funciona como o referente sobre o qual são construídas as proposições-enunciados sobre o tema tratado Lula.

Figuras 18 e 19 – Referenciações de Lula construídas apenas pela imagem principal

Fonte: Revista Veja, edição 1975. Fonte: Revista Veja, edição 2189.

A construção da referenciação em textos verbovisuais permite ao veículo de informação a oportunidade de deixar a imagem “falar” ao interpretante/leitor. Desse modo, a revista Veja faz uso da força argumentativa desse recurso para expressar o seu PdV, o que, por sua vez, demanda um esforço cognitivo maior do interlocutor para chegar ao efeito de sentido pretendido pela representação do participante em foco. Vale mencionar que nas capas de Ve1975 (figura 18) e de Ve2189 (figura 19) não são apresentadas nominalizações que categorizem o objeto de discurso exposto pela imagem principal. Apenas em Ve2189 temos alguns elementos de retomada (ele, dele) e a palavra repetida “presidência” que nos situam sobre o que e sobre quem, co(n)textualmente, a revista trata como tema.

Nas figuras 18 e 19, a revista referencia o tema tratado (Lula) com base em caricaturas do então presidente passíveis de serem compreendidas pela notória dimensão sociocultural que essa figura assume na conjuntura de governança do país. Além de reconhecermos o objeto de discurso focalizado por Veja, os elementos que constroem a imagem principal atribuem a ele o status presidencial, o que pode ser notado pela presença da faixa que o candidato eleito recebe em sua posse. Nos casos em análise, uma gama de efeitos de sentido pode ser atribuída a essa faixa: Lula como presidente da república (figuras 18 e 19); Lula como presidente que não enxerga ou não quer enxergar o que acontece ao seu redor (figura 18); Lula como

representante da justiça, remetendo ao fato de a justiça ser cega, imparcial (figura 18); Lula como eterno presidente (figura 19); Lula como um presidente que não deseja sair do comando do país, mesmo que em uma situação de descanso ou término de seu segundo mandato/reeleição, sentido evidenciado pela faixa em forma de tatuagem na pele do participante caricaturado (figura 19); entre outros. Esses efeitos de sentido remetem a Rds que a revista constrói de Lula por meio da imagem. Acrescente-se a isso o fato de que, por ser uma caricatura, está implicado na imagem um tom humorístico que revela críticas acerca do objeto de discurso referenciado, o que ressalta a pluralidade de sentidos que poder ser evidenciada por meio da leitura verbovisual.

Nesse panorama, é válido mencionar que apenas a revista Veja referencia Lula por meio de imagens que não contém a presença de categorização do objeto de discurso. Mais uma vez, isso revela o caráter multimodal do gênero de discurso capa de revista, bem como a força ilocucionária da imagem para alcançar o propósito comunicativo/interacional da revista que é fazer com que o leitor seja atraído pelo que observa e, por conseguinte, adquira o produto ofertado.

Outrossim, nas capas da revista Veja também encontramos referenciações de Lula que partem da imagem e são categorizadas por nominalizações. Veja recorre a duas formas de categorizar verbalmente esse objeto, são elas: Lula e presidente. Assim como nas capas da revista Época, essas categorizações anunciam linguisticamente o objeto de discurso que é apresentado visualmente, articulando o todo textual no que podemos chamar de cadeia referencial.

Para tanto, apresentamos um quadro geral com a recorrência das nominalizações em que o tema tratado é categorizado como “Lula” e como “presidente”.

Quadro 31 – Referenciações (categorizações e recategorizações) do tema Lula nas capas da revista Veja

Referenciação (categorização) Número de ocorrências Recategorizações Número de ocorrências Lula 24 Presidente 04 Petista 01 Sujeito oculto 01 Grande guia 01 Bobo da corte 01 Pai 01 Político 01 Lulismo 01 Presidente 02 - - Fonte: Autor.

Para ilustrar o papel da imagem como objeto de discurso que é categorizado por essas nominalizações, apresentamos apenas uma das capas em que esse procedimento acontece e, por conseguinte, as proposições-enunciados contidas nas capas que são constituídas em relação a imagem principal. Comecemos pelo uso da categorização do tema tratado como “Lula”.

Figura 20 – Capa de Veja em que a imagem principal é categorizada pela nominalização “Lula”

Fonte: Revista Veja, edição 1760.

Quadro 32 – Categorizações do tema tratado pela nominalização “Lula” nas capas de Veja

Exemplos Enunciados Código

Exemplo 80 Quem vai ser o anti-Lula? CPVe1760

Exemplo 81 Lula voltou dos EUA chamando Bush de aliado SUBVe1782

Exemplo 82 Lula-de-mel CPVe1784

Exemplo 83 Com seu governo paralisado, Lula cai nas pesquisas e ainda

tem de carregar o peso morto do ex-homem forte do Planalto SUBVe1847 Exemplo 84 Com a demissão de José Dirceu, Lula tenta salvar o governo

e sua biografia

SUBVe1910

Exemplo 85 55% dizem que Lula sabia da corrupção SUBVe1913

Exemplo 86 A denúncia do procurador-geral não deixa dúvida: Lula é o

sujeito oculto da “organização criminosa que tinha como objetivo garantir a continuidade do projeto de poder do PT”

SUBVe1952

Exemplo 87 Lula dormiu como o “grande guia” da América Latina e acordou como mais um bobo da corte do venezuelano Hugo Chávez, que tramou o roubo do patrimônio brasileiro na Bolívia

Exemplo 88 O primeiro mandato de Lula foi pífio... SUBVe1981 Exemplo 89 Lula exagera, ignora o stress e tem uma crise de hipertensão

que, como ensinam os médicos, poderia ser evitada

SUBVe2150

Fonte: Autor.

A figura 20 exemplifica o uso da imagem como o objeto de discurso sobre o qual se irão desenvolver os enunciados na capa de revista, tendo como categorização a denominação “Lula”. Observemos que o exemplo 80 constitui o texto verbal em evidência na capa Ve1760, trazendo o nome de Lula associado a um prefixo que modifica o sentido da categorização no texto. Com essa modificação, a revista deixa de focalizar o objeto de discurso para destacar os opositores de Lula – Ciro e Serra. Acreditamos que o diálogo verbovisual explica as escolhas realizadas pela revista para a construção do enunciado “Quem vai ser o anti-Lula?”, isto porque, assim como a imagem de Lula aparece em um segundo plano pela saturação de cores evidenciada no arranjo visual da capa, o entorno discursivo coloca Lula como expectador da disputa pela vaga para o segundo turno, efetivando o sentido da ação de linguagem visada pela revista. Desse modo, as imagens de Ciro Gomes e José Serra são apresentadas como complementares ao propósito da revista, uma vez que um deles será o possível candidato que enfrentará Lula, o que explica o significado do prefixo modificador “anti” ao categorizar Lula como o objeto de discurso no texto verbal. Sendo assim, podemos interpretar esse modificador no sentido de oposição. Nesse sentido, a revista constrói a Rd de Lula como aquele que será desafiado e que terá de vencer um de seus opositores para chegar à presidência da República.

Nos demais exemplos, do 81 ao 89, a revista categoriza o objeto de discurso pela nominalização “Lula”, dando a este a função de âncora para o desenvolvimento do tema tratado, o que nos permite compreender as Rds de Lula com base nas predicações que são construídas em torno do referente.

Outra questão que merece destaque nessa análise é o caso dos exemplos 86 e 87. Neles, há recategorizações da nominalização “Lula”. No exemplo 86, ao tratar de crimes associados ao PT, a revista enuncia, por meio da voz do procurador-geral, a participação de Lula como membro de uma organização criminosa que beneficiaria o PT e daria continuidade ao projeto petista de se manter no governo. Essa interpretação parte da presença da recategorização de Lula como “sujeito oculto”, ou seja, entende-se que, através do contexto, Lula faz parte dessa organização, mesmo podendo não haver marcas de sua presença ou provas que validem a afirmação do procurador-geral.

Em 87 são utilizados mais duas recategorizações: “grande guia” e “bobo da corte”. O contexto do qual emerge a construção da proposição-enunciado remete a uma trama arquitetada pelo presidente boliviano Hugo Chávez para se apossar da refinaria da Petrobras, o maior campo de extração de gás natural da Bolívia. Ao se valer da recategorização de Lula como “grande guia”, a revista ironiza a pretensão de Lula a líder da América Latina, utilizando um tom debochado que é sancionado negativamente pelo sentido construído na proposição-enunciado. Em consequência disso, ao fazer uso da recategorização “bobo da corte” diante da trama de expropriação, a revista atribui ao participante a ideia de palhaço, enganado. Sendo assim, podemos dizer que a revista, amparando-se da ironia, constrói Rds negativas de Lula ao situá-lo co(n)textualmente, permitindo, portanto, observar o referente em um processo de transformação que ocorre pela passagem de “grande guia” a “bobo da corte”.

Das ocorrências evidenciadas, em apenas dois exemplares das capas da revista Veja o objeto de discurso é categorizado como “presidente”. Isso, após ter a imagem principal como referente da ação de linguagem visada pela revista. Vejamos, agora, os casos em que o tema tratado é recategorizado como “presidente” nas capas de Veja.

Figura 21 – Capa de Veja em que a imagem principal é categorizada pela nominalização “Presidente”

Quadro 33 – Categorizações do tema tratado pela nominalização “presidente” nas capas de Veja

Exemplos Enunciados Código

Exemplo 90 O primeiro presidente de origem popular SUBVe1775

Exemplo 91 Os desafios do presidente eleito para unir um país dividido e

fazer o Brasil funcionar SUBVe1980

Fonte: Autor.

O exemplo 90, presente na figura 21, situa-se no período em que Lula foi eleito pela primeira vez como presidente da República, no ano de 2002. Observemos nesse exemplo que o categorizador “presidente” é ladeado por dois modificadores: um no cotexto precedente com o uso do numeral com função de adjetivo “primeiro”; e um no cotexto posterior, constituído pela expressão “de origem popular”, que tem por função especificar e, por conseguinte, complementar o sentido do modificador que o precede. Com isso, a revista representa discursivamente o objeto de discurso Lula como um presidente que modificou, alterou a ordem prototípica dos presidentes brasileiros, devido a sua origem e classe social.

De modo decisivo, a relação imagem e texto contribui para a construção da Rd de Lula como um presidente que altera o panorama histórico, isto porque, conforme podemos notar no exemplar Ve1775 (figura 21), Lula aparece segurando a bandeira do Brasil e portando na expressão facial um sorriso que demonstra a sua satisfação em ter sido eleito para a presidência. Ademais, a chamada principal “Triunfo histórico” ressalta o valor da vitória no contexto republicano brasileiro. Esse triunfo é ainda revalidado pelo subtítulo na parte superior da capa que apresenta Lula na condição de “primeiro presidente de origem popular”, ou melhor dizendo, um vitorioso que quebra o paradigma de presidentes de origens e classes sociais mais abastadas.

Por se tratar de uma proposição-enunciado de caráter nominal (exemplo 90), ao referente “presidente” não pode ser atribuído um papel temático. Por seu turno, no exemplo 91, a categorização do objeto de discurso Lula como “presidente” – núcleo do sintagma nominal “Os desafios do presidente eleito” – pode ser entendida pelo papel temático de alvo/paciente, isto é, na proposição-enunciado o tema tratado é exposto pelo locutor como o indivíduo que é afetado pela ação. Além disso, essa categorização também é modificada pelo adjetivo “eleito”, construindo a Rd do tema tratado como aquele que foi vitorioso mais uma vez, haja vista ser o texto dessa capa representativo da reeleição de Lula à presidência no ano de 2006. Todavia, a revista coloca o resultado dessa eleição como um desafio para o presidente, uma vez que, segundo Veja, o país ficou dividido e demanda de Lula esforços para uni-lo.

Ainda no que diz respeito à referenciação, vale observar o papel linguístico do referente Lula nas proposições enunciadas pela revista Veja. Vale mencionar que parte dos enunciados que tem Lula como categorização do referente já foram discutidos na análise da relação verbovisual de construção da referência e, por esse motivo, incluímo-los no quadro geral, mas, priorizamos para discussão as proposições-enunciados que ainda não foram descritas e interpretadas.

Das vinte e quatro manifestações de Lula como categorização do tema tratado, apenas uma assume a função sintática de adjunto nominal, o que não implica em um papel temático acerca do objeto de discurso linguisticamente textualizado por Veja, qual seja: O “Ronaldinho” de Lula (CPVe1979). As demais, vinte e três ocorrências, apresentam o participante como sujeito ou núcleo do sujeito nas proposições enunciadas por Veja. Observemos o quadro a seguir com alguns exemplos de proposições-enunciados em que o objeto de discurso aparece categorizado como Lula na função de sujeito40.

Quadro 34 – Referenciações de Lula na função de participante sujeito nas capas de Veja

Exemplos Enunciados Código

Exemplo 92 Porque Lula assusta o mercado CPVe1752

Exemplo 93 Lula vai a César CPVe1781

Exemplo 94 Com seu governo paralisado, Lula cai nas pesquisas e ainda tem de carregar o peso morto do ex-homem forte do Planalto

SUBVe1847

Exemplo 95 Com a demissão de José Dirceu, Lula tenta salvar o governo e sua biografia

SUBVe1910

Exemplo 96 55% dizem que Lula sabia da corrupção SUBVe1913

Exemplo 97 Quando e como Lula foi alertado SUBVe1914

Exemplo 98 Sem ação diante do escândalo que devorou seu partido e paralisou seu governo, Lula está em uma situação que já lembra a agonia da era Collor

SUBVe1917

Exemplo 99 A denúncia do procurador-geral não deixa dúvida: Lula é o sujeito oculto da “organização criminosa que tinha como objetivo garantir a continuidade do projeto de poder do PT”

SUBVe1952

Exemplo 100 Lula dormiu como o “grande guia” da América Latina e acordou como mais um bobo da corte do venezuelano Hugo Chávez, que tramou o roubo do patrimônio brasileiro na Bolívia

SUBVe1955

Exemplo 101 Lula exagera, ignora o stress e tem uma crise de hipertensão que, como ensinam os médicos, poderia ser evitada

SUBVe2150

Fonte: Autor.

40 Nessa análise damos destaque às proposições-enunciados em que o participante é sujeito e núcleo do sujeito ao mesmo tempo, haja vista as situações em que ele não aparece como núcleo do sujeito fazerem referência a subtemas associados ao objeto de discurso.

A revista Veja ao expressar o seu PdV em relação ao tema tratado, constrói Rds de Lula, atribuindo-lhe papeis temáticos que estão diretamente relacionados a ações ou estados do participante tematizado na função de sujeito. Assim sendo, podemos depreender quatro papeis temáticos realizados pela referenciação “Lula”, são eles: agente, alvo/paciente, beneficiário e experienciador.

No exemplo 92, Lula assume o papel temático de experienciador, uma vez que o processo “assusta” permite compreender o estado psicológico atribuído pela revista ao participante. Nesse caso, não se trata de Lula ter a consciência de que ele assusta o mercado, mas, sim, como a revista o vê no contexto da economia e administração brasileira.

Assumindo outro papel temático atribuído pela revista ao objeto de discurso Lula, temos o papel de alvo/paciente com quatro ocorrências, conforme se pode observar nos exemplos 94, 96, 97 e 99. Com isso, a revista constrói Rds de Lula como um participante afetado pelos acontecimentos do seu governo: a paralização de seu governo o faz cair nas pesquisas (exemplo 94); conhecedor de casos de corrupção (exemplo 96); indivíduo que precisa de informação (exemplo 97); e, integrante de uma organização criminosa que beneficiaria o seu partido (exemplo 99). Essas interpretações são possíveis pelo entorno discursivo que circunda a construção textual das proposições-enunciados, nas quais, além da voz da revista Veja, outras vozes são trazidas pelo veículo de informação para expressar o PdV sobre o tema tratado, a saber, as vozes de indivíduos que participaram de pesquisa divulgada pela revista (exemplo 96) e a voz do procurador-geral (exemplo 99).

Vale lembrar que identificamos o papel temático do participante nas proposições pelo sentido que o sujeito tem na relação com o processo que constitui o enunciado (ILARI, 2009). Desse modo, ao inscrever Lula como aquele que pratica a ação, a revista apresenta situações realizadas pelo participante que estão diretamente ligadas a sua forma de governar.

Em 93, por exemplo, Veja comenta o encontro de Lula com George Bush, comparando este a César, o que sinonimicamente rotula Bush de Imperador. Ao fazer isso, e com base no processo “vai”, constrói-se de Lula a Rd de um político que se desloca até outro com vistas a construir alianças governamentais, negociações, que servirão ao desenvolvimento do país. Tais interpretações advêm da relação verbovisual que é construída pela cadeia referencial na capa da revista Ve1781. Vejamos:

Figura 22 – Contribuições da verbovisualidade para a interpretação dos sentidos na cadeia referencial

Fonte: Revista Veja, edição 1781.

Nota-se que a revista prioriza a imagem de Bush, figurativizado pelas roupas como sendo o Imperador, e dispõe a fotografia de Lula em um segundo plano, destacando o propósito de sua ida ao encontro do presidente americano, uma vez que esse encontro pode vir a “definir o tipo de nação que o Brasil será”, conforme anunciado no subtítulo. Mencione-se, ainda, que o referido encontro aconteceu antes de Lula tomar posse como presidente, o que possibilita a interpretação de que o candidato eleito a presidência do Brasil já começava a se articular com líderes de outros países para o desenvolvimento do seu pleito.

Adicionalmente, o exemplo 81 do quadro 32 – “Lula voltou dos EUA chamando Bush de aliado” –, tem o participante Lula como agente e, nesse enunciado se concretiza os efeitos de sentido obtidos da interpretação de Ve1781, haja vista a noção de parceria consolidada entre os presidentes, dado o retorno de Lula ao Brasil. O processo “voltou” e a substantivação do processo “chamar” dão-se como pistas para se chegar a Rd de Lula como aliado, isto porque, a qualificação atribuída a Bush pela forma como Lula o classifica (aliado) funciona como caracterização do próprio referente na proposição-enunciado.

No exemplo 95, a revista Veja também atribui a Lula o papel temático de agente, posto que, diante de um contexto de corrupção que implicou no pedido de demissão por parte de José Dirceu, então Ministro-Chefe da Casa Civil, e que impactou diretamente na imagem do

presidente Lula, a revista apresenta Lula como prejudicado pelos acontecimentos. Todavia, o processo “tenta salvar”, presente no enunciado, constrói a Rd do participante como alguém que tenta corrigir os agravos, consertar os danos que tais acontecimentos geraram ao seu

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