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8. Økologisk systemperspektiv

9.1. Prioritering av tiltak

Para a análise do material coletado ao longo da pesquisa de campo, realizamos um estudo das informações produzidas no âmbito dos trabalhos do grupo e das entrevistas. Todo o material coletado foi transcrito por nós mesmos para constituir o corpus da análise através de um processo cuidadoso de escuta no qual atentamos em passar para o papel as falas dos sujeitos com o maior nível de detalhamento possível, considerando não só as palavras emitidas, mas também as pausas, interrupções, respirações e outras inferências. Após a transcrição, trabalhamos o conteúdo através de categorizações temáticas estabelecendo diálogo com os referenciais teóricos da pesquisa.

Para a análise do corpus construído trabalhamos com a Análise do Discurso (AD), pois acreditamos que esta consiste na mais adequada das formas de análise para o objeto em questão uma vez que não se prende à compreensão e apreensão do conteúdo do texto, mas buscar nele as suas próprias condições de produção.

A AD visa fazer compreender como objetos simbólicos produzem sentidos, analisando assim os próprios gestos de interpretação que ela considera como atos no domínio simbólico, pois eles intervêm no real do sentido. A AD não estaciona na interpretação, trabalha nos seus limites, seus mecanismos, como parte do processo de significação. Também não procura um sentido verdadeiro através de uma "chave" de interpretação. Não há esta chave, há método, há construção de um dispositivo teórico. Não há uma verdade oculta atrás do texto. Há gestos de interpretação que o constituem e que o analista, com seu dispositivo, deve ser capaz de compreender. (ORLANDI, 2005, p. 26).

A AD tem sido muito utilizada por ter se mostrado adequada para o trabalho com dados qualitativos, principalmente quando se trata de identificação de relações de poder permeadas por mecanismos de dominação ideológicos expressos na linguagem que por ela é compreendida como “[...] constitutiva de realidade e um instrumento para atuarmos sobre o mundo, inclusive sobre nossos semelhantes.”

(GRACIA, 2004, p. 41). Para a AD, a linguagem não está submersa na cabeça dos sujeitos, mas evidente no mundo em toda sua exterioridade. Portanto, não pode ser compreendida apenas como uma descrição de nós mesmos ou da realidade em que vivemos uma vez que ela também a constitui.

Essa compreensão é fundamental para nossa pesquisa uma vez que trabalharemos com os discursos dos sujeitos compreendendo-os não como algo que emana do interior de uma subjetividade atomizada, mas como algo que se articula a partir de um conjunto de condições que permitem as práticas. Compreender o discurso no âmbito da realização de práticas discursivas nos faz entender que o ato de falar não se reduz a exteriorização de um pensamento ou a descrição de uma realidade, pois falar é também uma prática, é fazer algo, ou seja, é também “criar aquilo de que se fala, quando se fala.” (IÑIGUEZ, 2004, p. 95). Portanto, corroborando com Foucault (1972), podemos dizer que o discurso é mais que um conjunto de enunciados, pois ele em si constitui uma prática e, como qualquer outra prática social, é possível definir suas condições de produção.

O discurso, assim concebido, não é a manifestação, majestosamente desenvolvida, de um sujeito que pensa, que conhece, e que diz: é, ao contrário, um conjunto em que se podem determinar a dispersão do sujeito e sua descontinuidade consigo mesmo. É um espaço de exterioridade em que se desenvolve uma rede de lugares distintos. (FOULCAUT, 1972, p. 70).

O discurso é aqui compreendido como um conjunto de práticas linguísticas capazes de promover e manter relações sociais. Nesse sentido, sua análise consiste em estudar como essas práticas se realizam no presente evidenciando o poder da linguagem como constituinte da realidade social. Todo discurso é produzido dentro de um contexto ao qual Foucault (1972) denomina de

formação discursiva e que se constitui como uma articulação reguladora dos

discursos ao definir a circulação de determinados enunciados em detrimento de outros, em última instância, é ela quem prescreve o que deve ser posto na prática discursiva para que essa se refira a esse ou àquele objeto.

Por sistema de formação, é preciso, pois, compreender um feixe complexo de relações que funcionam como regra: prescreve o que deve ser relacionado, em uma prática discursiva, para que esta se refira a tal ou qual objeto, para que ponha em jogo tal ou qual enunciação, para que utilize tal ou qual conceito, para que organize tal e qual estratégia. Definir em sua individualidade singular um sistema de formação é caracterizar um discurso ou um grupo de enunciados pela regularidade de uma prática. (FOUCAULT, 1972, p. 92).

É nesse sentido que nossa perspectiva não é a de compreender os discursos como meros conjuntos de signos, mas como práticas que formam os objetos dos quais falam. Desse modo, nos afastamos da concepção de que os discursos servem apenas como suporte das representações ou se configuram como um simples ponto de vista, pois o compreendemos como um dispositivo de construção de sentido. Por isso, a análise aqui empreendida buscará não se limitar a encontrar as representações que estariam submersas nas teias do discurso, mas identificar as formações discursivas da qual emanam e compreender como as práticas discursivas mobilizam forças e produzem representações capazes não só de falar sobre os objetos, mas também de constituí-los.

2 CAMINHO DAS ÁGUAS