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Prinsippnote til årsregnskapet

In document Årsrapport 2016 (sider 65-76)

Ao longo dos últimos anos a maioria das empresas de comunicação têm vindo a adaptar-se a uma série de inovações tecnológicas que alteraram significativamente as suas práticas de trabalho. Com efeito, os meios de comunicação começaram por implementar algumas mudanças e novos hábitos, muitas vezes sem uma clara orientação daquilo que seria mais certo fazer, sem calcular riscos ou benefícios, tomando decisões sem qualquer tipo de experiências provadas ou consolidadas (Cabrera, 2013). Desta forma, a emergência de novas ferramentas, destacando a internet como a mais revolucionária de todas elas, transformou a convergência mediática num novo campo de investigação uma vez que este conceito está visivelmente ligado às novas especificidades dos meios de comunicação.

Começamos por isso por tentar explicar o conceito de convergência. Usamos o termo “tentar” porque este é ainda um termo que possui diversas interpretações, levando a que vários investigadores abordem o tema da convergência de formas bastante diferentes. Assim, trata-se um conceito que não reúne consenso, sendo que Jenkins (2008) é um dos investigadores que procura dar uma definição mais ampla ao termo, definindo convergência como:

Con «convergencia» me refiero al flujo de contenido a través de múltiples plataformas mediáticas, la cooperación entre múltiples industrias mediáticas y el comportamento migratorio de las audiências mediáticas, dispuestas a ir casi a cualquier parte en busca dei tipo deseado de experiencias de entretenimiento. «Convergencia» es una palabra que logra describir los cambios tecnológicos, industriales, culturales y sociales en función de quienes hablen y de aquello a lo que crean estar refiriéndose (Jenkins, 2008, p. 14).

Percebemos assim que Jenkins (2008) acredita que a convergência deve ser analisada em três grandes setores: distribuição de informação para multiplataformas, cooperação entre diferentes empresas e migração e comportamento das audiências. Já Salaverría (2003) afirma que apesar de a convergência ser um tema bastante investigado e falado continua a ser “un concepto esquivo, con características difusas” e por isso defende que se deve fazer uma análise dividida em quatro pontos: convergência de conteúdos, tecnológica, empresarial e profissional. Tendo em conta as propostas destes diferentes investigadores, aquela que mais interessa abordar na presente dissertação de mestrado é a de Salaverría (2003), uma vez que o autor inclui na sua investigação o conceito de “convergência de conteúdos”. Entendemos que esta seja a conceção de convergência mais pertinente a tratar porque é a que melhor retrata algumas das transformações notadas nos diferentes meios de comunicação.

Desta forma, e para abordarmos de forma mais correta as alterações observadas nos vários meios de comunicação torna-se importante esclarecer que só é possível falar em convergência

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quando o “produto final é um conteúdo com características únicas (Canavilhas, 2012a, p. 9) ”. Ou seja, existe de facto uma necessidade de adaptar os conteúdos às características dos dispositivos de receção e se isso não acontece podemos estar a falar então no processo de remediação. Além disso, Canavilhas (2012a) reitera que só é possível verificar um processo de convergência através da existência de conteúdos com linguagens específicas adaptadas ao meio se “nos campos situados a montante se tenham verificado as restantes convergências”. Assim, podemos definir remediação como o processo de renovação de antigos conteúdos realizado pelos novos media. Quer isto dizer que, estes renovam os conteúdos dos velhos meios de comunicação criando, por isso, uma ligação entre novos e velhos meios.

O processo de remediação pode ocorrer de duas formas distintas: se falarmos no caso dos meios digitais, o nível de remediação pode ser considerado baixo se apenas existir uma pequena melhoria em relação ao meio antecessor e se se mantiverem algumas das suas características. Porém, o nível de remediação é mais notório se o novo meio digital tentar absorver completamente o anterior. Bolter e Grusin (1999) citados por Logan (2010, p. 5) afirmam que o velho e o novo meio se “remedeiam” e “renovam” mutuamente: “What is new about new media comes from the particular ways in which they refashion older media and the ways in which older media refashion themselves to answer the challenges of new media”.

No que diz respeito aos conteúdos Bolter e Grusin (1999) defendem que os conceitos de convergência e remediação são idênticos. No entanto, Canavilhas (2012a, p.9) não está de acordo com esta prespectiva e considera que existe de facto uma diferença:

(…) enquanto a convergência implica necessariamente uma nova linguagem que integre os conteúdos anteriores, a remediação pode ser uma acumulação de conteúdos de diferentes origens distribuídos numa mesma plataforma. Nesse sentido, a convergência é sempre uma remediação, mas nem todas as remediações podem ser consideradas uma convergência porque esta última implica integração e não uma mera acumulação de conteúdos.

São vários os livros que retratam a história dos mass media e todos eles fazem referência aos períodos de indefinição por que cada novo meio passa até assumir uma série de características próprias. Castells (2004) afirma que uma das dificuldades iniciais dos media foi o facto de a internet se tornar ela própria um meio de comunicação: “De facto, em vez de convergir com os media, a Internet está a afirmar o seu caráter especifico como meio de comunicação (Castells, 2004, p. 236).” A internet apresenta uma série de características únicas e distintas dos outros meios o que faz com que seja difícil “competir” com a mesma. De acordo com o autor “a Internet é (…) um meio de comunicação, com a sua própria lógica e linguagem. Mas não está circunscrita a uma área específica da expressão cultural. Atravessa-as todas (ibid., p. 236).”

Por outro lado, Castells (2004) afirma que a pouca largura de banda também contribuiu para a fraca convergência inicialmente registada. A televisão foi o meio de comunicação mais afetado neste aspeto pois mesmo que as estações televisivas procurassem investir nos seus sites publicando vídeos ou fazer transmissões em direto, a maioria dos utilizadores não iria ser capaz de os ver. Tal como assevera o autor “ (…) no início deste novo século não havia nenhum sistema de comunicação instalado com capacidade para suportar uma transmissão de vídeo em grande escala através da Internet (ibid., p. 227).”

Contudo e apesar das dificuldades iniciais os media foram-se adaptando a novas realidades e o facto de surgirem novos meios não levou ao desaparecimento de nenhum dos anteriores. O advento da rádio e da televisão não ditaram o fim da imprensa, assim como o aparecimento da internet não ditou o fim dos outros três meios, os quais ainda assim, tiveram que se reinventar e aceitar o crescimento da mesma, assistindo também à migração dos seus públicos para a rede.

Neste sentido, a emergência da internet fez com que ficassem mais percetíveis os processos de remediação e, nos dias de hoje, não há praticamente nenhum meio de comunicação dito tradicional que não possua uma versão online ou que não tenha adotado algumas particularidades da Web. “Newspapers have Web sites that use audio and video forms of information and broadcasters have Web sites that make use of text (Logan, 2010, p. 58).” Atente-se que é importante relembrar que numa fase inicial os media começaram por misturar os conteúdos dos seus antecessores, sendo por isso um processo de remediação, e só mais tarde estabeleceram uma linguagem própria, pelo que já poderíamos falar numa convergência. Segundo Cabrera (2013, p. 18):

El futuro de los medios depende de su apuesta por el desarrollo de su negocios en las múltiples plataformas de comunicación y de su capacidad de adaptación a las necesidades de la sociedad. (…) Precisamente, porque el futuro de la comunicación sigue siendo digital, los cibermedios y los médios tradiconales o analógicos se esfuerzan por encontrar el mejor modo de recorrer su proprio caminho tal y como ha ocurrido com los que han iniciado algún proceso de convergencia en los últimos años.

Explicitados os conceitos de convergência e remediação é fundamental perceber de que forma é que os mesmos se podem aplicar ao meio de comunicação estudado na dissertação. Com efeito, sabendo que o processo de convergência não tem sido fácil para nenhum dos três principais meios, a presente investigação centra a sua análise na rádio. Assim, no que diz respeito a este meio, a grande mudança observada deve-se à questão da interatividade. Se antigamente os ouvintes só podiam participar através de cartas ou chamadas telefónicas, agora fazem chegar a sua opinião de forma muito mais rápida e pratica através das redes sociais.

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Inicialmente a presença da rádio na internet foi muito parecida à da imprensa pois utilizavam essencialmente fotos e textos. Desta forma, foram registadas desde o começo nas páginas

online diferenças em relação à sua versão tradicional. Mais tarde, o facto de nessas plataformas

podermos participar mais ativamente, ver vídeos, ler algumas informações sobre os locutores e os programas/rubricas, ouvir programas que já foram para “o ar” anteriormente, entre outras possibilidades, fez com que o formato tradicional de rádio tivesse um reconhecido concorrente direto. De acordo com Canavilhas (2012a), esta ideia de concorrência permite-nos falar num processo de remediação mais avançado, “ (…) a ponto de se poder falar mesmo em convergência.”

Gustavo Cardoso, presidente do Observatório da Comunicação (Obercom) citado por Gomes (2010), afirma que a rádio é o meio que tem obtido mais sucesso na migração para o online. O presidente da Obercom vai ainda mais longe ao afirmar que a Web nunca representou uma ameaça para a rádio, pelo contrário tem incitado a sua revitalização. De acordo com Gomes (2010, p. 74) um estudo executado pelo Observatório da Comunicação e divulgado em 2010 concluiu que a rádio foi o meio de comunicação que “mais conseguiu misturar as suas características inatas com aquelas oferecidas pela internet” e mesmo na sua versão online a rádio mantém a sua principal característica de ser “uma companhia para quem a ouve (ibid.).” Tal como já foi referido a cima a nova hipótese de interação foi a grande mudança registada na rádio e em Portugal não foi diferente. As rádios portuguesas permitiram aos seus ouvintes um maior nível de participação com a criação de redes sociais e sites. Essa mesma participação, registada maioritariamente em plataformas como o Facebook e o Instagram, desempenha um papel fundamental nos programas de animação, sendo que também é importante referir que a grande aposta das rádios portuguesas passa essencialmente pela multimedialidade, oferecendo conteúdos idênticos aos da TV, como as entrevistas e rubricas em forma de vídeo.

Conforme Canavilhas (2012a, p. 15):

(…) a rádio na Web portuguesa também apresenta marcas de convergência. No caso da TSF nota-se a utilização do som como complemento ao texto, substituindo as citações por ficheiros áudio (Rms). Infelizmente este formato ainda é pouco utilizado: o mais habitual é a oferta da notícia integral em texto e em som, sendo neste segundo caso a versão transmitida na emissão hertziana.

Para concluir e depois de feita esta análise podemos dizer que a rádio foi o meio de comunicação que melhor soube aproveitar as novas características proporcionadas pela internet, nomeadamente a interatividade. Porém são muitas as rádios que ainda têm um longo caminho a percorrer no que toca à convergência. Segundo Canavilhas (2012a), em Portugal os “jornais, rádios e televisões continuam a evoluir num percurso de remediação, havendo poucos exemplos de convergência de conteúdos.”

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Cap. II- Entre o passado e o presente: a

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