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Os resultados das variáveis ambientais (temperatura, humidade, luminosidade e amoníaco) e da qualidade da cama encontram-se representados na tabela 12 e nos gráficos 1 a 4.

Tabela 12 - Resultados da avaliação semanal das variáveis ambientais e da qualidade da cama.

Temp. – temperatura; Hum. – humidade; Lumin. – luminosidade; Amon. – amoníaco; Mín. – mínimo; S1 – primeira semana; S2 – segunda semana; S3 – terceira semana; S4 – quarta semana; S5 – quinta semana; S6 – sexta semana; Máx. – máximo; Dp – desvio-padrão.

Em geral, a humidade é uma variável que demonstra uma distribuição média em torno dos 70%, limite máximo aconselhável, com um ligeiro aumento na segunda metade do

Média ± Dp Mín. S1 S2 S3 S4 S5 S6 Máx. Temp. 16,9 28,2±2,5 26,6±2,5 25,6±1,4 24,5±1,8 21,8±1,9 19,5±2,1 33,1 Hum. 44,0 67,0±9,4 69,8±8,5 69,2±7,7 70,3± 7,9 71,5±7,3 76,0±11,8 91,3 Lumin. 0,0 36,9±26,1 22,6±11,8 15,8±11,3 12,7±9,7 14,1±9,9 21,6±16,1 129,0 Amon. 0,0 0,0±0,0 4,4±6,2 7,7±7,9 5,4±6,8 4,9±8,4 8,2±11,5 31,0 Cama 0,0 0,1±0,3 0,4±0,8 0,9±1,4 1,0±1,3 1,2±1,2 1,6±1,5 4,0

Gráfico 1 - Variação semanal do amoníaco

ao longo do ciclo produtivo.

Gráfico 2 – Variação semanal da humidade

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ciclo. No entanto, verificou-se uma grande dispersão de valores que podem ir, na maioria dos casos, desde os 50% aos 85%. Quase metade das explorações mantém a humidade abaixo dos 70% durante a primeira metade do ciclo (gráfico 1), o que pode ser explicado pela simultaneidade da presença da cama seca nesse período e na, consequente, facilidade de manutenção de níveis mais baixos daquela. A realização deste estudo coincidiu com a estação do inverno, portanto a humidade exterior variou muito e apresentou valores elevados, o que pode ter condicionado os resultados. Em relação ao amoníaco (gráfico 2), quase todas as explorações cumprem o limite máximo de 20 ppm, ao longo de todo o ciclo produtivo. Além disso, pelo menos 75% das explorações mantêm-se abaixo dos 10 ppm, limite a partir do qual, segundo a bibliografia, começam a desenvolver-se lesões na superfície do pulmão e aumenta a suscetibilidade para problemas respiratórios (EFSA, 2012). Em estudos realizados em explorações inglesas, o amoníaco também apresentou, em média, um valor baixo (Haslam, 2008). No entanto, destacam-se negativamente casos isolados em que o valor do amoníaco ultrapassou os 25 ppm, limite estabelecido por vários países como o Reino Unido e a Suécia como sendo prejudicial não só para as aves mas também para os seres humanos (HSUS, 2013). Isto revela que, atualmente, em algumas explorações portuguesas, pode existir risco de ocorrência de problemas de saúde ocupacional. A concentração de amoníaco varia bastante com o momento exato em que é efetuada a medição, pois uma taxa de ventilação mais elevada pode levar à ocorrência de resultados mais baixos do que aqueles que se registariam na maioria do tempo dentro do pavilhão. A prévia marcação das avaliações pode ter motivado os produtores a aumentarem a ventilação, o que pode ter estado na origem dos baixos teores de amoníaco obtidos.

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Gráfico 3 - Variação semanal da temperatura

ao longo do ciclo produtivo.

Gráfico 4 - Variação semanal da luminosidade

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Em relação à luminosidade, verificou-se um decréscimo de intensidade média até à quarta semana, voltando a aumentar nas duas últimas semanas do ciclo (gráfico 3). Na maioria do ciclo, os dados não se distribuem simetricamente, apresentando ainda uma grande variabilidade. Destaca-se que, principalmente, a partir da segunda semana do ciclo produtivo, a percentagem de explorações que não cumpre o limite mínimo de intensidade estipulado na lei (20 lux) aumenta bastante, podendo chegar aos 75%. Comparativamente aos resultados deste estudo, Bock & De Jong (2010) observaram um valor médio de luminosidade mais elevado nas explorações italianas (76,2 lux) e menor nas explorações holandesas (7,5 lux) (Bock & De Jong, 2010) e inglesas (5,3 lux) (Haslam, 2008). A maior intensidade de luz registada nas explorações italianas pode estar relacionada com o fato desse estudo ter sido realizado em maio e junho, enquanto o presente estudo foi realizado nos meses de inverno, onde a intensidade de luz natural é menor, influenciando a luminosidade das explorações que, em parte, dependem da luz natural.

Como era espetável, nas primeiras semanas foram registados os valores mais elevados de temperatura que foram diminuindo, gradualmente, ao longo do ciclo produtivo (gráfico 4). Destaca-se a prática de temperaturas demasiado baixas na primeira e segunda semanas, em metade das explorações, o que prejudica o BEA e o crescimento dos frangos na fase mais crítica de desenvolvimento (Ross, 2009; Cobb, 2013). O registo de temperaturas demasiado baixas pode ter sido devido à baixa capacidade económica dos produtores, que necessitam de controlar os custos de produção, nomeadamente no aquecimento, ou ainda ao fato do estudo ter ocorrido no inverno, estação do ano em que a temperatura exterior é baixa, o material usado no aquecimento se encontra mais húmido e, consequentemente, a temperatura produzida é mais baixa. Existe uma grande dispersão

dos valores da temperatura, sendo a segunda semana o caso mais crítico, no qual se observa um intervalo de mais de 10ºC de diferença.

Em relação à qualidade da cama (gráfico 5), de um modo geral, todas as explorações apresentaram cama seca no primeiro terço do ciclo produtivo e, a partir daí, verificou-se uma dificuldade gradual em manter a qualidade da cama no grau 0 e 1, uma vez que se observaram mais explorações com

Gráfico 5 - Variação semanal da qualidade da

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camas húmidas. Tal facto pode ser justificado com a crescente eliminação de fezes, o que vai deteriorar o estado da cama, tornando-a mais húmida. Destaca-se positivamente que, de uma forma geral, metade das explorações conseguiu manter a cama seca (grau 0 e 1), qualidade que foi mantida durante todo o ciclo produtivo. Bock & De Jong (2010) obtiveram a pontuação média de 3,9±0,1 em explorações holandesas e 2,5±0,2 em explorações italianas, revelando valores médios superiores a 1,6±1,5, valor obtido nas explorações portuguesas estudadas. As explorações holandesas foram avaliadas no último dia da sexta semana do ciclo produtivo e as explorações italianas durante a sétima semana, o que pode justificar em parte os piores resultados obtidos comparativamente com as explorações deste estudo.

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