• No results found

Principle operational parameters in electromembrane extraction

1 [Ms.] Lisboa, 24 de abril [1932?]

Sua Casa — Rua Maestro Ant. Taborda 6

Meu Exmo. e bom Amigo.

Encarrega-me o meu irmão Henrique duma incumbencia para si. Diz êle ter o meu amigo guardado em tempos — já lá vão 10 anos — o unico exemplar manuscrito dum livro dêle. “ Poemas dum Doido”. Diz o Henrique: “era de tal maneira desiquilibrado que o Pascoaes entendeu por bem guardá-lo para evitar que eu, levianamente, o publicasse”.

Pergunta êle se o meu amigo conserva êsse manuscrito, pois não o perdeu certamente ou inutilizou, e, em caso afirmativo muito lhe agradeço o obsequio de mo deixar vir às mãos, embora provisoriamente, para que possâmos tirar uma cópia.

Ele não lhe escreveu directamente nêste sentido por não saber como o Pascoaes receberia a sua carta, visto ter-lhe escrito há um ano sobre o S. Paulo e nunca ter recebido a menor resposta.

Isto diz-me ele em desabafo e não para lho transmitir, mas eu não acho inconveniente em o levar ao seu conhecimento, dada a vossa culta amizade que malentendidos não devem quebrar.

Fico aguardadando com o maior interesse o favor da sua resposta.

Com os meus respeitosos cumprimentos para sua Mãe e minha Senhora e suas Irmãs, creia-me seu amigo dedicado e grande admirador

1 [Ms.] [Tb.] Bilhete Postal Biblioteca Nacional

Meu caro amigo, Lisboa, 15 Maio 1924

Recebi o seu livro. Muito e muito obrigado. Tenho relido algumas das suas belas poesias.

É preciso remontar a Camões para se encontrar um lirismo assim. A Elegia é uma das dez ou doze poesias mais belas de toda a literatura portuguesa, e uma das melhores na poesia de todo o mundo. Muito tinha a dizer-lhe, mas prefiro continuar a reler o seu livro.

Seu amigo do coração e admirador Raúl Proença

2

[Ms.]

Meu querido Pascoaes: Espinho,

4 de Outubro, 1926

Venho encantado, vimos encantados com a sua recepção, com a sua Família, com a sua longa casa senhorial, com êsses sítios, onde se não me dava morrer, e onde quisera viver a ver êsse Tâmega, com essa

igrejinha de Gatão, que eu escolheria para me converter ao catolicismo, se pudesse.

Com essas fontezinhas do silêncio que despertam tanto silên- cio na alma — quer dizer, tanta recordação. E o Marão por cima de tudo, por sôbre os vales de lágrimas e de nevoeiro, tão terno e imperturvável, tão olímpico!

Sua Mãe (eu não cometo a barbaridade de pôr aqui um Exma) parece-me de outras eras. Eu diria antes que era uma Irmã. Sua vida, que alegria, que admirável disposição! Encantou-nos. Sua Irmã (a outra irmã) pareceu-me cheia de curiosidade, atenta à vida interior. E a pequenita pareceu-me de assombro. Julgava que só nos romances havia seres assim, predestinados à dedicação.

Enfim, o seu solar é um encanto. Não vimos de uma viagem, vimos de uma descoberta. Abraça-o, abraçámo-los por tudo o que por nós fizeram, e por tudo o que nos revelaram.

Estou aqui até ao fim do mês. Dê um salto até cá. E nos fins de Outubro lá iremos até Bragança, com o nosso querido Raúl Brandão, que eu também estimo como a um irmão mais velho, acima — devo declarar-lhe — de todos os outros, mesmo dos meus amigos mais íntimos. A estes liga-me a amizade, a estima, a confraternidade, a admiração. A êsse Brandão liga-me uma simpatia profunda, que está para além da literatura.

O meu amigo mande sempre. O seu velho amigo e admirador, Raúl Proença

Minha mulher pede muitos cumprimentos para todos os seus e testemunha-lhes a sua alegria por os ter conhecido. (..?)

O homem de Penafiel não apareceu senão tarde, coitado. De maneira que eu, farto de esperar, pus-me a caminho, e dei volta a Penafiel sempre sózinhos.

R. Proença.

3

[Ms.] Meu caro Teixeira de Pascoaes:

12 de Março 1927

Um grande abraço. Muitos agradecimentos pelos seus favo- res.

da borrasca militar passar, se o Júlio Dantas deixar de fazer parte das Bibliotecas e Arquivos. Não admito que o Inspector das Bibliotecas assista impassível às calúnias do relatório do Fidelino. Ou protesta, ou se cala, e solidariza então com o acusador. Neste caso não cumpria o seu dever de inspector. Por mim, digo-lhe que, se êle continua a guardar o silêncio, sou absolutamente, incompatível com S. Exª na organização das Bibliotecas.— Diga também ao Raúl Brandão que estou a acabar o meu «relatório» sobre o Fidelino. Se fôr publicado, como deve ser (pois não há nele a mais simples alusão política), deve ser esmagador para o patife. Devo dar ao diabo a cartada. A tareia dos tipógrafos é uma coisa idílica ao lado da argumentação errada em que provarei que ele é um miserável e um caluniador.

Nem tudo são agruras na vida. Temos sido aqui muito bem tratados pela parte das letras e da élite. Mas a maior revelação para mim foi a de uma poetiza de 13 anos, filha dos historiadores (pai e mãe fazem história) Ballestéros, que atinge já em certas composições uma fôrça de emoção e de pensamento extraordinários na sua idade. Peço-lhes para publicarem a que segue na Ilustração ou na Seara Nova, porque é inédita. Vários escritores têm querido publicá-la aqui; mas a autora sofre actualmente uma inovação no gosto, e nunca o consentiu, por maiores que tenham sido os esforços empregados. Foi uma deferência especial pelo português que a levou a autorizar-me a sua publicação. Vi-a apenas uns dois minutos. Troquei com ela só cinco ou seis palavras, rigorosa- mente. Pois ela tem, só nesses momentos, a intuição daquela (.?) de que os senhores falavam. Assim mo disse a mãe.

Há poesias mais interessantes ainda da pequena, mas essa é inédita. Temos aqui concerteza o embrião duma rara mulher de génio. Também o Jaime ficou com essa impressão.

É interessante que a Benedita (?) Ballesteros tem a idade de sua sobrinha! Ambas são precoces. Dê-lhe muitas recordações minhas, como a sua mana, e a Raúl Brandão e Esposa.

E a peça em Madrid? Digam novas.

Um grande abraço do seu do coração, Raúl Proença.

Grato. Pedia depois o original. R.P.

1.11 · Afonso Duarte