1.2 Alcance
2.1.3 Principios
São Pedro possui uma extensão de 7 km; tem sua nascente próximo à BR 050, estendendo-se até o rio Uberabinha, nas proximidades do Praia Clube7. Atualmente, sua área canalizada drena as águas pluviais dos Bairros Brasil, Tibery, Aparecida, Centro, Saraiva, Santa Mônica, Segismundo Pereira, Santa Luzia, Granada, Vigilato Pereira, Patrimônio, Lídice, Fundinho, Copacabana e Tabajaras (Cf. Mapa 6). Apresenta uma área de 50.2 km² e está compreendida entre as coordenadas UTM 784000/79400 Oeste e 7900100/7910000 Sul.
Andrade (2011), ao analisar o uso e a ocupação da Bacia Hidrográfica do Córrego São Pedro, observou que 31,6 km2 estão impermeabilizados, seja por residências (casas, edifícios e condomínios fechados), asfalto e concreto que representa aproximadamente 66%. Contudo, a principal área sujeita a impactos na bacia hidrográfica do córrego São Pedro é a próxima ao centro da cidade, nos bairros Saraiva, Tibery, Lídice, Virgilato Pereira, pois representam áreas de ocupação mais antigas (Cf. Mapa 7). Contudo a referida bacia possui uma setor mais sujeito a ocorrência de impactos (Mapa 8), que será descrito no decorrer da tese.
Visando a atender à demanda de circulação de veículos na cidade de Uberlândia foi iniciada a canalização deste córrego no início da década de 1970 (RODRIGUES, SOARES, 2003) visando também atender a integração dos bairros dos setores sul e oeste com os do leste e norte, sem a necessidade de passar pela região central.
Contudo, a execução da obra apresentou-se deficitária quanto à capacidade de drenagem das águas pluviais. No evento pluviométrico do dia 11 de dezembro de 1986, entre as 15 e 17h, foi registrado pelo LCRH uma precipitação de 157,8 mm, que provocou a destruição da Av. Governador Rondon Pacheco e ocasionou várias mortes entre a população que residia às suas margens. Sienger (1989, p. 37), sobre esse episódio, comenta:
O problema foi agravado pelas inadequadas localização e construção do canal de escoamento. [...] ligado principalmente à sua planificação, inadequada sendo importante observar que: a faixa de vegetação não foi preservada [...] a utilidade publica da avenida e o interesse social, sobretudo em relação ao trânsito e ao saneamento básico, com certeza, são argumento válidos para a retirada da vegetação existente, retificação e a impermeabilização do canal, na exata dimensão do leito de inundação natural.
Após esse episódio iniciou-se, na década de 1990, as obras para melhorar o escoamento das águas pluviais. Na primeira etapa, foram construídas galerias em substituição das manilhas instaladas. Foram executadas, ainda, obras até o cruzamento das avenidas João Naves de Ávila e Governador Rondon Pacheco. Porém, impactos resultantes de chuvas intensas continuaram acontecendo principalmente nas áreas à montante não contempladas com a ampliação das galerias. Mas em ambas ainda persiste o problema de captação das bocas de lobo que se apresentam ineficientes para seu propósito.
2.1.3 Considerações sobre as Bacias Hidrográficas dos Córregos São Pedro e Jataí. A problemática que envolve a bacia do Jataí refere-se à captação das águas para o canal fluvial canalizado, o que potencializa a inundação dessa avenida que possui uma extensão de 3 km e recebe o excesso de águas não redirecionadas pelas bocas de lobo dos bairros Tibery e Santa Mônica, sendo que estas apresentam grande deficiência na capitação, concentrando toda precipitação desde a Av. Segismundo Pereira.
Fotografia 2: Alagamento na Av. Anselmo Alves dos Santos.
Fonte: Correio de Uberlândia, 20/04/2008.
Esse problema já se arrasta por vários anos. Recentemente, a prefeitura passou a implementar obras de drenagem que direcionam as águas pluviais dessa região primeiramente para as imediações do Parque do Sabiá, nascente do córrego Jataí (Cf. Imagem 01). Com a proximidade do início do período chuvoso em outubro, ocorre o esvaziamento parcial da represa, que possui uma área de 2,6 km2 com vistas a conter as primeiras chuvas, já que estas apresentam potencial de impactos significativos.
Imagem de Satélite 1: Represa do Parque do Sabiá, Localização da área canalizada da Av. Anselmo Alves dos Santos sob o Córrego Tijuca.
Fonte da Imagem de Satélite: Google Earth (11/06/2010): Elaboração/Organização: Emerson Malvino da Silva (2012).
Essa represa é utilizada como um reservatório para captar as águas pluviais oriundas dos bairros Santa Mônica e Tibery, e aliviar o impacto delas sobre a Avenida Anselmo Alves dos Santos. Essa medida vai ao encontro da proposta de Porto e outros (2009), segundo a qual o planejamento do espaço visa reduzir os impactos das enchentes:
Algumas dessas medidas são o uso de pequenos reservatórios em parques e o controle sobre a impermeabilização dos lotes, ruas e passeios. Esse tipo de controle pode ser exercido nos primeiros estágios iniciais de desenvolvimento urbano com recursos relativamente limitados. No entanto. Se as ações forem retardadas e a população ocupar os espaços, as soluções terão custos muito altos (PORTO et AL., 2009, p. 809).
Contudo, essa é uma medida paliativa, pois, como se sabe, a ineficiência do sistema de drenagem é visível: a Fotografia 03 demonstra que a Avenida segue todos os padrões aconselháveis, possui ampla área de infiltração no canteiro central e lateral. Porém, o problema está nas áreas vizinhas, referindo-se à captação de águas pluviais.
Fotografia 3: Canteiro Central na Av. Anselmo Alves dos Santos.
Fonte: Defesa Civil (2008).
Com vistas a diminuir os impactos na Av. Rondon Pacheco, foi iniciada, em 2011, uma revitalização dessa estrutura. No projeto, consta a ampliação das vias, passando de dupla em dois sentidos para quatro vias, com ciclovias e áreas de caminhada; para a realização desse projeto, faz-se necessário a retirada dos dois canteiros laterais (Cf. Mosaico 02 e Figura 16) ficando somente o canteiro central. Pode-se, então, observar que foi reduzida uma área de infiltração considerável; outro fator a ser considerado é a nova redistribuição das bocas de lobos (instaladas a cada 100 metros); com o novo projeto, será uma boca de lobo a cada 25 metros; porém, nessa nova distribuição foi reduzido o tamanho da área de captação lateral, o que pode contribuir significativamente para não conter o fluxo e redirecionar a enxurrada para as galerias futuramente.
Obras de ampliação das galerias também começaram a ser realizadas no ano de 2011 em direção à montante da bacia do São Pedro; contudo, o problema de captação das águas pluviais ainda persiste, pois em uma análise do projeto foi verificado que, nas áreas do entorno da bacia, cujos declives são acentuados, pode não assimilar as águas precipitadas em eventos intensos.
Mosaico 2: Comparativo das modificações na Av. Governador Rondon Pacheco.
Figura 16: Projeto de revitalização da Av. Governador Rondon Pacheco: 2011.
Fonte: Correio de Uberlândia (01/03/2011).
No próximo tópico, será analisado outro ponto na área urbana com histórico de problemas oriundos de precipitações concentradas, que resultam em impactos na infraestrutura urbana.