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The primary objective of this paper is to study and to enhance the understanding of using displacement ventilation for achieving a comfortable indoor environment in winter

A fantasia é tema de central importância na obra kleiniana. Está constantemente presente nos acontecimentos do mundo psíquico, no mundo interno das crianças, como base da vida psíquica e, portanto, de todas as relações do bebê. As crianças, que não eram consideradas analisáveis, por não conseguirem falar, passaram a ser compreendidas de outra forma, pela autora: era a resistência frente às angústias que não lhes permitia expressão verbal, nas sessões.

Um dos conceitos centrais e inovadores de KLEIN (1997) vem da idéia de que,

desde a mais remota infância, o bebê se encontra inserido em um conflito psicológico edípico arcaico e, paralelamente, em um processo de formação de um superego arcaico. Sua formação psíquica vai ocorrendo a partir de mecanismos de defesa do ego como: cisão, projeção, introjeção e identificação.

Foi por meio da observação de bebês pequenos que KLEIN (1996) descobriu

que suas vivências estão centradas em situações de fortes e amedrontadoras ansiedades. As crianças possuem fantasias ansiógenas, decorrentes dos próprios conflitos pulsionais (sexual X morte), ou seja, provenientes das projeções de sua própria destrutividade – o sadismo das crianças é defletido (projetado) e colocado no objeto (mãe/seio), que passa a ser percebido como perseguidor, perigoso, ameaçador etc., quando não é gratificante. Assim, as fantasias violentas dos bebês, provenientes do seu sadismo, passam a deixá-los apavorados, em função do medo de uma possível retaliação por parte do objeto perseguidor, isto é, dos pais que foram internalizados no seu próprio mundo psíquico.

Ao analisar esses mecanismos, KLEIN (1996) entende que está em jogo uma

situação triangular, edípica, com a presença ativa de um superego arcaico. Este estaria baseado nas relações orais que a criança desenvolve com os objetos e, como decorrência, com suas fantasias e ansiedades.

Destaque-se que a ansiedade é originalmente decorrente da angústia de aniquilamento e dos ataques (em fantasia) que a criança faz ao corpo da mãe. Pois, ao atacar o corpo materno, a criança teme a retaliação da mãe e se sente perseguida. Lembremos, sempre, que o bebê pequeno é bastante desamparado em relação a perigos, tanto externos como do seu mundo interno. Ao sentir-se frustrado pela mãe, por não se sentir suficientemente amparado e protegido em suas necessidades, o bebê sente-se numa situação de risco de morte, então destina seus impulsos destrutivos para a mãe, como forma de se proteger das ameaças. Mas ocorre que, ao destinar sua destrutividade à mãe, o bebê coloca seus impulsos para fora de si, então o objeto atacado pelas suas fantasias, a mãe, passa a se tornar temido e perigoso. A mãe passa a ser o representante da destrutividade, logo é percebida pelo bebê como algo que pode vir a atacá-lo. Este é o medo de retaliação.

Mais tarde, KLEIN (1991a) irá desenvolver o conceito de posição esquizo-

paranóide. A ansiedade arcaica passa a ser entendida enquanto medo de aniquilamento do ego (ansiedade persecutória) decorrente da ação da própria pulsão de morte. Como veremos mais adiante, os mecanismos de defesa primitivos estão relacionados com essas vivências de ansiedades psicóticas ou paranóides. Como dissemos, não visamos aqui aprofundar os estudos a respeito das ansiedades, na visão kleiniana. Importante, contudo, é saber que, caso o superego se estruture de maneira boa, a pessoa poderá alcançar um funcionamento psíquico mais desenvolvido. Para essas pessoas que atingem um grau maior de desenvolvimento emocional, os impulsos destrutivos diminuem e a tolerância à frustração aumenta. Assim, a criança pode ficar mais tranqüila, desenvolvendo contatos, predominantemente bons, com a mãe e, posteriormente, com o mundo. Desta maneira, se o incipiente aparelho psíquico infantil for desenvolvido de maneira melhor, a ausência da mãe poderá ser tolerada e as perdas do bebê poderão ser

vivenciadas sem gerar grandes desestruturações, ou seja, no momento em que a ausência, falta, é sentida, abre-se, para o bebê, a possibilidade de simbolização, fundamental para o bom desenvolvimento cognitivo, emocional e psicológico de todos os seres humanos.

Considerando-se, pois, esses fatores, que interferem no desenvolvimento psíquico e cognitivo dos seres humanos, mais uma vez, pode-se avaliar que, se ações de educação preventiva forem realizadas nas escolas e pré-escolas, junto a crianças pequenas, algumas dessas dificuldades podem ser mais facilmente superadas. A educação preventiva realizada com crianças, por intermédio dos professores e/ou profissionais que colaborem no desempenho dessa tarefa (psicólogos, por exemplo), pode então auxiliá-las, aumentando-lhes a capacidade de tolerar frustrações e, paralelamente, criando, para elas, maior possibilidade de simbolização de conflitos psíquicos.

As defesas mais utilizadas frente às ansiedades persecutórias são: projeção, cisão, introjeção, idealização, negação, onipotência e identificação. A projeção atua desviando a pulsão de morte e colocando-a num perseguidor externo, afastando o medo do aniquilamento para longe. Já a cisão marca a divisão dos objetos entre bons e maus, para o ego arcaico. Assim, os objetos maus são projetados para fora, enquanto os bons são mantidos dentro, como que capturados em imagem e dramatização.

Ao dividir o seu mundo em dois, ou seja, em bom e mau, o ego cria, na fantasia, um objeto protetor e gratificador que é idealizado – o conhecido seio bom. Para o bebê, a partir da sua onipotência, o seio bom será idealizado e torna-se indestrutível, imutável, eterno; fato que pode acalmar o ego, frente a ansiedades e medos. Pela divisão de objetos em bons e maus, o frustrador é sentido como persecutório, ou seja, torna-se o objeto mau (seio mau) e pode ser afastado do ego. Neste momento do desenvolvimento, já se inicia a construção moral do ser humano.

Visando auxiliar esse processo de idealização do objeto bom, surge outro mecanismo de defesa, a negação. O objeto percebido como frustrador, persecutório

e ameaçador, o seio mau, será negado. Isso equivale a dizer que ele é destruído pelo bebê, como se não houvesse existido. Esse é o princípio constituinte da arrogância humana. Vale ressaltar que todas essas defesas do ego são apresentadas frente às ansiedades persecutórias, psicóticas, típicas da posição esquizo-paranóide e depressiva.

Em 1946, KLEIN (1991a), ao tratar de mecanismos de defesa da posição

esquizo-paranóide, conceituou ainda, a identificação projetiva. Segundo a autora, uma forma de ataque em que a criança expulsa substâncias perigosas para dentro da mãe. O bebê, sempre em fantasia, projeta conteúdos para dentro da mãe, a fim de atacar ou controlar o objeto.

“Sugiro o termo `identificação projetiva´ (...) quando a projeção é derivada principalmente do impulso do bebê de danificar e controlar a mãe, ele a sente como um perseguidor. Nos distúrbios psicóticos, essa identificação de um objeto com as partes odiadas do self contribui para a intensificação do ódio dirigido contra outras pessoas. (...) Contudo, não são apenas as partes más do self que são expelidas e projetadas, mas também partes boas do self.” (KLEIN, 1991a, p. 27)

Segundo as idéias de JOSEFH (1992), a identificação projetiva é a ação

psíquica de colocar partes do self dentro do self de um objeto, com objetivos variados, a saber: livrar-se de partes indesejadas; dominar ou controlar o objeto, evitando a separação; apropriar-se de qualidades do objeto, ou, pelo contrário, destruí-lo. A identificação projetiva, então, é uma forma de materialização dentro de um objeto do mundo exterior, que ocorre também para que se possa investigar o outro, psiquicamente falando.

Nesta compreensão, a pulsão de morte se manifesta por meio da ansiedade. E é para defender-se dela que o bebê fantasia a existência de um objeto perseguidor e projeta a pulsão para fora do self. Paralelamente a estes mecanismos arcaicos do relacionamento (bebê-objeto/mãe), surgem as ansiedades, as fantasias e as defesas contra a ansiedade. Esclareça-se que, nessa compreensão psicanalítica, todos os seres humanos passam por esses mecanismos, típicos da posição esquizo-

paranóide. Alguns chegam à elaboração de forma positiva, enquanto outros ficam regredidos e fixados no arcaico, ou seja, não conseguem superar satisfatoriamente essas ansiedades.

As crianças que não conseguem elaborar as ansiedades e frustrações da posição esquizo-paranóide, não terão chances de elaborar a posição depressiva (outro conceito kleiniano4) e, conseqüentemente, permanecerão fixadas nos medos persecutórios, dando origem aos comportamentos de estados psicóticos, nos adultos, e restringindo a capacidade para construir conhecimento e verdade. Em outras palavras, aquele que não elabora essas ansiedades, não pode se desenvolver de forma tão satisfatória. Esclareça-se, ainda, que todas as pessoas (adultos, inclusive) poderão fazer uso desses mecanismos de defesa mais arcaicos, acima descritos, em algumas situações de seu cotidiano. Esse fato não indicaria nenhum tipo de anormalidade, nem de doença psíquica.

O ego arcaico, presente na posição esquizo-paranóide, é enfraquecido e esvaziado, permanecendo assim, tanto nas crianças quanto nos adultos, quando estão em momentos psicóticos. Nesses momentos, utilizam recursos defensivos como a cisão e a identificação projetiva, de forma constante. Caso haja grande quantidade de projeção de partes destrutivas no outro, a pessoa pode ficar fragilizada, sentindo-se, por exemplo, perseguida. Quando expulsa de si os aspectos maus e perseguidores, o ego também está expelindo partes boas. Sem estas, as relações com outras pessoas e, conseqüentemente, a integração do ego, ficam mais difíceis ou até comprometidas.

Outra conseqüência do esvaziamento do ego é o fato dele se tornar incapaz de internalizar objetos bons, pois estes se tornam idealizados e inatingíveis. Logo, tanto para os adultos, quanto para as crianças, com suas relações marcadas pelos mecanismos esquizóides, o objeto externo será sempre percebido como uma

4 “Klein adotou a expressão `posição´ para dar uma ênfase diferente ao seu modelo de desenvolvimento. Ela queria afastar-se da idéia de estágios ou fases do desenvolvimento, as quais havia demonstrado não serem nítidas, mas sim parcialmente sobrepostas e flutuantes. Uma posição é uma constelação de ansiedades, defesas, relações objetais e impulsos. Ela pela primeira vez começou a utilizar o termo nesse sentido em 1935, quando descreveu a posição depressiva.” (HINSHELWOOD, 1992, p. 421).

ameaça, alguém em quem não se pode confiar. Pode-se pensar que seja esse o tipo de objeto com que se lida, quando o papel da droga passa a ser o de substituto para uma falta, para uma sensação de vazio.

Ao apresentarmos parte dessa complexa teoria psicanalítica, pensamos que é possível estabelecer mais alguns paralelos entre ela e a importância da realização, já na infância, de trabalhos de educação preventiva ao uso de risco de drogas e à sexualidade.

Quando se pensa em desenvolvimento de ações redutoras de vulnerabilidades junto ao público infantil, consideramos que o mote das ações tem como objetivo maior possibilitar às crianças (adolescentes e adultos) maior consciência dos riscos envolvidos em suas escolhas cotidianas, aumentando-se assim a capacidade de atuação do próprio ego frente aos perigos do mundo interno e externo, possibilitando uma melhor utilização dos mecanismos de defesa desse ego e, ainda, que objetos bons possam ser mais facilmente internalizados. Dessa forma, a pessoa estaria mais segura e, possivelmente, correria menor risco em relação ao uso de risco e à própria dependência de drogas e de outros comportamentos danosos e compulsivos.

Compreendemos que algo possa e deva ser feito pelos adultos (pais, professores, psicólogos e outros agentes de prevenção), por meio das atividades de educação preventiva, para facilitar às crianças uma maior integração de seus conteúdos ansiógenos e de suas fantasias persecutórias. Acreditamos que ações redutoras de vulnerabilidades possam ser realizadas nas escolas, facilitando a confluência entre o amor e o ódio no psiquismo da criança, originando uma sensação de tristeza, típica ansiedade da “posição depressiva”. Essas ações poderiam ser bastante simples: a análise crítica do conteúdo da letra de uma música, de uma poesia ou um texto, como maneira de contato com o sentimento de tristeza. Um jogo ou dramatização com o mesmo objetivo, ou ainda, a observação de um filme ou desenho animado, com posterior discussão sobre o que o enredo aborda. Evidentemente, não se trata de uma situação fácil de ser alcançada, mas é uma alternativa de educação preventiva que, na nossa opinião, poderia ser trabalhada.

A partir desse movimento de integração psíquica, a criança e o adolescente poderiam passar a uma consciência maior de suas atitudes, conseguindo reduzir de fato os seus níveis de vulnerabilidade frente aos riscos de escolhas do dia-a-dia, a saber: uso de risco de drogas, relações abusivas com jogos eletrônicos, alimentos, relações sexuais. Poderiam ser reduzidos, dessa forma, os riscos de formação e manutenção de comportamentos compulsivos repetitivos, que aumentam os danos pessoais e, até mesmo, danos sociais, se considerarmos a integração de sujeitos com esse comportamento, em outros grupos (amigos, famílias etc).

Vendo-se por esse prisma, trata-se a educação preventiva de um trabalho que visa muito mais do que a questão do relacionamento das crianças com as drogas, com a sexualidade ou com qualquer comportamento em si. Um dos objetivos seria possibilitar um melhor desenvolvimento egóico e uma maior capacidade de tolerar frustrações e, conseqüentemente, lidar com sentimentos, de forma que se possa refletir sobre eles e não agir de maneira precipitada, compulsiva, não pensada. As atitudes cotidianas, então, não seriam pura descarga direta de energia. Tornar-se- iam atitudes manifestas, advindas de um processo reflexivo, autêntico, consciente em relação às escolhas tomadas e às conseqüências envolvidas, enfim, desenvolver-se-ia a responsabilidade.