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2. Hoveddel

2.2 Primær- og sekundærlitteratur

A capacidade de leitura do indivíduo não pode ser considerada apenas aquela que segue letra a letra os símbolos de um determinado alfabeto. Santaella (2013, p. 212) reivindica que “fora e além do livro, há uma multiplicidade de tipos de leitores, multiplicidade, aliás, que vem aumentando historicamente”.

Além do leitor da imagem, no desenho, pintura, gravura, fotografia, há também o leitor do jornal, revistas. Há ainda o leitor de gráficos, mapas, sistemas de notações. Há o leitor da cidade, leitor de miríade de signos, símbolos e sinais em que se converteu a cidade moderna, a floresta de signos de que já falava Baudelaire. Esse leitor só pode se movimentar no ambiente urbano das grandes metrópoles porque lê os sinais de trânsito, as luzes do semáforo, as placas de orientação, os nomes das ruas, as placas dos estabelecimentos comerciais etc. (SANTAELLA, 2013, p. 212).

Os leitores, segundo Santaella (2013), tornaram-se espectadores dos movimentos das imagens da televisão e do cinema, viram o texto escrito em papel migrar para o monitor de um computador, aprenderam a ler nas telas eletrônicas e depois se adaptaram às infovias das redes do ciberespaço. Os novos leitores, aqueles que navegam entre dispositivos de comunicação, de tela em tela, como afirmou Pellanda (2012), são o resultado de um acúmulo de habilidades de leitura, desde a decifração de letras até a arquitetura líquida e não linear da hipermídia.

Em um pesquisa divulgada em 2004, Santaella sistematizou a multiplicidade de leitores em três grandes tipos: o leitor contemplativo, oriundo da idade pré-industrial, que possuía uma relação íntima, individual e privada com o livro; o leitor movente, que com o surgimento das cidades passou a se preocupar mais com a sua vivência, deslumbrado com o excesso de estímulos, com característica fugaz, novidadeiro, em busca de notícias em jornais e revistas, e de memória curta; e o leitor imersivo, que aprendeu a navegar em diferentes telas, programando suas leituras em espaços digitais, com mais liberdade para escolher a sua rota hipermidiaticamente.

O estudo conclui que, mesmo havendo uma sequência histórica no surgimento desses tipos de leitores, um não exclui o outro, pois é um processo cumulativo que permite a convivência e a reciprocidade entre os três tipos. Entender as características de cada um certamente ajudará a compreender o comportamento dos atuais jogadores de games mobiles.

O leitor contemplativo tem por princípio a individualidade, a solidão e o silêncio. As plataformas de leitura são imóveis, localizáveis, manuseáveis, assim como o livro, a pintura, a gravura ou, ainda, uma partitura. Para o leitor contemplativo, o espaço de leitura deve estar separado da vida cotidiana, pois precisa de concentração para privilegiar pensamentos abstratos e conceituais. A relação íntima entre o leitor e o livro, por exemplo, exige um retiro voluntário, um espaço privado, em que a biblioteca se tornou o lugar sagrado. Dessa forma, seus signos permanecem estáveis ao longo do tempo, podendo ser revisitados sempre que for preciso. O leitor contemplativo é o regente do tempo de leitura, permitindo idas e vindas, ou, ainda, ressignificações.

Com a modernidade, impulsionada pelo crescimento das cidades e a exacerbação de estímulos, a velocidade e a fragmentação impactaram o psiquismo humano. Para Santaella (2013, p. 215), “nesse ambiente, surgiu o segundo tipo de leitor, que foi se ajustando a novos ritmos da atenção, que passa com igual velocidade de um estado fixo para um móvel”. O leitor movente foi treinado nas distrações fugazes do cotidiano, apressado por linguagens efêmeras e misturadas. O jornal, por exemplo, se apresentou como uma plataforma de conteúdo, que une a impressão mecânica, o telégrafo e a fotografia. Novas plataformas foram criadas, como as placas e os cartazes de rua.

O leitor contemplativo aprendeu com o movente a decifrar formas, volumes, massas, interações de forças, movimentos, luzes que acendem e apagam, sincronizado com as mudanças do mundo. A leitura ganhou os espaços urbanos e cotidianos, estimulando pensamentos associativos, intuitivos e sintéticos. Esse processo de leitura só foi modificado com a chegada dos computadores conectados à Internet.

Foi na entrada do século XXI que o novo leitor aprendeu a transitar em diferentes espaços. No livro “Interação mediada por computador: comunicação, cibercultura, cognição”, Primo (2007, p. 19) aborda que o desenvolvimento dos meios de comunicação “veio oferecer novas formas de ação e novos tipos de relacionamentos sociais”, pois “a interação passa a dissociar-se, então, do ambiente físico, estendendo-se no espaço e proporcionando uma ação a distância”.

Assim, o terceiro tipo de leitor – o imersivo – apresenta pelo menos quatro características novas em relação aos leitores contemplativos e moventes:

a) escanear a tela;

b) navegar e seguir pistas; c) buscar um alvo preciso;

d) explorar em profundidade uma informação especializada.

Para Santaella (2013, p. 217), o leitor é imersivo “porque, no espaço informacional, perambula e se detém em telas e programas de leituras, num universo de signos evanescentes e eternamente disponíveis”. Um leitor que foi pautado pela liberdade. “Cognitivamente, em estado de prontidão, esse leitor conecta-se entre nós e nexos, seguindo roteiros multilineares, multissequenciais e labirínticos, que ele próprio ajuda a construir ao interagir com os nós que transitam entre textos, imagens, documentos, músicas, vídeo, etc.” (SANTAELLA, 2013, p. 217).

Santaella alerta que nos últimos 10 anos as transformações foram tão intensas na cultura digital que já é possível determinar o surgimento de um quarto tipo de leitor, de característica ubíqua, nascido da intromissão dos espaços virtuais no seio dos espaços físicos, em espaços híbridos, gerados “pela fusão das bordas entre espaços físicos e digitais, por causa do uso das tecnologias móveis como interfaces sociais” (Santaella, 2007, p. 225). Esse novo leitor aprendeu a navegar em sites da Internet, quando o uso em massa da Internet apenas iniciava (Web 1.0), mas encontrou o seu espaço nas redes sociais, em uma Internet de interesses compartilhados, e aprendeu a jogar em dispositivos móveis de comunicação, interligados a comunidades virtuais.