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In document Costs and benefits of speculation (sider 27-48)

Eis que, no dia 06 de novembro de 2008, P, 29 anos natural de Campinas, solteiro, auxiliar de limpeza, com ensino médio incompleto (1°colegial completo), chegara para internação psiquiátrica voluntária, acompanhado pelo irmão, no Hospital Psiquiátrico do Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira em Campinas, São Paulo.

Naquele momento, viera encaminhado pelo Hospital C, onde permaneceu por 28 dias, com entrada 08 de outubro de 2008. A justificativa da internação: “Amputação de mão e do pênis pelo próprio paciente por conta das vozes de comado que lhe ordenavam isso”. Segundo outras informações contidas no prontuário, as vozes já lhe ocorriam há cinco dias após sua entrada numa igreja evangélica.

Em seu histórico pessoal, sabia-se através de P que ele morava com sua mãe, que era cozinheira em um hospital e evangélica, com seu pai que era etilista crônico e intenso. Também possuía um irmão mais velho, que não residia no mesmo domicílio. Iniciou sua vida no trabalho cedo como jardineiro, além de ajudante geral, acompanhando seu pai. P refere com destaque o início do uso de substâncias psicoativas (SPAs) aos 13 anos (canabis regularmente) e intensificou o uso aos 16 anos (P alega que, por volta dos 18 anos, inicia uso esporádico de cocaína), sendo que, no momento da internação, afirmou que já não usava há aproximadamente 1 mês, alegando que, nesse período, iniciou frequência em igreja evangélica.

Me chama a atenção o caso em si, né?! A gravidade da história, a complexidade,... da clínica das intervenções a serem feitas a partir das informações que a gente tem sobre o caso, mais particularmente do evento. É um paciente que é internado depois de uma informação de que ele tinha cometido um homicídio, que ele tinha se mutilado e que ele tinha se alimentado das cinzas do corpo da pessoa que ele matou. Eu acho que talvez tenha sido a história mais grave que eu conheci nos meus trinta anos de saúde mental e na história da psiquiatria que eu vivi até então. E aí me chama muito atenção como cuidar de um caso dessa complexidade que na verdade não se tem informações reais dos fatos da história que se conta, mas tem a evidência

da mutilação que aí sim foi algo onde a gente pode ver a concretude de um discurso de algo que,... de uma história que havia sido contada. (Narrativas Coletivas, 2015)

Aos episódios das amputações, P justificava seu ato para “saldar uma dívida com Deus”, pois ouvia no rádio uma história semelhante à sua e julgou que tinha que amputar a mão porque retirava do supermercado sem pagar. Quanto à amputação do pênis, disse que o fez porque havia se relacionado com uma mulher mais velha de quase 40 anos, mãe de uma amiga sua e casada. Chegou a afirmar que, no início, julgava tudo uma loucura, porém não tinha como voltar atrás. Encerrou sua entrevista inicial relatando que “sentiu que era vontade de Deus que fizesse isso e, por seu sacrifício, aliviou os pecados de todo mundo da Terra”.

Eu me lembro que ele chegou encaminhado do Hospital C, que tinha um tempo de internação, ainda tinha uma enfermaria de psiquiatria e tinha acho que um mês de prazo de internação lá. Obviamente era um caso que se demandava muito mais cuidado em todo manejo da situação, o cuidado com P, o cuidado com todo o contexto, que, precisaria de muito mais investimento e tempo aí. ... Aí ele chega na internação, numa equipe de referência que começa a fazer uma construção do cuidado dele, e, eu acho que a equipe sempre foi muito cuidadosa e teve o cuidado de não tá sendo moral, do julgamento moral em relação ao caso porque é um caso que na época teve uma repercussão muito grande, na mídia inclusive. Então eu acho que a equipe tentou se colocar neutra inclusive na questão do julgamento moral da situação e também até nessa questão do cuidado com o P no sentido de poder preservá-lo um pouco de todo contexto que tava rolando... judicial, de mídia e tudo mais, mas poder estar cuidando dele como sujeito nisso tudo. Então, acho que a equipe teve muito cuidado nesse sentido de preservar o P e também de se preservar no sentido de ter qualquer julgamento moral em relação ao caso, de tudo o que tinha acontecido, mas tentar focar o que era o cuidado dele, o que era do sofrimento dele. (Narrativas Coletivas, 2015)

Durante a triagem, o irmão de P, em atendimento reservado, relatou o desaparecimento da mãe, acreditando que P a havia “assassinado”. Em seu relato, relembrou que, alguns dias antes do ocorrido, P. se encontrava estranho e que P e sua mãe foram visitá- lo, ficando posteriormente dois dias sem se ver. Em seguida, coloca que P disse que não podia contar o que havia acontecido com sua mãe. Após alguns dias de internação no hospital geral, P afirma ao seu irmão que havia matado, esquartejado, queimado e enterrado o corpo da mãe. P localizou o “assassinato” dois dias antes de se amputar, durante à tarde, enquanto o pai estivera fora de casa.

O que mais chamava atenção era o fato de todo mundo conhecer, mesmo quem não tava tratando do caso. Antes de eu ser referência do caso, pra dentro do hospital: passagem de plantão, reunião de equipe, sempre era uma, era muita coisa em relação a esse caso! (Narrativas Coletivas, 2015)

A partir de então, iniciou-se processo de investigação para localização do corpo da mãe de P, o que não ocorreu até os dias atuais, estando a mesma desaparecida mesmo após as afirmações detalhadas do usuário. Dessa forma, em termos legais não se constatou como crime em virtude da ausência do corpo.

Isso não se esclareceu. Não foi um fato que se esclareceu, acho que até hoje não foi encontrado o corpo da mãe. Na época agente ficava também muito em dúvida: O que que era real e o que não era diante dos fatos? O que a gente tinha de mais real era um pouco do discurso que o P trazia em relação a tudo que tinha acontecido, era o que a gente tinha de mais verdade. Mas, nas investigações da polícia e tudo mais a gente ficava muito também no ar porque não tinha algo concreto de ter sido encontrado um corpo. Então, isso também deixava a equipe bastante... curiosa com tudo isso. (Narrativas Coletivas, 2015)

Posteriormente, o usuário permaneceu internado no Hospital Psiquiátrico do Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira por aproximadamente três anos.

Aí, antes de eu entrar no caso eu lembro que uma das coisas que mais me chamou a atenção foi uma supervisão (clínica) em que, institucionalmente era aberto, todos os serviços podiam ir assistir, assim, era quase que um espetáculo montado sobre o caso, e como que era um caso quase que fictício assim, quase que irreal. E aí, ver esse moço transitando pelo hospital porque eu não atendia ele na época e ouvir aquela história, aquela construção, parecia que não era, distoava assim sabe? Parecia que não era o mesmo sujeito e a mesma história. E também ver naquele primeiro momento uma tentativa das pessoas interpretarem o que ele fez e tentar fazer com que ele sentisse algum remorso, alguma culpa por aquilo... era quase que assustador o caso quando você via de longe. (Narrativas Coletivas, 2015)

Eu já tinha escutado o caso na época que ele entrou em crise. Eu tava em outro equipamento, eu era aprimoranda e eu tinha escutado a história de P na Unidade Básica, era da região onde ele morava e eu sabia que tinha sido encaminhado pra um serviço de internação... e, depois disso, eu mudei de trabalho e eu encontrei o P na internação, sendo da minha miniequipe. (Narrativas Coletivas, 2015)

Tempos depois dessa supervisão (clínica), é quando a gente tem uma intervenção da gestão pedindo a troca das referências de cuidado no momento em que P tava fazendo um uso importante de SPA dentro do serviço... essa supervisão (clínica) já apontava que era necessário olhar pra ele e não pro que ele fez só... E aí quando a gente entra e assume o caso... A gente discutia, a referência (equipe) intensamente toda semana... risos... Enfim, corredores, plantões... Acho que teve um grande trabalho que a referência (equipe) teve foi de desconstruir o papel de ruim que o P já tinha no Hospital. Por exemplo, todas as vezes que entrava SPA dentro do hospital, sempre “era o P tinha trazido”. P podia tá dormindo, acordado, qualquer coisa que acontecesse, sempre era o P que tinha trazido. Sempre ele era culpabilizado por alguma coisa dentro do hospital diante do que ele tinha feito. E aí, relatos na própria reunião de equipe (ampliada), discussões onde ele era nomeado de “um jeito de funcionar de bandido” era muito comum. Tratá-lo como sujeito que estava em tratamento... acho que essa foi uma das primeiras discussões que a gente fez... A gente aposta nisso: vamos cuidar desse moço independente do que ele tenha feito. (Narrativas Coletivas, 2015)

...Tinha uma potência muito grande! Alguém que precisou se mutilar num momento de sofrimento, isso era uma marca do sofrimento dele, mas ao mesmo tempo ele queria retomar algumas coisas na medida em que você estava próximo. Não no sentido de fazer por ele, mas de fazer junto... Eu experimentei com P essa possibilidade de reabilitação, acabei trabalhando com ele questões de atividade aí instrumental, da gente pensar adaptação... e o afeto era uma coisa marcante. (Narrativas Coletivas, 2015)

Num primeiro momento, o tratamento se deu por isso, de fazer uma escuta dele. A gente foi aprendendo muito com ele a construir os manejos do caso. Tinha uma frase dele... eu lembro de uma frase dele muito interessante, que ele dizia assim, num dos atendimentos, ele disse isso e aí ele sempre trazia nos momentos de negociação mais difícil [em relação ao uso de SPAs], dele não tá bem, de querer ficar em espaço aberto: “Não dê muita corda pro cachorro de uma vez só”. (Narrativas Coletivas, 2015)

A coisa mais potente quando eu cheguei aqui foi o vínculo, até porque potencializou outras coisas. Eu me lembro de momentos em que alguns funcionários que ele tem vínculo... tiraram férias, eram momentos de muita angústia porque eu entendia que a sustentação era o vínculo que ele tinha aqui. (Narrativas Coletivas, 2015)

Em alguns momentos, eu creio que ele usou muito mais SPA no sentido de uma automedicação. Quando a angústia apertava, era um uso mais pesado com diferentes tipos de substância. Eu acompanhei muito ele no sentido de problematizar o uso de SPA... e fiz muito isso, muitas vezes com diferentes profissionais, da gente atender junto, da gente problematizar o uso... quando ele fica bem, quando ele fica mal e ele conseguir dizer: olha, eu não vou conseguir ficar sem usar... (Narrativas Coletivas, 2015)

Poder estar ao lado de P, disponível pras construções dele, foi o que permitiu muitas coisas. Por exemplo, bancar que o P iria para o grupo de música comigo no Centro de Convivência com toda aquela questão do uso de SPAs que ele tinha... era ouvir, também, que ele queria fazer parte daquilo, que ele queria cantar as músicas que ele produzia. E o P, até aquele momento, não fazia tantas saídas que não fossem tão acompanhado pela referência. Todas as nossas ações eram pensadas coletivamente por esse grupo [equipe de referência], mas eu acho que talvez o mais caro era poder estar ao lado dele mesmo pra construções que ele tinha desejo e possibilidade de fazer. (Narrativas Coletivas, 2015)

Nem sempre foi leveza! Negociar com ele medicação, que uso (de SPA) tava tão intenso, que não dava pra ficar em espaço aberto, tinha que voltar para espaço fechado... Negociar, depois, muitas outras coisas e muitas outras angústias que vieram em detrimento de uma rede que teve dificuldade se organizar para recebê-lo. (Narrativas Coletivas, 2015)

Mas também uma parte muito interessante que seria a parte de cozinhar, de como seria ele tá numa pensão. Um fato marcante foi a procura pelas pensões, a gente se sentia mais seguro em protagonizar isso com ele. A gente parou na porta da pensão e ele disse: “É esse o lugar!” Aí eu perguntei a ele: “Por que é esse o lugar?” E ele respondeu: “Tem muros grandes!” Uma coisa de uma defesa muito grande, de um medo do mundo... sentia que ele tinha muito medo do que poderiam fazer com ele. Tinha coisas que se misturavam do real... mas tinham coisas que eram muito da experiência dele no mundo... O P era muito paranoico. (Narrativas Coletivas, 2015) Até efetivamente essa alta acontecer foi um ano e meio, quase dois anos. E aí a angústia que P ia passando por isso não acontecer... eu lembro que a gente dizia que a gente tinha perdido o “time” da alta há muito tempo. (Narrativas Coletivas, 2015)

O caso foi compartilhado com outros serviços de saúde e Ministério Público.

Em contrapartida, a gente tinha algumas parcerias que, se não era dos profissionais de saúde...a parceria do irmão, enquanto alguém que nunca deixou-se tomar pela tragédia que essa família viveu e que tava aqui constantemente, uma vez por mês visitar o P e, na medida do que era possível, compartilhando o projeto do projeto terapêutico com a gente. E também uma parceria importante que a gente teve com a Promotoria Pública, que é quem traz pro P dados de realidade do que poderia ou que não poderia acontecer. Quando a Promotoria entra, cada um de nós volta para os seus papéis: quem vai cuidar da questão da lei é a Promotoria, nós somos a equipe de cuidado e P, um sujeito em tratamento. E a família, o irmão, junto com a gente, tem uma reorganização. (Narrativas Coletivas, 2015)

Tinha essa interface com o judiciário, né?!... [risos] Eu particularmente gosto disso, desses casos assim, mais... que circulam por outras esferas aí, não só da saúde. (Narrativas Coletivas, 2015)

Acho que essa questão da fragilidade familiar era alguma coisa que também fez com que o tempo da internação se prolongasse. [...] O impasse com a rede foi um impasse muito grande. O receio, o medo de acolher o caso, talvez tenha sido uma questão muito grande, por isso, inclusive, a gente acabou abraçando uma missão que não era nossa. (Narrativas Coletivas, 2015)

Poderia ter sido melhor no sentido dele ficar menos tempo internado. Eu não sei o quanto nós, profissionais, vamos ter que amadurecer com esses casos onde tem essas questões das violências, das passagens ao ato... Eu não sei o quanto a gente vai amadurecer pra olhar pra esses casos e conseguir compreender o sofrimento nisso, né?! (Narrativas Coletivas, 2015)

Essa evolução de tudo o que aconteceu pra hoje que ele foi conseguindo construir... Eu acho que teve um resultado muito melhor do que a gente esperava na época quando ele internou. (Narrativas Coletivas, 2015)

Além disso, foram realizadas inúmeras supervisões clínicas, discussões acerca do PTS (Projeto Terapêutico Singular) compartilhado e discussões em colegiados de gestão, dentre outras ações. Vale destacar que, devido à sua complexidade, foram realizados alguns estudos em diferentes linhas teóricas para tentar responder sobre as possíveis causas psicopatológicas e as possíveis condutas para a condução do tratamento. Contudo, sabe-se que, atualmente, P mantém contato familiar próximo ao irmão, se encontra em tratamento inserido em um CAPS III, frequenta um Centro de Convivência, reside numa pensão e mantém uso regular, porém moderado, de SPAs, exercendo certa autonomia na vida cotidiana em seus modos de levar a vida.

Primeiro, a história em si. E quando veio o caso dele aqui pra gente, me chama atenção da forma como isso veio, né?! De repente, ser um caso que em outros serviços isso não tava sendo bem acolhido e aí vem um pedido institucional mesmo. De que o CAPS III seria a “última tentativa” de serviço de Saúde Mental que poderia tratá-lo. (Narrativas Coletivas, 2015)

Foi um momento muito interessante quando chegou um momento do tratamento dele que era: pra onde que a gente iria encaminhar o P? Pra que CAPS que ele iria fazer o tratamento? Definir um território era importante até pra definir onde ele iria morar, e foi muito bacana porque o P participou ativamente dessa escolha, porque ele trazia muito esse medo de sair, de circular pela cidade... Aí, eu me lembro da gente construir essa escolha junto com ele, não foi um simples encaminhamento, lembro que o P inclusive foi conhecer alguns serviços... ele conheceu alguns CAPS pra ele tá fazendo a escolha onde ele iria se tratar depois. Ele escolhe, inclusive, este CAPS porque ele tem uma história, ele trabalhou no shopping P, então ali era um território familiar pra ele. Isso foi uma coisa interessante também, essa construção do encaminhamento, da vinculação com outro serviço, isso foi a partir da escolha de P, fez toda a diferença pro “depois”. (Narrativas Coletivas, 2015)

Teve uma tensão em relação à superintendência da instituição. Na época, o gestor do serviço Núcleo de Retaguarda porque... tinha uma situação de que ele era morador já... daquela...né?!... daquele lugar assim... do espaço da internação...e... foi numa reunião de equipe aqui no CAPS que vem as pessoas da direção da instituição fazer uma conversa com a equipe aqui do CAPS. Metade da equipe não aceitava. Essa resistência teve mesmo, mas eu acho que foi um consentimento da nossa miniequipe em recebê-lo... Era fato que ele tinha que fazer um tratamento. (Narrativas Coletivas, 2015)

A questão diagnóstica mesmo. De achar que isso a gente sabe que veio de um outro serviço... achar que não tinha uma psicose, de entender que era só um caso de Justiça, era nessa linha assim que as pessoas se justificavam e pensavam. Em muitos momentos, isso bate mesmo. A gente também ficou muito na dúvida, mas, quando ele vem pra cá, se insere no serviço, aí a gente vai desconstruindo algumas coisas, construindo outras e até agora tá sendo possível. (Narrativas Coletivas, 2015)

Primeiro, os profissionais que o atendem começaram a fazer visitas pra ele no Núcleo de Retaguarda. Depois, ele ia ao CAPS para atendimento. A entrada foi tranquila, foi cuidadosa, imagino que isso deu oportunidade de uma inserção, de uma aderência ao tratamento. (Narrativas Coletivas, 2015)

Junto com a equipe do Núcleo de Retaguarda, a gente vai para umas discussões de caso, fomos também ao Judiciário conversar com a promotora que acompanhava o caso. Eu fiz alguns atendimentos individuais aqui no CAPS; enquanto ele ainda tava lá internado, a gente fez a transição. Deu um pouco mais de trabalho no sentido de que a gente tinha mais reuniões, tivemos que conhecer mais pessoas em alguns lugares por conta de ordem burocrática... Arrumar a pensão, isso foi feito junto com a profissional de referência dele lá no Núcleo de Retaguarda e comigo que seria então, aqui, com mais alguns outros profissionais da miniequipe. Eu não tinha segurança de receber um caso desse com tamanha proporção e com esse pedido institucional sozinha. Então, a gente criou alguns respaldos aqui, até porque ele ia estar inserido na equipe, então a gente fez isso junto. Aí ele vem pra esses atendimentos em que a gente foi conhecendo, depois ele vem passar como a gente faz uma alta normal de qualquer paciente que sai da internação e vem seguir o tratamento num CAPS. Aí ele veio fazer permanências-dia aqui no CAPS, a gente começou a procurar pensão, levamos ele pra conhecer as pensões; ele é muito próximo de alguns profissionais aqui do CAPS, não sou só eu, tem outras pessoas que cuidam, alguns técnicos de enfermagem ajudaram nas questões de ordem prática... procurar móveis, fazer os trâmites de uma mudança, porque tinha a alta dele marcada e a gente conseguiu se organizar nesse sentido. (Narrativas Coletivas, 2015)

Aí ele vem vindo ao CAPS. Quando a gente viu, ele já estava inserido... A gente tentou duas pensões antes da que ele mora hoje. Nessas duas pensões, tivemos questões aí do processo da institucionalização mesmo e das características do caso

mesmo porque tem o uso da SPA... A gente sabia que não ia ser uma coisa tranquila, que ele iria chegar e conseguir morar num espaço como qualquer outra pessoa consegue se adequar numa nova moradia. Aí, a gente vai percebendo coisas do caso... da psicose e a gente foi fazendo dessa forma. (Narrativas Coletivas, 2015) É uma pessoa que frequenta muito espontaneamente o CAPS, tem um lugar fundado

In document Costs and benefits of speculation (sider 27-48)