3.3 Forslag om endring av tilsynsmyndighetenes plikt til å vurdere anmodninger om
3.3.2 Presisering av plikt for helse- og omsorgstjenesten til å følge opp henvendelser
No sub-capítulo II.6, foram debatidos alguns dos processos de amazonitização e enrubescimento. Do exposto conclui-se que um dos mecanismo que melhor sustenta o fenómeno de amazonitização se deve à presença de pares diméricos [Pb-Pb]3+ e de água de
cristalização. A coloração rósea e/ou rubra nos feldspatos, provavelmente, resulta de inclusões de poalhas hematíticas.
Para o campo pegmatítico em estudo, já Ferreira & Leal Gomes (2015) propuseram que o processo de amazonitização terá ocorrido devido à presença de Pb associado à água de cristalização.
Com este trabalho, sob a análise em microssonda e no varrimento das amostras em eletrões retrodifundidos (MEV-ER) reforça-se a proposta dos autores, tendo sido detetada a presença Figura 35: Diagramas da variação K/Sr e Ba/Sr para as amostras de amazonites e microclinas enrubescidas estudadas. A – K/Sr vs Sr (ppm); B – Ba (ppm) vs Sr (ppm) 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500 5000 0 500 1000 1500 2000 K /S r Sr (ppm)
Felgueiras Alto dos Teares Montalegre Taião
A 1 10 100 1000 10000 100000 0 500 1000 1500 2000 log B a (ppm ) Sr (ppm)
Felgueiras Alto dos Teares Montalegre Taião
sistemática de galena nos feldspatos potássicos alcalinos (Figura 36). Este facto vem sugerir que o Pb, possivelmente, é o centro cromóforo responsável pela coloração das amazonites em estudo.
Nas figuras 36A e 36B a galena surge entre o feldspato potássico e a albite e, com o auxílio dos espectros visíveis na figura 37, espectro A realizado dentro da albite e espectro B realizado no feldspato potássico, pode interpretar-se que o Pb substitui o K e não o Na, como seria de esperar. Ou seja, o Pb entra na rede do feldspato potássico e não na rede da albite, substituindo naquele o K, sendo o teor do Na quase inexistente no feldspato potássico. Esta substituição explica que os feldspatos potássicos alcalinos adquirirem a cor verde, resultando nas amazonites.
Na figura 36C observa-se uma partícula de galena, numa zona menos pertítica, com a particularidade de apresentar uma auréola de exsolução. Esta auréola de exsolução poderá ser outra indicação de que o Pb substitui o K e não o Na, uma vez que a partícula de galena encontra-se numa zona menos pertítica, ou seja, numa fase de transição entre a albite e a microclina pertítica. Na figura 36D observam-se várias partículas de galena, igualmente, em zona menos pertítica, como na figura anterior. Nesta não foi possível confirmar se estas galenas possuem auréolas de exsolução como a partícula anterior.
Na figura 36E, as pontuações de galena encontram-se em amazonite pertítica, considerada pertite de substituição (possivelmente incorporando uma albite poicilítica). Este facto está de acordo com os pressupostos referidos acerca da substituição do K por Pb dado que, uma vez mais, a galena encontra-se no feldspato potássico e não na albite.
Em Leal Gomes et al. (1987) sugeria-se já que a coloração amazonítica intensifica-se na passagem da microclina micropertite de bordadura para uma microclina macropertite nuclear. As amazonites apresentariam uma cor verde mais intensa no núcleo e o seu carácter pertítico também aumenta. Isto está de acordo com a hipótese da substituição do K pelo Pb.
A galena foi observada em amazonite dos pegmatitos (Figura 36), como também em amazonite pertencente ao migmatito (Figura 38).
Figura 37: Espectros de albite (A) e de feldspato potássico (B), obtidos em MEV.
Figura 38: Partículas de zircão (ZR), galena (GA) e mica (MI) no migmatito. Imagem obtida no MEV-ER.
Da análise da composição química pontual conclui-se que as maiores concentrações de Pb encontram-se nos espécimes de cor verde, clara, intermédia ou intensa. Esta situação é mais um indício de que o Pb é, eventualmente, o cromóforo responsável pela coloração verde das amazonites.
Da análise difractométrica obtiveram-se valores variados de triclinicidade para a coloração verde. Leal Gomes et al. (1987) sugerem que a amazonitização é um processo independente da triclinicidade, pois as amazonites apresentavam triclinicidades muito variáveis e independente dos conteúdos de elementos vestigiais, pois à exceção do Pb, não havia correlação entre ambos. Uma suposição para a disponibilidade do Pb é que este advém do decaimento do 238U
presente nos minerais portadores de urânio tipomórficos da tipologia NYF, como a uraninite, e em partículas de urano-pirocloro observáveis nas figuras 17H e 17I (Ferreira & Leal Gomes, 2015). A presença de quartzo fumado na paragénese pode ser um indíco da obtenção do Pb pelo decaimento do urânio.
Uma outra evidência da presença de urânio e consequentemente da obtenção do Pb é a partícula compósita de U e Th, com forma amebóide, encontrada numa zona hidrotermalizada de cirtolite (zircão hidratado) demonstrada na figura 39. Esta associação mineral pode indiciar de que forma o Pb foi obtido e influencia a cor verde aos feldspatos potássicos.
Todos os pressupostos aqui apresentados apoiam a atribuição da cor verde a centros de pares diméricos [Pb-Pb]3+ associados à água de cristalização, o que está de acordo com o
demonstrado por Petrov et al. (1993).
Figura 39: Partícula compósita de U e Th, com forma amebóide, num local hidrotermalizado de cirtolite. Obtida no MEV-ER.
Em relação ao processo de enrubescimento, Leal Gomes et al., 1987 consideram-no metassomático e pós-amazonítico, provocando uma lixiviação de todos os elementos vestigiais, incluindo o Pb. De forma generalizada, esta lixiviação é típica destes processos metassomáticos gradativos visíveis em feldspatos (Ferreira & Leal Gomes, 2015).
Com base na composição química demonstrada nas tabelas 8 e 9, nomeadamente nos espécimes róseos e cor de tijolo, verifica-se que a lixiviação ocorreu no campo pegmatítico em estudo. De facto, constata-se que os teores dos elementos Rb e Pb diminuíram. Os teores dos elementos Cs, Sr e Ba oscilaram pois em determinadas amostras estes teores foram lixiviados e outras apresentam valores muito semelhantes aos de espécimes de cor verde.
O enrubescimento nos feldspatos dar-se-á por impregnações de poalhas de hematite, fenómeno designado por hematitização. No quadro paragenético, presente na figura 19, a hematite surge como um dos minerais metassomáticos. Neumann & Christie (1962) referem que os iões de Fe são mais facilmente aceites nas posições tetraédricas de feldspatos com alto estado estrutural, ou seja, alto ordenamento. Também mencionam que, se houver a quantidade necessária de iões de Al para essas posições, os iões de Fe são exsolvidos para as plagioclases de baixo ordenamento. Reconhecendo fenómenos de lixiviação de vários elementos nos feldspatos em estudo, pode considerar-se que os iões de Fe tenham ocupado o lugar dos iões de Al em posições tetraédricas. Leal Gomes (2010) e Leal Gomes et al. (1997) sugerem ainda que a cromatização rubra poderá ter resultado da lixiviação do Pb e da transferência de cargas [𝑃𝑏 − 𝑃𝑏]3+, 𝑃𝑏3++ 𝐹𝑒 → 𝑃𝑏2++ 𝐹𝑒3+.
Na figura 40 é possível observar a transição entre a amazonite (FK) e a microclina rósea (MR), assim como, algumas inclusões, na parte enrubescida, de ghoetite e hematite. Estas inclusões são indício de que a hematite é possivelmente, responsável pela coloração rubra.
Fernandes & Leal Gomes (2008) afirmam que, de forma constante, o aparecimento da cor rósea e cor de tijolo está associado a um episódio inicial ou intermedio, de instabilização estrutural (desordem), relacionado com metamictização de minerais acessórios com Th e U. Também mencionam que o potencial químico metamictizante é conduzido, ora pela proximidade de minerais portadores de elementos radioativos, ora por fluidos acessíveis a partir de ruturas e clivagens. Afirmam ainda que, do contexto hidrotermal resultam reações que tendem a ordenar os feldspatos potássicos, aumentando a sua triclinicidade e proporcionando a lixiviação. Estas reações também favorecem a impregnação pervasiva de hematite microscópica a sub- microscópica.
No presente estudo foi detetada, em MEV, uma partícula de zircão hidratado (metamictização) (Figura 41) numa amostra de microclina enrubescida. Esta descoberta está de acordo com o exposto por Fernandes & Leal Gomes (2008).
Relativamente à triclinicidade, da análise difractométrica verifica-se que tanto a coloração rósea como a enrubescida apresentam o mesmo valor (0.88), e este é igual ao valor da coloração verde intensa. Vários autores (Fernandes & Leal Gomes, 2008; Leal Gomes, 1994) referem que a triclinização – aumento dos valores de triclinicidade, acompanha o processo de enrubescimento. Esta configuração não se verifica nos resultados obtidos.
Figura 40: Transição entre microclina enrubescida (MR) e feldspato potássico (FK), com destaque de várias inclusões hematíticas e goethíticas. Obtida em MEV-ER.
De acordo com Leal Gomes (1994), o processo de enrubescimento é representativo, localmente, de um mecanismo mais abrangente, posterior à colocação e evolução residual dos granitos pós-tectónicos. Essencialmente é visível em fraturas tardias possivelmente relacionadas com F’n+1. O autor chegou a esta constatação com base nas semelhanças petrográficas, geoquímicas e difractométricas entre o enrubescimento dos feldspatos potássicos do campo aplito-pegmatítico d’ Arga e o enrubescimento dos feldspatos de outros campos pegmatíticos do Minho, nomeadamente Gerês e Alto dos Teares-Taião. Como os feldspatos do campo pegmatítico de Felgueiras apresentam analogias com os apresentados, este campo pode ser inserido no conjunto acima referido.