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Com o objetivo de apresentar o papel da tradução e da língua materna na aquisição e aprendizagem do vocabulário de uma língua estrangeira, vários aspectos foram ressaltados nesta dissertação. Dentre eles estão as dimensões da significação das palavras tendo a Lingüística para explicar e exemplificar através da semântica e da tradução, a semântica esclarecendo as relações das palavras umas com as outras. Por exemplo, o sentido das palavras nas sentenças; as relações de sentido nos dicionários, mostrando assim os problemas com os sinônimos (sinonímia), e finalmente as questões da tradução, e a importância e a necessidade da língua portuguesa (língua materna) no ensino-aprendizagem do inglês (língua-alvo).

Outro aspecto apresentado neste trabalho foi a internalização do vocabulário da língua-alvo e o uso de atividades de tradução textual / pedagógica para alcançar o mesmo objetivo.

Os resultados obtidos com esta pesquisa não poderiam ter sido mais surpreendentes, pois mesmo tendo o apoio dos alunos envolvidos nesta pesquisa, a desconfiança era muito grande com relação às vantagens que o recurso ao uso da tradução e da língua materna poderiam trazer para o ensino – aprendizagem da língua estrangeira. Os alunos acreditavam que fariam uma tradução pontual, ou seja, ficariam o tempo todo traduzindo listas de palavras, ou resolvendo questões de compreensão, ou traduzindo textos longos e sem sentido algum para as aulas de inglês. Eles tinham a absoluta certeza que a comparação do inglês (língua-alvo) com o português (língua materna) seria uma perda de tempo e que em nada ajudaria na realização das tarefas e na internalização da língua-alvo.

Os próprios alunos perceberam a melhora que tiveram na aprendizagem da língua-alvo, mas só acreditaram na evolução depois que viram as notas finais, do primeiro bimestre em que tiveram as mesmas atividades escritas e orais de sempre com relação ao segundo bimestre em que foram introduzidas atividades de tradução textual / pedagógica, ou seja, atividades contextualizadas de tradução, a melhora dos alunos foi relevante (ver quadro comparativo no anexo IX).

Acredito estar contribuindo muito com professores interessados em saber como a tradução pode ajudar com a aquisição do vocabulário da língua estrangeira, pois muitos colegas não deram credibilidade a esta pesquisa devido ao efeito negativo que

acreditam que a tradução tem no ambiente de cursos de línguas estrangeiras. Se as atividades de tradução são bem elaboradas e aplicadas em ocasiões oportunas, muito progresso e satisfação tanto dos alunos quanto do professor se pode obter. Além disso, a postura do professor de LE precisará ser alterada se ele optar pela introdução das atividades de tradução textual / pedagógica e sua integração às outras habilidades em sala de aula.

Com base no que foi estudado e pesquisado, verifica-se que o estudo de uma língua é infindável e que é complexo acompanhar o crescimento do vocabulário. Por isso, o que foi observado neste trabalho tem mais a ver com a questão da escrita do que da fala, mas para se obter a teoria, faz-se necessário a prática, e o uso constante do objeto a ser estudado e comprovado.

Foi constatado também que a prática da tradução implica na consulta e crítica aos dicionários bilíngües que apresentam incorreções. O uso de dicionários monolíngües e de gramáticas também deve ser estimulado para completar e corrigir o que registram os dicionários bilíngües. Contudo, tudo deve ser feito com cautela porque nem sempre estes recursos são totalmente confiáveis, uma vez que nem sempre os professores e muito menos os alunos sabem manuseá-los corretamente. É preciso, portanto, preparar ambos para o uso correto.

Houve algumas limitações e falhas durante a pesquisa que não atrapalharam muito, mas que serviram de experiência, como o tempo curto para a coleta de dados e sua transcrição, uma vez que a professora tinha um cronograma a cumprir e não podia utilizar muito das aulas para realizar a coleta e registro de dados. Outro detalhe era que aqueles alunos envolvidos na pesquisa só estariam com a professora naquele primeiro semestre, no seguinte teriam outra professora. Então, tudo sobre o registro dos dados tinha que dar certo, pois a professora não teria tempo para repetir as tarefas com os alunos no próximo semestre. Como seria bom se houvesse tempo durante os semestres para realizar mais atividades de tradução com os alunos e discutir mais sobre esta questão da tradução textual / pedagógica com os alunos e os demais professores no ensino / aprendizagem de línguas estrangeiras, pois seria um recurso a mais e uma motivação a mais na aquisição do vocabulário da língua-alvo.

Ao responder à pergunta formulada na Introdução desta dissertação:

1 – se à tradução textual / pedagógica e de itens lexicais contextualizados ajuda a adquirir o vocabulário da língua estrangeira?

Concluo que a tradução tem presença constante nas aulas como técnica de aprendizagem e como ferramenta de ensino, mesmo sendo uma atividade mal vista por professores, alunos e direção escolar. Porém, ainda é usada apenas para ensinar vocabulário e gramática, ou melhor, para que os alunos compreendam o sentido do vocabulário e a gramática da língua-alvo. Isso se deve ao fato de que é a tradução pontual que é usada nas aulas de LE. A tradução serve para aferir compreensão, evitar conflitos e amenizar ansiedades, não sendo atrelada às outras habilidades. No entanto, ao ser introduzida com esta nova concepção, da tradução textual / pedagógica, tem um papel integrador e emancipador em sala de aula, fazendo com que o aprendiz de LE adquira o vocabulário da língua-alvo, aumentando a conscientização cultural, além de chamar atenção para as diferenças formais e lingüísticas entre as duas línguas (materna e alvo).

No ambiente observado, onde a tradução foi introduzida, notou-se atitudes negativas, quanto ao preconceito, e atitudes positivas, quanto ao resultado. Os obstáculos detectados podem ser explicados pelo desconhecimento do novo conceito de uso da tradução e pelo pouco tempo de pesquisa de campo, ainda não sendo suficientemente utilizado para que seus benefícios se tornem mais relevantes e passíveis de aferição.

Além dos alunos aprenderem o vocabulário com o uso da tradução, proporcionou-se a eles também uma maior conscientização das diferenças e semelhanças entre as duas línguas, mostrando que nem sempre há equivalência, e que o importante é traduzir o significado de maneira a transmitir a mensagem. Por isso, os alunos estavam interpretando e produzindo novos textos.

Devido à aproximação que as atividades de tradução proporcionaram, uma vez que os alunos sempre trabalharam juntos, os aprendizes puderam mostrar seus conhecimentos e trocar informações, e isto foi feito algumas vezes na língua materna, sem nenhum remorso. Observou-se uma maior concentração nas explicações durante as aulas e um maior estímulo à aprendizagem, pois, em exercícios posteriores, os alunos conseguiam produzir bons resultados. Ao conseguirem identificar as deficiências durante as atividades tradutórias, esses melhoraram a capacidade de raciocínio, análise, precisão e clareza.

A possibilidade de usar a língua materna durante os exercícios de tradução deu segurança aos alunos, principalmente aos mais ansiosos e tímidos, evitando

constrangimentos e aumentando sua auto-estima. O relacionamento em sala de aula melhorou em decorrência da postura facilitadora assumida pela professora e da integração e cooperação entre os alunos ao realizarem trabalhos em grupo.

Minha expectativa é que esta dissertação motive outros profissionais a pesquisar o assunto, contribuindo para a introdução da tradução em sala de aula. Para tanto, aponto algumas direções de investigação que me ocorreram ao longo do estudo, e que considero importante, como os efeitos do uso da tradução e do uso da língua materna com diferentes clientelas, faixas etárias e estágios de proficiência na LE.