• No results found

Presentation of the interviewees

O nível de maturidade dos produtos turísticos no Triângulo é bastante reduzido, encontrando-se ainda numa fase de recurso ou produto turístico emergente. No entanto, devem-se potenciar produtos turísticos diferentes em cada uma das ilhas, no Pico o montanhismo, escalada e o enoturismo, no Faial o vulcanismo e o turismo náutico, isto é, a cultura do mar e em São Jorge o turismo de sabores. Nas três ilhas os percursos pedestres e a observação de cetáceos devem ser desenvolvidos, aproveitando-se as fantásticas características do mar, pois segundo um estudo da British Broadcasting Corporation (BBC) on-line o stress diário que atinge cerca de 30% da população diminui com o contacto com a natureza, essencialmente com a visibilidade do mar [25]. A ecologia das ilhas pode ser um factor limitativo do desenvolvimento económico, pois a escassez de recursos pode limitar o desenvolvimento do turismo e restringir as opções para o desenvolvimento de produtos [76]. Todavia, é o turismo que torna possível muitos dos gastos mas as transportadoras, aéreas e marítimas, são alvo de inúmeras críticas nos Açores. Apesar de os intervenientes no sector do turismo considerarem que o transporte aéreo constitui uma condicionante ao desenvolvimento do turismo no Triângulo, existe ainda espaço, em termos de capacidade de lugares.

Os meios de transportes são censurados mais precisamente nos preços praticados nas viagens aéreas. Contudo, na sua grande maioria deparamo-nos com um total distanciamento do que de facto ocultam os preços praticados, assistindo-se a uma comparação absurda com preços promocionais praticados por outras companhias, em rotas que se dizem equiparáveis, mas ignorando uma dinâmica completamente diferente da realidade açoriana. Porém, as passagens para as ilhas dão direito a diversas regalias, tais como estadias em caso de cancelamento de voos, comida, bagagem de porão, entre outras, que são serviços extra caros nas companhias com tarifas promocionais.

Cada vez mais se realizam petições para voos low cost nos Açores que surgem sem muita ponderação. Parece que se ignora o que implicam as obrigações de serviço público agora em vigor, pois deve-se ter em conta as garantias expostas anteriormente,

29

assim como a disponibilidade para o transporte de carga, que é obrigatória e que muito contribui para a eficiente exportação dos produtos. A distância, aliada à baixa densidade da rota, fazem os Açores ficarem mais perto de um nicho de mercado, devendo-se apostar na qualidade como justificativo do preço. [74].

Os problemas identificados em relação ao transporte marítimo estão relacionados com a divulgação dos horários e a regularidade das ligações disponíveis para os clientes, devendo-se ponderar a criação de novas carreiras regulares.

Para criar uma evolução benéfica do turismo nas ilhas devem-se criar estratégias de marketing para fazer face a diversos factores como a dependência externa gerindo uma imagem de destino adequado para um bom posicionamento; criar slogans como, ―Pensar globalmente, agir localmente‖, que se enquadram perfeitamente no tema exposto neste trabalho, ou ―Pronto para o melhor tempo da sua vida‖ que é o conceito que está na base da nova campanha da Associação de Turismo dos Açores, desenvolvida pela Brand Builders por Paulo Mesquita [29].

As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC´s) são um instrumento importante na divulgação do marketing açoriano e melhoram a eficácia e eficiência da estrutura económica e administrativa, aumentando o acesso à informação e o conhecimento por parte dos turistas, sendo um grande difusor da imagem ao exterior, tanto a nível regional como internacional. Porém, a distribuição e propaganda através da internet realizada para os Açores é mínima e a estratégia de comunicação baseia-se na riqueza paisagística e de biodiversidade, onde o destaque é concedido ao Arquipélago como um todo e não a cada uma das ilhas. No caso específico dos Açores, os investimentos em promoção têm sido significativos no mercado nacional, o que denota uma clara estratégia de aposta na penetração neste mercado, denotando-se que se procura abranger um nicho de mercado, apostando na personalização por alguma segmentação, usufruindo de mais investimento por cada cliente-alvo.

O turismo de nicho tem vantagens económicas porque não exige um elevado investimento inicial em infra-estruturas e outros equipamentos turísticos necessários para o turismo de massas [101]. Deste modo deve-se apostar num turismo responsável e não massificado, desenvolvendo-se hotéis de charme e os produtos turísticos existentes, de forma a atenuar a sazonalidade da procura.

Os Açores constituem um local pleno de oportunidades, pelas condições que oferecem a todos que pretenderem investir, através de Pequenas e Médias Empresas

30

(PME‘s). Outro factor relevante para quem deseja investir é o sistema fiscal regional, com taxas de IRC (Imposto sobre rendimento colectivo), IRS (Imposto sobre rendimento singular) e IVA (Imposto sobre o valor acrescentado) mais reduzidas em 30% em relação às taxas que vigoram para impostos similares no continente português, e um inovador sistema de incentivos ao investimento. O sistema de incentivos para o desenvolvimento regional dos Açores, SIDER, é um programa que através de um conjunto de medidas que visam o reforço da produtividade e competitividade das empresas se reparte por quatro subsistemas, apoio ao desenvolvimento local, turístico, estratégico e da qualidade e inovação. O apoio financeiro à promoção dos produtos açorianos é outro sistema de incentivos mas a Associação de Turismo dos Açores é a única entidade reconhecida pelo Instituto do Turismo de Portugal como responsável pela canalização e utilização dos incentivos relativos à promoção da região [93].

Nestas ilhas denota-se a estabilidade de políticas económicas, financeiras e fiscais a par de excelentes indicadores de crescimento económico da região ao longo dos últimos anos. Destaca-se o crescimento do PIB - Produto Interno Bruto que alcançou a média nacional das exportações. A partir de 2001 os Açores deixam de ser a região do país com menor PIB per capita e desde 2002 que este indicador é superior ao das regiões Norte e Centro (Ilustração 2). Possuem uma extensa zona económica exclusiva de Portugal com 953.633 km2, a maior da União Europeia, com grande potencial de exploração e desenvolvimento de actividades científicas e de investigação, oferecendo produtos naturais destacados pela qualidade e autenticidade [104].