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Como toda e qualquer experiência recente de turismo comunitário em fase de consolidação, existem muitas dificuldades e desafios que precisam ser superados. Muitos deles independem da vontade e disposição comunitária. Outros exigem um conhecimento específico e/ ou prática e experiência no ramo. Eles serão abordados de maneira geral da mesma forma que as sugestões, quando cabíveis.

Uma condição imprescindível para o desenvolvimento do turismo comunitário é a possibilidade de usufruir o direito ao território, o que tem exigido uma frequente mobilização de sujeitos, movimentos e resistências.

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Capacidade máxima de serviços que o destino turístico pode ofertar comodamente sem incorrer em prejuízos ambientais, socioculturais, econômicos e psicológicos.

79 Em eventos, os visitantes são dispostos de maneira improvisada nas casas dos moradores, compartilhando com

168 Outro grande desafio é seguir padrões de qualidade nos serviços e atendimento turísticos sem que isso signifique uma sobreposição aos padrões e práticas culturais vivenciadas pela comunidade.

A baixa capacidade administrativa, tanto dos empreendimentos familiares, quanto do GTCL, tem levado a dificuldades na elaboração da estratégia comercial e no planejamento e execução das ações de promoção e comercialização, cujas consequências tem sido o baixo fluxo de turistas e o discreto retorno e sustentabilidade econômica.

Mesmo o turismo comunitário, a despeito do que muitas pessoas que o praticam acreditam, exige sustentabilidade econômica sob pena de não haver retorno dos investimentos realizados (mesmo que tenham sido provenientes de doações) e frustrar as legítimas expectativas de incremento da renda que as comunidades alimentam. Incorporar as práticas comerciais próprias da atividade turística é um grande desafio que necessita de assessoria na elaboração da estratégia de comercialização local.

De maneira semelhante, a promoção necessita de certa assessoria inicial. Além da qualificação profissional que boas peças promocionais exigem, esta é uma área bastante nova em busca de técnicas de promoção que não se contraponham ao sentido do turismo comunitário.

De maneira geral, a promoção tem sido responsabilidade, no turismo comunitário

em geral e em Caetanos de Cima, em particular, de ONG‘s que também não possuem know how suficiente para desbravar esse campo.

O turismo comunitário e as comunidades que o desenvolvem tornam a promoção um desafio ainda maior devido a natureza da sua oferta, exigindo criatividade e inovação para superar, em especial, dois fatos principais:

1) turismo comunitário é um termo desconhecido pela maior parte da

demanda e ainda se confunde com outros termos usados com significados similares, como turismo responsável, sustentável, ecoturismo de base comunitária, etc.;

2) a maior parte das comunidades que possui oferta de turismo

comunitário está localizada em áreas lindas, mas remotas do estado, totalmente desconhecidas da maioria da população e com acesso delicado.

169 A oferta turística de Caetanos de Cima parece carecer de uma identidade própria e da presença de elementos inovadores (qualidade, originalidade ou autenticidade) que sejam explorados de maneira a diferenciá-la das demais comunidades da Rede Tucum e, até mesmo, da oferta turística convencional.

Os elementos inovadores da oferta local precisam ser bem construídos, pois a promoção não pode focar na beleza natural. É importante considerar que, a despeito da natureza exuberante e tranquila da comunidade, a força promocional da Rede Tucum ou de Caetanos de Cima dificilmente será capaz de concorrer com a natureza exuberante e tranquilidade oferecidos no vasto material promocional de Jericoacoara, por exemplo.

Essas considerações são importantes, pois a comunidade precisa se organizar para atuar nessa área já que a promoção e a comercialização propostas pela Rede Tucum, ao menos neste momento, tem tido caráter geral e não substitui a promoção e comercialização específica que Caetanos de Cima deve desenvolver.

É importante ter clareza da composição do seu produto e também do público para o qual a promoção será direcionada. O estudo e planejamento de ações de promoção e comercialização são os primeiros e imprescindíveis passos para alcançar sucesso nesse tema.

Percebe-se a ausência total de apoio da municipalidade e do governo estadual. O turismo em Amontada é, de maneira geral, incipiente e desorganizado, não existem grandes empreendimentos ou investidores, a exceção das tentativas de implantação da Praia do Pirata. Por isso mesmo, como na maioria das pequenas prefeituras do estado cujo município tem potencial turístico, a municipalidade prioriza ações que fomentam o turismo convencional. Turismo de baixa escala como o praticado por Caetanos de Cima não desperta o interesse político do poder municipal.

Ao contrário, é possível considerar, por reflexão indutiva, que a municipalidade se posicione de maneira contrária ao turismo comunitário, visto que as ações da comunidade vão de encontro ao desenvolvimento do turismo em grande escala. Isso torna um grande desafio o apoio municipal e estadual às melhorias de infraestrutura tão necessárias à comunidade e à atividade turística, como acesso, saúde e comunicação, por exemplo.

Apesar de estar entre Fortaleza e Tatajuba, comunidade mais a oeste que faz parte da Rede Tucum, distante 350 km da capital, Caetanos de Cima ainda não se insere enquanto um destino intermediário para os visitantes que seguem para Tatajuba ou Curral Velho graças

170 às péssimas condições de sua estrada, tornando a viagem mais longa e delicada. Caso contrário, seria uma ótima opção de conexão com circuitos turísticos da própria Rede Tucum.

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6 OS SENTIDOS DO TURISMO COMUNITÁRIO PARA CAETANOS DE CIMA

Se, para a Rede Tucum, a viagem turística é uma possibilidade de ―refletir sobre

as injustiças do planeta e sobre o modelo de desenvolvimento que o alimenta‖ (REDE

TUCUM, 2010c), Caetanos de Cima é a comunidade que mais marcadamente reflete esse espírito na elaboração da sua proposta de turismo comunitário.

Esta característica está presente nos objetivos que a comunidade define para o turismo comunitário. Estes objetivos tem o intuito de criar processos que possibilitem: (1) ocupar fisicamente, com atividades produtivas, a praia hoje em conflito com um empresário português; (2) propor e defender um modelo de desenvolvimento e turismo que se contraponha àquele preterido pelo empresário citado e que tem sido empreendido pelo governo estadual e municipal; (3) ampliar a renda da comunidade diante da queda gradual da pesca artesanal e limitações da produção agrícola; (4) inserir a juventude no processo produtivo e na organização local, dificultando a sua fuga para os centros urbanos.

Como pode ser facilmente percebido, o turismo comunitário é tratado mais como um fenômeno social do que como uma atividade meramente econômica. Ele é inserido na comunidade como um elemento estratégico para dinamizar três frentes principais de atuação da organização comunitária: a resistência aos conflitos fundiários, o fortalecimento da organização local e o desenvolvimento do território.

Neste sentido, compreender os sentidos do turismo comunitário é apreender os sentidos de desenvolvimento para a comunidade, bem como a maneira como os moradores de Caetanos de Cima se veem a si mesmos. Consideramos que as manifestações artísticas são capazes de expressar, de maneira clara e em linguagem poética, essa subjetividade. Portanto, buscamos apreendê-la, também, através de músicas, poesias e outras produções culturais locais.

Também discutiremos as expectativas em torno do turismo comunitário, os custos e benefícios da prática para a comunidade e os indícios para uma possível praxe diferenciada para o turismo.

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