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PRESENTASJON AV FUNN

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A partir do levantamento bibliográfico realizado, onde constatamos a carência de pesquisas no âmbito do ensino e da aprendizagem da Matemática para alunos com TEA, nos deparamos com algumas questões acerca do tema Autismo. Dentre estas questões, destacamos

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o uso de termos como espectro do autismo, Síndrome de Asperger, autismo de alto funcionamento, entre outros, o que nos pareceu, pelo tratamento dado no percurso de cada investigação, serem estes indicadores relacionados a critérios de diferenciação e caracterização destes sujeitos, mas por se tratarem de pesquisas do âmbito educacional não traziam elementos suficientes que esclarecessem nossas indagações.

Com o objetivo de elucidar nossas dúvidas iniciais, sobre os aspectos que permeiam o processo de ensino e aprendizagem de habilidades escolares por estes alunos, procuramos o médico psiquiatra, Dr. Estevão Vadasz32. Para isso, algumas questões foram colocadas buscando de forma geral abranger às características do autismo e Síndrome de Asperger, seus graus e sua relação com a capacidade de cognição destes indivíduos, bem como os benefícios e a possibilidade da inclusão escolar desses alunos e o papel desempenhado pela Matemática neste processo.

Neste encontro, foram indicadas leituras, filmes e softwares pedagógicos destinados ao ensino de habilidades escolares para alunos com TEA, o que contribuiu para ampliarmos nosso entendimento sobre o autismo e os caminhos para compreensão dos aspectos que possam contribuir para o ensino e a aprendizagem de habilidades escolares por esses alunos.

Dentre as indicações de filmes e leituras destacamos:

1.) Filme: L'enfant sauvage – O garoto selvagem Direção: François Truffaut

Gênero: Drama Duração: 86 minutos País: França

Ano de lançamento: 1970

Sinopse: O filme é baseado nos relatos de Jean Marc Gaspard Itard e narra a história de um garoto do final do século XVIII que supostamente nunca teve contato com a sociedade, não andava como um bípede, não falava, lia ou escrevia. Ele é resgatado por caçadores da floresta de Aveyron, França, com cerca de doze anos de idade. Levado a Paris é examinado pelo célebre psiquiatra da época, Pinel, que o considerou irrecuperável e pelo jovem médico Itard que, ao contrário, considerou ser possível recuperar o atraso provocado pelo seu isolamento total.

32 Especializado em infância e adolescência e criador do PROTEA (Programa do Transtorno do Espectro

Autista), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

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Itard pediu sua tutela e iniciou a difícil tarefa de desenvolver as faculdades dos sentidos, intelectuais e afetivas de Victor, nome pelo qual se passou a ser chamado.

2.) Filme: Temple Grandin Direção: Mick Jackson Gênero: Biográfico drama Duração: 109 minutos País: Estados Unidos Ano de lançamento: 2010

Sinopse: Filme biográfico sobre Temple Grandin, uma mulher com autismo que revolucionou as práticas para o tratamento racional de animais em fazendas e abatedouros. Em uma escola para crianças superdotadas, é encorajada por seu professor de Ciências, que percebe seu talento em "pensar em imagens e conecta- las" e a incentiva a prosseguir sua educação em uma universidade.

3.) Livro: The Complete Guide to Asperger's Syndrome

(ATTWOOD,T. 1ª ed., Great Britain: Athenaeum Press, 2007)

Sinopse: Guia com informações gerais sobre a Síndrome de Asperger. Traz estudos de caso e relatos pessoais da experiência clínica do autor que é especialista em Síndrome de Asperger.

4.) Livro: Thinking in Pictures: My life with autism

(GRANDIN, T. Thinking in pictures. New York: Doubleday. 1995)

Sinopse: O livro traz o relato de Temple Grandin que é autista de alto funcionamento. Em sua obra Temple descreve vários aspectos de sua vida como autista, desafios, superações, e a maneira como seu cérebro processa informações visuais que, segundo ela, é denominado de pensamento visual. O livro contribui para a compreensão da forma peculiar de ver o mundo por pessoas com autismo.

Sobre os diferentes termos utilizados para designar o autismo, nos foi esclarecido que o autismo afeta em diferentes níveis três grandes áreas: Comportamento (interesses restritos e comportamento repetitivo); Social (sociabilidade) e Comunicação (linguagem e comunicação).

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Da variabilidade de características que podem ser observadas em pessoas com autismo, como resultado dos diferentes níveis de comprometimento nessas três áreas, surge a noção de espectro. O autismo é constituído de um espectro muito amplo e heterogêneo: de casos muito graves (baixo funcionamento) até casos leves (alto funcionamento), ou muito leves (Síndrome de Asperger) e todas as variações possíveis entre esses dois extremos. Frente à variabilidade de características que se observa em indivíduos com TEA, Andrade (2013, p. 79) afirma que:

Autismo é um espectro e o termo justifica-se por conta da imensa variabilidade de características clínicas que se observa. É incorreto dizer “a pessoa com autismo faz isso ou faz aquilo, deste ou daquele jeito”. Volta-se aí para o mito do indivíduo médio. Algumas pessoas com autismo não falam, outras não param de falar, algumas falam de forma incomum, entendem pouco, não entendem, ou entendem de forma única. Alguns indivíduos machucam a si próprios, outros machucam outras pessoas, muitos não machucam a ninguém. Muitas pessoas com autismo são extremamente apegadas a rotinas rígidas, outras tantas não dão a mínima para isso. Em outras palavras, não se trata de um problema específico que se resolve com uma acomodação ou medidas de acessibilidade. Trata-se de um universo imerso, com combinações únicas de dificuldades nas áreas de comunicação, interação social e motivação.

Pequena parcela de indivíduos com autismo podem apresentar fenômenos cognitivos. Um deles é conhecido como splinder skills33 ou “ilhas de excelência”, esse se manifesta por

meio de habilidades em decifrar letras e números, mesmo sem compreenderem o que leem. Outro é conhecido como savant34. Este último relaciona-se a um domínio reduzido de

habilidades, como por exemplo: alta capacidade de memorização e reconhecimento perfeito de tonalidades musicais, “ouvido absoluto”, permitindo a reprodução de uma peça musical mesmo após ter ouvido uma única vez. De acordo com Vadasz (2004),

O cérebro da pessoa com autismo é incapaz de processar informações multicategoriais simultaneamente, de modo integrado e contínuo. Privilegia a parte em detrimento do todo. Imerso no caos, busca desesperadamente ordem, harmonia, significado, estabilidade e constância. Não sendo bem sucedido, busca conforto em comportamentos repetitivos e na especialização. Executam repetidamente tarefas simples, como girar incansavelmente objetos (rodas de carrinhos, bolas, moedas e pás de ventiladores), ou complexas, como executar ao piano uma obra de Bach (ilha de excelência num mar de deficiências: fenômeno Savant).

Ainda, com o objetivo de ampliar nosso entendimento acerca do TEA e o processo de ensino e aprendizagem de habilidades escolares por este público, participamos do treinamento

33 Habilidades preservadas ou altamente desenvolvidas em certas áreas que contrastam com déficits gerais de

funcionamento da pessoa com autismo.

34 Desenvolvimento acima da média, às vezes prodigioso em habilidade específica na presença de retardo mental

50 intitulado, “Ensinando Matemática e Alfabetização Fonética para crianças com Autismo” 35, oferecido na Instituição AMA – Associação de Amigos do Autista. Posteriormente, a mesma instituição permitiu a autora participar do treinamento intitulado, “Treinamento no Modelo

Educacional da AMA” 36, esse treinamento é destinado a profissionais das áreas de psicologia, fonoaudiologia, educação física, entre outros profissionais que se interessem em participar do programa de estágio oferecido pela instituição. O treinamento é composto por aulas teóricas e práticas, onde foi possível o contato direto com crianças e jovens com TEA com diferentes graus de intensidade (capacidade intelectual) e de gravidade (severidade dos sintomas) de autismo.

Após apresentarmos um pequeno recorde de nossa trajetória na busca de ampliarmos nosso repertório a respeito do tema autismo, no próximo capítulo, passamos a apresentar a fundamentação teórica adotada e seus pressupostos que nortearam a organização e análise dos dados coletados.

35 Treinamento realizado e concluído em 26 de agosto de 2013.

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