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principalmente quando compararam seus textos, novamente com as outras versões. Na questão de número dez (Quantos anos se passaram entre uma versão e outra? Esse fato interfere na história dessas versões?), eles identificaram principalmente o uso de palavras e

termos que não existiam na época em que foram escritas algumas versões, como: fábrica, shopping, F.B.I, internet, Lovatic (quem é fã da cantora Demi Lovato), WhatsApp, celular, C.I.A.

Os estudantes observaram também outros aspectos como: ausência de parágrafos, pontuação (travessão, ponto final e vírgulas) e questões ortográficas. Mas ressaltamos que essas questões seriam trabalhadas em outras aulas. Durante as discussões, procuramos atentar para os pontos que apresentaram mais dificuldade, visando à reescrita da 3ª versão dos seus contos.

5.4.3. Reescrita da 3ª versão do conto Chapeuzinho Vermelho

Mascuschi (2010), em seu livro “Da fala para a escrita”, em nota de rodapé, afirma que Neusa Travaglia (1993) define a retextualização como um processo de tradução de uma língua para outra. Nesse sentido, Mascuschi (2010, p. 46) ressalta que em sua obra, a retextualização também se refere à tradução, “mas de uma modalidade para outra, permanecendo-se, no entanto, na mesma língua”. Mais adiante, o autor destaca que seria possível substituir retextualização por reescrita ou refacção no sentido utilizado pelas autoras Fiad e Sabison (1991) e Abaurre et al. (1995, p. 46) citadas pelo autor, que conceituam a reescrita e refacção abordando aspectos “relativos às mudanças de um texto no seu interior (uma escrita para outra, reescrevendo o mesmo texto), sem o envolvimento das diversas variáveis encontradas na retextualização.

Carlos F.B. d‟ Andrea e Ana Elisa Ribeiro (2010), em seu estudo entitulado “Retextualizar e reescrever, editar e revisar: Reflexões sobre a produção de textos e as redes de produção editorial” afirmam que o ponto principal que estabelece uma diferença entre as expressões, consiste, na reescrita ou refacção, à atuação se dá sobre o mesmo texto, enquanto na retextualização o processo envolve a mudança de uma modalidade para outra (oral e escrita). Em seu estudo, os autores citam Matencio (2010) que traz a definição para reescrita como “atividade na qual, através do refinamento dos parâmetros discursivos, textuais e linguísticos que norteiam a produção original, materializa-se uma nova versão do texto” (MATENCIO apud ANDREA e RIBEIRO, 2010, p. 66).

Já os documentos oficiais usam o termo refacção, ressaltando em nota de rodapé que consideram “mais do que o ajuste do texto aos padrões normativos, os movimentos do sujeito para reelaborar o próprio texto: apagando, acrescentando, excluindo, redigindo outra vez determinadas passagens de seu texto original, para ajustá-lo à sua finalidade” (BRASIL, 1998, p. 28). Por entendermos a reescrita e refacção como termos equivalentes, adotamos na nossa intervenção a reescrita, no sentido destacado pelos PCNs.

Os PCNs afirmam que a reescrita pertence ao próprio processo de escrita “durante a elaboração de um texto, se releem trechos para prosseguir a redação, se reformula passagens. Um texto pronto será quase sempre produto de sucessivas versões” (BRASIL, 1998, p. 77). O que implica dizer que, no contexto escolar, esses procedimentos devem ser adotados e podem ser aprendidos. Visando à aprendizagem desses procedimentos, buscamos promover atividades que possibilitem aos alunos a utilização de instrumentos linguísticos, como recomendado pelos documentos oficiais, na revisão de seus textos. Nessa perspectiva, a reescrita em nossa intervenção não é “mera higienização” (JESUS, 2011), visto que entre a primeira versão e a final foi desenvolvida uma série de atividades.

Plano de aula 11

Escola Estadual Cônego Luiz Wanderley Professora: Adriana Oliveira de Farias

Ano escolar: 6º Turma: A Turno: Matutino

Tema da aula: Reescrita da 3ª versão do conto “Chapeuzinho Vermelho”

Objetivos comunicativos: Os alunos deverão produzir a terceira versão do conto Chapeuzinho Vermelho com base nos estudos já realizados.

Objetivos linguísticos: os alunos devem ser capazes de utilizar os conhecimentos linguísticos para se expressar por escrito.

QUADRO 23 - Detalhamento do Plano de aula 11

Fase Procedimentos metodológicos Duração Material Avaliação

1ª fase oral

2ª fase escrita

Explicação da atividade a ser realizada pelos alunos.

Em seguida, os alunos irão reescrever suas 3ª versões.

10 min. 1h e 40 min. Folhas em branco para a reescrita da 3ª versão do conto pelos alunos e a 2ª versão dos seus contos.

Participação dos alunos na atividade proposta.

Nessa fase, solicitamos aos alunos a reescrita total proposta por Lopes-Rossi. Depois das atividades de revisão colaborativa, realizadas nas aulas anteriores em que foram priorizados alguns aspectos17, propomos a reescrita da terceira versão, buscando promover o avanço nos seus textos em relação à segunda.

Nessa etapa, entregamos aos alunos a 2ª versão dos seus textos juntamente com a análise feita pelos colegas e solicitamos que eles fizessem uma nova leitura, levando em consideração os aspectos abordados na aula anterior para, em seguida, trabalharmos na 3ª versão dos seus contos.

A princípio, pensávamos que essa seria a etapa mais tranquila do processo, mas foi bastante tumultuada. Os estudantes não entendiam o porquê de uma 3ª versão, alegavam que já sabiam onde tinham “errado”, que a professora colocasse logo a “nota” da redação. O que nos revelou: 1) a prática de sala de aula a que eles estavam habituados, no que se refere principalmente à produção textual, em que geralmente são apontados os “erros” nos textos produzidos, para depois serem devolvidos aos alunos com uma “nota”, não havendo um momento para a reescrita desses textos; 2) eles estavam realmente cansados e ansiosos para a confecção do livro de contos.

Explicamos que era necessária a reescrita, pois seus textos seriam lidos por outras pessoas, que eles modificariam o que achassem necessário, para torná-los cada vez mais adequados à situação de produção e aos seus interlocutores. Como a atividade demorou mais que o previsto, pedimos que os alunos levassem seus textos para casa e trouxessem no próximo encontro.

No encontro seguinte, os alunos entregaram seus contos. Entretanto, a maioria se preocupou mais na correção ortográfica e no uso de alguns sinais de pontuação (principalmente o travessão). Acordamos, então, com a turma que nos próximos encontros promoveríamos aulas para reforçar alguns aspectos e depois teríamos encontros mais individuais, visando à reescrita da quarta versão.