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Preparation of ingredients for mixing

2.3 MAIN EXPERIMENT

2.3.3 Preparation of ingredients for mixing

A segunda categoria que aproxima os MOVAs é a concepção de alfabetização. Para ilustrar essa Categoria, trago o MOVA-RJ, MOVA-Paulo Freire/PA, MOVA-Diadema, MOVA-MS, MOVA-Ribeirão Pires/SP e São Bernardo do Campo.

O MOVA-RJ apresentou denso conceito de alfabetização, privilegiando as experiências em curso no Estado do Rio de Janeiro para não impor uma “lógica/ proposta construída pela equipe pedagógica”. Seguiram afirmando no referido relatório que o compromisso estava assentado em uma alfabetização emancipadora, que formasse “leitores e escritores autônomos, críticos e com condição de interferir e modificar sua realidade”.

Os princípios teórico-metodológicos elencados pelo MOVA-RJ são os que seguem: compromisso com os saberes, conhecimentos e as histórias de vida dos sujeitos envolvidos no processo de alfabetização; o conhecimento entendido como algo que se dá em rede, de modo transversal; processo de alfabetização que imponha e resgate a realidade e os interesses dos alunos; valorização da heterogeneidade das vivências, que serão asseguradas em um trabalho compartilhado.

No Pará, em Belém, encontramos no MOVA-Paulo Freire o conceito de alfabetização pensado enquanto um “ato de criação, capaz de gerar outros atos criadores”. Os educandos e educandas, concebidos como sujeitos históricos e sociais, carregam uma leitura de mundo que deve ser considerada como conhecimento socialmente válido, e é partindo dessa realidade que o educador/a “apropria-se do universo vocabular de seus educandos como subsídios do planejamento pedagógico”.

O MOVA-Paulo Freire recupera as falas e são essas as fontes que estabelecerão a relação dialógica, permitindo “que homens e mulheres se reconheçam nas suas palavras e se distanciem delas para instrumentalizarem-se nas soluções das problemáticas em seu cotidiano”. Nessa perspectiva, a alfabetização se torna instrumento de libertação das classes populares.

No Estado de São Paulo, o MOVA-Diadema alicerça a alfabetização em uma concepção voltada para um processo construtivo, cujo “ponto de partida são os conhecimentos e as vivências adquiridas pelos educandos em sua trajetória de vida em sociedade, tanto em relação aos aspectos sócio-culturais como referente aos conhecimentos sobre a língua escrita, a oralidade e a leitura”. A metodologia contemplava a “mediação entre o indivíduo e o conhecimento”, através do desenvolvimento de um “processo de ensino e de aprendizagem pautados em conteúdos significativos e contextualizados”.

Neste Movimento, o educando jovem e adulto interagia com o mundo letrado, porque possuía “conhecimentos sobre a escrita e sua função social, já que utiliza no seu cotidiano diversos mecanismos para identificar diferentes tipos de textos e suas funções, mesmo não sendo alfabetizados”. Diferentemente da maioria dos MOVAs, em Diadema encontramos um conceito de alfabetização que se estendeu para além do que chamamos de alfabetização inicial, aquela voltada para o equivalente aos dois primeiros anos do ensino fundamental, momento em que é possível garantir a construção alfabética da língua materna.

O MOVA-Diadema, no ano de 2001, definiu que os educandos atingiriam os objetivos equivalentes aos quatro anos do ensino fundamental, para serem depois encaminhados para as Escolas Estaduais ou Municipais de 5ª a 8ª séries, onde fariam uma avaliação para serem classificados para prosseguirem seus estudos.

No Estado do Mato Grosso do Sul foi desenvolvido o MOVA-MS, e esse compôs com o projeto mais ampliado do governo do estado, o Projeto de Ações Integradas de Segurança Alimentar – PAISA. O MOVA-MS, de acordo com o relatório, “prima por uma metodologia freireana, que tem como concepção a educação libertadora, objetivando, com isso, a libertação do homem para que esse desenvolva sua criticidade”. A alfabetização é “um ato que permeia a construção do conhecimento e que deve proporcionar o ato de ler e escrever, não como memorização mecânica de letras [...], mas partir de um contexto que garanta a reflexão crítica por parte dos alfabetizandos”.

O MOVA-MS tinha como pressuposto o fortalecimento do coletivo e a ação político-pedagógica se embasada nos seguintes pilares: “história de vida; sonhos; realidade; conjuntura no contexto político, econômico e social”.

Ainda no Estado de São Paulo, em Ribeirão Pires, o MOVA-Ribeirão Pires se fundamentava na pedagogia de Paulo Freire, realizando “uma leitura crítica do mundo, respeitando os sonhos, as frustrações, as dúvidas, os medos e os desejos dos educandos. Uma alfabetização em que o ser humano é referência central”. A ação educativa traduzida pelos conteúdos trabalhados com os educandos era definida “a partir dos problemas encontrados no cotidiano”.

No MOVA-São Bernardo do Campo, a alfabetização era vista como parte do processo de melhor perceber e agir no mundo, portanto, a base da aquisição da leitura e da escrita estava inscrita nas práticas do dia-a-dia e nas diferentes possibilidades de uso da escrita. A alfabetização representava um processo solidário

de aprendizagem, em que as relações entre o alfabetizador e alfabetizandos eram dialógicas e produtoras de conhecimentos.

A ação pedagógica de alfabetização considerava:

Imprescindível saber o por quê, para quê e como alfabetizar, pois não é possível compreendê-la apenas pelo aprender a ler e escrever, mas pela conscientização dos problemas em geral, não bastando ter uma teoria, mas exercitando uma prática que resulte na práxis de um indivíduo que, superando as generalizações imediatistas, construa uma visão clara do mundo.

No universo do “como ensinar e como aprender”, o Mova-SBC baseou-se nas contribuições de Paulo Freire, da sócio-linguística e da psicologia, destacando Emília Ferreiro na compreensão dos processos de aquisição da leitura e da escrita.