2. MARKETING INTERNO
2.4. Modelos de gestión de marketing interno
2.4.2. Las premisas del Modelo de Gestión de Marketing Interno
Em relação ao meio rural, a situação é mais difícil, pois, em um primeiro momento os agricultores familiares têm que superar as (des)políticas públicas, buscar novas tecnologias e implantar novas culturas e criações, buscar novas fontes de renda, usar meios alternativos para complementar os espaços agriculturáveis das propriedades, procurando torná-las lucrativas e viáveis, no intuito de superar as dificuldades apontadas.
Em relação à crise da agricultura familiar, vejamos o que nos diz Niobem Francisco Simmer, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Domingos Martins e Marechal Floriano — STR:
“...Nós estamos em dificuldade hoje, o sério problema do Brasil inteiro e de Domingos Martins mais ainda, pois a nossa economia aqui é toda agrícola, é café, hortifrutigranjeiro, o setor granjeiro tá brabo tá pior do que o café, pior o café ainda consegue ir levando mesmo com preço baixo, foi provado que ele ainda deixa uma renda, já o frango não deixa nada e a horticultura também está difícil pois o custo é alto...hoje o que tá agüentando o meio rural, principalmente os agricultores familiares são os aposentados.”(entrevista pessoal, outubro de 2002)
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Vimos que para o Presidente do STR de Domingos Martins e Marechal Floriano existe uma crise na agricultura familiar. Segundo Lemos, essa crise traz conseqüências danosas, alterando o modo de vida das famílias. Lemos nos diz que:
“Uma das conseqüências das políticas agrárias e agrícolas, favorecendo o empobrecimento do campo, é a alteração das formas de inserção da mulher na produção econômica. Se até épocas bem recentes, a economia agrária de pequenos e grandes proprietários
estava centrada na produção de grãos para o grande comércio e de animais para o abate, atualmente, com a crise na política agrária e agrícola, a produção se torna mais diversificada.” (Lemos, 2002, p 119).
Vejamos a opinião de alguns dos principais comerciantes da sede do município a respeito dessa crise.
No setor de eletro-eletrônica, a reação do consumidor do meio rural, é de redução considerável. Para Lúcia Marina Wernersbach de Jesus da loja Wernersbach:
"...em relação aos clientes do interior houve uma queda muito brusca, desde vamos dizer, de 2000 para cá, o comércio daqui de Campinho (sede do município de Domingos Martins)vive exclusivamente da agricultura, pois 80% do município vive da agricultura, Dos nossos clientes hoje, 50% são do meio rural, no passado eram muito mais, hoje houve uma redução de compra, não posso te dizer exatamente não mas acredito que uns 20% menos,...o pessoal do interior, vem para pegar aposentadoria que era para comprar alguma coisa a mais, como uma máquina, uma geladeira, um freezer, mas eles não estão podendo agora dispor desse dinheiro para esses, esses supérfluos, vamos dizer né, tem que ir para a comida para reforçar no arroz, feijão, eu sinto assim.”(entrevista pessoal, outubro de 2002)
No setor vestuário, não é diferente. Na loja Strey, segundo o gerente, a queda também é significativa. Para ele, atualmente os clientes do interior compram menos: “reduziu consideravelmente e além disso procuram comprar peças de qualidade mais barata. Houve uma redução na venda em torno de 20% para o pessoal da roça”. (entrevista pessoal, outubro de 2002).
Segundo Geruza Lúcia Reinholz de Nazareth sócia-gerente do Supermercado Nazareth sua clientela é em torno de 70% rural. Para ela :
“O consumo diminuiu devido à crise no país, que abrange o interior, pois ela ocorre em efeito cascata. A venda reduziu, porém não muito, o pessoal do interior não compra supérfluo, compra o básico, não dá muita diferença, não reduz o montante da compra, mas sim o produto, em vez de comprar um produto de boa qualidade, compra de menor qualidade...” (entrevista pessoal, outubro de 2002)
De todos os setores procurados, nenhum se aproxima da situação do de móveis e eletrodomésticos. É aí, segundo Aderval Faller, gerente da Lojas Paris, a pior situação:
“Hoje a clientela é 50% rural, no passado eram muito mais do meio rural...hoje não vende mais que 50% do que vendia no passado para os agricultores. Hoje só compram móveis em caso de necessidade. Os eletrodomésticos são considerados objetos supérfluos na roça e na cidade o povo vive com salário defasado. No Distrito de Paraju (basicamente agrícola) fazem uns 6 meses que não vende nada, lá que depende da agricultura é muito pior. Eu para falar a verdade trabalho há 30 anos no comércio e 24 anos nesta loja e nunca tive dificuldade financeira como agora de 2 anos para cá”. (entrevista pessoal, outubro de 2002)
Em todos os depoimentos, percebemos com clareza que existe uma redução no poder de compra na categoria rural. A situação se agrava porque não existe uma formação específica para esta categoria. Vemos, entretanto, que algumas famílias permanecem no meio e melhoraram consideravelmente a sua qualidade de vida, mesmo através de um processo lento. Geralmente, a maioria dos agricultores são conservadores e reticentes a mudanças. Normalmente buscam atitudes isoladas quando se confronta com situações adversas. Em relação a isto, diz Morais que a estrutura do processo produtivo no qual está envolvido o camponês, determina muito de suas atitudes sociais e traços de seu comportamento ideológico, no momento em que participa dentro do grupo social:
“Sua atitude isolacionista, aparentemente reacionária a associação (sindical, cooperativa, etc) não é conseqüência apenas do nível de educação, que entre os camponeses quase sempre é muito baixo e sim
procede da incompatibilidade de tipo estrutural que distingue tal atitude da organização de caráter e participações sociais. Só em situações extremas o agricultor busca saída para a crise, porém o conservadorismo se mantém”. (Morais, 1986, p. 16)
Os números apresentados anteriormente e a questão da venda de propriedade, abordada no capítulo primeiro, convidam-nos a uma reflexão sobre a crise na agricultura familiar e o papel da formação. Apontam que a "vocação agrícola e familiar" do município deve ser repensada e planejada. Diante das dificuldades, vários agricultores familiares, acabam vendendo a propriedade ou parte dela. Por outro lado, existem agricultores que não vendem a terra. Trabalham de forma inovadora para a região, agregam valor, geram riqueza e alguns postos de trabalho.
4.3 - A defasagem da formação tradicional e a formação necessária