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2.2.1 A formadora

Luciana Tenuta é licenciada e bacharel em Matemática pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Finalizou a licenciatura em 1979 e o bacharelado um ano depois. Especializou-se em Educação Matemática no “Centro Universitário UNI-BH” em 1999. Teve o Mestrado em Ensino de Matemática concluído em 2008, na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

A profissional lecionou Matemática em todas as séries dos Ensinos Fundamental e Médio em uma instituição da rede privada em que trabalhou por vinte e quatro anos. Ainda como professora de Matemática, iniciou o trabalho voltado para a formação de professores no ano de 1996, dentro da mesma instituição, visitando escolas de outras cidades e de outros estados que faziam parte de uma mesma Rede de Ensino. Foi uma das responsáveis pela elaboração do projeto político pedagógico da referida escola, ainda vigente. Em 2003, iniciou a carreira na docência do Ensino Superior.

O trabalho na Prefeitura Municipal de Belo Horizonte começou no ano de 2010, somente na Regional Barreiro. No ano seguinte, sua carga horária como formadora da PBH expandiu de tal forma que ela se viu forçada a pedir licença sem vencimento da faculdade na qual trabalhava. Concomitantemente, por meio de indicação de professores da PBH que participavam dos cursos de formação regionalizados e de acompanhantes pedagógicas que supervisionavam os cursos, a formação se expandiu para dentro de muitas escolas municipais.

Foi nesse contexto que conheci a formadora, ao participar do “Curso de Formação Docente da Regional Leste”, em 2012, apresentei para ela minha intenção de pesquisa e acompanhei, em 2013, quatro encontros de formação em Matemática em uma escola na Regional Pampulha.

2.2.2 A professora

Como foi relatado na seção 2.1 desse capítulo, no dia em que fui apresentada ao grupo da Escola LIAN, a acompanhante pedagógica perguntou ao grupo se alguém se disporia a me acolher em sala de aula por pelo menos um mês. Naquele momento, uma única professora se manifestou, dizendo que me receberia por acreditar que faríamos um trabalho bilateral.

Maria Paula é uma professora de cinquenta anos de idade, com vinte anos de experiência em sala de aula. Encantada por literatura infantil, afirma que o que mais gosta de fazer é ler. Concluiu o curso de habilitação ao Magistério em 1979 e, insatisfeita com a sua formação em nível médio, no final do último ano foi aprovada no curso de Pedagogia da UFMG.

Maria Paula: Às vezes a gente fazia perguntas e os professores não sabiam

responder. Aí eu continuei. Eu lembro que da minha turma eu fui a única que fiz Pedagogia. Porque na época o pessoal fazia magistério, começava a trabalhar e pronto.

A graduação teve início em 1980 e se estendeu por aproximadamente seis anos, uma vez que, nos períodos finais da licenciatura, Maria Paula fez todas as ênfases que o curso oferecia naquela ocasião.

Maria Paula: Naquela ânsia de aprender tudo, e num período de mudança

curricular do curso, fiz uma parte do currículo velho, passei para o currículo novo e fiz todas as formações que eu achava que era importante, supervisão, orientação, além da formação do professor.

Logo que concluiu a graduação, Maria Paula engravidou da primeira filha e ficou por aproximadamente cinco anos sem trabalhar para se dedicar integralmente à maternidade. Nesse período, fez licenciatura em História em uma faculdade da rede privada, mas não concluiu o curso.

Assim que resolveu se inserir no mercado de trabalho, Maria Paula optou por fazer sua carreira dentro da PBH porque seu ideal de Educação desde a época da graduação – em que

teve a oportunidade de estagiar em um número considerável de escolas dos dois setores de ensino (público e privado) – era trabalhar em escola pública. Nessa situação, iniciou na RME/BH em 1994.

Pensando em suas três filhas ainda crianças, Maria Paula usou como critério para escolha da escola onde seria lotada a proximidade de sua residência. Inexperiente e novata na Rede, durante muitos anos, não teve a possibilidade de escolher com que turmas e/ou com que idades iria trabalhar:

Maria Paula: Quando a gente chega na escola, a escola te manda para aquilo que

sobra. A última a chegar sempre pega o que sobra. Então, tive muitas experiências difíceis.

Depois de trabalhar alguns anos com alunos do Segundo Ciclo, ministrando as disciplinas de História, de Geografia e de Português, Maria Paula conseguiu se transferir para o Primeiro Ciclo e acredita ter tido um bom retorno do trabalho com essa faixa etária.

Após um período em uma mesma instituição, conseguiu transferência para uma escola ainda mais perto de casa, mas para trabalhar no turno da noite com adolescentes e com adultos. Pensando no lado pessoal, Maria Paula aceitou a troca. Ainda que soubesse que o trabalho seria difícil, não poderia imaginar que acabaria sendo agredida fisicamente por um aluno. Em decorrência disso, ficou afastada do trabalho por alguns meses, até se recuperar psicologicamente do ocorrido.

Em 1994, Maria Paula foi transferida para a Escola LIAN que, além de ser bem próxima da sua residência, era uma escola que, como já mencionei, recebia/recebe um público mais limitado, atendendo apenas crianças dos seis aos doze anos de idade. Depois de um ano trabalhando com produção de texto em muitas turmas ao mesmo tempo, conseguiu assumir uma turma dos anos iniciais do Ensino Fundamental.

Ao longo de 2013, além de participar de forma efetiva da formação em Matemática – fazia perguntas e anotações, estabelecia vínculos entre as discussões feitas por Luciana e as situações que vivia em sala de aula – Maria Paula também participou do PNAIC, que neste ano propôs estudos e atividades práticas na área da Linguagem.

Deve-se reconhecer que outras pessoas, embora não tenham sido diretamente investigadas nesta pesquisa, também tiveram grande importância no desenvolvimento do trabalho, pelas interações que estabeleceram com os principais sujeitos envolvidos. Trata-se das demais professoras da escola que participaram dos encontros de formação em serviço e dos alunos da professora Maria Paula.

Cabe ainda ponderar que a própria presença da pesquisadora em sala de aula, mesmo sem ter intenção deliberada de intervenção nesse contexto, sempre acaba por exercer alguma influência nos sujeitos da pesquisa.

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